sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O QUE LER?


A primeira consideração sobre leitura objetiva responder ao porquê de sua importância. O pressuposto que justifica essa abordagem é evidente: o mundo relativamente populoso de não leitores – um eufemismo para analfabetos funcionais. O convencimento para fazê-los migrar de mundo, sem sombra de dúvida, constitui um grande desafio a que se impõe todo educador. 

O fracasso em provocar essa migração impede a segunda e não menos relevante consideração sobre leitura, a qual responde ao que ler. A indicação deste ou daquele livro pressupõe, por sua vez, o mundo escassamente ocupado pelos leitores. A esse desafio, todavia, imponho-me sistematicamente nos últimos anos.

domingo, 21 de agosto de 2016

EDUARDO GIANETTI

HOJE o Zero Hora publica uma longa entrevista com EDUARDO GIANETTI, economista e filósofo (mais filósofo que economista). Sobre sua inclinação filosófica: "Minha paixão de estudo sempre foi a filosofia.Fiz faculdade de economia, mas logo descobri que os melhores economistas eram filósofos (Adam Smith, Malthus, Marx, Keynes...)". Ele diz sobre o Brasil: "Alternamos embriaguez eufórica com depressão que arrasa". Sua proposta é de uma Constituinte exclusiva para reforma política. O problema é desafiador: "As formas de representação e o modus operandi da democracia representativa deixam a desejar, pedem aprimoramento, mas ninguém sabe como fazer isso". Livros de Gianetti: Vícios privados, benefícios público; O valor do amanhã; A ilusão da alma; Autoengano (que li em 1998); Trópicos utópicos...

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

FENÔMENO ESTÉTICO



O Sol proporciona um espetáculo todos os dias. 
A vida no planeta Terra evoluiu para a autocontemplação (por intermédio do homem). 
O nascer do Sol, mais que reiniciar um ciclo, constitui um quadro natural de significação estética, o qual faz daquele que o contempla um poeta a cada manhã.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TAMBÉM EM CAMPANHA


NA CONTRAMÃO (DA DOR)


O ASSASSINATO é um crime cada vez mais frequente em Porto Alegre, Santa Maria e noutras cidades brasileiras.
A família vitimada pede por justiça, reivindica por políticas públicas que priorizem mais segurança.
Tempo perdido (na dor extrema), quando a lei do crime hediondo, por exemplo, segue na contramão de todo protesto (involuindo no sentido de beneficiar o criminoso).
Pergunto aos meus amigos Luiz Antonio Barbará Dias e Flávio Machado, por que isso acontece no Brasil. Não é um engano (ontológico) pensar que o avanço civilizacional ocorre na medida em que haja redução da pena, mais investimento no apenado, ao invés de haver mais paz em nossa sociedade?
A Constituição de 1988 não legisla pró-bandidagem, negando a cidadania à qual se remete pelo seu cognome?

NA CONTRAMÃO (DA DOR)


O ASSASSINATO é um crime cada vez mais frequente em Porto Alegre, Santa Maria e noutras cidades brasileiras.

A família vitimada pede por justiça, reivindica por políticas públicas que priorizem mais segurança.
Tempo perdido (na dor extrema), quando a lei do crime hediondo, por exemplo, segue na contramão de todo protesto (involuindo no sentido de beneficiar o criminoso).
Pergunto aos meus amigos Luiz Antonio Barbará Dias e Flávio Machado, por que isso acontece no Brasil. Não é um engano (ontológico) pensar que o avanço civilizacional ocorre na medida em que haja redução da pena, mais investimento no apenado, ao invés de haver mais paz em nossa sociedade?
A Constituição de 1988 não legisla pró-bandidagem, negando a cidadania à qual se remete pelo seu cognome?

sábado, 13 de agosto de 2016

A ÚLTIMA PALAVRA


"Tomas Nagel, um dos mais influentes filósofos em língua inglesa, apresenta em A última palavra uma bem fundamentada defesa da razão contra os ataques do subjetivismo, propondo réplicas sistemáticas às reivindicações relativísticas no tocante a linguagem, lógica, ciência e ética."
(Excerto da contracapa.)
Certamente, uma das leituras mais difíceis com que me deparei nos últimos anos.)

domingo, 7 de agosto de 2016

ASTROMANCIA

Nunca levei a sério a astrologia (digo, astromancia), a começar pelo seu subproduto mais popular - o horóscopo.
Desde a Babilônia, esse mito (desprezados pelos gregos da Antiguidade) atravessou milênios, para ganhar uma sobrevida com o holismo da Nova Era.
Ele (o mito) nega tudo o que os antropólogos defendem como "realidade viva" (Malinowski), "forma legítima de conhecimento intelectual" (Jaspers), sem fundamentação racional.
Astrólogos são charlatães, que vivem da exploração da credulidade e do desejo das pessoas menos inteligentes.
A Estatística e a Análise do Discurso bastam para desmascarar as previsões feitas com base na influência dos astros zodiacais na vida humana. 
Por favor, leiam o horóscopo de sábado e de domingo. Não há referências diárias, mas um discurso vago (que remete a uma determinada fase não específica, geralmente associada a esse ou àquele comportamento). 

