domingo, 29 de dezembro de 2013

DIÁLOGO AO ENTARDECER

- Toda arte é um luxo.
- Luxo?
- Sim, com origem no ócio, não na necessidade.
- Como assim?
- Foi o acúmulo de alimentos, de bens, de riqueza (em geral) que propiciou o tempo para o homem se tornar um artista.
- Quando isso ocorreu?
- Já no Paleolítico Superior, quando passou a habitar em cavernas. As armadilhas apanhavam animais de grande porte para a alimentação, criando, entre os caçadores, o excedente humano que se dedicasse à pintura. 
- Pintura rupestre.
- Com a revolução neolítica, o homem foi obrigado a se sedentarizar, dando começo às primeiras povoações, às primeiras cidades. Entre as múltiplas atividades originadas com a vida urbana, uma especialização da artesania levou à produção de objetos artísticos. A cerâmica desenterrada nos sítios arqueológicos testemunham esse salto nas principais culturas da antiguidade.
- O ócio é o pai da criação artística...
- A mãe...
- Não havia pensado nisso.
- Nunca é tarde para pensar. 
- Se a arte nasceu do ócio, por que se tornou necessária?
- Necessária para quê?
- Jean Cocteau, referindo-se à poesia.
- Num futuro não muito distante, com a humanidade correndo risco de ser extinta, o questionamento de Cocteau será respondido. 
- E qual a resposta provável?
- O trabalho ingente para sobreviver não dará trégua. O ócio significará autodestruição. O homem viveu nos primórdios de sua evolução em estado de necessidade permanente.
- Como disseste, isso mudou no fim do Paleolítico Superior.
- Correto. Nos últimos cinco séculos, vivemos o auge da ociosidade. Mero momento. Futuramente, o ócio diminuirá perceptivelmente. 
- O homem voltará à barbárie?
- Não, necessariamente o homem. Os estados imperialistas, sim. Involuirão para algo ainda pior. 
- Há estudiosos que afirmam que essa perspectiva catastrofista não passa de uma falácia.
- Falácia?!
- ...
- O Sol aumenta o Hélio em seu núcleo. Mesmo antes de fundi-lo, haverá um aceleramento na fusão de Hidrogênio, fenômeno químico solar que chegará ao nosso planeta em forma de calor. Muito calor.
- As consequências serão terríveis...
- Não haverá ócio. Não haverá arte.

SOBRE O POST ABAIXO

A Tânia de Oliveira foi quem fez a ligação para o Caio Fernando Abreu em 1995, convidando-o para vir a Santiago (e aqui inaugurar a foto do escritor na Galeria de Honra do Centro Cultural). Minha irmã trabalhava na Secretaria de Educação e Cultura de Santiago e fora encarregada de organizar o evento. Ela me confirma que, pelo telefone, Caio estava em dúvida se viria, em razão de um convite para ir à Europa. Em A Raiz do Pampa, crônica que ele escreve depois da vinda ao seu Passo da Guanxuma, Montevidéu talvez constitua um elemento ficcional (não correspondendo à realidade). A propósito, A Raiz do Pampa traz a magia da transposição poética de que falava Gabriel García Márquez. Ao descrever sua viagem, "e fomos percorrendo o Rio Grande do Sul abaixo", Caio não se importa com a correção geográfica (que é Rio Grande do Sul acima). Escreve sobre "açudes transparentes" que avistava de dentro do automóvel. Os gaúchos todos sabemos que os açudes, via de regra, apresentam a água turva, em tom marrom - o que não impede de refletirem o céu "absolutamente azul".                

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CAIO ABREU POR FISCHER

Em seu livro Coruja, Qorpo Santo & Jacaré - 30 perfis heterodoxos, Luís Augusto Fischer escreve sobre Caio Fernando Abreu:
"Nos últimos meses de vida teve convite para voltar mais uma vez à Europa, mas, sabendo que estava no fim, preferiu rever sua terra natal, a Santiago Pampiana e sem peregrinos, com a qual tinha afinidades mínimas mas que era, enfim, o começo de tudo".
Em sua crônica confessional, A raiz do Pampa, Caio se refere às três opções: ir a Montevidéu, a Santiago e baixar ao hospital. Prefere reencontrar o Passo da Guanxuma.
A escolha do escritor, portanto, fizera-se entre a capital do Uruguai e Santiago, não entre Europa e Santiago. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

AGORA



Na sacada que avança sobre a esquina da Pinheiro Machado com a Benjamin Constant, sento-me todo fim de tarde,entre o dia que se vai (ao poente) e a noite que chega (do nascente). No céu, neste exato momento, vejo a Lua cheia de um lado,e Vênus de outro. Os dois refletindo o Sol que já se foi (por hoje). Desde o Rincão dos Machado, menino, gosto de contemplar o infinito cravejado de pontos luminosos e iluminados. Coisa que mal expressam as palavras.

CARNES SOBREIRA


O discurso de que Santiago carece de indústrias é uma recorrência antiga da política local, empregada sistematicamente por quem faz oposição. Sua ideia central atribui ao poder executivo a responsabilidade por propiciar uma mágica de, a partir de medidas protocolares, industrializar nosso município. 
Alguns administradores fizeram (e fazem) o que é viável nesse sentido, como oferecer uma melhor infraestrutura e incentivos fiscais. 
Apenas para isso, o município necessita da contrapartida do Estado ou da União. Em razão de sua própria economia. 
Santiago já tem, às margens da BR-287, uma área destinada à instalação física de empresas. Falta-nos o aeroporto, que, de acordo com o prefeito Júlio Ruivo, depende de uma verba estadual para ser concluído. 
O discurso acima referido, mais que se prestar à retórica oposicionista, demonstra um vazio entre a idealização e o real. 
Pontes são lançadas pela iniciativa privada, sempre muito corajosa dentro de um estado federativo que se maximiza pela cobrança de imposto. 
Entre os empresários arrojados, hoje se destaca Ruderson Mesquita Sobreira. Seu frigorífico passa por um upgrade com a marca "Carnes Sobreira". 
O beneficiamento da carne bovina é um processo industrial perfeitamente executável em nosso município, rico na produção da “matéria-prima”. 
Todo desenvolvimento econômico de Santiago e região está condicionado ao setor primário, analisam nossos estudiosos de plantão. 
Segundo Ruderson Mesquita, o novo produto de seu frigorífico ganha em qualidade com o empacotamento a vácuo, devendo abastecer o mercado “interno”, apesar da forte e desleal concorrência dos abates clandestinos, expandindo-se para o mercado “externo”, como a rede Carrefour. 
Uma coisa é discursar que necessitamos de indústrias, outra é trabalhar no sentido de.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

DÉCADA PERDIDA


Recebi hoje o livro Década Perdida - Dez anos de PT no poder, de Marco Antonio Villa. Cada ano do governo petista serve como título dos dez capítulos, de 2003 a 2012. Já li o primeiro, 2003, com 52 páginas.  

