quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O TEMPO


o tempo
não pára
continuidade absoluta
roldana que gira
que gira
sob os pés do homem
saltimbanco
que por ora
se equilibra

o tempo
não pára
ooooooab
menteooooso
oooooatul
OO

E-MAIL DO MADRID

FELIZ DOIS MIL
INOVE

FESTÉBOM

Entre os livros de Nietzsche, Genealogia da Moral é apofântico, verdadeiro. Em seu grande projeto de introduzir os conceitos de sentido e de valor, começa defendendo que o filósofo é um genealogista, alguém que estuda valores de origem e origem dos valores. A crítica instaurada por ele não é uma reação, mas um modo de existência ativo. A leitura de Zaratustra complementa esse entendimento.
A introdução acima é necessária para o que o visitante deste blog, leitor inteligente, saiba o porquê da minha crítica a certos costumes, a certos valores sociais que fundamentam a vida moderna. Observando todo o estardalhaço que fazem as pessoas na passagem de ano, ouso dizer que o conhecimento genealógico do nosso calendário diminuiria os exageros cometidos num estado que beira a insanidade coletiva. Dois sentimentos parecem dominar a todos: o desprezo pelo que passou (2008) e a esperança pelo que virá (2009). Aquele é velho, encarquilhado, terra arrasada, e este é novo, bonito, terra prometida. Com alguns conhecimentos de Psicologia, adianto que jamais teremos um próspero novo ano se aquele que encerra seu ciclo não foi um ano próspero. Isso continua verdadeiro para qualquer outra variável que se coloque no lugar de prosperidade. Não é pessimismo, não. Puro realismo, admitindo-se que vivemos distante do Reino da Fantasia, com considerável saúde mental.
Na coluna do Expresso de hoje, abrevio um conteúdo vastíssimo para dar a entender em poucas palavras a minha posição quase alienígena diante da partição temporal. Uma necessidade de ordem cronológica, prática e exterior, forçou-nos a elaborar um calendário cheio de imprecisões e absurdos. O resultado foi a criação de um outro tempo, psicológico, interior (explorado pela Literatura e Cinema). Agora vivemos submetidos à ação de fora e de dentro, num trânsito cada vez mais confuso e veloz.
Apesar disso, não vou discordar dos meus contemporâneos: festa é bom.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

AURELIANO F. PINTO


A estátua de Aureliano de Figueiredo Pinto, colocada em frente à casa onde residia, constitui um dos pontos mais característicos da Rua dos Poetas. Após a instalação de um chafariz e do desenvolvimento das flores ali plantadas, a pracinha se tornará um lugar muito aprazível para os encontros da tarde.
Duas pessoas já se manifestaram contra essa homenagem a Aureliano. Uma delas já está se achando em condições de criticar por criticar (uma vez que não mudará nada do que foi feito). A propósito, prometeu que mudará, sim, quando for prefeito: tirando a estátua de Aureliano da Rua dos Poetas. No mínimo, paradoxal para quem defende a democracia. Bom começo para quem quer ser prefeito um dia. Chicão nunca se portou dessa forma, ditatorialmente. O Júlio Ruivo também. Ambos fizerem por merecer a belíssima carreira política no âmbito municipal. No lugar de Aureliano, essa pessoa defende que outro deveria ganhar uma estátua: Caio Fernando Abreu. Este já foi homenageado na primeira quadra. Futuramente, Caio poderá ser estatuado (antes que esse crítico do projeto chegue a ser prefeito, eh eh).
A segunda pessoa, beirando a insanidade, brada ao telefone que é uma "cachorrada" a distinção dada a Aureliano (que não é santiaguense de nascimento, blá, blá, bla). Jaime Medeiros Pinto é que deveria ganhar uma estátua. Homenageado na primeira quadra, o radialista e poeta também entraria na fila iniciada (acima) com o Caio Abreu.
Aureliano não era porto-alegrense, no entanto, seu nome passou a designar uma das avenidas da capital gaúcha. Santiago já o homenageou com a denominação de uma pequena rua. Mas é pouco para o tamanho de Aureliano: médico humanitário, político, poeta, romancista e, acima de tudo, cidadão que amava a cidade em que escolheu para viver até o fim de seus dias.
Caso o projeto da Rua dos Poetas dependesse dessas duas pessoas para a seleção de um dos vinte homenageados, com o propósito de representá-lo plasticamente, certamente o desacordo acabaria em briga. A comissão optou por Aureliano de Figueiredo Pinto, sem manipulação (diga-se de passagem).

FILINTO CHARÃO

Filinto Charão é outro exemplo do que postei abaixo. O presente corrige uma falta do passado. Até ontem, ele era um poeta esquecido, como bem avaliara Oracy Dornelles. As escolas receberão a antologia, que traz o seguinte poema de Filinto:
oo
Noite de Inverno
oo
Que noite má, que frio e que amargura!
Somente lá por fora zimbra o vento,
Contorcendo o arvoredo que murmura
De mãos alçadas para o firmamento.
oo
E eu só!... que noite longa e que tristura
Há neste quarto lúgubre e poeirento!
Meu leito - é uma gelada sepultura,
Meu lençol - um sudário... Oh, que tormento!
oo
Ah! si odorante e linda como outrora,
Ela, em quebrantos, terna e carinhosa,
De amor vencida aparecesse agora!...
oo
Não mais terei ventura igual aquela,
De, em uma noite assim, triste e brumosa,
Sonhar envolto entre os cabelos dela!
00
A vida de boemia dava ao poeta os ingredientes para compor esse soneto romântico, mesmo em pleno modernismo. Por isso mesmo, excelente para ser estudado numa aula de Literatura.

O LIVRO


A Rua dos Poetas, a partir de agora, tem sua estrutura física diferente (calçamento, luminárias, monumentos, placas etc). Quem passar por ali, principalmente o pedestre, perceberá cinestesicamente a melhoria dessa realização urbanística. Há uma obra paralela, diga-se de passagem, dirigida à inteligência, ao espírito: o livro antológico. Não é porque auxiliei na seleção dos textos (cujo trabalho maior coube a Erilaine Perez), fiz a revisão e escrevi a apresentação, mas acho a melhor parte desse projeto cultural sem equivalente na história do nosso município. Não tivemos as câmeras voltadas para a sessão de autógrafos, realizada dentro do shopping Ilha Bella. Nenhum político passou por ali, onde não seria o centro das atenções, apenas professores e alunos - gente que gosta de ler, de conhecer. Mais tarde, dentro da Churrascaria Gaúcha, levamos o livro a todos os presentes. Por aí, conclui-se sobre a relação distante que o santiguense tem com a leitura. Alguns dos autores incluídos na antologia, como Ney A., não tinham publicado, permanecendo desconhecidos para a maioria.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

COLUNA DO EXPRESSO

A próxima edição do Expresso Ilustrado sairá na quarta-feira, dia 31 de dezembro. Depois de pensar um pouco sobre o tema para a coluna Crítica e Autocrítica, resolvi escrever sobre o maior acontecimento festivo da atualidade: a passagem do ano. Fui obrigado a cortar parte do rascunho, dimensionando o texto ao espaço da coluna ("leito de Procusto"). artaO
OOOOOOOOOOOOOOFELIZ 2009
Um alienígena que chegasse à Terra neste momento, depois de ter estudado nossa cultura, continuaria a não entender a grande agitação vivida por nós, seus anfitriões. Mesmo dotado de uma grande inteligência, ele teria que aguardar até a meia-noite, quando, sob fogos de artifício, ouviria um discurso em uníssono. A partir daí, o viajante interestelar seria iluminado pela luz do discernimento próprio, como testemunha de um rito de passagem especial, em que participa toda a sociedade. Orientados por um calendário mais ou menos preciso, festejamos o fim de um ano e o início de outro. Logo ele saberia que dois números (de uma seqüência relativamente pequena) significam o passado e o futuro: 2008 e 2009. Uma hora antes, uma hora depois, uma faixa delgada de tempo sobre a qual os terrestres fazemos o maior alvoroço. Todo balanço acaba com um saldo positivo, uma vez que o encerramos com a expectativa do novo ano. Outros aspectos seriam percebidos pelo observador de fora. A origem religiosa de nosso calendário, bastando-lhe seguir o “fio de Ariadne” estendido ao longo de dois milênios. Os primeiros anos coincidiriam com a vida de Jesus Cristo. Os movimentos do planeta, como referencial para as medições cíclicas, principalmente de dias e anos. A imprecisão dessas medidas, ele concluiria, resulta num dia extra a cada quatro anos. Com relação aos meses, todavia, ficaria sem entender nomes e números. Mera convenção instituída por Roma (governo e igreja). Como o primeiro do ano. Mera convenção. Nenhum ponto característico existe no movimento da Terra em torno do Sol que identifique um começo da translação. A interferência é a marca da cultura humana. Isso o nosso hipotético visitante logo aceitaria como verdade, desejando-nos um Feliz 2009.