sábado, 6 de agosto de 2016

SHOW


Tudo gera polêmica no Brasil. A tendência já é cultural (para não dizer endêmica).
A cerimônia de abertura da Olimpíada, por exemplo, tem suscitado opiniões diametralmente opostas. De um lado, posicionam-se aqueles que gostaram da apresentação. De outro, os que a criticam com acinte indisfarçável.
Tais posições seriam tomadas de qualquer forma, independentemente da qualidade do trabalho coordenado pelo cineasta Fernando Meirelles.
O espetáculo (de per si), até os discursos, foi maravilhoso.
Não concordo em criticá-lo em razão da crise social, econômica e política vivida pelo país. A Olimpíada é que não poderia ser realizada, em razão dos gastos bilionários. Desde muito, fui contra sua realização, mas não podendo mudar a realidade, assisti à cerimônia do início ao fim.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A PAIXÃO* PELA POLÍTICA

Na Terra dos Poetas, infelizmente, a poesia tem pouca penetração popular, para não dizer pouquíssima. A maioria dos santiaguenses é constituída de não leitores. A minoria que lê, todavia, prefere outros gêneros textuais – literários ou não. 
A grande paixão das pessoas (neste aspecto Santiago não se distingue de outros lugares) é a política partidária, com ênfase nestes meses que antecedem as eleições municipais. (Depois do pleito, os antes apaixonados eleitores se desligam do poder instituído por eles, por intermédio do voto, deixando-o à mercê de seus representantes – que legislam e administram por orientação própria ou de suas siglas.) 
A partir das convenções ocorridas há pouco, já se pressente o alvoroço em nossa cidade. 
À semelhança da paixão pelo futebol, a paixão pela política tem suas bandeiras com cores bem definidas. À semelhança da paixão pela corrida de cavalo (já foi a mais forte noutros tempos), a paixão pela política tem seus candidatos preferidos, em quem fazer uma aposta (de mudança, por exemplo). 
Malgrado haver um terceiro concorrente, a polarização entre dois candidatos a prefeito será inevitável. 
Das crianças aos velhos, mesmo entre aqueles que não votam, todos se envolvem apaixonadamente, numa intensidade cada vez maior – até culminar com o dia das eleições. Exatamente nesse dia de arroubo propiciado pela política, ninguém perceberá a ausência da poesia. 

* Paixão no sentido de "sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão" (Houaiss). 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

REFLEXÃO ANTE A JANELA

As coisas erradas (em razão do fator humano) são quase não listáveis pelo número de vezes com que elas ocorrem no tempo e no espaço. 
Minha primeira intenção ao começar a compreender o mundo a que pertenço, pari passu com o domínio de um discurso, consiste em apontar seus aspectos negativos, raramente enunciar uma solução. 
A evolução cognitiva a que me submeto pode esbarrar nalgum obstáculo, por exemplo, o de fazer de minha subjetividade uma objetividade (aceita pelo meu interlocutor). 
Nesta hora, surge a necessidade de conhecer o outro, o que não ocorre sem o autoconhecimento. Não há como provocar uma mudança exterior (das coisas erradas que vicejam em toda parte) sem a mudança necessária em mim mesmo.
Vencido esse primeiro obstáculo individual, dou mais um passo evolutivo (como ser perfectível). 
Num estágio ulterior, deixo de me desesperar com as coisas erradas e de querer mudá-las para coisas certas. Em muitas situações, há uma justificativa de as coisas sejam exatamente do jeito que são, como única maneira de também se transformarem em algo melhor.  

domingo, 31 de julho de 2016

FISIOLOGISMO CATÓLICO


O papa Francisco tem alicerçado seus discursos em proposições evidentes, ou truísmos. Um avanço, não resta dúvida, em relação aos antecessores, que silenciavam sobre muitos assuntos. Algumas verdades eram ignoradas sistematicamente pela Igreja, como a evolução das espécies e o big bang.
A última do simpático pontífice, dirigida aos jovens em Cracóvia, é de que "a crueldade não cessou em Auschewitz". É óbvio que não. Inclusive as crueldades "institucionalizadas", exercidas pelo Estado contra o indivíduo, contra a sociedade civil. 
A juventude do mundo inteiro deve saber disso, da mesma forma que sabe que o mal também se expressa por vontade do indivíduo ou de um grupo organizado com esse fim. Não nos enganemos com o homem, tido pela mítica judaico-cristã como imagem e semelhança de Deus, a agressividade está impregnada em seu ADN. 
A visita do papa a Auschewitz constitui uma agenda que busca recuperar o prestígio perdido da Igreja católica, cujos interesses de universalidade não passam de fisiologismo. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O MELHOR PÃO CASEIRO DE SANTIAGO


Tu sabes onde encontrar o pão caseiro mais delicioso em Santiago? Antes de te responder, todavia, esclareço que não estou fazendo propaganda, não ganho para fazer tal apreciação gastronômica. O lugar é... a LANCHERIA DO BATISTA.

