quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O QUE É A VERDADE?

Nas inter-relações humanas, das mais fechadas (íntimas) às mais abertas (públicas), a verdade não se manifesta como um estado descritivo objetivo (como definiu Heidegger). Ela está mais para "desvelamento", que os gregos chamavam de aletheia. Minhas postagens anteriores dão um exemplo de que não podemos tomar a realidade, o que nossos olhos veem, como verdade. Refiro-me à operação policial no Rio de Janeiro. A verdade não foi desvelada, as imagens a encobriram com um véu (de Maia). Outros exemplos: 1) Uma pessoa te faz um grande elogio, dizendo-te que és um homem simpático, mas, para terceiros, diz o contrário, que não te suporta. Qual é o verdadeiro sentimento que essa pessoa tem em relação a ti? 2) Ontem o senador José Sarney estava exultante com o número de políticos de seu partido que foi indicado pela futura presidente Dilma Roussef, o que infere um perfeito "casamento" entre PT e PMDB. Em sua mais recente declaração, o presidente Lula, todavia, afirma ser muito complicada tal relação. O presidente está dizendo a verdade. A aparência é, via de regra, mentirosa. Outro exemplo de verdade: WikiLeaks. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

UMA IRONIA

O termo "ateu", empregado na postagem anterior, foi para intensificar a ironia. Prefiro me classificar como agnóstico (expresso por Weimar Donini, meu interlocutor). Sou coerente: defendo as ciências. Um ateu que se digne não cobraria dos cristãos uma atitude mais cristã, menos hipócrita, menos contraditória. A maioria das pessoas que rezam e cantam neste fim de tarde, na missa em frente à Igreja Matriz, amanhã, certamente, engrossará a massa de consumistas alucinados de fim de ano.   

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

REFLEXÃO DE UM ATEU

A cada vez que dezembro chega – isso acontece ciclicamente, uma vez ao ano – todos começam a pensar o Natal e, de repente, passam a sentir o Natal. Na semana que antecede essa data, as pessoas são inteiramente envolvidas pela afetividade, pelo sentimento, característica mais saliente do homo religiosus (denominação de Erich Fromm). O mundo em volta parece se tornar melhor, porque assim o está sendo no interior de cada uma delas. Nesse período, ficam mais vulneráveis a tudo, há algo que elas não conseguem identificar se é uma coisa boa, como a fraternidade, ou se é uma coisa ruim, quase uma tristeza. A razão deixou de ser determinante.
Como homem pensante, tenho algo a dizer sobre essa grande festa, protagonizada pelo bom velhinho, notadamente o melhor garoto-propaganda do comércio nestes dias. Os produtos anunciados por ele ganharam o coração dos consumidores, não mais um lugar em que se guardam as lembranças de outro menino, nascido há dois milênios. A contradição se acentua a cada ano que passa entre o discurso pretensamente religioso e o modus vivendi da maioria cristã.
No lugar do presépio, a representar o estábulo em Belém e as cenas que se seguiram ao nascimento do Filho de Deus, é colocada a figura rechonchuda do Papai Noel. No lugar de um retorno à simplicidade, ao desprendimento material, coerente com a doutrina ensinada pelo Mestre, a corrida ao consumismo desenfreado, ao esbanjamento em ceias desnecessárias. A manjedoura já se transformou num Shopping Center, para onde acorre toda gente, no afã de satisfazer uma necessidade artificial, egocêntrica.
Tal contradição tem uma implicância social: crianças e crianças nascem e vivem em completa pobreza, no abandono, perseguidas por mil Herodes da fome e da miséria. Justamente, no momento em que se comemora o Natal dois ensinamentos do Filho de Deus são cinicamente esquecidos, negados: (UM) a despreocupação com o que comer, beber ou vestir; (DOIS) o amor ao próximo.
Encerro minhas palavras com uma exortação: demos de nossa mesa, de nossa despensa, aquele alimento que não nos faz falta. Sabemos onde encontra pessoas que necessitam de alimento. A rua, por exemplo.
Com esse espírito de bondade, tenho certeza que teremos um
                 FELIZ NATAL
                                                                UM FELIZ ANO-NOVO.