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

CRÔNICA DO COTIDIANO SANTIAGUENSE

Um casal de namorados me chamou a atenção na tarde de ontem. Os dois desciam de mãos dadas pela Rua Eudócio Pozzo - em direção à Estação do Conhecimento.
Muito franzina, ela aparentava não mais que 15 anos de idade. Sua barriga proeminente denunciava uma gravidez de cinco a seis meses. Também magérrimo, ele não passava de um adolescente, a ostentar a primeira barba. 
Num primeiro momento, considerei ruim a gravidez prematura da adolescente. Ruim para ela, em vista de ter que se dedicar alguns anos de sua juventude à criação de um filho. Ruim para ele, com a responsabilidade que passará a lhe exigir a condição de pai. Ruim para ambos, obrigados a constituir uma nova família antes do tempo para tal (de acordo com os padrões impostos pela nossa cultura). 
Em casa, num segundo momento, reconsiderei minha apreciação. No caso dessa adolescente, a gravidez é boa. Biológica e moralmente. A vida tem assegurada sua continuidade (o que é possível a partir de uma relação heterossexual). 
O casal me pareceu muito feliz. Uma pena que desciam a Rua Eudócio Pozzo - em direção à Estação do Conhecimento.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

TRÂNSITO (MAIS UMA VEZ)



Um dos problemas de Santiago, novo para a nossa cidade, diz respeito ao trânsito. A rua é o lugar em que a interação social acontece forçosamente. O cidadão, por mais que se proteja cada vez mais em suas casas, mais vulnerável se torna ao usar o espaço público, a partir do portão de sua pequena “fortaleza”. Nesse espaço (em que circulam centenas-milhares-milhões de indivíduos), a instabilidade cresce como um dos principais fatores que puxam para baixo a qualidade de vida, tão dificilmente conquistada. Venho observando o trânsito na Pinheiro Machado, que serve de amostra do que deve ocorrer noutras ruas da cidade. A sacada do Edifício Dom Manuel é um excelente ponto de observação que avança sobre a esquina com a Benjamin Constante, das mais movimentadas e sem semáforo. Durante o dia, poucas vezes algo errado no comportamento dos condutores de veículo. A falta de educação fica por conta dos pedestres. Até as 22 horas, não há alteração digna de nota. Depois disso, o movimento diminui paulatinamente. Por volta da meia-noite, começa um intervalo, que separa pessoas diurnas das noctívagas. Estas últimas tomam a madrugada de roldão, não obedecendo à norma alguma. A civilidade, fragilmente praticada durante o dia, cede a vez para um tipo moderno de selvageria. A ordem, fragilmente instituída durante o dia, transforma-se em caos. A velocidade com que descem pela Pinheiro assusta, prelúdio de uma tragédia (prestes a ser noticiada no dia seguinte). Por sorte, os acidentes não são mais frequentes. Fico a imaginar o que acontece na Alceu Carvalho, na Aparício Mariense e em seus prolongamentos. Qual a solução para esse problema? Mais fiscalização, com a aplicação inequívoca do Código de Trânsito.  

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MADIBA


Mandela não é amado porque é bom; Mandela é bom porque é amado.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

O Uruguai está para aprovar a legalização da maconha, uma providência defendida por muitos brasileiros para o nosso país. 
Neste aspecto, a futura experiência uruguaia será valiosa na fundamentação de um projeto de lei análogo no Brasil, ou em sua  definitiva inviabilização. 
Obviamente, há diferenças abissais entre os dois países - que não diminuem ante a realidade da droga. 
A legalização no Uruguai, a(em) princípio, facilitará o tráfico no Brasil, tendo o Rio Grande do Sul como provável entreposto (por sua localização geográfica). 
A priori, a questão da legalização se polemiza em torno das seguintes argumentações: 1) haveria maior controle da produção versus  2) estimularia o consumo. 
Entre o controle a ser realizado pelo Estado e a liberdade do consumidor, não há dúvida sobre o que ficará no plano do ideal e o que irá ocorrer desbragadamente. 
O consumo da maconha aumentará consideravelmente, servindo de iniciação natural do viciado, que buscará outras drogas mais fortes, todas elas ilícitas. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

UM LONGO CAMINHO


A vida de uma pessoa, do nascimento à morte, já foi comparada a muitas coisas, que elencam uma relação ainda inconclusa (em vista do contínuo exercício dos poetas). Uma das mais populares dessas metáforas relaciona vida e caminho/ caminhada. Em Édipo Rei, de Sófocles, o enigma proposto pela Esfinge alude a uma criatura que, pela manhã, tem quatro pés; ao meio-dia, tem dois; e, à tarde, tem três. Édipo resolveu o quebra-cabeça: “O homem – engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta, e usa uma bengala quando é ancião”. O poeta espanhol Antonio Machado escreveu: “Al andar se hace el caminho/ y al volver la vista atrás/ se ve la senda que nunca/ se há de volver a pisar”. Via de regra, a caminhada inicia-se com uma subida (mais ou menos difícil), alonga-se sobre um plano horizontal e encerra-se com uma descida (mais ou menos difícil). A primeira fase pode ser associada ao crescimento do indivíduo, exigindo-se um grande consumo de energia. O alto é alcançado com o pleno desenvolvimento físico e o satisfatório conhecimento de mundo. O psicológico continua a evoluir na fase intermediária, segundo um processo que se confunde com a própria racionalidade. Nesse plano, o caminho se caracteriza pelo equilíbrio, pelo domínio de quem vislumbra maiores extensões. Isso propicia belos momentos de contemplação, que excede todo trabalho, toda atividade necessária. O caminhante tem a visão ampliada por horizontes mais extensos, entre os quais alguns sonhos se realizam e outros são esquecidos como impossíveis, sonhados desde os primeiros anos da juventude. No último terço da caminhada, os sinais de cansaço começam a aparecer com frequência, quando a energia é insuficiente para evitar a entropia vital. Tal não é problema para a pessoa responder com mais doçura aos estímulos externos e pactuar sem problema com a solidão. 

