quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

HINO NACIONAL (II)

O artigo de Mário Maestri contra o Hino Nacional prossegue com o seguinte parágrafo:

A esquizofrenia patente de uma população cantando hino que não entende, ensejou propostas de simplificação linguística ou modificação radical da letra da canção pátria, para que o povo pudesse compreender o que cantava. Essas tentativas de remendo ignoram a funcionalidade, na ótica das classes proprietárias brasileiras, do caráter estrangeiro da língua em que foi composto o Hino Nacional.

O exagero constitui uma figura de pensamento, mas o autor se equivoca duas vezes ao escrever "esquizofrenia patente de uma população". Uma "esquizofrenia patente" é a própria esquizofrenia, uma vez que "patente" significa claro, evidente, manifesto. O termo elimina o caráter conotativo do que o autor chama de "esquizofrenia". Essa doença, qualquer que seja a teoria que explique suas causas, não é de alcance coletivo, mas individual. Como reconhecido marxista, Maestri poderia ter empregado "alienação", a fim de expressar sua crítica.
O autor afirma que houve "propostas de simplificação linguística ou modificação radical". Pergunto se o caro leitor deste blog conhece alguma dessas propostas. Outro exagero: "modificação radical". Como ficaria a letra modificada radicalmente?
Ao condenar o pernosticismo, ele o expressa conceptualmente:
Essas tentativas de remendo ignoram a funcionalidade, na ótica das classes proprietárias brasileiras, do caráter estrangeiro da língua em que foi composto o Hino Nacional.
Que "caráter estrangeiro da língua"? Essa visão do doutor em História, sim, pode-se dizer esquisita. A não ser que ele, à maneira do Policarpo Quaresma, (o esquizofrênico personagem) de Lima Barreto, considere o Português um idioma estrangeiro.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INTERAÇÃO HIPERTEXTUAL

C L Barp disse...

O Hino Nacional (...) deveria ser obrigatoriamente matéria curricular de interpretação de texto nas escolas, tamanha é a riqueza nele contida. Não querendo ser preconceituoso, essa idéia de mudar a letra do Hino Nacional só poderia vir de um marxista fanático (ver Mario Maestri no wikpedia) que deseja ver o povo cada vez mais inculto para dele tirar proveito. Parabéns pela postagem, o senhor escreveu aquilo que eu gostaria de escrever.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

HINO NACIONAL (I)

Lendo os blogs nesta manhã, me chama (ou chama-me) a atenção a postagem do Ruy Gessinger, em que o blogueiro transcreve um artigo de Mário Maestri, doutor em História, que critica nosso Hino Nacional. Nenhuma observação quanto à música de Francisco Manuel da Silva, o que infere que o estudioso a aprova (a despeito de não cantar o hino). Não poderia ser diferente, uma vez que ela é extraordinariamente linda.
O "pernosticismo lexical" e o "preciosismo sintático", ele cita, tornam incompreensível a letra para a "imensa maioria da população", que canta o hino em diversos momentos.
Detenho-me (ou me detenho) a analisar o que o autor citado chama de "pernosticismo lexical". Num país em que o analfabetismo (funcional) é um fenômeno mensurável, as palavras "plácidas", "retumbante" e "fúlgidos" da primeira estrofe do Hino Nacional, realmente, são do conhecimento de poucos. Somos uma nação plebeia, comunicamo-nos (ou nos comunicamos) por intermédio de uma linguagem recheada de plebeísmo (baixo calão, gíria e palavras informais). O universo lexical dos brasileiros é reduzidíssimo. Aprende-se (ou se aprende) que o Sol brilha, seus raios são brilhantes, mas não se avança nas outras formas de dizer a mesma coisa: a estrela fulge, seus raios são fúlgidos...
A proposta de Mário Maestri é que seja reescrita a letra do Hino Nacional, devido a algumas palavras cultas e à figura de construção, chamado de hipérbato, que ele classifica como "preciosismo sintático". O hipérbato, que é a inversão da ordem natural das palavras dentro da frase, foi forçado para que o poeta conseguisse o número de sílabas poéticas desejado e, por conseguinte, o ritmo. Na forma direta, ficaria "As margens plácidas do Ipiranga ouviram", com sílabas a mais, ao invés das dez melhor ritmadas de "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas".
Quanto a não saber o significado de uma palavra, como "plácidas" (serenas, tranquilas), penso que é mais fácil ensiná-lo ao povo do que mudar a letra do Hino Nacional.
(Mais tarde, continuarei a escrever sobre esse assunto, para analisar o que é melhor entre DAR EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA AO POVO e TOMAR O POVO COMO REFERÊNCIA LINGUÍSTICA, MESMO SENDO ELE ANALFABETO. Argumento tipo "navalha de Occam".)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A PAREDE NO ESCURO