DIÁLOGO COM JÚLIO PRATES

Todo indivíduo é, a princípio, seu discurso. Em seguida, acrescenta-se-lhe o discurso do outro. Graças às relações discursivas, nasce a cultura (que é, a princípio, de natureza verbal).
Feita essa introdução, aceito o diálogo proposto (indiretamente) pelo Júlio Prates, a partir de sua postagem “Os livros e os sonhos em Santiago”. Para começo de conversa, não é minha intenção replicá-lo, absolutamente. Confesso que sua opinião não vem de encontro ao que penso verdadeiramente, senão à opinião que ousei expressar de forma sucinta em meu blog. (Os gregos distinguiam "doxa" de "aletheia", "opinião" de "verdade".) Outras vezes, quando livros foram lançados na Terra dos Poetas, fiz apologia a seus autores, exortando-os que continuassem com o nobre ideal da produção literária. Sempre me coloquei à disposição para revisão ortográfica, fazendo-a sem nada cobrar inclusive. Não apenas simples correções gramaticais, mas pareceres sinceros quanto à construção formal e conteudística. Coerente com essa posição, em nenhum momento me deixei levar pela vaidade, pelo pedantismo afetado. Disso tenho certeza.
Diante da crescente vulgarização da poesia, mormente, tomei uma posição contrária ao senso comum. Noutras questões, meu interlocutor (indireto) já ocupou essa mesma posição com o arrazoado que lhe é peculiar. Para não pecar pela vaguidade, pergunto qual seria sua atitude diante de novos “sociólogos” que passassem a fazer críticas às suas análises, sem qualquer fundamentação teórica. Pior: eles decidissem, de uma hora para outra, lançar livros cheios de incorreções. Certamente, Prates não ficaria sobre o muro da indiferença. Ou tomaria a posição de apoio, como a que se evidencia em sua postagem; ou detonaria (verbo que caracteriza o discurso pratesiano) com os novos Marxs, Durkeins e Webers.
Na Terra dos Poetas, sabidamente, não se desenvolveu a Sociologia, campo do conhecimento em o Prates tem raras companhias. A mesma coisa não se pode dizer da Literatura, arte milenar que não pode servir a neófitos umbiguistas, pouco preocupados em evoluir (como se percebe naqueles que reincidem no equívoco de pensar que são escritores, publicando mais de um livro).
Já tomei as três posições possíveis: ficar sobre o muro (entre o elogio e a crítica “construtiva”); apoiar direta ou indiretamente; e, por último, desclassificar (ainda de uma forma vaga, sem citar nomes). Não descobri o que é mais prejucial para as personalidades suscetíveis: o elogio ou a desaprovação. Não posso tomar meu caso pessoal como referência, mas foram as críticas demolidoras também responsáveis por minha evolução efetiva. A pergunta de alguém que desejava lançar um livro de poesia crioula, colocando em dúvida meu conhecimento da língua portuguesa, foi decisiva para que eu resolvesse cursar Letras. Os apontamentos pouco elogiosos que o Oracy fazia aos meus poemas na década de oitenta me levaram a ler e a escrever mais e mais. A propósito, ouço e leio que o Oracy é um mestre, mas quem diz e escreve isso não o procura para aprender sobre a arte de seu domínio inconteste. 
Para encerrar, espero ter contribuído satisfatoriamente para o debate, para a interlocução proposta pela postagem do Júlio Prates. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DEPRECAÇÃO

Raros livros são tão completos no estudo das figuras e tropos quanto Teoria Literária de Hênio Tavares. O único exemplar existente na Biblioteca Pública de Santiago encontra-se sem várias páginas, arrancadas justamente no capítulo que me interessava. A solução foi comprar pelo http://www.submarino.com.br/
Entre as figuras de pensamento, a deprecação consiste numa súplica, num pedido comovente, ou num pedido. Como exemplo de deprecação, Tavares transcreve os dois primeiros versos do soneto Duas Almas, de Alceu Wamosy. Desde 1977, quando um alcoólatra me ditou o poema num bar da Venâncio Ayres, nunca deixei de recitá-lo como um dos mais belos da literatura brasileira. 
Desde muito, igualmente, encontrar erros nos livros passou a ser um de minhas especialidades. Excluo erros (digi)ortográficos, encontradiços em toda publicação neste país tirirical. Refiro-me a equívocos mais sérios, como o cometido por Hênio Tavares em sua 12ª edição, revista e atualizada: 
"Ó! tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás abrigo"
Insignificante o fato de haver uma exclamação no primeiro "ó" e não no segundo, ou a falta de vírgula destacando o adjunto deslocado "sob este teto". Erro maior, que acaba com o soneto, ocorre na substituição da palavra "carinho" por "abrigo".
Obviamente, esse descuido não compromete o livro como um todo, (como já expressei acima) dos melhores no gênero.