TRÊS EXEMPLOS

Os conceitos políticos "direita" e "esquerda" se originaram durante a Revolução Francesa para designar os que se sentavam à direita do presidente do parlamento, defensores do antigo regime, e os que se sentavam à esquerda, favoráveis à revolução.
Com a Guerra Fria, acentuou-se a dicotomia entre "direita" e "esquerda", polarizada pelos Estados Unidos (democráticos) e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (socialista). 
Com a debacle da URSS (e do socialismo), "direita" e "esquerda" começaram a ruir como conceitos opostos, perfeitamente definíveis.
Dois exemplos históricos e um atual revelam contradições interessantes, que colocam em dúvida a estanquidade desses conceitos.
Para o argumento que defende que a "esquerda" apoia a existência de sindicatos (como caracterizam os esquerdistas norte-americanos), cito o exemplo que se segue: 
1) Lênin, que na Segunda Internacional, foi visto como de extrema esquerda, era contra os sindicatos (que, segundo o líder revolucionário, operavam no sistema capitalista).
Para o argumento que define programa da "esquerda" o controle cerrado do Estado na economia, cito o exemplo abaixo:
2) John Maynard Keynes, para produzir sua obra Teoria geral do emprego, do juro e da moeda, francamente antiliberal, inspirou-se no New Deal, de Franklin Delano Roosevelt (presidente dos EUA).
Para o argumento que relaciona a "esquerda" com a doutrina da antiprivatização, cito um exemplo atual, conhecidos de todos os brasileiros:
3) Nos anos oitenta, a Partido do Trabalhadores levantava a bandeira esquerdista da antiprivatização. Hoje no governo, o PT privatiza no atacado, inclusive nossos aeroportos. 

(Os exemplos acima foram elaborados por mim, a partir de leituras bibliográficas, do Google à História concisa da Revolução Russa, de Richard Pipes, bem como da experiência pessoal.)

domingo, 24 de novembro de 2013

ATÉ QUE ENFIM...

Olívio considera justa a prisão dos mensaleiros.

Até que enfim alguém do PT, da pura cepa petista, reconhece a verdade, que seus correligionários de todos os escalões do governo insistem em desvirtuá-la. 
OLÍVIO DUTRA afirma o seguinte:
"Funcionou o que deveria funcionar. O STF (Supremo Tribunal Federal) julgou e a Justiça determinou a prisão, cumpra-se a lei". 

Todos os brasileiros (que os retrógrados insistem em classificar como de "direita") somos suspeitos de emitir uma opinião semelhante a de Olívio Dutra. Os motivos são óbvios. Todos os petistas e simpatizantes (que os retrógrados insistem em classificar como de "esquerda") são suspeitos em emitir uma opinião contrário da expressa pelo ex-governador e ex-presidente do PT no Rio Grande do Sul. 

A primeira exceção é Olívio Dutra, acima de qualquer suspeita. 
O presente isolamento político em que ele vive, provocado pela turma que está presa agora demonstra a grandeza de seu caráter, de sua eticidade. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DOIS SONHOS


A leitura de A interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud, exige muita atenção, com paradas obrigatórias aqui e ali, retornos a determinado ponto e continuadas reflexões.
Antes de me debruçar sobre essa obra freudiana, já analisava meus sonhos que ganharam nitidez por força da repetição (não do enredo, mas de sua temática). Dois deles são sintomáticos: 1) estou no alto de uma torre que balança e cai; 2) apanho belas e maduras laranjas (que não consigo chupar seu suco ou comer seus gomos).
O primeiro é estimulado por meu medo de altura, cuja origem remonta aos instantes que precederam meu difícil nascimento. O segundo tem como estímulo a sede, sensação decorrente do consumo de alimentos salgados, como o churrasco por exemplo.
No capítulo III, Freud escreve que o “sonho é a realização de um desejo”:

Quando como anchovas, azeitonas ou algum outro alimento muito salgado no jantar, fico com sede durante a noite e ela me acorda. Esse despertar, no entanto, é precedido por um sonho que sempre tem o mesmo conteúdo, a saber, que estou tomando água”.

Ele denomina de “sonho de comodidade”, porque o sonho produz a sensação de saciamento.
Diferentemente, nunca sacio minha sede e acabo levantando para tomar água. Dessa forma, não posso chamá-lo de “sonho de comodidade”.
Mais adiante, Freud reconhece que o sonho se modificou um pouco, apresentando uma água salgada por exemplo e não saciando sua sede.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

MÉTODOS EQUIVOCADOS

"O mundo leigo se esforçou desde sempre em 'interpretar' o sonho, empregando para tanto dois métodos diferentes em sua essência.
"O primeiro desses procedimentos tem em vista o conteúdo onírico como um todo e procura substituí-lo por um outro conteúdo compreensível e em certo sentido análogo. Essa é a interpretação simbólica dos sonhos; naturalmente, ela fracassa desde o princípio com aqueles sonhos que se mostram não apenas incompreensíveis, mas também confusos. Um exemplo de seu procedimento é dado pela interpretação que o José bíblico deu ao sonho do faraó. 
"O segundo procedimento popular poderíamos chamá-lo de 'método de decifração', visto que trata o sonho como uma espécie de escrita cifrada. Não há dúvida de que foram os sonhos desconexos e confusos que impulsionaram a criação do método de decifração.
"Para a abordagem científica do tema, a inutilidade de ambos os procedimentos populares de interpretação dos sonhos não pode ser posta em dúvida por um momento sequer."
A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud.

domingo, 17 de novembro de 2013

A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS


Depois de trinta anos, desde que li Totem e Tabu, de Sigmund Freud, debruço-me sobre A interpretação dos sonhos - obra seminal que deu origem à Psicanálise. O livro com mais de setecentas páginas e inteiramente diferente dessas publicações vulgares (de cunho mistificador), que vicejam sobre os sonhos e suas possíveis interpretações. 
A primeira lição que destaco de A interpretação dos sonhos diz respeito às "causas estimuladoras" dos sonhos. As fontes de estímulos que nos fazem sonhar se classificam em quatro espécies:
1) excitação sensorial externa (objetiva);
2) excitação sensorial interna (subjetiva);
3) estímulo corporal interno (orgânico);
4) fontes de estímulo puramente psíquicas.

sábado, 16 de novembro de 2013

NÃO ENTENDI

Não entendi o punho levantado de José Dirceu e de José Genoíno ao se apresentarem para a prisão. Não só o punho levantado, mas a desculpa de que são presos políticos. Isso é o absurdo transformado em razão discursiva. Falta de razão (porque absurdo). 
O punho levantado como se a prisão representasse um momento de vitória, uma conquista. 
Presos políticos?
Ambos pertencem ao partido que ocupa o governo (pelo menos, até 2018). O tribunal que os julgaram culpados são formados por juízes, em sua maioria, indicados pelo próprio partido. Antes disso, porém, o Brasil vive ou não vive uma democracia? 
Agora que foram julgados, finalmente, pode o cidadão de bem dizer que Zé Dirceu e Zé Genoíno são corruptos? 
Meia dúzia de manifestantes, com bandeiras do PT, para quem os condenados levantavam os punhos, acha que foi feita injustiça. O mensalão não houve, sendo inocentes Zé Dirceu, Zé Genoíno e toda a cambada (inclusive o ex-diretor do Banco do Brasil, que se encontra foragido).
Solitariamente, alguém pegou um megafone e gritou que houve justiça. 
Como entender essas contradições?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MERCADO DA ARTE