FARÓIS ACESOS

Uma lei nova obriga os faróis acesos durante o dia, a qual foi criada a partir de experiências que comprovam a diminuição de acidentes entre veículos automotores.
Ontem fui a São Borja com o tempo nublado e retornei com sol a pleno. Na primeira situação, os faróis acesos é algo incontestável. Na segunda, sob a claridade meridiana, a diferença entre maior e menor percepção do veículo que se aproxima (em sentido contrário) é quase nula. 
Penso que as experiências realizadas com faróis acesos só apresentaram resultados positivos em vista de que os condutores sabiam do que se tratava: andar com faróis acesos para melhor percebimento dos veículos ao longe. Ao ligar as luzes do veículo, como condutor, também ligo alguma luz no cérebro (que me torna consciente da finalidade da lei).
Acidentes podem acontecer sob qualquer circunstância, mesmo com a luz plena do dia. Dificilmente, todavia, sua causa será o não percebimento do outro veículo. 
Outras normas são muito mais responsáveis na conduta correta dos condutores. Duas delas: a não ultrapassagem em lugares assinalados e a obediência à velocidade máxima permitida. Salvo alguma exceções, penso que a maioria dos acidentes ocorrem em vista da ultrapassagem em lugares não permitido e da velocidade acima da regulamentar. 
Nesses casos infracionais, independe se os veículos trafegam com os faróis acesos ou não. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

OUTRO LIVRO


Hoje me chegou mais um livro: Lucy - Os primórdios da humanidade, de Donald C. Johanson & Maitland A. Edey. 

sábado, 23 de julho de 2016

O RETORNO DE PERSÉFONE


Uma notícia do Rincão dos Machado: os pessegueiros começaram a florir neste sábado (23). Uma boa nova, em face do frio que vem fazendo este ano, com maior intensidade e extensão. 
Deméter já se dá por satisfeita com o castigo imposto aos mais hedonistas. Sua filha amada manda-lhe sinais de seu retorno do Hades, que acontecerá em breve. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

RAZÃO?

Em plena vigência da modernidade, Nietzsche fez uma crítica à razão, saindo em defesa da estética, da arte (como uma forma de conhecimento intuitivo). Esse foi seu romantismo, que me impede de ser cem por cento nietschiano. A razão a que se referiu Nietzsche era então vislumbrada, não vivida. A vida continua sendo guiada quase em sua inteireza pelas pulsões, pelos desejos irracionais. Toda a irracionalidade do século XX, malgrado os avanços da ciência, provam o sem domínio da razão. Mesmo assim, culpam-na de não ter propiciado a felicidade ao homem, tão desejada, instintual e realisticamente. A perspectiva é retornar a um estágio anterior, com o nome futuro de pós-modernidade. Por isso, observa-se pessoas sérias outra vez lendo horóscopo, apegando-se fanaticamente a uma religião, de alguma forma aderindo a uma prática new age. As redes sociais comprovam isso.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

LEITURA




Nesta tarde, concluí a leitura de Os humanos antes dda humanidade (uma perspectiva evolucionista). O autor, Robert Foley, é um antropólogo, arqueólogo e acadêmico britânico, especializado em evolução humana. Ao defender o evolucionismo, Foley faz uma crítica aos próprios antropólogos (que superestimam a cultura e subestimam o papel da biologia evolucionária).

"A Evolução Social
Foi mencionado que os cérebros grandes estão associados à sociabilidade, mas a questão de por que razão os animais deveriam ser sociais, e que forma essa sociabilidade tomaria, não foi ainda examinada. Já que uma parte tão grande daquilo que é único e especial nos humanos está ligada à sociabilidade, toda essa questão tem que ser colocada num esquema evolucionário.
[...]
"A sociabilidade não é um traço unicamente humano, sendo parte da evolução dos antropoides como um todo. Os primatas são a ordem social por excelência. Ao passo que outros mamíferos se especializaram em presas grandes ou pescoços longos, os primatas se especializaram em ser sociais. Vicendo em grupo e desenvolvendo relações sociais sustentadas desde seu surgimento, eles sobreviveram e prosperaram ao longo das eras. Das cerca de 150 espécies de macacos e macacos antropoides, apenas um único não vive em algum tipo de ambiente social. Essa única exceção é o orangotango, que é solitário. 
[...]
A tarefa de explicar as origens da sociabilidade e da sociedade cabe mais aos primatologistas que aos antropólogos."