sábado, 1 de novembro de 2008

CAIO ABREU (MAIS UM A VEZ)

A melhor notícia do Expresso Ilustrado da última edição, Caderno X, informa o seguinte: "O legado de Caio Abreu: A família festeja o sucesso do falecido escritor santiaguense. [...] Livro inédito - Jorge Cabral, esposo de Cláudia (irmã do Caio), conta que no próximo ano será lançado um livro com mais de 100 poesias de Caio Abreu, algo até então inédito na biografia do autor".
Por que a melhor notícia?
A resposta remonta ao ano de 2007, quando me via em apuros para justificar a escolha de Caio Fernando Abreu para ser homenageado na Rua dos Poetas. Com uma pedante arrogância, críticos voluntários do projeto da administração municipal diziam que Caio sequer gostava de poesia. Fiz várias postagens, mostrando o contrário. No dia 20 de outubro, por exemplo, comentei acerca do que fora publicado no Caderno Cultura do Zero Hora, que adiantava sobre 94 poemas inéditos do Caio.
Na época, ninguém se manifestou em favor da escolha da Comissão (da qual fiz parte). A Nívia Andres, com uma crônica excelente no jornal A Folha, Rua dos Poetas Nº 1, foi exceção. Apesar de ter votado em mim para receber o troféu Caio Fernando Abreu, a Universidade não se manifestou sobre o assunto. Por quê? O projeto Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são? resolveu fazer todas as homenagens a Caio Abreu apenas este ano, em razão do aniversário do escritor. Imagino o escândalo que fariam todos se Caio não fosse homenageado, como queriam o críticos.
Mesmo que fosse verdade o Caio não gostar de poesia, principalmente de não ter escrito um único poema (caso de Carlos Humberto Aquino Frota, outro homenageado na mais famosa rua da nossa cidade), como deixá-lo de fora?
Os mesmos críticos do ano passado, voltaram a se manifestar agora, acusando um dos integrantes da comissão de manipulador e a mim de "arrogante". Levei uma relação de possíveis nomes para a reunião, entre os quais figuravam Aureliano F. Pinto, Ney A. Dornelles, entre outros. Desta vez foi incluído um músico popular, reconhecido internacionalmente, e um escultor, transformados num "calcanhar de Aquiles" da Comissão por aqueles maledicentes, bazofiadores. Pois bem, estes já se reuniram para, inclusive, não aprovar a inclusão de Aureliano. Razão: não nasceu em Santiago. Dessa forma, Mário Quintana não seria homenageado em Porto Alegre, mas apenas em Alegrete. Carlos Drummond de Andrade não teria monumento no Rio de Janeiro, mas apenas em Itabira.
Santiago não é pólo microrregional? Aureliano não viveu e não escreveu aqui? Por isso, Porto Alegre adotou Quintana. Não podemos esquecer da pátria proclamada por Fernando Pessoa: a Língua Portuguesa. Outra coisa importante a ser considerada é a relação entre prosa e poesia, entre as diferentes artes, relação essa que constitui a essência da complexidade, novo paradigma para o século XXI.
Alguns momentos da prosa do Caio apresentam, muito claramente, aqueles elementos que caracterizam a poética, como o seu poder imagístico.

Um comentário:

Moiano disse...

Sinceramente, não sei nem porque estou postando aqui, mas, gostaria de parabenizá-lo por esse texto referente a Caio Abreu. Sempre admirei os textos dele, mesmo antes de trabalhar com a prof. Rosane Vontobel Rodrigues, grande idealizadora do projeto Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são? (que não engloba apenas autores de poesia, mas, também, de crônica, contos e causos) e também do projeto Museu das Comunicações, o qual eu sou bolsista e tive a honra de ser o guia na exposição Caio Fernando Abreu - 60 anos. Mas, acho que, se você concordar comigo, Caio F. tornou-se moda esse ano aqui em Santiago. As pessoas estão tentando fingir que esqueceram o grande preconceito que Santiago sempre teve com ele, apenas para agradarem a terceiros que tanto querem conhecer o "Passo da Guanxuma". É triste ver que Caio tem o seu merecido valor em tantas outras cidades, por mais diferentes que sejam, e, na sua terra natal, ainda seja visto como um homossexual - drogado, como a grande parte da população ainda o vê.