Minha leitura do momento é o premiadíssimo A parede no escuro, de Altair Martins. Cada personagem é narrador ao mesmo tempo. Eleito o "Livro do Ano" no Açoriano de Literatura, Porto Alegre, o romance ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura, o maior do país. Martins é porto-alegrense, nascido em 1975. Leciona em escolas de Porto Alegre e é responsável pela cadeira de Conto no curso de Formação de Escritores da Unisinos, em São Leopoldo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O SOM DO CORAÇÃO


Assistam às cenas finais do filme O som do coração. Suave, encantador.

A BORBOLETA

Na esquina da Rua dos Poetas havia um jardim. No jardim havia flores. Sobre as flores, uma borboleta voejava atrás do néctar. Atrás de uma imagem de invulgar beleza, havia um fotógrafo amador (que registrou o momento em que o inesperado lepidóptero...). No sábado de manhã, isso é possível.

sábado, 26 de dezembro de 2009

NOVO ANO, OUTRA VEZ

A ordem para inovar vinha ligada foneticamente na leitura do ano velho: “2000 inove”. Quem inovou, inovou; quem não inovou, seguramente buscará inovar em 2010. O novo ano se abre qual um leque de perspectivas, inclusive a de repetir as fórmulas que deram certo – apesar de cada momento ter uma singularidade especial. Encontros que propiciaram alegria, gestos e atitudes que agradaram aos outros (e a si mesmo), tudo o que fez bom 2009 poderá ser feito outra vez. A experiência do ontem vivido serve para orientar o fluxo contínuo da vida presente. Orientar, não determinar. O primeiro processo leva em conta o pequeno caos que há sob a lisa superfície do cotidiano. O segundo, diante do qual tudo já está mais ou menos ordenado, acaba fracassando cedo ou tarde, sempre antes de uma significativa inovação. Pelo viés determinístico, o próximo ciclo mais ou menos definido de janeiro a dezembro seria em muito parecido com o ciclo que ora se encerra. Não obstante a apreciação positiva que se faça do ano ido, ninguém há de querer que se repita o mesmo no ano vindo. O sucesso casual é raro. Os demais, via de regra, exigem muito esforço. Para que ocorram, também é inevitável uma soma de protoinsucessos. Um dos aspectos mais interessantes da vida é justamente o que escapa a qualquer premeditação, sem dispêndio de energia e risco de fracasso: o inesperado. No plano material, por exemplo, ganhar na Mega. No plano pessoal, por exemplo, conhecer um grande amor, uma grande amizade. Se isso não aconteceu em 2009, há uma probabilidade de acontecer em 2010 (merecedor de todos os votos de boas-vindas).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BOM E RUIM

Uma coisa acontece de bom nesta época do ano: as pessoas se socializam mais, estão mais preparadas e desejam se encontrar com os parentes, com os colegas, com os amigos... Isso pode ser feito a qualquer dia do ano, principalmente nos finais de semanas. É o que muitos fazem efetivamente.
As férias escolares, as férias do trabalho, o décimo terceiro, a programação ao longo do ano são alguns dos motivos que possibilitam a festa no Natal e no Ano-Novo. No tempo de uma semana, duas grandes ceias, muita champanha, presentes e abraços. Votos, então... Tanta a vontade de felicitar que os menos atentos à linguagem padrão, escrevem "desejo votos de...", cometendo um pleonasmo vicioso.
O melhor seria que todos se reunissem noutras oportunidades com o mesmo espírito festivo. Falta dinheiro? Ainda que seja uma tradição entre nós, gaúchos, podemos diminuir os comes e bebes. Os cariocas resolveram em parte esse problema: reúnem-se em volta de um tira-gosto, sem diminuir a cerveja. Somos pantagruélicos (copiando o termo empregado pelo Ruy Gessinger). A falta de tempo não é justificativa.
Nada contra o costume de se trocar presentes em "amigo secreto". A propósito, poucos conseguem manter em segredo o nome de seu amigo ou amiga até o momento certo de revelá-lo.
O que não é bom consiste em tudo o que excede nas duas festas: a comida, a bebida (com desperdício da saúde), o consumismo alienante, a afetação cristã durante o Natal, a superstição nos ritos da passagem...