domingo, 28 de dezembro de 2008

EXISTE UM LUGAR

Nunca me verão estressado ao final de um ciclo qualquer, inclusive o da rotina. Posso estar cansado no final do dia, principalmente acima dos 30ºC (não gosto do calor). Sexta-feira é sempre um dia festivo, mesmo sem a cerveja. Final do mês, as contas me preocupam um pouco, mas nada que pode ser diagnosticado como a doencinha sem-vergonha. Por último, não sinto a urgência das férias para "recarregar as baterias" no final do ano. A vida na cidade, no entanto, causa-me certo enfado. Seus ruídos e seus reflexos cansam, respectivamente, meus ouvidos e meus olhos. Para fugir dela, vou passar um fim de semana na casa do meu pai. Rincão dos Machado é meu refúgio, meu reencontro com o silêncio, com os pássaros, com as estrelas. Lá é meu Ixtlan (que, segundo Carlos Castañeda, todos procuram até o fim da vida). Por isso não me estresso, não sofro de excesso de sensibilidade. Acabei de chegar do rincão.

sábado, 27 de dezembro de 2008

VÍRGULA

Com relação ao emprego correto da vírgula, não é um exagero dizer que inexiste um texto cem por cento, ou dez. Os grandes escritores não passariam com a nota máxima. Para ilustrar, transcrevo a seguinte frase de José Saramago, extraída do romance Ensaio sobre a cegueira (que leio a olhos lentos):
oooNo interior a corda abria-se em duas.
Sem vírgula!
Obviamente, o erro pode não sido do autor, mas do digitador e do revisor (que não o identificou).
A colocação da vírgula exige profundo conhecimento de sintaxe. José de Nicola divide o aprendizado virgular em várias lições:
- A vírgula e os termos essenciais da oração;
- A vírgula e os termos integrantes da oração;
- A vírgula e os termos acessórios da oração;
- A vírgula e as orações coordenadas;
- A vírgula e as orações subordinadas substantivas;
- A vírgula e as orações subordinadas adjetivas;
- A vírgula e as orações subordinadas adverbiais.
Na frase de Saramago, a vírgula deve separar "no interior" de "a corda abria-se em duas". Por quê? A posição lógica do adjunto adverbial é logo em seguida ao verbo que modifica. Ao deslocá-lo de sua posição, deve ser separado por vírgula. Dessa forma, "no interior" (locução adverbial de lugar) encontra-se fora de sua posição, exigindo a vírgula (que não ocorre em "A corda abria-se em duas no interior").
Nos casos em que o advérbio deslocado for de pequena extensão, no máximo três sílabas, a vírgula pode ser dispensada.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ANO-NOVO, ANO NOVO OU NOVO ANO

Fundamentado no que aprendi com os nossos mestres de Língua Portuguesa, explico o uso correto das expressões Ano-Novo, ano novo ou novo ano. Ano-novo, com hífen e iniciais maiúsculas, refere-se ao primeiro dia do ano, ou Primeiro do Ano. Ano novo, sem hífen e minúsculas, significa todo o ano vindouro (2009). Neste caso, é preferível a forma equivalente "novo ano", justamente para evitar a confusão com o Ano-Novo. Os votos de prosperidade devem ser expressos para todo o ano, ano novo ou novo ano. Por falta de conhecimento, ninguém será extremamente parcimonioso ao desejar "um feliz Ano-Novo" a partir de agora.

ESCLARECIMENTO

Acaso defendi que o Papa Bento XVI é que está certo na postagem abaixo? Certo visitante acusa um viés "capcioso" nas minhas opiniões, ameaça deixar de ser meu leitor. Publiquei seu comentário (a despeito da anonimidade) para ilustrar um caso de preconceito (expresso pelo comentarista) contra o pressuposto preconceituoso (deste blogueiro). Por que defenderia o papa, se deixei de ser católico?

MARIA BERENICE VERSUS PAPA BENTO

Maria Berenice Dias, santiaguense de nascimento, depois de ser desembargadora, voltou a advogar. Seu escritório, em Porto Alegre, especializa-se em Direito Homoafetivo (união entre indivíduos de mesmo sexo, com adoção de criança, inclusive).


Papa Bento XVI, suprema autoridade da Igreja Católica, afirma que os homossexuais destroem obra de Deus. Para Sua Santidade, salvar a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento. "A Igreja Católica assume a defesa da obra da criação de Deus, "não deve apenas defender a terra, a água e o ar, mas também tem de salvar o homem da sua própria destruição". "O homem quer ser o seu próprio criador, ser o único a dispor daquilo que lhe diz respeito, mas ao agir dessa forma, ele vive contra a verdade, vive contra o seu criador", acrescentou o líder dos católicos.

Afinal, quem está certo? A verdade (moral) está de que lado?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

RUADOSPOETAS - ANTOLOGIA II

OOOOOOOOOOOOAPRESENTAÇÃO
oo
oooEsta Antologia 2 reúne os novos homenageados na Rua dos Poetas (quadra entre a Benjamin Constant e a Júlio de Castilhos). A plêiade é constituída por Filinto Charão, Aureliano de Figueiredo Pinto, Ney Aramy Dornelles, Adelmo Simas Genro, Manoel Vargas Loureiro, Oneron Jornada Dornelles, Antero Amaral Simões, Rivadavia Severo, Guirahy Pozo, Arno Gieseler e Juvenil Eurides Dorneles Nunes.
oooNascidos aqui ou vindos de fora, eles se notabilizaram com a cidadania santiaguense, produzindo obras referenciais e artísticas. Como poeta, cronista, historiador, romancista, escultor e músico, contribuíram para o enriquecimento cultural do nosso município. Impressos no bronze e neste livro (a partir de hoje), seus nomes ganham o destaque já perpetuado na memória dos parentes, amigos e conhecidos.
oooPor que incluir autores de outras expressões estéticas na Rua dos Poetas? Certamente, perguntarão com inocência os distraídos, e com arrazoado os cartesianos. Há duas respostas, conforme a exigência da inquirição. Para uns, dir-se-á que, não havendo espaço projetado para outras artes (ou gêneros), foi ampliada a homenagem a seus autores mais reconhecidos. Para outros, argumentar-se-á que tal inclusão se submete ao novo paradigma do século XXI, da complexidade: tudo se inter-relaciona, numa tessitura holística e necessária.
oooUma comissão especial, formada por representantes de diversas instituições, escolheu os nomes acima. Sob a coordenação da Secretaria de Educação e Cultura de Santiago, esta antologia foi organizada com o material cedido pelo Dr. Valdir Amaral Pinto, pelos familiares dos homenageados e por outras pessoas solidárias com o grande projeto. A capa revela o traço inconfundível do artista plástico Otelo Ribeiro. As partituras para piano foram compostas pelos músicos Roger Daniel Hartwig e Mário Jorge da Silva.
oooAo trabalho magnífico da Rua dos Poetas, coordenado pela Secretaria do Planejamento, junta-se este livro, como parte do todo (que representa uma parte da cultura em seu amplo significado).
oo
ooooooooooooooooooooooooooooooooooFroilam de Oliveira
ooooooooooooooooooooooooooooooooooDezembro de 2008

ÚLTIMO LANÇAMENTO DO ANO

O projeto da Rua dos Poetas lançará sua segunda antologia dia 29 de dezembro, 2ª feira. O evento faz parte da solenidade que inaugura mais uma quadra da Rua dos Poetas, entre Benjamin Constant e Júlio de Castilhos. O ato de inauguração, marcado para as 20:30 horas, e apresentações artísticas, com o Grupo Platoon, Fanfarra da 1ª Bda C Mec e Família Guedes, realizar-se-ão na rua, em frente à Vila Avozinha. Em seguida, haverá uma palestra com o Dr. Valdir Amaral Pinto, Poesia, unívoco da arte, no Círculo Militar. Ato contínuo, ocorrerá a sessão de autógrafos do livro Ruadospoetas - Antologia II. A sociedade santiaguense está convidada a comparecer, afinal, ela é a maior beneficiada com o embelezamento urbanístico do centro e com uma obra que reúne poemas, crônicas, excertos literários e históricos, fotos, partituras (amostras da produção dos autores homenageados). Fui responsável pela revisão dos textos selecionados e escrevi a apresentação.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ESTAMOS ANTENADOS