Ontem foi vendida a obra mais cara da história da pintura: Three Studies of Lucien Freud, do artista britânico Francis Bacon, no valor de 142,4 milhões de dólares. Pintor e amigo de Bacon, Lucien Freud é neto de Sigmund Freud (o criador da Psicanálise). 
O mercado da arte é pura excentricidade, ou como define Vargas Llosa, reflete muito bem a "civilização do espetáculo". 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

NOVA LEITURA


Ontem encerrei a leitura do livro Por que o mundo existe?, de Jim Holt, e hoje já iniciei O Universo numa casca de noz, de Stephen Hawking. O seu Uma Breve História do Tempo transformou-se num best-seller, uma raridade em se tratando de uma publicação científica. Esse livro despertou meu gosto pela Cosmologia no final dos anos oitenta, quando o li pela primeira vez. 
O Capítulo Um de O Universo numa casca de noz é inteiramente dedicado a Albert Einstein e sua descoberta da Relatividade, espaço-tempo curvo etc. Hawking faz pouco caso da "constante cosmológica", equívoco que o próprio Einstein reconheceu ainda em vida. Einstein também não aceitava a Teoria Quântica e o Big Bang. 

domingo, 10 de novembro de 2013

LER OU NÃO LER?


Quais as diferenças entre uma pessoa que lê incansavelmente bons livros e uma pessoa que não lê simplesmente? Há diferença, mesmo considerando-se a qualidade de vida, a felicidade? 
Os exemplos que respondem negativamente (que não há diferença) estão aí, dominando a realidade. 
O conhecimento, algumas vezes, conduz a certezas, por um lado, e a dúvidas, por outro, que nos distanciam da cômoda existência, mais feliz. Em sua maioria, nossos tataravós eram analfabetos, mas eram fortes e felizes (apesar do trabalho mais duro). 
Pois bem, antes da nossa Feira do Livro, fui às escolas para falar sobre a importância da leitura. Por um princípio de honestidade ética, lembrei que a leitura pode atender à nossa necessidade de fruição pura e simples, de prazer. Aliás, o grande volume de leitura tem esse objetivo. Não visa ao conhecimento. 
A principal diferença que expus a quem me dirigi foi de que a leitura habilita seu praticante a tornar-se sujeito da enunciação, transcendendo a passividade do interlocutor anônimo, alienado. Isso explica o sucesso do Facebook. Ali o usuário é sujeito, responde ativamente à própria condição de ser. 
No meu caso, a leitura atende a instintos de conhecimento, à nova paixão a que referia Nietzsche em seu livro Aurora.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

TERMOS OU EXPRESSÕES EM TROVAS DA ESTÂNCIA DO ABANDONO DE ZECA BLAU

ALPISTA: arisco, assustado, ressabiado.
AMILHADO: diz-se do animal tratado com milho.
ANDARIVEL: série de estacas enfileiradas que dividia os trilhos por onde corriam os parelheiros.
ARROCINO: 1ª pessoa do singular do verbo arrocinar, fazer a doma.
ARVEL: corruptela de arvela, caborteiro, ventana.
AVOENGO: relativos aos avós.
BANZEL: barulho, desordem.
BICHARÁS: poncho ou cobertor feito de lã grossa com listas brancas e pretas ao comprido.
BILONTRA: que ou quem age com esperteza, sem honestidade.
BUERANA: cavalo ligeiro.
BULHA: ruído ou gritaria de uma ou mais pessoas.
CADENA: forma de, sem perigo, retirar o laço que segura um animal bravio com o auxílio de outro laço, preso à argola do primeiro.
CÂIMBRAS: peças do freio.
CAMPECHANO: pertencente ou relativo ao campo, campeiro.
CANGUARA: cachaça.
CARCHEIO: roubo.
CHANFALHO: facão.
CHANGUEIRO: parelheiro medíocre.
CHELPA: dinheiro em geral.
COLMILHUDO: cavalo velho (com dentes, colmilhos, grandes).
CONCHO: confiante, despreocupado.
COPLAS: pequeno poema de inspiração popular, quadra, trova.
COSCOJAS: rosete de ferro colocada no bocal do freio para fazer ruído.
CUERA: gaúcho forte, destemido.
DÃO CASSAL: Barros Cassal.
DÃO MONTEIRO: General Goes Monteiro.
D. BRASÍLIA COMARCA: Brasil.
FACÃO DO CADEADO: facão feito em Cadeado, então distrito de Cruz Alta, hoje Boa Vista do Cadeado.
FARRANCHOS: pândega, folia, grande farra.
FIÚZA: confiança, fé.
FOLHEIRAS: airosas, garridas, alegres.
FRAILES: frades.
GEBITO ARENGUEIRO: zebu pequeno, de difícil trato, arisco.
GRONGA: coisa mal feita, embrulhada.
GRULHA: valente, temido por suas façanhas.
GUITA: soldado de polícia.
ILERAS: filas (de botões).
IRAPUAZINHO: fazenda de Borges de Medeiros em Cachoeira do Sul.
JANGUITO: João Neves da Fontoura.
JERIVÁ: do tupi jeri'wa, palmeira comum, coqueiro.
JUVELINO: Getúlio Vargas.
LINDOLFO: Lindolfo Collor.
LUNANCO: diz-se do cavalo que tem um quarto mais baixo do que o outro.
MACIELINHO: Maciel Filho.
MACOTAS: grande, poderoso, influente.
MAROSCAS: manobras ardilosas, trapaças.
MAULA: ruim, mau. 
MAURÍCIO: Maurício Cardoso.
MIXES: do guarani mi'xi, pequeno, pouco.
PAISEIRO: cavalo crioulo.
PATRANHA: mentira.
PEDIRO: corruptela de pediram (3ª pes pl.).
PETRECHOS: utensílios, ferramentas, armas.
POLEANGA: relativo à raça bovina Polled-Angus.
QUERUDO: forte, temido.
QUINCHO: 1ª pessoa do singular do verbo quinchar, cobrir com quinchas (santa-fé ou qualquer outro capim).
RAUL DINHEIRO: Raul Pilla.
RECAU: arcaísmo do espanhol platino recado, arreio.
RETRECHADOR: dissimulado.
ROMEY: raça de ovelha (Romney).
SARILHO: barafunda, confusão, tumulto.
TAFULEIRAS: faceiras, divertidas.
TAITA: indivíduo valentão, destemido, guapo.
TANGURUCHO: confusão, briga.
TEBA: indivíduo graúdo, importante, valente, corajoso. 
TRANCUCHO: um pouco embriagado.
VADICO: Osvaldo Aranha.
VAQUIA: destreza, habilidade.
VELHO ANTÔNIO: Antônio Augusto Borges de Medeiros.
VIVARACHO: indivíduo muito vivo, esperto. 
XUBREGA: diz-se de indivíduo insignificante, animal ordinário, de coisa sem valor.