CRÔNICA DE VERÃO

Os termômetros marcam 35ºC em Santa Maria. As pessoas disputam o estreito caminho de sombra rente aos edifícios. O suor é inevitável, a descer copiosamente pelos rostos expostos ao sol. Do interior das grandes lojas vem o ar refrigerado, a indicar que ali há um refúgio agradável. Na sorveteria, as moças não vencem atender à fila que se alonga em frente. A casa de sucos está cheia (para servir a delícia do dia). Quatro indiozinhos cantam e dançam ao som de um chocalho, marginalizados excedentes dos kaigangs ou guaranis. O pregão de uma mulher anuncia a chegada do filme Avatar. A pirataria é sinônimo de sobrevivência dos vendedores de rua, também excluídos pela sociedade de falsos ricos. O asfalto derrete e o céu se arma para as quatro da tarde.

VIAGEM

a poesia, para mim, é fuga
................o alto
para
onde as distâncias são medidas pela luz
apenas pelo pensamento
........................................... transitáveis
.
por isso, tenho no fundo
dos olhos
um brilho de estrelas
a interligar os vazios
do meu universo
............................ (interior)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

INFÂNCIA

o rosário
c o r r i a
entre as pedras
até que um jiqui
de lembranças
apanhou
as ca
..........cho
..................ei
........................ras
................................do rio
.
Meus poemas exploram mais os aspectos sonoros, rítmicos. Alguns, como o postado acima, aproveitam o espaço para um efeito visual.

POESIA VISUAL


Entre outros livros, ontem recebi Poesia visual, de Sérgio Caparelli e Ana Claúdia Gruszynski. A imagem acima constitui o primeiro poema, Navio. Transcrevo o texto:
.
Neste
mar
a vida
é breve
breve
a vinda
breve
a volta
para o Rio
Bombaim
ou Mombassa
a vida breve
a vida
passa
como um rolo
de fumaça
breve breve
passa passa
qual Caronte
(o barqueiro)
ansioso
em sua barca
ou um besouro
sob a chuva
na vidraça
na vidra
na vi
na
vi
o

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

SEGUNDA-FEIRA

Amanheci mais pessimista nesta segunda-feira. O dia está pegajoso, os problemas se avolumam, o leite desnatado continua intragável, as pessoas na rua são dignas de comiseração... Leio e releio o texto sobre o Natal (postado abaixo) e não vislumbro os leitores aplaudindo meu contraponto. À exceção do Ruy Gessinger, que escreveu algo semelhante para sua coluna do Expresso. Por esse viés autocrítico, chego ao extremo de achar que estou errado. Num momento de festa, quem sou eu para acusar a sociedade de hipócrita? Um ateu não pode cobrar maior religiosidade dos cristãos, ora essa! Eles pecam e creem (não necessariamente nessa ordem). Otimistas e festeiros. Em contrapartida, eu me afundo num pessimismo que não se justifica apenas pelos motivos acima.

domingo, 20 de dezembro de 2009

NATAL, OUTRA VEZ

Como articulista do Expresso Ilustrado, este será o sétimo Natal que se apresenta feito mesa farta ante minha fome argumentativa. Há muito a dizer sobre a festa protagonizada pelo bom velhinho, notadamente o melhor garoto-propaganda do comércio nestes dias. Os produtos anunciados por ele ganharam o coração dos consumidores, não mais um lugar em que se guardam as lembranças de outro menino, nascido há dois milênios. O pouco que se sabe do nascimento de Jesus, local e circunstâncias, nega o que os cristãos modernos chamam de “espírito natalino”. A contradição se acentua a cada ano que passa entre o discurso religioso e o modus vivendi, principalmente da maioria católica. No lugar do presépio, a representar o estábulo em Belém e as cenas que se seguiram ao nascimento do Filho de Deus, a figura rechonchuda do Papai Noel. No lugar de um retorno à simplicidade, ao desprendimento material, coerente com a doutrina ensinada pelo Mestre, a corrida ao consumismo desenfreado, ao esbanjamento de ceias desnecessárias. Penso que vem ocorrendo uma fusão entre Natal e Ano-Novo, pela proximidade. Em questão de decênios, ambos farão parte de uma única festa, sem intervalo entre as luzes natalinas e a pirotecnia do rito de passagem. Do que escrevi acima, saliento a contradição, tema recorrente desta Crítica & Autocrítica. Não entendo a facilidade com que as pessoas vivem sem problemas entre o real e a idealização, entre o materialismo inegável e o espiritualismo duvidoso. Elas acabam sendo hipócritas para justificar tais posições contraditórias. É contra a hipocrisia que me insurjo argumentativamente.