Prefeitura de São Leopoldo toma medidas contra falta de água
Equipes de fiscalização estarão circulando pelas ruas para controlar o desperdício
Em estado de alerta pelo baixo nível do Rio do Sinos, autoridades de São Leopoldo reuniram-se nesta quarta-feira para traçar um plano estratégico para driblar os efeitos da estiagem na região. Um conjunto de medidas emergenciais serão adotadas na cidade, entre elas, um decreto assinado pelo prefeito Ary Vanazzi (PT) que determina a formação de uma equipe de fiscalização e orientação que irá monitorar o desperdício de água na cidade. A equipe terá o poder de notificar e multar quando houver uso indevido de água. O decreto entra em vigência por 90 dias. Enquanto estiver em vigor, a água deverá ser usada unicamente para fins domésticos e higiênicos. Os estabelecimentos industriais, comerciais e residenciais deverão restringir o uso de água potável ao mínimo indispensável para suas atividades consideradas essenciais.
— Vamos agir com rigor até o final do verão. Estamos com um consumo 30% acima do normal. Assim, vamos penalizar quem for reincidente — avisa o prefeito.
Terça-feira, o rio atingiu a marca de 45 centímetros na estação de captação de água do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae), provocando falta de água em alguns bairros. Esta foi a menor medida dos últimos 10 anos. Com a chuva da madrugada o nível subiu para 70 centímetro, 20 acima do nível de alerta. O acréscimo, porém, não é motivo para comemoração. A situação é de alerta, enfatiza Vanazzi.
— Mesmo com o rio baixo as pessoas lavam carros e calçadas com mangueiras. Isso gera um grande desperdício — expõe Vanazzi.
[...] É esperada a colaboração dos agricultores que utilizam a água do rio, especialmente para o plantio do arroz. Uma grande campanha de comunicação também será posta em prática a partir de segunda-feira. Carros de som passarão pelos bairros anunciando que é tempo de racionamento. O decreto assinado pelo prefeito dá base legal para que o Semae autue as pessoas que gastarem água de forma inadequada, seja lavando carros ou calçadas. Denúncias poderão ser feitas pela população através do telefone 0800 51 02 910. Além disso, três equipes de fiscalização estarão circulando pelas ruas e caso flagrem qualquer tipo de desperdício entregarão um registro de alerta ao cidadão. Se a mesma pessoa voltar a contrariar o pedido, será multada em taxas a partir de R$ 38.
Estão proibidas:
• Lavagem de veículos automotores da qualquer espécie com o uso de água potável distribuída pela rede pública
• Os postos de lavagens de veículos não poderão utilizar-se da água potável distribuída pela rede publica para lavagem de quaisquer tipos de veículos automotores
• Irrigação de gramados, jardins e floreiras, bem como qualquer outro uso de água tratada, que possa significar o uso não prioritário
• Reposição total ou troca de água de piscinas e reservatórios de clubes, entidades ou residências
• Lavagem de calçadas de prédios, condomínios ou residências
(Matéria publicada no Zero Hora on line de hoje, que vem ao encontro da preocupação dos blogueiros de Santiago. Menos mal que nossa cidade não necessita de medidas radicais, como as adotadas por São Leopoldo.)

GRANDES MISTIFICADORES

Entre os grandes mistificadores da nossa literatura, Paulo Coelho é o que faz maior sucesso. Maior em descaradamento também, ao se achar o grande intelectual brasileiro. No livro O Alquimista, como um demiurgo do individualismo, insufla uma "lenda pessoal" em cada um de seus leitores.

CHUVA E DESMISTIFICAÇÃO

Na condição de homem pensante, tenho um grande objetivo: desmistificar o mundo ao meu redor. Segundo o Houaiss, "desmistificar" significa: 1 t.d. destituir o caráter místico ou misterioso de (...) 2. t.d. p. ext. desnudar (algo ou alguém) daquilo que mistifica, engana ou embeleza de maneira falsa. Hoje, ao sair à rua, ocorreu-me um exemplo que ilustra a desmistificação. Chovia fino. A previsão meteorológica, científica, que não é mística, assegura-nos que choverá no Rio Grande do Sul. A seca já se fazia anunciar no crestamento da grama, no matiz azulado das plantações, no reclame dos agricultores. Chovendo na véspera de Natal, dizem os mistificadores cristãos que é uma bênção, um presente. Pronto, isso é mistificar. Desmistificar é fazer o contraponto, exatamente como o faço na coluna do Expresso e neste espaço (a rima saiu ao natural). Como contrapontear? Seguindo os passos de Descartes ou Krishnamurti: duvidar e perguntar (não necessariamente nessa ordem). Por que não chovia aqui e diluviava em Santa Catarina? Lá a chuva era, por acaso, um castigo dos céus? Neste exato instante, ocorrem cheias e secas em algum lugar do planeta. Pessoas morrem de frio, e outras morrem de calor. O homem ainda se acha o centro do universo, de um universo que deve girar em torno dele, homo sapiens (in)sapiens, que mistificou sua própria existência. Os fenômenos naturais que continuam a ocorrer à revelia não são suficientes para desmentir as crenças, os mitos antropomórficos e antropocêntricos. Meu objetivo, dentro do qual se inclui esta postagem, reconheço tristemente, não passa de uma palavra sem eco num ambiente em que predomina a algaravia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SOBRE O NATAL

Há muitos anos venho denunciando as contradições de nossa sociedade com relação ao Natal. Em nenhum outro momento, a corrida desenfreada pelos bens materiais nega frontalmente os preceitos cristãos. Impossível que todos sejam envolvidos pelo que passou a se denominar "espírito natalino", com um entusiasmo que beira o ridículo, a insensatez. Na condição de um pensador que se libertou do homo religiosus (pensado por um Erich Fromm, por exemplo), concomitantemente com a libertação do homo consumens (classificação moderna), não consigo segurar meu espírito crítico. Em respeito aos meus parentes, amigos e conhecidos, procuro tergiversar sobre esse assunto que domina todos os corações e mentes. Concordo que o Natal é uma ocasião excelente para a família se reencontrar, os amigos se reencontrarem... Mas isso não exclui a viabilidade de haver encontros noutras datas, uma vez a cada mês, a cada fim de semana, todos os dias. O consenso de que Natal é reencontro inplica em reconhecer (em primeiro lugar) a laicização de uma festa que era para ser religiosa, (em segundo) a correria em que se tornou a vida das pessoas, (em terceiro) a má consciência de que não ocorreram reaproximações durante o ano, algumas vezes impedidas que foram por mágoa, raiva, enfim, um sentimento contrário a uma conduta cristã. No lugar do "espírito natalino", coloco como mais importante a doçura, o bem-querer, sem data marcada para se manifestar, sem esses atropelos consumistas, incluindo comilanças e beberagens. A boa consciência, todavia, não me impede de viver um dilema: participar da festa ou ficar na minha.

AVISO AO VISITANTE

Solicito ao visitante deste blog que não se fixe apenas na última postagem (a primeira de cima para baixo). Faça o gentil esforço de clicar na barra de rolagem, à direira da tela, e descer para as outras postagens editadas na mesma data, ou no dia anterior (se você não acessa esta página diariamente). Agora mesmo, procure o título RIUS, RIVUS e me diga o que achou desse texto.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

REAL - FANTÁSTICO

O real e o fantástico se tocam no romance Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. O cego que vai à procura de atendimento, tendo a perna infeccionada, constitui a realidade. O soldado que o alvejou mortalmente, com medo de ser contagiado pelo interno, parece ter saído de um conto de terror. Em seguida, mais nove seriam mortos “sem mais nem menos”. A presença dos militares no controle do manicômio empresta uma conotação quase kafkiana, de um poder desproporcional que, de repente, excede sem uma justificativa plausível. Ainda é cedo para apostar que Saramago se deterá no drama naturalista, isto é, na retratação fidedigna da dia-a-dia dos cegos. Sua tese romanesca é de que as pessoas, vivendo em estado precário, sem o principal órgão dos sentidos, perdem facilmente as qualidades que as distingue dos animais. Pior: com o livre trânsito dos defeitos imanentes à condição humana.