domingo, 5 de dezembro de 2010

RIO, AINDA

Neste domingo, quatro articulistas do Zero Hora escrevem sobre o Rio de Janeiro: Flávio Tavares, Fernando Henrique Cardoso, Percival Puggina e Marcos Rolim (da direita à esquerda, não necessariamente nessa ordem). Na sexta-feira, um articulista do Expresso Ilustrado escreveu sobre o assunto... (volto mais tarde).

sábado, 4 de dezembro de 2010

ENCANTADOR DE IMAGENS

Do rio severino e das Gerais
ao Pampa. Aqui chegaram Cal e Euterpe.
Nejar também as cativou com a arte
que já fizera delas imortais.
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A pena nejariana ainda verte,
no ritmo dos eólicos trigais,
metáforas de sonhos pessoais,
ordenações do que sobeja inerte.
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O "sopro-fogo" de Árvore do Mundo,
em língua portuguesa, é, certamente,
o texto figurado mais profundo.
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Em seu ofício de cifrar mensagens,
faz-se o poeta, nejarianamente,
um oportuno "encantador de imagens". 
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Há muitos anos, escrevi o soneto acima para um concurso, cujo tema era um poeta. Minha escolha foi Carlos Nejar. Fiquei com uma menção honrosa. 
Algumas explicações:
1) O soneto é composto por versos isossilábicos, contando 10 sílabas cada um (decassílabos). A acentuação dos versos, ora recai na 6ª sílaba, ora na 8ª, com alguma tonicidade na 2ª ou na 4ª.  O primeiro terceto, por exemplo, é heróico; o segundo, sáfico. 
2) No primeiro verso, "Do rio severino e das Gerais", faço uma alusão aos dois maiores poetas da literatura brasileira: João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade. Cal e Euterpe são, respectivamente, as musas da poesia épica e da poesia lírica. As duas foram cativadas por Nejar com a mesma intensidade. Ritmo e metáfora não faltam na poesia nejariana. "Sopro-fogo" é uma referência aos dois capítulos do livro Árvore do Mundo: o sopro da execução e fogo da consciência. Esse livro é o mais profundo de Nejar, um dos mais profundos da poesia universal de todos os tempos. Encerro o poema com outra citação de Nejar, excerto tirado de um verso do Livro de Silbion: "E tu, poeta, encantador de imagens e palavras". Acaso, há melhor definição de poeta?

TUDO COMO DANTES...

Duas manchetes são suficientes para indicar que, depois de produzida uma tempestade de imagens contra o crime organizado no Rio de Janeiro, tudo continuará como dantes no reino de abrantes:
"PRESIDENTE LULA DESCARTA PRESENÇA DO EXÉRCITO POR MUITO TEMPO NO RIO";
"TRAFICANTES TERIAM FUGIDO DO CERCO AO COMPLEXO DO ALEMÃO EM VIATURA DA POLÍCIA CIVIL".
Não há necessidade de uma leitura completa da notícia. 
Não demora, o crime volta a ocupar o Complexo do Alemão. Essa história de "polícia pacificadora" não passa de um sonho.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A PENA DO MAL

O Oracy me escreve, tecendo comentários sobre os livros lançados na 12ª Feira do Livro. Gostaria muito de aceitar o diálogo, respondê-lo com a impressão que tive dos livros que li. Mas não o faço por dois motivos: (1) magoaria certos autores que são meus amigos; (2) daria importância a outros (que produziram livros aquém de qualquer crítica). Um comentário, no entanto, é inevitável: certos escreventes  não sabem conjugar um verbo. O Oracy tem razão. 
(A propósito, quantos comentários tenho lido e ouvido sobre fulano que lançou um livro, sobre beltrano que lançou um livro... sempre com um elogio ao fulano e beltrano não pelo que escreveu, mas porque escreveu. Poucos questionam a qualidade do foi publicado, no entanto, seu autor é catapultado aos céus - inclusive com o apoio da mídia. Infelizmente, esta é a mais estranha orientação defendida por certas cabecinhas de nossa cidade: seja um escritor, escrevendo qualquer coisa. Não sabem o mal que fazem à Terra dos Poetas.)
O Ruy é outro que tem razão. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

AMPARO

O que há de extraordinário na leitura de um grande pensador, como Ortega y Gasset, não é tanto a ideia que posso aprender com ele sobre determinado assunto, mas o amparo para dizer aquilo que, em algum momento, já havia pensado, faltando apenas coragem para publicá-lo.
Num tempo em que o homem-massa governa soberbamente, e o discurso orientado por ele é de execração do homem-nobre, recorro a Gasset como o último referencial que me guarda as costas para defender a nobreza, o especial. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O PODER DA IMAGEM