(Texto para a próxima coluna do Expresso Ilustrado. Discordo inteiramente de Martha Medeiros, que escreve em sua coluna no Donna: Uma das coisas mais aflitivas para um colunista é escrever sobre o Natal. Por quê? Porque não há tanto assim a dizer sobre Natal...A propósito, fraquinhas as colunas da Martha, do Veríssimo e do Scliar deste domingo. Não as recomendo.)

sábado, 19 de dezembro de 2009

EM AZUL

Os edifícios mais altos da cidade deveriam ser pintados de azul, no mesmo tom do céu (para que os pássaros voassem rente a seus beirais, as nuvens pudessem atravessar suas paredes e nossos olhos vissem refletidos em suas janelas fragmentos de manhãs).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

EU NÃO ESTAVA CERTO?

Caro visitante, sabe no que redundou a grande conferência sobre o clima em Copenhague? Em nada. Uma blague. Click aqui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

IGREJA MATRIZ

Depois de exatamente um ano, volto a entrar na Igreja Matriz de Santiago. Lá estão os mesmos cartazes, colados à parede, à esquerda e à direita da imagem de Cristo pregado na cruz.
Cartaz 1:
QUEM AMA A COMUNIDADE É DIZIMISTA"
.
Cartaz 2:
"O DÍZIMO É O MEIO MAIS SIMPLES QUE EXISTE PARA A PESSOA DE FÉ DAR GRAÇAS A DEUS PELA VIDA. VOCÊ JÁ É DIZIMISTA?"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

VIA LÁCTEA - SONETO XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
.
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
.
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
.
Olavo Bilac, autor do soneto acima, nasceu no dia 16 de dezembro de 1865. "Expressão máxima do parnasianismo brasileiro. Nele a forma atinge a suprema perfeição. O que não significa que sua inspiração seja sufocada pela métrica. Pelo contrário, Bilac faz do verso, escrupulosamente escandido, a moldura ideal de seu sentimento lírico... Somente um artista de seu porte conseguiu realizar o paradoxo quase impossível de aliar o mais esmerado requinte formal à mais completa liberdade de inspiração e arrojo de imagens."
(Extraído da contracapa do livro Olavo Bilac - Poesias, coleção prestígio da Ediouro.)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IDEIAS PARA UM MUNDO MELHOR


Este blog se caracteriza pelo contraponto (explicitado no título). É mais fácil apontar defeito, dizer mal disso ou daquilo. Para onde quer que lance meu olhar pescrutador, ali encontro um motivo para opinar contrariamente. A reunião em Copenhague, por exemplo, constitui um prato cheio ante minha fome de argumentação. O visitante poderá me perguntar que ideias eco-lógicas apresentaria em Copenhague (ou apresento aqui). Qualquer redução na emissão de dióxido de carbono que não seja igual o excedente, apenas retarda os efeitos do aquecimento, não os elimina. O mínimo excedente, por mais demorado que se acumule na atmosfera, basta para causar os mesmos efeitos num futuro mais distante. Nem toda a tecnologia disponível e a que poderá ser desenvolvida em breve, penso, poderá restituir o equilíbrio. Reduções de 5% (Protocolo de Kyoto) ou de 40% (Agenda de Copenhague), (eco)logicamente falando, estão longe de representar a percentagem necessária. Talvez já se ultrapassou o ponto em que o aquecimento poderia ser evitado, o que significa sérias dificuldades para a sobrevivência humana. A hipótese que subjaz nos discursos dos nossos governantes está longe do catastrofismo, da verdade tão inconveniente para o orgulho antropocêntrico. Coerente com isso, pintaria uma faixa enorme, na qual pudesse ser lido que MARTE AINDA NÃO É UMA OPÇÃO, BASTA QUE DESPOLUAMOS A TERRA.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

COPENHAGUE (II)

Grande proveito a humanidade tirará do encontro de Copenhague. Kyoto foi apenas um treinamento, uma brincadeirinha. Agora é sério. A Terra está derretendo. A pergunta que se faz é "quando acabará o gelo no Polo Norte?".
Ainda que os Estados Unidos e a China tenham se digladiado, ainda que os países africanos tenham abandonado as negociações, ainda que a agenda determine o absurdo de reduzir em até 40% a emissão de carbono, podemos acreditar que a degradação do meio ambiente terá um recuo.
O Brasil, que era para reduzir 5% (conforme o Protocolo de Kyoto), agora obrigar-se-á a chegar a 36%. Ignoremos que não houve redução alguma, mas um acréscimo incalculável (com as indústrias automobilísticas comemorando recordes de faturamento, a compra de automóvel facilitada pelo governo).
Corro o risco de ser enfadonho, ao repetir o que já postei abaixo, mas não há outro jeito. Continuo pessimista. Mais irônico apenas.
Quem não consegue uma meta de 5% conseguirá alcançar uma de 36%?