SEGUNDA-FEIRA


O relÓgio de parede marca 9:30 horas. Depois de levantar, comer melão, tomar iogurte, cortar o cabelo no Alves, passar no supermercado (cada vez mais caro), levar o terno para a lavanderia, fazer a barba, tomar banho, servir um cOpO de coca-cola, venho blogar outra vez. Já é uma necessidade, ainda mais com o que vi nesta manhã, com estes olhos que o céu há de levar um dia (brincadeira, vale como poesia).
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Ontem, antes de deitar, postei sobre a água tratada, numa interlocução aberta pelo Márcio Brasil e continuada com o Júlio Prates. Blogueiros unidos em torno de uma questão importantíssima. Certamente, somos uma das células pensantes da nossa sociedade, fazendo bom uso desta tecnologia fantástica.
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Andando na Bento Gonçalves há pouco, vi um senhor lavando a calçada (quando desci) e molhando um imenso jardim (quando subi). A casa pertence a um conhecido empresário santiaguense do ramo imobiliário, e o senhor é seu serviçal. Mangueira na mão, completamente alheio ao que pensam e escrevem alguns homens conscientes, preocupados com o desperdício da água potável. Caso se trate de um poço artesiano, pior ainda, o crime ambiental persiste, com agravante.
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Não será fácil mudar a cultura de nossos contemporâneos. Imediatismo e consumismo se confundem. Imediatismo e exploração. Individualismo e egoísmo. Se o Estado interfere em questões financeiras, socorrendo aqueles que exploram bens naturais e humanos, por que não interferir em defesa destes bens? O Estado é o empresário que manda lavar a calçada de sua casa e é o pensador preocupado com a preservação do meio ambiente (com a consciência que norteará nossos filhos, netos e bisnetos).
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Intuição e razão se fundem em mim. Há treze dias, alertava que maior calor viria mais adiante. Ontem tivemos o dia mais quente depois do inverno. Mas se o hedonista pensa que fez calor... ESPEEEEEERA! Dias mais insuportavelmente quentes virão neste verão, quando uma pluma cairá na vertical para queimar sobre o asfalto. Melhor para nós, humanos, que o Sol ainda se encontre na chamada "seqüência principal", fundindo Hidrogênio apenas. No momento em que começar a fundir o Hélio que se acumula em seu núcleo, não sobrará uma gota de água sobre a superfície da Terra. Mais isso demorará milhões e milhões de anos. A nossa espécie já terá desaparecido há outros tantos milhões de anos. Essa verdade inexorável poderia até confortar os imediatistas de agora, como o empresário residente na Bento Gonçalves.
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Depois dessa, encerro minha postagem. Hasta luego!

domingo, 21 de dezembro de 2008

TORNEIRAS FECHADAS

O consumo sem controle da água tratada, o desperdício, deve ser uma preocupação de todas as pessoas conscientes, não apenas dos ambientalistas de plantão. Existe um mecanismo hidráulico muito simples, instalado dentro das casas, que todos seus ocupantes necessitam utilizar com parcimônia: a torneira. Não deixá-la permanentemente aberta ao lavar a louça, escovar os dentes ou barbear-se. As saídas para áreas externas, garagens, jardins etc., devem ter uso reduzido nesta época do ano. Em casos extremos, proibido o abastecimento de piscinas, lavagem de carro, irrigação de gramado, etc. O consumidor egoísta (e ignorante) pensa que tem direito de gastar a água que quiser, porque paga. Não basta cobrar multa pelo consumo excessivo. A idéia do Márcio Brasil de ser criada uma lei que enquadre o excesso como crime ambiental é excelente. Num futuro próximo, o controle do Estado será uma necessidade.

FORMA E CONTEÚDO

Alguns poetas principiantes se rebelam contra a forma, empunhando a velha bandeira do Bandeira. Engraçado, execram o ritmo como forma, não a rima que usam obrigatoriamente em seus prosaicos poemas. Os versos (cuja definição implica numa forma) que escrevem mais ou menos do mesmo comprimento, agrupados em estrofes idênticas em número de linhas, não seguem a métrica, todavia, são obrigatoriamente rimados. Isso ocorre amiúde com a chamada poesia gauchesca. Já desenvolvi um argumento que, penso, ser o máximo convincente sobre o assunto. Jayme Caetano Braum verteu toda sua extensa obra em heptassílabo (sete sílabas):
ooooA bochincho, certa feita
oooofui chegando de curioso...
Por que será que Jayme Caetano Braum, poeta crioulo, escreveu seus poemas em heptassílabos? Os nossos poetas e letristas santiaguenses saem disso?
O melhor poeta gaúcho no gênero, Apparício Silva Rillo, escreveu o poema Herança em versos livres, sem métrica ou rima:
oooo...
ooooNaqueles tempos, sim, naqueles tempos
ooooos bois mandavam nos homens,
ooooe por isso a vida era mansa na cidadezinha
ooooarrodeada de ventos, chácaras e estâncias.
ooooOs touros cumpriam devotamente o seu mister
ooooe as vacas, pacientes, pariam terneiros
ooooe terneiros e terneiros.
ooooO campo engordava os bois,
ooooas tropas de abril engordavam os homens
ooooe os homens engordavam as mulheres.
oooo...
Um dos poemas mais declamados de Luiz Menezes, Paisano, segue a metrificação perfeita (redondilha maior, sete sílabas), mas sem rima:
ooooUm dia chegou de longe,
ooooNunca se soube de donde...
ooooChapéu quebrado na testa
ooooE um lenço preto ao pescoço
ooooNegro como pensamento
ooooDe uma china despeitada.
ooo
Em Santiago, há muitos que escrevem às escuras, sem conhecer os elementos poéticos. Acertam aqueles que optam pelo verso livre. Livre de quê?
Forma e conteúdo não se dicotomizam na poesia.

sábado, 20 de dezembro de 2008

RIUS, RIVUS

Caro visitante, você sabe definir a palavra "rio" quanto ao número de sílaba? Minha dúvida surgiu há bastante tempo, quando escrevi um verso decassílabo (10 sílabas), e um poeta mais evoluído na arte me assegurou que "rio" se separava, resultando num hendecassílabo (11). Na época, fui obrigado a reescrever o verso, o que não foi uma tarefa fácil. Obviamente, as sílabas métricas, empregadas na versificação, não coincidem com as sílabas gramaticais. Vários processos empregados pelos poetas reduzem o número de sílabas métricas em relação às gramaticais. No último verso do Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes,
oooomas que seja infinito enquanto dure
tem 13 sílabas gramaticais, mas 10 sílabas métricas:
oooomas - que - se - ja in - fi - ni - to en - quan - to - du (-re)
A vogal átona da palavra "seja" se junta à vogal de "infinito", formando um ditongo (sinalefa ou ditongação). O mesmo processo ocorre entre "infinito" e "enqunto". Na versificação, conta apenas até a sílaba tônica da última palavra do verso.
A questão colocada acima é se o vocábulo "rio" é um monossílabo ou dissílabo.
Poeticamente, Olavo Bilac o emprega como um dissílabo:
ooooAs nuvens, que, em bulcões, sobre o rio rodavam
Esse verso pertence ao poema Manhã de Verão, todo escrito (36 versos) com 12 sílabas métricas, dodecassílabos ou alexandrinos. Não separando a palavra em duas sílabas, o verso ficaria com menos uma sílaba, de pé quebrado, erro que jamais cometeria o maior dos parnasianos.
João Cabral de Melo Neto emprega, ora como monossílabo, ora como dissílabo. Carlos Nejar, em
ooooO universo ao largo
oooose entrepõe. As margens
ooooe o rio, somos nós.
"rio" é monossilábico, para fechar as cinco sílabas dos demais versos.
Assim a professora Ayda ensina na URI. Assim aprendem os estudantes de Letras na ULBRA.
As duas formas são aceitáveis na metrificação. Os clássicos separam os sons representados graficamente por "i" e "o". Os modernos preferem juntá-los numa única sílaba.
Segundo a Gramática, não se separa e se separa. A etimologia da palavra "rio" explica essa dupla possibilidade. Ela evolui do latim vulgar, rius (com traço acima do "i"), monossílabo, que evoluíra do latim clássico rivus, dissílabo.
Não escrevi acima que os clássicos preferiam as duas sílabas?! A língua também herda tais particularidades.