INTERESSANTE...

Steven Weiberg foi laureado em 1979 com o Prêmio Nobel de Física, em vista de sua contribuição científica na unificação da força eletromagnética e a força "fraca" (responsável pela desintegração radioativa). Nenhum outro estudioso se envolveu mais na elaboração de uma teoria final. Ele é autor de Os três primeiros minutos (que descreve os primeiros instantes após o Big Bang).
Weiberg é antirreligioso, a despeito de residir em Austin, Texas, centro da igreja batista. Jim Holt cita uma frase de Weiberg em seu livro Por que o mundo existe? (o qual estou lendo no momento):
"Com ou sem religião, as pessoas boas fazem bondades e as pessoas más fazem maldades. Porém, para que pessoas boas façam maldades, é preciso uma religião".

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

BRENO SERAFINI NO ZH


O santiaguense Breno Serafini autografou seu Millôres dias virão hoje na Feira do Livro de Porto Alegre. 
Ao folhear o Zero Hora desta quarta-feira, foi uma bela surpresa para mim a publicação da matéria acima ilustrada. 
(Para facilitar a leitura, clicar sobre ela.) 

domingo, 3 de novembro de 2013

LIVRO ÓTIMO


A experiência de longos anos de leitura me conduz facilmente aos melhores livros. Nestes dias, leio A civilização do espetáculo, de Mario Vargas Llosa. O grande escritor peruano disserta sobre todos os assuntos pendentes de nossa modernidade (não tão líquida como define Zigmunt Bauman).

sábado, 2 de novembro de 2013

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE




A 59ª Feira do Livro de Porto Alegre iniciou-se ontem, na Praça da Alfândega. Às 13 horas, as bancas foram abertas e às 19 horas, na Praça dos Autógrafos, ocorreu a solenidade de abertura.
No "palanque", políticos e grandes escritores gaúchos disputavam a atenção. Às minhas costas, no meio dos assistentes, encontro o maior poeta vivo do Rio Grande do Sul (que mora no Rio Grande do Sul): Armindo Trevisan. Depois de ter-lhe falado que era leitor há muitos anos de sua poesia, disse-lhe que, em minha casa, havia dois volumes de seu A Poesia - Uma Iniciação à Leitura Poética. Ele me confessou que levou oito anos para produzi-lo, escrevendo-o à mão. 
Na primeira foto, Luís Augusto Fischer, patrono da 59ª edição da feira, que este ano tem como tema "LER É PODER". (Na 15ª Feira do Livro de Santiago, a leitura era associada ao SABER.) Na última foto, o poeta Armindo Trevisan me autografa Adega Imaginária, seu mais recente livro de poesia.    


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO (PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES)

A 15ª Feira do Livro de Santiago se encerrou nesse domingo, às 21 horas, depois de quatro dias de intensa atividade. Dizer que a feira foi um sucesso pode parecer uma exagero (particularmente, desconfio desse discurso), uma vez que tudo o que realizamos vem com a restrição "oportunidade de melhorias". Essa (auto)crítica permite que o próximo evento seja ainda melhor realizado, como vem ocorrendo a cada edição da nossa Feira do Livro. O crescimento sempre nos surpreende com algo novo, não planejado - imprevisível quanto a seus aspectos positivos ou negativos. Ao considerarmos a presença do público, por exemplo, os dois aspectos  são verdadeiros. As escolas da rede municipal e estadual de Santiago, inclusive do interior, compareceram em massa, chamando a atenção de escritores convidados. Alcy Cheuiche, Célia Zingler e Neltair Abreu (Santiago) expressaram-se maravilhados com a participação dos estudantes, na condição de visitantes ou de novos sujeitos da enunciação. Alunos da EMEF Severino Azambuja, do Colégio Medianeira, da Escola da URI, do Curso de Direito da URI, da EMEF Boa Vista, da EMEF Sílvio Aquino, da EEI Anjinho Travesso autografaram suas primeiras inserções no letramento. Isso é muito positivo para uma cidade educadora. Pessoas inteligentes,  vindas de fora, percebem esse avanço cultural significativo (pelo qual se dedicam pessoas inteligentes daqui). A partir da opinião dos livreiros presentes à feira, constatamos que a maioria dos adultos  santiaguenses continua na companhia dos chamados analfabetos funcionais. Menos mal que eles não legam o hábito de não-leitor a seus filhos. A venda de livros infantis e infanto-juvenis contentou  a todos os agentes de mercado que apostaram nesses ramos da literatura.   

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

JORNAL DA 15ª FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO





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ILUSTRES VISITANTES

Anteriormente, já destaquei o nome de ALCY CHEUICHE, de quem li três romances: Sepé Tiaraju - Romance dos Sete Povos das Missões; O mestiço de São Borja; e A mulher do espelho.  
Neste post, relaciono os demais escritores que virão à 15ª edição da Feira do Livro de Santiago. 
JANE TUTIKIAN é pós-doutora em Literatura, professora e diretora do Instituto de Letras da UFRGS. Foi patronesse da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre (2011). Autora dos seguintes livros de contos, de novelas e ensaios: Batalha naval, O sentido das estações, A rua dos secretos amores, Entre mulheres, Geração traída, Fica ficando, Inquietos olhares, Velhas identidades novas... 
LÉIA CASSOL é escritora de literatura infanto-juvenil. Idealizadora da Editora Cassol e de seus projetos lúdico-pedagógicos. Obras infanto-juvenis: Um ano especial, As aventura de Beto e Fê... Infantil: Bruxa Merreca & Bruxa Zamya, Uma história apaixonada & A Gota: uma biografia bem apressada, Descobrindo Porto Alegre, Minhoquices, O aniversário da bruxa Kika, Férias na floresta, Um passarinho chamado Mario... Poesia: A vida do meu jeito e Homero
CLÁUDIO LEVITAN é autor de espetáculos infantis, como A maldição do castelo e a opereta Pé de Pilão. Publicou O porão misterioso (Prêmio Açoriano de Literatura Infantil em 2001), Tangos & Tragédias em quadrinhos, com desenhos de Edgar Vasques. É músico, tendo gravado três CDs: O primeiro disco, Minha longa milonga e com.pacto.triplo
THEDY CORRÊA é músico e vocalista da banda gaúcha Nenhum de Nós, com uma extensa discografia: O céu aberto, Pequeno universo, Onde estava em 93?, Paz e amor, Extraño, Mundo diablo... É escritor, autor de Bruto (poesia) e Astro-ajuda (contos). 
PAULO BOCCA é ator e diretor teatral com experiência em mais de vinte trabalhos entre espetáculos de teatro, TV e cinema; músico e compositor; escritor, contador de história e oficineiro.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O VERDADEIRO ALVO: 2016