domingo, 13 de dezembro de 2009

REVISTA LÍNGUA

A revista Língua (portuguesa) já se encontra nas bancas. Antes de ir comprá-la, você pode acessá-la aqui. No último número, dezembro de 2009, as seguintes matérias: O reinado da Vírgula - A importância do sinal de pontuação que parece simples mas pode decretar o fracasso de uma ideia; Os porquês - Quando e por que se escreve "porque" ou "por que" e o porquê de tais variações formais no cotidiano; Aula de provérbios - As lições de português contidas em expressões e ditos populares; Remendo ortográfico - Academia lança errata para corrigir obra de referência dos dicionários; Espionando o gerundismo - estudos desmentem a suposta origem inglesa do vício de linguagem. Mais: Paulina Chiziane, a primeira romancista de Moçambique, fala da literatura lusófona na África; Pesquisador defende que oração subjetiva não seria subordinada; Braulio Tavares disseca as relações entre a letra de música e o poema...

DISCURSO VERSUS PRÁTICA

Uma reportagem do Zero Hora deste domingo aborda a conferência de Copenhague pelo seu aspecto contraditório, como fez o poeta Ademir Bacca em relação ao encontro episcopal em Puebla, México, 1979, onde as autoridades religiosas comeram o doce manjar dos anjos e beberam o néctar precioso dos deuses para falar da fome do mundo.
A poluição provocada em 12 dias de reunião na capital da Dinamarca, incluindo as idas e vindas, gira em torno de 40 mil toneladas de carbono, uma contradição já pensada pelo próprio governo dinamarquês.
Inicialmente, a ideia era de se fazer uma conferência "verde". (Ah! Ah!...)
Uma das razões por que escrevo é a de denunciar essas e outras contradições que há em toda parte, inclusive dentro de mim (não posso negar).
Com relação à emissão de carbono, já exemplifiquei com o caso dos "ecologistas" santiaguenses, os quais têm o discurso negado pela prática de suas vidas.
Flávio Tavares, em sua coluna, escreve "O presidente do Brasil promete 'botar pra quebrar' em Compenhague, mas no dia da inauguração da reunião, nosso governo estimulou, aqui, a degradação do clima: o BNDES concedeu mais de R$ 1 bilhão a uma empresa de Eike Batista para construir uma usina de carvão no Maranhão".
Minha tese é a de que, não se podendo mudar a prática, o modus vivendi, devemos mudar o nosso discurso. A racionalização é preferível à contradição. Se me alimento de carne, minha defesa dos animais soa como um discurso contraditório, hipócrita. Se acredito num deus e na vidda após a morte, meu materialismo não se justifica.
Infelizmente, a sustentação do discurso pela prática não ocorrerá nunca. A prova dessa impossibilidade está em mim, em você, em todos os homens. Qualquer esperança de melhora deve partir desse (auto)reconhecimento, sem meu pessimismo (obviamente).

sábado, 12 de dezembro de 2009

NOTÍCIA DO NELSON ABREU

O médico não está gostando do estado atual de seu paciente, mesmo depois de colocado o dreno. A cirurgia só é possível em Porto Alegre. A Lizete me disse há pouco que a família está se reunindo para resolver o impasse.

ACORDO CLIMÁTICO

A grande proposta elaborada pelas Nações Unidas em Copenhague versa sobre a redução de x por cento na emissão de gases poluentes. A meta a ser atingida até 2020 diferencia países desenvolvidos de países em desenvolvimento, pela maior responsabilidade atribuída aos primeiros.
O acordo ainda normatiza que a temperatura (média) da Terra não deve aumentar mais do que 1,5ºC ou 2ºC, "em comparação com o período anterior à Era Industrial".
Isso não é piada (mas parece).
O que os senhores do mundo farão se a temperatura começar a subir e ultrapassar o determinado?
Nada.
Pelo contrário, continuarão fazendo para que tal aumento seja possível.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

JAMES LOVELOCK


Surpreende-me o amplo discurso ecológico não trazer à baila com mais frequência o grande referencial, o guru da Ecologia, sua excelência, James Lovelock. Entre os anos 80 e 90, li dois livros desse que foi o mestre de José Lutzenberger: Gaia - um novo olhar sobre a vida na Terra e As eras de Gaia. Tudo o que ouço hoje sobre ecologia é comparável a uma conversa de criança, diante do que escreveu Lovelock. Algumas "crianças" produtoras de petróleo repudiam o velho cientista por sua defesa da energia nuclear como alternativa que poderá deter efetivamente o aquecimento do planeta.