VOZES DA MANHÃ


as vozes
movimentam a manhã
numa ciranda
mergulhada em luz
a fala de uma criança
o canto longe
de um pássaro
o latido de um cãozinho
o ronco dos motores
que conduzem
os homens para cima
e para baixo
o vôo de uma mosca
atravessando
a sala clara
o tiquetaque
acelerando o tempo
a fala de uma criança
o canto o ronco
tudo mais uma vez
se repetindo
se repetindo
com um coração
oono centro

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


Recém estou na centésima página de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. A primeira impressão é que o autor eleva Kafka à quinta potência. De repente, as pessoas ficam cegas, de uma cegueira que contagia. Os primeiros cegos são trancafiados num manicômio vazio, com o mínimo de atendimento e vigiados por militares armado. Os personagens não têm nomes próprios, são designados simplesmente por "o primeiro cego", "a rapariga dos óculos escuros", "o médico", "a mulher do médico", "o rapazinho estrábico, "o ladrão". Os cegos são praticamente abandonados num alojamento, a comida é deixada do lado de fora. Entre os cegos, a mulher do médico continua a ver às escondidas (orientando os demais). O ladrão, ao meter a mão na rapariga dos óculos escuros, é ferido por esta com o salto do sapado, rasgando-lhe a perna. Com infecção, o cego se arrasta até a saída para pedir ajuda aos guardas e, sem mais nem menos, leva uma rajada de balas à queima-roupa. (Esse episódio da execução do cego é bem kafkiano.) Os outros cegos o enterram, auxiliados unicamente de uma enxada para abrir a cova. Em seguida, outros internados são mortos pelo motivo de estarem andando em lugar não permitido. O narrador, quando não onisciente, passa a observador, tomando emprestados os olhos da mulher do médico. Subtraídas do sentido da visão, as pessoas se transformam em quase animais. Penso que é por aí que se desenvolverá o tema saramaguiano.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

LANÇAMENTO DE LIVRO

Hoje foi realizado mais um lançamento literário no Centro Cultural. Nêuquen Vanderlan Delevati Pivoto veio a Santiago para lançar De muitas lidas, seu primeiro livro de poemas. Nêuquen reside em Porto Alegre, onde dirige a escola de Filosofia Nova Acrópole. Sua verve irrompe com a linguagem característica da poesia crioula, com a temática gauchesca que deu fama aos nossos poetas e payadores. Nêuquen está descobrindo a poesia, encantado com a sua beleza, com a sua interioridade anímica. Certamente, evoluirá da direção de um melhor acabamento formal e conteudístico. Os próprios estudos filosóficos que disse realizar na escola Nova Acrópole serão importantes como substrato intertextual do novo livro que produz (já uma promessa para a próxima edição da nossa Feira do Livro).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

INTERATIVIDADE

Uma das características mais importantes do hipertexto, segundo L. A. Marcuschi, consiste na interatividade, que é a possibilidade de relação entre autores e leitores (não necessariamente nessa ordem) em tempo real.
Agradeço aos blogueiros que passaram a me acompanhar:
Elisandra Minozzo, Edson Galdino Vilela de Souza, Dayana Leite, Alessandro Reiffer, Cris Michelon, Diogo Brum, Fátima Friedriczewski, Lígia Rosso, Nívia Andres, Vivian Dias, Diego Neves, Márcio Brasil e Erilaine Perez.
Da mesma forma, aos demais que linkaram este Contra.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ESTRELA BOIEIRA


Esse livro, de Antero da Silva Marques, concorria ao Prêmio Açorianos de Literatura. Edição organizada pelo meu amigo Dr. Valdir Amaral Pinto, mais Paulo Estivalet Flores Pinto e Miguel Frederico do Espírito Santo.

EDUARDO DALL'ALBA


Escritor Eduardo Dall´Alba ganha Açorianos de poesia. Prêmio foi entregue na noite de segunda-feira, em Porto Alegre.
O escritor caxiense Eduardo Dall´Alba ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria poesia, pelo livro Lunário Perpétuo. A cerimônia de entrega do prêmio foi realizada na noite de segunda-feira, em Porto Alegre. O Açorianos premiou obras publicadas em dez categorias: narrativa longa, poesia, conto, crônica, ensaio de literatura e humanidades, literatura infantil, literatura infanto-juvenil, categoria especial, capa e projeto gráfico/design.Dall´Alba concorreu com o trabalho Desencantado Carrossel, de Diego Grando, e Estrela Boieira - Antero Marques, organizado por Valdir Amaral Pinto, Paulo Estivalet Flores Pinto e Miguel Frederico do Espírito Santo. Lunário Perpétuo foi lançado em 2007 pela editora Belas Letras.Neste ano Dall´Alba foi patrono da Feira do Livro de Caxias. Atualmente ele é professor na Faculdade da Serra Gaúcha.

(Publicado no PIONEIRO de Caxias do Sul, em 16 de dezembro de 2008.)

OS MELHORES DA LITERATURA

A Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre premiou os melhores livros de 2008. A relação dos premiados é a seguinte:

LIVRO DO ANO:
- Machado, Borges e outros ensaios sobre Machado de Assis, de Luís Augusto Fischer;
- Teatro de Arena: Palco de resistência, de Rafael Guimaraens

NARRATIVA LONGA:
- Acenos e afagos, de João Gilberto Noll

ESPECIAL:
- Teatro de Arena: Palco de resistência, de Rafael Guimaraens

CONTO:
- Tocata e fuga, de Luís Dill

CRÔNICA:
- Agora eu era, de Cláudia Laitano

POESIA:
- Lunário perpétuo, de Eduardo Dall’Alba

ENSAIO DE LITERATURA E HUMANIDADES:
- Machado, Borges e outros ensaios sobre Machado de Assis, de Luís Augusto Fischer

LITERATURA INFANTIL:
- Brincriar, de Dilan Cmargo

LITERATURA INFANTO-JUVENIL:
- Uma colcha muito curta, de Sérgio Caparelli


(Da relação acima, minha expectativa recai sobre o livro de poesia.)

UMA AUSÊNCIA SENTIDA

Quem é Papai Noel? Um produto acabado da Coca-Cola. Por que o velhinho usa roupas nas cores vermelha e branca? A maior marca do mundo capitalista financiou a ascensão midiática dessa figura que é a própria contradição personificada. Abaixo da linha do Equador, somos induzidos a pensar que vivemos próximos ao Pólo Norte, na entrada do inverno, e que desfrutamos das benesses do Primeiro Mundo.
......................................................
Numa passagem muito conhecida dos Evangelhos (Jn. 2:13-19), Jesus expulsa os vendilhões do templo. Uma pena que os cristãos a lêem ao pé da letra, sem o significado alegórico que transcende estes dois mil anos. Nenhuma igreja atual funciona sem dinheiro cooptado, como vi dentro da nossa matriz, com mensagens falaciosas, como se o próprio Jesus a escrevesse em cartazes. Tomando a Igreja Universal como exemplo, seguro é dizer que os vendilhões tomaram conta do(s) templo(s). A razão desse retorno é a ausência daquele chicote, daquele braço, daquele coração.
.....................................................
Numa postagem abaixo, citei o Diabo, como venho citando Jesus. Mas só acredito neles como personificações do mal e do bem, respectivamente. Estou fortemente convencido de que as religiões, embora professem o ascensionado, enchem a boca interpretando o que ele disse, não conseguem ocultar que servem ao decaído.
.....................................................
Sou agnóstico. Com o chicote da palavra, pretendo bater na hipocrisia e na contradição presentes nas religiões tradicionais (e nas novas também). Gostaria de fazê-lo com a fundamentação científica de um David Hume, com a argumentação filosófica de um Voltaire, com a lógica de um Bertrand Russel, com a paixão de um Nietzsche... Faço-o a minha maneira, citando os próprios preceitos cristãos como argumento de autoridade. À luz desses preceitos, repito uma verdade nietzschiana: o último cristão morreu na cruz.
..................................................
(Continuo mais tarde)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O DITO CUJO E O REBANHO PERDIDO


Nem os romanos (na Palestina ou em Roma), nem os filósofos ateus (como Marx, Nietzsche, Bertrand Russel...), ninguém atingiu tão iconoclastamente o Cristianismo em sua principal sustentação pseudo-histórica – o nascimento do filho de Deus – quanto o advento do Papai Noel. A cada mil papais-noéis, um presépio. Os cristãos não se deram conta da oferta que lhe faz anualmente o Diabo, levando-os ao consumismo desenfreado. As Escrituras registram o insucesso que o Dito teve diante de Jesus, o Grande Pastor (Mt. 4:9-10). Dois mil anos depois, ele se vinga no rebanho.