Em Santiago, a oposição fala tanto contra o PP, mas segue-lhe o passo. Não passou uma semana da pré-candidatura a deputado estadual de Marcos Peixoto (por sinal, uma demonstração de inteligência pepista), para que os partidos de oposição, demonstrando a impossibilidade de coalizão, passaram a indicar seus representantes à Assembleia Legislativa. Segundo as contas do blog Limite da Verdade, são seis pré-candidatos por Santiago (mais os outros da região). Duvido que cada um desses pré-candidatos realmente pensa em ser eleito (O Marcos pode ser uma exceção.) Numa conversa com o Décio Loureiro, entendi que o verdadeiro alvo não está em 2014, mas em 2016.  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

GUERRA PELA ÁGUA

O Júlio Prates escreve que haverá guerras futuras pela disputa da água. Essa previsão é decorrente de uma leitura complexa (no sentido dado por Edgar Morin) do atual momento por que vive o nosso planeta. (Segundo a Teoria de Gaia, defendida por James Lovelock, a Terra é um organismo vivo.)
Há poucas décadas, ainda estava em voga a denominação de "planeta água" à Terra, a qual se baseava no aparente excesso dessa substância (nos três estados mais conhecidos da matéria: sólido, líquido e gasoso), cobrindo 70% da superfície do planeta. Para usar o discurso da lógica, "planeta água" não passa de uma falácia, a da falsa analogia. Todo raciocínio a partir dessa premissa não é válido, presta-se tão somente à sustentação de muitos preconceitos ainda dominantes no presente estágio de consciência humana. Tal dominação é responsável pelo esgotamento ou poluição dos rios, lagos, baías, mares, oceanos, aquíferos, lençóis freáticos... Futuramente, quando a verdade for do conhecimento de todos, será tarde para anular a entropia de um sistema fechado pelo homem. Num primeiro momento, a água será comercializada, como o é o petróleo atualmente. A propósito, o petróleo já tem provocado algumas guerras (camufladas por outros objetivos). Com o esgotamento das reservas e o declínio da produção, os conflitos se acirrarão de uma forma que permitirá antever como será a disputa pela água num segundo momento.

DUAS QUESTÕES DE COSMOLOGIA

No que concerne à ciência, de um modo geral, a cosmologia é seu campo de estudo que mais me fascina, mais me desperta o interesse. Muitas perguntas feitas pela filosofia, cuja origem se deve aos pensadores gregos anteriores a Sócrates, são respondidas pelas descobertas cosmológicas.
Nos últimos 400 anos, o homem avançou em grandes saltos nesse campo do conhecimento. 
A primeira questão que gostaria de colocar para os leitores deste blog diz respeito ao espaço-tempo. Com a teoria da relatividade, criada por Albert Einstein, comprovou-se que a dimensão espaço-tempo foi engendrada pelo Big Bang. Como o Universo continua em expansão, pode-se dizer que um dos efeitos da grande explosão ainda não cessou (além da radiação cósmica de fundo captada por Arno Penzias e Robert Wilson em 1962). 
A questão que coloco é a seguinte: O que seria a área ainda não alcançada pelo Universo em expansão? Um espaço-tempo pertencente a outro universo resultado de outro Big Bang? 
Caso me encontrasse com Marcelo Gleiser, certamente, perguntaria a ele sobre isso.
A outra questão é menos difícil. Uma estrela como o Sol consegue fundir os átomos até o Carbono, cuja massa atômica é igual a 12. Dessa forma, seu fim é previsível: acabará como uma anã branca feita de carbono. A Terra é incapaz de fundir o mais simples dos elementos, o Hidrogênio. De onde procederam os elementos mais pesados de nosso planeta? O Plutônio, por exemplo, possui massa atômica de 244. A "usina nuclear" que fundiu todos os átomos existentes no planeta deve ter sido uma grande estrela, mas bota grande nisso. Essa estrela deve ter explodido (imitando um pequeno big bang), lançando no espaço toda a matéria que viria a formar o sistema solar. 
O Sol não explodirá. Hoje ele funde Hidrogênio na chamada "sequência principal". Na hora em que começar a fundir Hélio (elemento formado a partir de dois átomos de Hidrogênio), não mais produziremos poesia ou qualquer outro tipo de arte.
 

sábado, 12 de outubro de 2013

MARCELO GLEISER

Marcelo Gleiser, carioca, professor de física e astronomia no Dartmouth College (EUA), escritor com excelente livros escritos, esteve em Porto Alegre na terça-feira para falar de ética na ciência.
Em entrevista a Zero Hora, publicada na edição deste domingo (já em circulação), Gleiser disse algo interessante sobre vida fora da Terra: 
"Não podemos negar a possibilidade de que exista, sim, vida complexa em outra parte da nossa galáxia e em outras galáxias. Mas o ponto é que a gente não tem indicação de que essa vida exista ou que possamos ter contato com essas formas de vida, caso existam. SOB O PONTO DE VISTA PRÁTICO, ESTAMOS SOZINHOS NO COSMOS".
Mais à frente, esclarece que para chegar à estrela mais próxima, o homem viajaria 50 mil a 100 mil anos.
A estrela mais próxima do Sol é a Próxima Centauri, distante 4,3 anos-luz. Um ano-luz = a distância que a luz percorre em um ano a uma velocidade de 300.000 km/s = 9,4 trilhões de quilômetros. 
Livros que recomendo do Marcelo Gleiser: A daça do Universo; O fim da Terra e do Céu; e Criação (im)perfeita.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

FREUD e BAUMAN



Ontem comprei esses dois livros em Porto Alegre. Enquanto descansava no Shopping Bourbon, li 38 páginas do primeiro. Do segundo, li duas páginas, destacando uma frase citada de Freud por Bauman:
"A civilização se constrói sobre uma renúncia ao instinto".
Entre esses instintos, despontam a sexualidade e a agressividade. 
Como o indivíduo pode dominar suas pulsões sem sucumbir a uma neurose por exemplo?  