COPENHAGUE

Quanto mais seriedade se exige dos homens e quanto mais sérios se portam, principalmente pela importância de que são investidos, mais eles descambam para o risível. A estratégia teria seu efeito desejado, caso fosse para produzir humor. Mas a questão é de elaborar um documento em que está em jogo o próprio futuro da humanidade. Os homens reunidos em Copenhague não são palhaços, mas autoridades máximas de seus países, cujo grande objetivo é pensar em medidas práticas que diminuam a agressão humana ao meio ambiente. De cara, os dois maiores agressores do planeta (EUA e China) provocam uma cisão nos entendimentos para a agenda de Copenhague. A de Kyoto não teve outro destino que não o de virar uma piada. Propunha a redução de meros 5% na emissão de gases poluentes (uma gota a menos no veneno de um suicida). Não houve redução coisa alguma, mas um acréscimo incalculável a partir do desenvolvimento industrial da China, Índia, Brasil, entre outros. Tais organizações nacionais querem tecnologia e dinheiro dos norte-americanos e europeus, como paga pela poluição que estes já provocaram até agora. Isso não é risível?
Neste blog já fiz algumas postagens sobre esse assunto, textos que publiquei no Expresso Ilustrado, como A grande piada e Ecologia ou discurso ingênuo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NELSON ABREU

Há meia hora, liguei para a Lizete. Infelizmente, o estado de saúde do Nelson continua grave. Sou vizinho de apartamento do Nelson, bloco C, do Residencial (eu, no 101, e ele, no 401). Conversamos muito sobre cultura, feira do livro (que não houve este ano) e cotidianidades. Ando apreensivo com essa enfermidade do meu vizinho e amigo. Não me considero cristão, para rezar pela sua melhora. Em contrapartida, penso que a Medicina (a ciência) já está fazendo pela vida do Nelson.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ESPELHO DAS ÁGUAS

Esse é o livro de estreia do meu amigo Larí Franceschetto, poeta de Veranópolis, que esteve em Santiago para receber a premiação no VIII Concurso Aureliano de Poesia. Fiquei surpreso com a minha inclusão na dedicatória (página 5). Meu nome aparece logo abaixo dos pais (Raul e Assunta), dos irmãos (Jefferson e Rose Mari), dos sobrinhos (Jonathan e Paula) e do editor são-luizense Luiz Henrique Borck. No final do livro, apareço outra vez, num texto que escrevi para o Letras Santiaguenses em 2003, com o título Um poeta de Veranópolis. Larí o incluiu como apreciação crítica. Nesse texto, defendo que "a melhor parte da biografia de um poeta é a transcrição de seus versos mais significativos, seguindo-se ao nome".
O objetivo inicial desta postagem é de citar excertos iluminados do Espelho das águas (o que farei a seguir):
.
"lâminas luas lágrimas
cio vertido
no andar das madrugadas"
.
"há flor e fel
no fio da faca"
.
"leio suas asas leves
nas narinas das favelas"
.
"voo maior, aceso, é a vida
fogo invisível
que a noite não apaga"
.
"virás da tarde
cáqui e hibernal
em que me alimento
com As Flores do Mal?"
.
"teço a tarde
acendendo o fogo
do tempo"
.
"o homem morre
de segunda-feira"
.
"vontade inadiável
de resgatar o menino
que se afogou no azul da tarde"
.
"Deus verte
lágrima (in)visível
na face apedrejada"
.
"o homem continua
anoitecendo mundos"
.
"nascem sopros
às janelas do que somos"
.
"nos porões dos sustos
os brinquedos esquecidos
são nossos ou dos mortos?"
.
"nos domínios do tempo,
teceder de teias
vento a vento
és meus passos
de verdes, de verdades,
de pássaros, de inventos"
.
São alguns versos que me lembram da poética nejariana, para mim, o grande referencial literário contemporâneo.
Veranópolis é uma cidade de colonização italiana depois de Bento Gonçalves (tendo o Rio das Antas dividindo os dois municípios). Na Terra da Longevidade, Larí é o único poeta. Conhecido e amado por seus concidadãos, como transparece no documentário que o poeta fez sobre suas próprias andanças. Santiago é diferente nesse aspecto. Temos trezentos e tantos poetas (novos), incapazes ainda de evoluírem na arte, uma vez que já se acham prontos. Os poucos poetas velhos, ou que já floresceram, são bons poetas mas não são amados pelos santiaguenses, porque os santiaguenses não são leitores de poesia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