IMINÊNCIA VERMELHA


Às vésperas do Natal, o título acima não alude ao seu símbolo maior. Papai Noel deixou de representar uma iminência vermelha à figura do Menino Jesus, uma vez que já a suplantou na mítica ocidental. O bom velhinho é que sofre agora a aproximação de um impostor, ameaçando diminuir sua risonha prodigalidade. Coincidentemente, também a crise é representada pela cor vermelha. (Vermelho é o saldo devedor.) As pessoas, por mais imprevidentes que sejam, não desejarão se encalacrar para o novo ano.

LUCAS ARAÚJO DE OLIVEIRA


Outra vez convidado pela direção do Lucas Araújo de Oliveira, compareci ao colégio esta manhã. Com a intermediação da professora Viviane, de Língua Portuguesa, fui apresentado às turmas de oitava série para falar-lhes sobre leitura e escrita. O auditório do colégio fica na mesma sala em que estudei em 1973, na inesquecível turma 6/6. No próximo ano, a sala passou a abrigar a biblioteca, quando e onde comecei a ler regularmente. Também jogava xadrez com o professor Albino Lampert, Ivan Zolin, Frederico Ritter, entre ontros. Certa manhã de primavera, nesse recanto quase encantado da escola, senti a primeira emoção do amor, ao encontrar os olhos igualmente tímidos de Emília. No auditório, há um quadro enorme, representando o Pôr-do-Sol no Guaíba, que pintei para um desfile do colégio (postado acima). Para ilustrar minha fala, mostrei slides sobre a Rua dos Poetas (seus homenageados), alguns dos meus poemas, curiosidades da Língua Portuguesa e recitei alguns sonetos no final. Os alunos me perguntaram quando comecei a escrever. A resposta está na ponta da língua: o maior benefício da leitura, o mais extraordinário, consiste nessa necessidade de expressão pessoal. O conhecimento exige a ponte da escrita, a interlocução, a troca de enunciado. A individualidade só faz sentido na alteridade. Obviamente, disse isso com outras palavras. No final, os alunos me mostraram seus trabalhos literários. Saí de lá com um ótimo astral.

sábado, 13 de dezembro de 2008

JOSÉ SALAMA(R)GO

Hoje iniciei a leitura de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Bastou o primeiro capítulo para julgar o romance de um artificialismo comparável a outro do mesmo autor: A caverna. Quando fiz o curso de Letras, fui quase obrigado a ler Memorial do Convento. Chato. À exceção de O Evangelho segundo Jesus Cristo, acho difícil engolir a literatura saramaguiana. Suas alegorias são extraordinárias, mas alguma coisa do enredo, da linguagem, do estilo, seja lá do que for não me agrada mesmo. Numa de suas colunas do Correio do Povo, Juremir Machado da Silva também escreveu que não gosta de Saramago, preferindo a António Lobos Antunes (se não estou enganado). Na falta de melhor definição do que não me agrada em Saramago, fico com artificialismo. Ao longo da leitura que iniciei hoje, prometo pensar melhor, levantar essa "lebre".

CÁCIO MACHADO

Cácio Machado, meu amigo, poeta, em breve, lançará seu segundo livro de poemas, Folhas de Outono. Cácio é santiaguense, hoje residindo em Fredrerico Westphalen. Ele comenta uma das minhas últimas postagens:
oo
Tchê, poeta!
“Que te parece”
dos magos analfabetos
que viveram em poesia
e
não puderam deixar
uma só linha de suas maravilhas?
Fugiriam
da ditadura das formas
e quinas que dispensam
a inspiração divina?
Saudações literárias.

oo
Cácio Machado
oo
Os “magos analfabetos”, os aedos, seja lá como se designavam os poetas, viveram num tempo da oralidade, de onde a poesia herdou o ritmo e a assonância (rima). Eram cantores, não escritores. Homero, no século VIII a.C., foi pioneiro no uso da escrita para fixar sua obra monumental. Certamente, esses primeiros poetas não fugiriam da forma, caso se alfabetizassem, uma vez que o ritmo, a rima, o próprio verso são elementos formais com que interfeririam no discurso. O trabalho dos grandes poetas (Dante, Camões, Vitor Hugo, Castro Alves) foi transformar em humana uma vontade dos deuses.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ASAS DA POESIA


Num dos textos inspiradíssimos que escrevi, imaginei como sendo o primeiro poeta entre os homens aquele que, levantando-se mais cedo de seu sítio, contemplou o Sol nascer. Quando servi em Coimbra, no coração do Pantanal, escolhia o período das 4 às 6 horas para fazer a ronda. Duas a três vezes por mês, subia o morro e, recostado às muralhas do forte, esperava o momento sublime em que a claridade delineava os cortornos longínquos da Serra da Bodoquena, para, em seguida, ver o astro lançar seus primeiros raios luminosos nas águas do rio. Esses instantes de contemplação, reconheço agora, foram possíveis graças a minha propensão natural para a poesia, para a estética, para algo que me faz abrir a janela esta noite e permitir a entrada do vento. Não encontro palavras para descrever a cortina voando alto, como uma grande asa presa à parede da sala. Não as disponho, tampouco, para dizer da sensação agradabilíssima que experimento ao sentir minha fronte, meus braços e meu tronco serem envolvidos por lufadas frescas. Há uma outra asa presa dentro de mim (pássaro disforme).

poema


a dor
não me assombra mais
sou seu próprio
espantalho
nesta lavoura
de ossos
onde o corpo
é ex-tensão
para o cultivo
da alma
oo

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

Froilam!
Há algum tempo pensei em que palavra poderia definir: mulher. Acredito que ELEGÂNCIA seria essa palavra. É evidente que a moda contribui para esse fato, no entanto, o sentido que me refiro é o de atitude como fala Paco Rabanne. “UMA MULHER ELEGANTE NÃO É NECESSARIAMENTE UMA MULHER QUE VESTE ALTA-COSTURA, ELEGÂNCIA É UMA ATITUDE”. Para mim não há maior elegância do que uma camponesa na primavera, quando aumenta a temperatura, com um “vestido de chita”, ao estilo Sophia Loren em “Os Girassóis da Rússia”.
Ivan Zolin
.....................................
ADOREI O TEXTO.
Demonstra, com bom humor, um senso aguçado sobre a elegância feminina. Concordo que anda faltando noção de feminilidade e elegância para a mulherada. Uma celebridade aparece usando trapos e todas querem imitar. Um estilista lança uma sandália capaz de deformar um pé, e todas querem ter. Enfim, somos vítimas da moda e do consumo, seduzidas pelos apelos da propaganda enganosa, perdendo o senso próprio do que nos serve ou não, para usar tudo que está na moda, fique bem ou não. Vou indicar esse texto para minhas amigas a-g-o-r-a!
Dayana Pessota Leite

PAULO COELHO INTEGRADO

Umberto Eco escreveu Apocalípticos e Integrados em 1960, em que dicotomiza a maneira de ver os meios de comunicação de massa. De um lado, estariam os integrados, para os quais a Indústria Cultural é ótima. A melhor literatura é a que vende mais. O melhor programa de televisão é o que apresenta maior audiência. Ad nauseam. Do outro lado, a mesma Indústria Cultural é má para os apocalípticos. É má porque manipula as pessoas. A bandeira dos apocalípticos tem como divisa: "Tudo que faz sucesso é de má qualidade". Eco fez uma crítica à escola de Frankfurt, que não percebeu os aspectos positivos dos meios de comunicação.

Escrevi esta postagem a partir do artigo Filósofos Apocalípticos, publicado na revista Discutindo Filosofia (nas bancas).

POEMA DA ERILAINE


ASAS
o
ooooooo som,
oooooofonte
ooooooda noite,
oooooooooooobi
oooooooosuoooooda.
oo
a vela,
meio
do mar,
oooodesooooda
ooooooooci
oo
minh'alma,
oooooote
noioooo-

meu espírito,
veoooo-
oooola.

oo
asas
ooooatadas,
penas
ca
oooí
ooooodas.