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONFISSÃO DE UM LEITOR

Deixo de ver televisão ou de me sentar à frente do computador (para atualizar este blog, jogar xadrez online, informar-me com as últimas notícias), para ler um bom romance. À presentidade, à vulgaridade, ao realismo sensacional, prefiro a atemporalidade clássica que me é propiciada pela estética da criação verbal. Leio há quarenta anos e não sei como mensurar todos os benefícios que me trouxe a leitura. O mais evidente é este que me colocou na condição de sujeito da enunciação, do discurso, também produzindo textualmente para que outros leiam. Esta coluna, por exemplo, completará dez anos em dezembro. No letramento em que me realizo como pessoa, a leitura continua tão (ou mais) importante quanto a escrita. Por um lado, lançarei um livro poético; digitalizei e atualizei Trovas da Estância do Abandono de Da. Brasília Comarca, de Zeca Blau (que será lançado em comemoração aos oitenta anos de sua primeira edição); elaborei o editorial para o informativo da próxima Feira do Livro de Santiago. Por outro, leio e leio. Domingo passado, concluí a leitura de Sepé Tiaraju - Romance dos Sete Povos das Missões, de Alcy Cheuiche. Já lera O mestiço de São Borja, do mesmo autor. Ao longo desta semana, leio  A mulher do espelho, igualmente de Cheuiche. Por que lê-lo? Para melhor recebê-lo em nosso evento cultural, a princípio. Como poderei dialogar sobre literatura com o homem se não conheço sua obra. Lendo seu Sepé Tiaraju, romance histórico, indianista e trágico (no sentido dado pela tríade grega: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes), volto a pensar no grande crime cometido pelos portugueses e espanhóis – ao dizimarem um povo a ferro e fogo. Recomendo a leitura desse livro.  

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CONSIDERAÇÕES SOBRE A POESIA

Ente entre os entes, evoluindo ao longo de alguns milhões de anos, o homem criou a linguagem, a palavra articulada ou escrita. A partir desse instrumento, ele se tornou um ente especial. O mundo adquiriu um significado comunicável. Nesse aspecto, a linguagem é uma construção tropológica, uma metáfora fundadora. Em determinado momento da antiguidade romana, por exemplo, a palavra rius passou a significar o curso de água (relativamente volumoso). A coisa em si, ou melhor, o que aparece da coisa em si é transposto para o âmbito verbal, cujo emprego sistemático fixou-se como referencial.
Paralelamente à apreensão da realidade fenomênica, a linguagem serve para o melhor entendimento entre seus usuários, efetivando-se nas relações cotidianas, superficiais. Para viabilizar "relacionamentos mais profundos", Goethe escreve, outra linguagem passou a ser engendrada dentro da linguagem mesma - a poética. A palavra rio, mais que representar um curso de água, foi empregada para significar outro fenômeno (natural ou não), que realiza um fluir constante. Essa ampliação semântica por associação constitui a metáfora.
O meu poema TEMPO

O tempo é rio, e o homem, um barqueiro,
sempre contido pelas margens, sempre
guiado pela vívida corrente
até o mar imenso e derradeiro.

Ele manobra o barco inutilmente,
esperançoso de um lugar costeiro
com águas mansas, porto hospitaleiro,
onde a felicidade...
                                   Profluente,

o rio continua seu deságue
- devir que impõe ao ser a condição
indefinida entre o terror e a blague.

Além das margens, o desconhecido,
a singularidade, o tempo não
há fora do homem (pelo tempo ungido). 

começa com um símile, que já é o segundo passo para a constituição metafórica: o tempo é rio. (O primeiro passo é a comparação, em que aparece a partícula "como".) A metáfora pura ocorre, literalmente, com um salto significativo: o rio continua seu deságue. A palavra tempo foi substituída. O termo substituto, rio, arrasta outro, deságue, com o qual mantém uma relação semântica. O verso todo, que uma sucessão sintagmática, transforma-se em discurso poético.
O poeta é o sujeito desse discurso, cuja forma se distingue da prosa pela disposição paralelística, pela recorrência da medida e da rima.
Na efetivação de "relacionamentos profundos", a linguagem da poesia excede a função comunicativa, para constituir uma expressão estética, capaz de sensibilizar os espíritos mais contemplativos.       



domingo, 22 de setembro de 2013

ALCY CHEUICHE



ALCY CHEUICHE será um dos escritores que virá à nossa 15ª Feira do Livro de Santiago (entre 24 e 27 de outubro). Cheuiche nasceu em Pelotas , no ano de 1940. Um de seus ascendentes genealógicos foi o Barão de Cerro Largo, que lutou na Revolução Farroupilha, ao lado do Império. O escritor residiu em Alegrete, Porto Alegre, França, Alemanha, São Paulo, Campos do Jordão e, atualmente, na capital gaúcha. Formou-se em Veterinária. Casou-se três vezes, pai de cinco filhos: Luiza, Luciano, Mário, Márcio, Zilah. Em 1996, assumiu o Instituto Estadual do Livro. Em 2006, foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Entre suas obras, destacam-se os romances O gato e a revoluçãoSepé Tiaraju (romance dos Sete Povos das Missões), O mestiço de São BorjaA Guerra dos Farrapos, Ana sem terra, Lord Baccarat, A mulher do espelho, Nos céus de Paris (romance da vida de Santos Dumont), Jabal Lubnan; os livros de crônicas O planeta azul e Na Garupa de Chronos; a peça dramática  O pecado original; e os livros de poesia Meditações de um poeta de gravata, Entre o Sena e o Guaíba, Versos do extremo sul. Estou concluindo a leitura de O mestiço de São Borja, romance histórico que começa em São Borja (com a Revolução de 30 e 32, a campanha na Itália, as tentativas de golpe em 1945, o suicídio de Vargas, as eleições de Jânio Quadros, a Legalidade de Brizola, 1964, o Ato Institucional de 1968 como pano de fundo) e termina em Estocolmo, em 1980 (com a entrega do Nobel de Medicina aos familiares do Dr. Osvaldo Winterfeld, o mestiço, personagem que morre em acidente logo após receber a notícia da láurea).  Em seguida, pretendo ler Sepé Tiaraju e a Mulher do espelho. Com essas leituras, penso estar habilitado a conversar com o escritor. 
Outras visitas ilustres: Jane Tutikian, Léia Cassol, Cláudio Levitan, Thedy Corrêa e Paulo Bocca.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

NOVO PATRONO


O escritor, ensaísta e professor LUÍS AUGUSTO FISCHER foi escolhido há pouco o novo patrono da 59a edição da Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorrerá de 1 a 17 de novembro de 2013.
Os outros concorrentes eram: Airton Ortiz, Caio Riter, Celso Gutfreind, Cíntia Moscovich, Cláudia Tajes, David Coimbra, Fabrício Carpinejar, Franscisco Pereira Rodrigues e Maria Carpi.
Fischer é professor de Literatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Natural de Novo Hamburgo, nascido em 1958. Colunista do Zero Hora, é autor do Dicionário de Porto-Alegrês, Rua desconhecida e Edifício ao lado da sombra, ambos de contos, Quatro negros (novela), entre outros.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O GRANDE MITIFICADOR