UMA REFLEXÃO EM SÃO MIGUEL

Ontem fui a São Miguel das Missões pela terceira vez, exclusivamente para assistir ao espetáculo de som e luz. O mais interessante é a narrativa do apogeu e queda dos Sete Povos, da nação dos guaranis. O texto se aproxima da poesia épica (e dramática). Enquanto ocorria o show multissemiótico, este espectador pensou, pensou muitas coisas.
Por séculos e séculos, os índios viveram livres pelos campos e matas. De repente, chegam os padres jesuítas e moldam uma pequena civilização, fundamentada no sino e na pedra. Os guaranis não passaram de matéria-prima na mão dos religiosos. Desconheciam horário, determinado pelo sino (conforme documentário de Sylvio Back). Não moravam em casas de pedra. Suas comunidades tribais eram diferentes da urbanização trazida da Europa, de grandes contingentes coexistindo no mesmo espaço. As reduções representaram um salto repentino do paliolítico (caçador) para o neolítico (agrícola).
O apogeu (acima referenciado) é um tanto falso, uma vez que, historicamente, confunde-se com a queda. A construção da catedral iniciou-se em 1735, para ficar pronta dez anos depois. As guerras contra os invasores (portugueses e espanhóis) iniciaram-se em seguida. Em 1756, a ruína. Dessa forma, os dez anos que padres e seus convertidos poderiam contemplar a imponente catedral quase nada representam para toda a existência dos guaranis (antes da chegada dos missionários cristãos).
Graças ao genocídio dos povos autóctones deste continente (povos que hoje poderiam ser chamados de "minorias"), vivemos nós, apenas dois séculos passados, lustrosos e felizes. Ainda nos damos o luxo de condenar o que fizeram nossos antepassados. No extremo de uma sensibilidade tardia, nossa mea culpa não restitui as terras aos guaranis, não lhes traz de volta a vida, não apaga o crime. O mito bíblico está certo: somos descendentes de Caim, cujo fratricídio se repete desde sempre.
Tudo isso e muito mais pensei durante o show, em que uma das vozes, de tempo em tempo, dirigia-se aos espectadores.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TEMPLETON EM SANTIAGO

Leio no Letras Santiaguenses, última edição, um texto escrito pelo muito estimado Dr. Arlindo Luiz Disconzi. O homem é um palestrante motivacional admirável, um excelente profissional, mas como defensor de sua crença religiosa merece umas boas objeções. O título de seu pequeno artigo é Big Bang. Antes de prosseguir na leitura, os pressupostos e conjecturas em torno do que o autor haveria de expressar nas linhas abaixo me fizeram rir.
O articulista referencia que "há cerca de 3,7 bilhões de anos, o Universo formou-se a partir de uma gigantesca explosão". Grave equívoco: cadê o algarismo 1 na frente do 3? Os mais recentes ajustes da teoria calculam que o big bang ocorreu há 13,7 bilhões de anos. Penso (sempre preferível a "acredito") tratar-se de um erro de digitação, do tipo "falta". Outro dado incorreto é o da velocidade de expansão do Universo (em aceleração). Mas até aí, tudo bem.
O texto descamba mesmo é a partir da frase exclamativa: "A matéria nunca mais conseguiu fazer isso!!!". Na origem das supernovas, por exemplo, há uma imitação em menor escala do big bang.
Risível é o argumento de autoridade ao qual o Dr. Disconzi se agarra: Michael Keller. O prêmio que esse padre polonês (triste ironia do destino, depois do que fez Copérnico) ganhou por defender que a causa do big-bang foi Deus, não prova nada. A Fundação Templeton, que o instituiu, é criacionista e procura compensar toda tentativa de justificar os dogmas da religião cristã pelos argumentos da ciência.
A conclusão do Dr. Disconzi é na mesma linha financiada pela Templeton: "Finalmente, ciência e religião estão lado a lado nesta questão, uma completando a outra". Cita Einstein, somente a frase do cientista que lhe convém: "Sem a religião, a ciência é capenga; sem a ciência, a religião é cega". Provavelmente, não sabe que o cientista também disse: "É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso. E sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como a nossa ciência é capaz de revelar".
Einstein disse: "Eu não acredito num deus pessoal" (o deus dos cristãos).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ANÁLISE SUCINTA

Em Paisagem, poema vencedor do VIII Concurso Aureliano de Poesia, Larí Franceschetto faz uso do paralelismo, a grande sacada do ritmo poético de todos os tempos, que imortalizou os Salmos (atribuídos a Davi, listado por Will Durant como um dos dez maiores poetas da humanidade), que daria um estilo inconfundível a Fernando Pessoa, a Carlos Drummond de Andrade, a Carlos Nejar...