CAPITU - UMA DECEPÇÃO

Terça-feira, assisti à estréia da minissérie Capitu na Globo. A impressão que tive era de que o programa Casseta & Planeta não havia encerrado, tamanha a palhaçada de um Bentinho pantomímico. A propósito, o cinema brasileiro é filho do teatro brasileiro, com a mesma cara e os gestos. O cinema brasileiro é pantomímico. A televisão é pantomímica. Nossos atores não conseguem descer do tablado. Diretores e autores, com algumas exceções, estão longe de produzir um cinema sério. A propósito, nada é sério neste país. Em respeito ao grande Machado de Assis (que era seriíssimo), desliguei a televisão.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

MODA FEMININA


Nada muda mais que a moda feminina, do penteado aos calçados. Principalmente, as roupas. Nenhum outro item supera a demanda do belo sexo. Emprego esse clichê (belo sexo) com o propósito de fazer um gancho. Nunca a beleza esteve tão distante quanto nestes dias. Tenho observado no centro da cidade (passarela natural), ao vivo ou nas vitrinas, a feiúra dos modelitos. À exceção de alguns vestidos, tudo mais excede em mau gosto. De tempo em tempo, o antiestético vira tendência: as pantalonas dominaram nos anos setenta; as ombreiras, nos noventa; as leggings, atualmente. Calças ou bermudas justas, mal-combinadas com a blusa (básica ou baby look), também colada ao tronco, revelam a falta de um dos mais belos atributos da anatomia feminal: a cintura. O cós baixo já deformou essa parte do corpo muito cultuada ao longo do século XX. Em seu lugar, há um excesso de adiposidade, sobrando e assombrando a libido dos homens. Quanto aos calçados, sonho de consumo de 99,9% das mulheres, a fealdade impera quase absoluta. No inverno, isso se evidenciou naquelas botas encepadas. Algumas sandálias continuam sobre cepos, colocando em risco a segurança da altiva usuária. À semelhança dos vestidos, alguns sapatos se salvam pelo design. Velhos modelos de todos os itens são adaptados, na tentativa de retroalimentar o processo da mudança cada vez mais acelerado. O que também escapa à percepção das mulheres consiste no feedback negativo, considerando-se a feminilidade (que é o elemento mais importante da beleza) como valor positivo. A moda muda e incomoda a sociedade que consome incontrolavelmente, ainda incapaz de fazer da simplicidade um estilo elegante.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ELE ESTÁ CHEGANDO


Caso você não sentiu a presença dele, ESPEEEEEERA! Santiago, sem água, sempre o recebe amistosamente no início de dezembro. Não demora, no entanto, os hedonistas começam a chiar. Os mesmos que reclamavam há seis meses. Já escrevi sobre essa fraqueza (não confundir com excesso de sensibilidade). Quando janeiro chegar, a cantilena será insuportável. O asfalto estará quase derretendo ao meio-dia. O Nascente crestará toda relva. Nada poético sob o Sol. ESPEEEEEERA!

O CONTRAPONTO DE JUREMIR


Juremir Machado da Silva se adianta às diversas relações de melhores do ano, elegendo os dez piores do ano. Juremir, diga-se de passagem, gosta de fazer o contraponto (título do meu blog). Transcrevo a sua lista, obedecendo à ordem dada pelo colunista do Correio do Povo:

10º lugar: Seleção Brasileira de futebol;

9º lugar: jornalismo cultural brasileiro (Veja, O Globo, Jornal do Brasil, Estado de S. Paulo e Época);

8º lugar: nepotismo nos "poderes constituídos" (no Rio Grande do Sul);

7º lugar: 20 vereadores que aprovaram a lei dos espigões (Porto Alegre);

6º lugar: Lula (pela mudança na lei para permitir a fusão Oi/Telemar);

5º lugar: Marisa Abreu (secretária de Educação do Estado);

4º lugar: Batman, o Cavaleiro das Trevas (Até quando esse besteirol infantil vai se repetir como novidade?);

3º lugar: Eduardo Galeano (Espelhos, uma História quase Universal, rasteiro, segundo Juremir);

2º lugar: Adriana Calcanhoto (por um show quase ruim);

1º lugar: O Mago (biografia picareta de Paulo Coelho feita por Fernando Moraes).

domingo, 7 de dezembro de 2008

RECITAL NO SHOPPING

Primeiro, falei sobre a intertextualidade na minha poesia, recitando os poemas em que há alusão a outros textos. Meu Ponteiros de palavra exige conhecimento de Mitologia Grega, Filosofia, Cosmologia, História Natural, Psicanálise, Literatura, Metapoesia...
Por exemplo:
oo
NARCISO
oo
liberto
do encantamento
agora grito
seu nome
por vales
montes
cidades
mas Eco
não me responde
oo
Recitei Neruda, Júlio Salusse e Vinícius de Moraes.
oo
Depois a Erilaine falou sobre o que é poesia, recitando Quintana, Manoel de Barros e seu poema Cruz do vate:

Poesia
Rúbida Rosa
Matiz azul
da onda fugaz
Voa no espaço
contorna veloz
Devolve na cruz
ao vate
a voz.
Santa vigília
na noite da criação
depois do cansaço
eleva teus braços
em rendição
e bebe no cálice
o orvalho copioso
de tua paixão.

AUTOMÓVEIS ANTIGOS







Exposição de automóveis antigos na Praça Moysés Vianna neste domingo. Muitas marcas e modelos para a admiração dos aficcionados.

ELE ESTÁ CHEGANDO


Caso você não sentiu a presença dele, ESPEEEEEERA! Santiago, sem água, sempre o recebe amistosamente no início de dezembro. Não demora, no entanto, os hedonistas começam a chiar. Os mesmos que reclamavam há seis meses. Já escrevi sobre essa fraqueza (não confundir com excesso de sensibilidade). Quando janeiro chegar, a cantilena será insuportável. O asfalto estará quase derretendo ao meio-dia. O Nascente crestará toda relva. Nada poético sob o Sol. ESPEEEEEERA!

sábado, 6 de dezembro de 2008

A (IN)JUSTIÇA DESPORTIVA

O Goiás foi penalizado: perdeu o mando de campo. Houve justiça? Não! Em primeiro lugar, o time não tem mais nada a ganhar ou a perder. E, em segundo, uma outra equipe se beneficiará com a punição imposta ao seu adversário, o São Paulo. Indiretamente, o Grêmio será o maior injustiçado. Aos meus colegas blogueiros que são advogados (Dr. Ruy Gessinger, Júlio Prates, Rodrigo Vontobel...), tal punição é correta à luz da Constituição? Se não for, qual seria a ideal? Estou indignado com o que parece, s.m.j. uma conspiração do centro do país contra o Grêmio.

COOPERATIVA TRITICOLA

O X da Questão do Expresso Ilustrado, como havia sido previamente anunciado, faz uma longa entrevista com o presidente da Cooperativa Tritícola de Santiago. Como leitor exigente, esperava que o Leandro abrisse o jogo realmente, listando o nome dos devedores, pelo menos dos 72 que estão sendo executados.
Em 1979, trabalhei no setor de comercialização. Naquele mesmo ano houve eleição para presidente: Osvaldo Kempa versus Manuel Cardinal. Obviamente, ganhou a situação. No outro dia, fui mandado embora. Meu pai, pequeno agropecuarista do Bom Retiro e um dos mais antigos sócios da Cooperativa, engajara-se numa campanha pela mudança. Os velhos e enriquecidos dirigentes da Tritícula não perdoaram e me deram o famoso chute.
O que acontecia na Comercializaçao era um assalto ao agricultor que entregava o produto. Independentemente da qualidade da soja, era-lhes descontado um total de 18% (impureza e umidade). DEZOITO POR CENTO! Em muitos casos, 5% já seria um exagero. Por que aqueles pequenos agricultores que faziam filas na frente do balcão não reclamavam mais? Eram impotentes diante do gigante em que se tornava a empresa, digo, seus diretores.
Paradoxalmente, quanto mais crescia a Tritícola, mais se dirigia para a situação atual, para o caos financeiro. As más administrações viciaram. Não resta dúvida, essa sociedade precisa ser desfeita, com a cobrança judicial de quem deve e o pagamento integral aos credores.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