Nestes dias, fala-se (e escreve-se) amiúde sobre uma identidade gaúcha, que distinguiria sobremaneira o homem nascido no Rio Grande do Sul. Qualquer brasileiro de outros estados ou regiões, que nos visitasse agora, aceitaria essa identidade sem pensar duas vezes.  
Ao pensar duas vezes, todavia... 
A Semana Farroupilha excede em ufanismo, sentimento ou atitude que representa a fina flor da gauchidade. O Hino Rio-Grandense (musicalmente produzido por um mineiro) sobre-exalta as nossas façanhas. Mas que façanhas? 
Tampouco o orgulho separatista serve de modelo a alguma parte da Terra.  
Nossa pátria mítica, a princípio, não passou de um ideal forjado pelos líderes farroupilhas. Estes eram descendentes de portugueses, do mesmo povo que colonizara o Brasil como um todo. Eles falavam a mesma língua portuguesa (com certeza). Revolucionários e imperialistas. Republicanos e monarquistas. 
Índios e negros nunca tiveram vez. Os primeiros foram dizimados covardemente na chamada Guerra Guaranítica (com o apoio dos espanhóis). Os outros, escravizados, traídos em Porongos. 
Que liberdade apontava o Vinte de Setembro? Liberdade política ou econômica? Seríamos liberais e viveríamos exclusivamente do charque? Separados do Império, seguiríamos sua política de povoar o território com imigrantes europeus? 
Depois dos alemães e italianos terem povoado metade do nosso território cordiforme, podemos falar numa identidade gaúcha?  A bombacha veio de fora. O cavalo veio de fora. A música veio de fora (segundo dizem, o hino seria plágio de Strauss). O churrasco (asado) é o prato nacional do Uruguai e da Argentina. O chimarrão (mate) é um legado da cultura indígena (quíchuas, aimarás e guaranis). 
Criação rio-grandense autêntica é o MTG. Há tão somente 46 anos. O grande mitificador. Essa organização não cessa de criar regras para o que seja a identidade do gaúcho. 

domingo, 15 de setembro de 2013

PERMISSÃO PARA GAUDERIAR

O diálogo sobre gauchidade (acampamento farroupilha, piquetes etc.) se amplia na blogosfera. O Ruy Gessinger sabe provocar o debate. Desta vez com um despretensioso registro fotográfico. A propósito, numa das fotos alguém faz uso do telefone celular. Ontem, ao passar um piquete aqui na Pinheiro Machado (em frente ao Fórum), observei que os dois cavaleiros da ponta traziam a mão ao ouvido. Obviamente, usavam o celular. O MTG permite isso? Ninguém ainda disse que o celular é uma forma de permissão, sem a qual o gaudério não estaria ali, naquele exato tempo e lugar. 

sábado, 14 de setembro de 2013

POESIA


Primeira amostra do livro Poesia, que reúne meus poemas em margens impossíveis, e os da Erilaine em rosa de nanquim. Lançamento previsto para a Feira do Livro de Santiago, de 24 a 27 de outubro de 2013. 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

NATUREZA VERSUS ARTIFÍCIO


Neste recanto do Hemisfério Sul, o mês de setembro constituiu um momento especial, em razão de manifestações naturais e humanas. 
A Natureza se renova ciclicamente com a chegada da Primavera, acontecimento que, por si só, mereceria uma grande festa. O artifício, todavia, pretere essa oportunidade em favor de datas históricas: a da independência do Brasil e da revolução farroupilha. Neste aspecto, o sentimento de nacionalidade é incomparavelmente mais importante que a vida a se renovar numa profusão de brotos e flores. 
A despeito da cultura ser a principal ferramenta na evolução autoconduzida pelo homem, com a produção de valores inegáveis, ela se presta para alimentar o poder no espírito de seu agente e beneficiário. Esse poder, sempre acompanhado de arrogância, vaidade e egoísmo, rompe com a natureza. 
Quanto mais complexas as sociedades, maior o efeito da ruptura, chegando à destruição do meio ambiente. 
A independência econômica de todas as nações é mantida graças à vultosa exploração dos recursos naturais. Esse é o ônus obrigatório pelo bônus da independência político-administrativa. Quando os recursos não são suficientes, depende-se de outros países (credores). 
O Haiti se orgulha de ser o primeiro país latino-americano a proclamar sua independência e é a sociedade mais pobre deste continente. Muito próximo dele, Porto Rico abriu mão de sua independência e é uma economia muito dinâmica do Caribe. 
Uma das maiores festas no Brasil comemora sua independência de Portugal. Para mantê-la, seguimos o exemplo dos países exploradores. 
No Rio Grande do Sul, comemoramos a independência que ocorreu e a que não ocorreu. Até o dia 20 de setembro, esquecemo-nos do grande advento da Primavera. Depois atribuímos um dia à árvore e ao seu algoz (o fazendeiro).

domingo, 8 de setembro de 2013

LUA E VÊNUS


Há pouco, contemplava o céu na Praça Moysés Vianna, sentado num banco em frente à Igreja Matriz. Chamei a atenção das pessoas que me acompanhavam no fim da tarde, para que olhassem para a Lua e Vênus. 
A contemplação não exige conhecimento. O próprio eu de quem contempla tende à autoanulação (como ensinava J. Krishnamurti).
Somente agora, em frente ao meu computador, arrisco dizer que a proximidade entre a Lua e Vênus é aparente, ocorre em razão de um alinhamento. A despeito de ser o planeta a orbitar mais próximo da Terra (e apenas 650 km menor, com base em seu diâmetro), Vênus está a aproximadamente 40 milhões de quilômetros de distância. A Lua está a 384.400 km. 


sábado, 7 de setembro de 2013

CRISTÓVÃO PEREIRA

Ontem fui ao Colégio Cristóvão Pereira para falar com alunos que trabalharam meus últimos artigos de opinião do Expresso Ilustrado.
Depois de um pequeno problema com o projetor, desafiei o auditório para o diálogo. Estava ali para dialogar, não como sujeito exclusivo do discurso. Inicialmente, citei Mikhail Bakhtin, insistindo para que os alunos se manifestassem, que reconhecessem a importância de se tornarem também sujeitos do discurso. Cidadania é igual a essa condição de letramento generalizado. Esse é o objetivo maior da educação. Antes de encerrar, mostrei um vídeo que amalgama psicanálise, filosofia e astronomia (associando todo conhecimento, coerente com o novo paradigma proposto por Edgar Morin. Para finalizar, propus tornar filósofos todos os presentes com uma pergunta: Por que existe algo ao invés de nada? Essa pergunta está formulada na Introdução à Metafísica, de M. Heidegger. Minha participação no diálogo valeu a pena: uma aluna se levantou e me disse que havia gostado demais da conversa.