A propósito, é de Nejar a melhor definição de poeta que conheço, expressa no Livro de Silbion, Décimo Canto,Construção da Aurora:

"E tu, poeta, encantador de imagens e palavras".

No poema do Larí, "na calçada" (termos que se repetem), mais que uma recorrência paralelística, reporta-nos para o lugar mais público de uma cidade qualquer, onde Robertos, Marias, Cíntias, Carlos, Antônias e tantos outros se encontram conduzidos pela práxis existencial.

O poeta de Veranópolis escreve: "Uma criança na calçada,/ pés descalços, olha a Lua"

E arremata depois: "É madrugada. É inverno."

O leitor, pego de surpresa, indaga se é factível uma criança de pés descalços em plena madrugada de inverno.

O poeta responde: "O mundo continua / miseravelmente / belo".

Mais uma vez, cito Nietzsche, para quem "A existência só se justifica como fenômeno estático".

Larí vê beleza na calçada de uma cidade qualquer, por onde passa um executivo, correndo atrás do negócio; onde uma protistuta negocia o próprio corpo; onde um menino vende "pedaços de sonhos" em cada sonho que vende...

Em Quintanares, também escolhido pela comissão julgadora do concurso, Larí é metapoético ao dialogar com Quintana. É intertextual ao buscar palavras e imagens que povoaram o universo do poeta gaúcho: esquina, varanda, sapato, criança, madrugada, fantasma, louva-a-deus...

Meu amigo da Terra da Longevidade já viveu a experiência de publicar na mesma mídia de Mário Quintana: o Correio do Povo.

A forma como conclui o poema retoma a grandeza que acompanha o sujeito da enunciação poética do poema anterior. Essa grandeza consiste na maneira de ver o mundo, coisas, seres e fatos.

Se há beleza na miserabilidade,

"É preciso ver / com os olhos da alma / e ter fome sempre".

Não a fome físico-química, mas a fome anímica, do coração.

Todo poeta tem um coração (que sofre e ama, e no amor transcende a própria dor).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

LARÍ FRANCESCHETTO

Hoje o Centro Cultural de Santiago comemora mais um aniversário. O protocolo para o evento destaca o lançamento de outra edição do jornal literário Letras Santiaguenses e a premiação do VIII Concurso Aureliano de Poesia. Os três trabalhos vencedores são os seguintes: Paisagem, de Larí Fransceschetto (1º lugar); Quintanares (Larí Franceschetto (2º lugar); e Letras, de uma poeta de Porto Alegre, cujo pseudônimo é Madeleine (3º lugar). Por que um mesmo nome para o primeiro e segundo lugares? Para responder, explico que a comissão julgadora avalia os textos antes de serem abertos os envelopes com a identificação de seus autores. Cada poema é identificado apenas com o pseudônimo (que também é impresso no envelope lacrado). Depois de feita a seleção, abre-se o envelope. A surpresa desta edição do concurso foi Larí Franceschetto, que já ganhara em 2003. O poeta de Veranópolis, RS, já escreve há muito. À semelhança deste blogueiro, também ele tem um único livro publicado: Espelho das água. Nos últimos anos, dedica-se à arte do cinema, tendo lançado o longa Espelhos das Águas - andanças de um poeta sobre sua própria trajetória a partir da Terra da Longevidade.
Na condição de vice-diretor do Departamento de Literatura do Centro Cultural, convido os visitantes deste blog a comparecerem ao evento desta noite.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ENCANTADOR DE IMAGENS E PALAVRAS


Transcrevo de Carlos Nejar, Livro de Silbion, décimo canto, Construção da Aurora, poema 11:
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E a poesia é a sombra que nos espera
de um outro tempo, de um outro tempo
na chegada da noite.
É a sombra que espera
a chegada do vento.
.
E o vento a ama
sem fuga, sem manhã, sem plenilúnio
como o amante que abraça a amante triste.
E é vento
e é paixão de altas torres,
de águias consteladas
em seus cabelos acesos.
.
E tu, poeta, encantador de imagens e palavras,
ensinarás sua dança de sombras,
sua dança de pássaros e sombras,
sua dança de homens e de anjos
ao compasso do mar.
.
E o mar é outro.
.
O que me fascina nesse poema é o aposto de poeta, "encantador de imagens e palavras". Inigualável.