EVENTOS CULTURAIS

Sexta-feira cheia em Santiago: II Feira dos Artistas Santiaguenses (no Ilha Bella Shopping); Natal Vida, com a chegada do Papai Noel; 21º Aniversário do Centro Cultural, com lançamentos de livros e do jornal literário Letras Santiaguenses. Como não posso contrariar a Física, fui ao Centro Cultural, onde auxiliei a D. Dirce Brum na leitura do Protocolo. Livros lançados: Que nome eu boto?, do jovem Lúcio Stacovski; e Paixões Gaúchas - Facas e Garruchas, de Adão M. de Oliveira. O primeiro consiste numa relação de aproximadamente 10.000 nomes para dar ao cavalo crioulo. O segundo é um estudo sobre facas e garruchas. Também foi lançada a 79ª edição do Letras Santiaguenses, por intermédio de seus editores, José Lir Madalosso e Auri Antônio Sudati. Homenageado de capa: Márcio Brasil, blogueiro e colunista do Expresso Ilustrado (não resta dúvida que somos colegas, amigos de longos diálogos). A efervescência literária vivenciada na Terra dos Poetas (oxalá!) poderá fazer do Márcio Brasil um escritor com maior alcance, como o tanto admirado por ele Caio Abreu. Ainda que eu ande meio arreliado com o mundo e comigo mesmo, o Márcio, falando em emoção e sonho, me fez um pouco melhor nesta sexta-feira. Amanhã é a minha vez de recitar no Shopping, às 20:15 horas. Surpreenderei com uma fala sobre a intertextualidade na poesia, na minha poesia.
oo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

EXCERTOS CATÓLICOS

Hoje de manhã fui à igreja matriz, havia missa para Santa Bárbara. Enquanto o padre fazia seu discurso, anotei em minha caderneta tudo o que pude ler no interior da igreja: dois cartazes, cujo conteúdo verbal transcrevo abaixo.
oo
"QUEM AMA
A COMUNIDADE
É DIZIMISTA"
oo
"O DÍZIMO É O MEIO MAIS SIMPLES
QUE EXISTE PARA A PESSOA DE FÉ
DAR GRAÇAS A DEUS PELA VIDA.
VOCÊ JÁ É DIZIMISTA?"
oo
Nenhum versículo bíblico (o que mais gosto está em Mateus 6:24). Nenhuma mensagem menos interesseira. Apenas os dois cartazes. Não entendo porque o padre, a maior autoridade da paróquia, permite tais cartazes. Grosso modo, o catolicismo está retornando ao tempo de Martinho Lutero. Quem ama, principalmente as comunidades de desabrigados de Santa Catarina, doa roupas e alimentos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

FÁBRICA DE MAUS PROFESSORES

Na Veja de 26 de novembro de 2008 (edição 2088), páginas amarelas, a entrevistada é Eunice Durham, antropóloga do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo. Abaixo do título "Fábrica de maus professores": "Uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro, a antropóloga não tem dúvida: os cursos de pedagogia perpetuam o péssimo ensino nas escolas". Em destaque: "Os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar". Mais objetiva e verdadeira impossível: "Os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões de esquerda. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e decidido em assembléia". Continua, peremptória: "A universidade pública é a antítese de uma empresa bem montada. Sua versão de democracia, profundamente assembleísta, só ajuda a aumentar a burocracia e os gastos públicos". Sobre as faculdades particulares: "Essas faculdades têm o foco nos estudantes menos escolarizados - daí serem tão ineficientes. O objetivo número 1 é manter o aluno pagante". Conclui: "A experiência mostra que, conforme a população se torna mais escolarizada e o mercado de trabalho mais exigente, as faculdades ruins passam a ser menos procuradas e uma parte delas acaba desaparecendo do mapa". Tantas são as verdades, condensadas em poucas palavras, que a entrevista com essa mulher deveria ser (re)publicada em todos os órgãos de imprensa. Se a construção não é possível, façamos o contrário.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

CONCLUSÃO ÓBVIA

Antes que me entendam mal, transcrevo estas linhas escritas pelo Juremir em sua coluna:
"Pouco antes, os funcionários da Caixa Federal mantiveram uma greve de 24 dias. Não tiveram o ponto cortado e até agora nem horas extras fizeram para pagar o tempo não trabalhado".
A conclusão da postagem abaixo é explicitamente óbvia.

PROFESSORAS INESQUECÍVEIS


Ao ler a coluna do Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo (imperdível nesta terça-feira), pensei em também me reportar às minhas primeiras professoras. Cada um tem suas histórias de paixões (e de temores), mas o sentimento que se sobressai no relacionamento porventura ainda mantido com essas mulheres é a gratidão. Ou melhor, um sentimento que transcende as ausências definitivas, uma vez que se conserva vivo em nossas mentes, em nossos corações. Antes mesmo de ingressar na escola, fui apresentado às letras pela minha mãe, que me guiou nos primeiros passos para a alfabetização. Aos sete anos de idade, comecei na escola Vicente Pallotti, no Rincão dos Cervos (mais tarde, Rincão dos Panerai), em que lecionava Lúcia Panerai. A escola distava uns quatro quilômetros, percorridos sobre as geadas que se repetiam ao longo do inverno. A primeira professora encarnava um misto de santa e guerreira (mais guerreira que santa). Mais de 50 alunos, do primeiro ao quinto ano, éramos reunidos numa única sala quadrada. A régua de madeira, nos anos sessenta, constituia-se no meio auxiliar mais necessário, principalmente para manter a disciplina. Giz e quadro-negro eram suficientes para a professora Lúcia ensinar a todos. Na hora do recreio, brincadeiras e brigas saudáveis. Nos anos sessenta, as brigas eram salutares. Demoraria uns 40 anos para que um olhar atravessado, uma palavra gritada (e outras amenidades) se transformassem em bullying. No ano seguinte (1967), mudei para a escola Cristo Redentor, no Passo da Cruz, cuja professora era Zenita Rigon Viero. Ao contrário da professora Lúcia, profe Nita era a tranqüilidade em pessoa. (Diga-se de passagem, nos anos sessenta, ainda não se reduzia o nome "professora" para "profe". A frescura era proibida.) Saí ganhando com a mudança de escola, passei do primeiro ano para o segundo, sem freqüentar o ano intermediário. No quarto ano, nova mudança de professora: Delir Vechietti. Minha futura tia não era das mais tranqüilas, fazendo uso freqüente do meio auxiliar disciplinador da época. Meu quinto ano coincidiu com a criação da escola Castro Alves no nosso rincão, mais exatamente no galpão de casa. Ainda tive uma outra professora: Lenir Disconzi (que logo foi embora, quando aprendi sobre a saudade). Como meus pais não haviam decidido me mandar para cidade, repeti duas vezes o quinto ano. Em 1973, vim para Santiago, matriculado no então Colégio Polivalente (hoje Lucas Araújo de Oliveira). Na sexta série, turma 6, passei a ter um(a) professor(a) para cada disciplina. Não me esqueci de seus nomes. Sou profundamente grato a todos eles. Uma das maneiras de demonstrar este sentimento é escrever em defesa de seu trabalho, desvalorizado pela sociedade (de uma forma velada) e pelo governo estadual (abertamente).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

COMENTÁRIO RECEBIDO

Recebi e transcrevo um comentário do meu amigo Ivan Zolin, professor do Curso de Mecânica no Colégio Técnico Industrial (UFSM):
oo
Froilam!
Sem entrar nas minúcias desse debate, no entanto fico surpreso, como santiaguense, com o baixo interesse de nossas lideranças com ENSINO TÉCNICO E TECNOLÓGIGO PÚBLICO. Não observo manifestações das comunidades nesse sentido. Temos exemplo de outras cidades que lideraram movimentos nesse sentido e hoje estão construindo novas unidades, o momento político é muito favorável. A expansão do ensino Técnico e Tecnológico é um dos objetivos do Ministério da Educação. A Secretaria de Ensino Técnico e Tecnológico, cujo titular e o Professor Elezier Pacheco, está realizando essa tarefa. A SETEC/MEC está construindo, só no Rio Grande do Sul, dez novas unidade. Santiago não merece uma dessas unidades? Por que não há um movimento da comunidade reivindicando? Tomara que o "novo" Prefeito Julio César Vieiro Ruivo, nosso colega lá no Polivalente, repense a posição dos agentes públicos e lidere a comunidade para conquistar uma ESCOLA TÉCNICA FEDERAL para SANTIAGO.
Zolin
oo
Escola técnica federal em Santiago? Muito difícil, competir com escolas particulares, riquíssimas. Já existem duas, especificamente técnicas: SEG e Liceu. Quando vir à Terra dos Poetas outra vez, o Ivan não reconhecerá o Colégio Medianeira. A URI também ministra cursos técnicos: Informática, Enfermagem, Farmácia, Estilismo e Moda. Rede Cipel formou centenas em Radiologia.