O poder da imagem chega a obnubilar a razão. Quando associada à palavra, então, submete o discurso ao âmbito do inconsciente: as pessoas  acreditam no que veem, leem ou ouvem (sem pensar, como idiotas). Foi privilegiado pelas imagens e dito que o objetivo da polícia era dominar o território. Condicionado pela mídia, ninguém perguntou como foi realizada essa tomada sem muitas prisões e mortes. Houve e haverá muitas prisões, centenas ou milhares delas (caso as operações continuem no Rio de Janeiro e noutros estados). A racionalidade começa a despertar: milhares de presos... Como isso será exequível se há superlotação nos presídios? O brasileiro-massa precisa acordar, tornar-se criticamente nobre. Um país não se faz com imagens. 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A VERDADE

Se é eu que digo, meu amigo Ivan Zolin cofia sua longa barba e me replica eufórico, mas agora vazou pelo Wikileaks o que disse Nelson Jobim acerca de Hugo Chaves. Apenas a verdade, nada mais que a verdade. Para o ministro da Defesa, a Venezuela (não seria seu presidente?) causava preocupação, uma vez que poderia "exportar instabilidade". Secretamente, o governo brasileiro era sério. Num âmbito que excluía os próprios "amigos" sul-americanos. Todavia, como imagem, para bolivariano ver, Lula estava com Chaves, Evo... 
Aos poucos, a verdade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

GUERRA DE IMAGENS

O mundo midiático e, por extensão, o mundo como um todo é dirigido pelas imagens que produz, num ciclo que já não se sabe mais o que vem antes e o que vem depois (ovo-galinha). Não fossem as imagens de automóveis e ônibus sendo queimados pelos criminosos no Rio de Janeiro, dificilmente veríamos a polícia responder com maior força, produzindo contraimagens com um inegável apelo subliminar. A estratégia é de tomar o território (que coisa linda!), de preferência sem causar baixas do lado podre, para logo instalar a polícia pacificadora. Tão patéticas quanto a fuga dos bandidos são as bandeiras fincadas no alto do morro (imagens para serem exportadas de um Rio de Janeiro que faz por merecer a sede olímpica). Vila Cruzeiro e Morro do Alemão eram apenas dois pontos de comandamento do crime organizado, mas e os outros? A polícia, com o auxílio das Forças Armadas, continuará com as "invasões"? O diabinho do pessimismo me responde que, depois dessa guerra de imagens, tudo voltará ao "normal". 
(Na carona das imagens, há interesses políticos da parte dos governos estadual e federal. Jobim, por exemplo, está sendo confirmado na Defesa pela futura presidente Dilma Rousseff.)

sábado, 27 de novembro de 2010

CAPA DO ZERO HORA


Acabei de receber o Zero Hora, que traz a imagem e a manchete acima. Na Reportagem Especial (páginas 4-5), destaque para o gaúcho José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro. Esse é o cara. 

RIO DE JANEIRO

Em longas conversas com meu tio Raul, eu defendia a participação do Exército no combate ao tráfico, ao emprego de armas e à violência no Rio de Janeiro. Ele discordava, brizolista de cruz na testa. Morador da rua Leopoldo, a duas quadras do Morro do Andaraí, trabalhava como taxista (depois de aposentado). Para apanhar seu táxi ou guardá-lo na garagem, andávamos na linha limítrofe entre o morro e o asfalto. Ali os bandidos controlavam o trânsito, armados até os dentes. A polícia não chegava ali. 
Morei no Rio em 1984 (10 meses), em 1987 (quatro meses) e 1993 (quatro meses). Sou testemunha (mais auditiva que visual) do bang bang que ocorria em pleno dia e se intensificava à noite. Apanhava o ônibus e (mais adiante) o trem para Marechal Deodoro, onde frequentava os cursos da Escola de Material Bélico. Andava na rua acossado com o eco dos tiros que vinham do morro. Em frente à panificadora em que comprava leite, os vendedores de droga faziam ponto na parada final do 217. Noutros lugares, policiais vendiam armas para os bandidos. Eu vi. 
O primeiro assalto que presenciei no interior do Grajaú - Leblon, ao meio-dia e meia, contemplei uma pistola automática a 50 cm destes olhos que o céu há de levar. Nunca fui assaltado ao longo dos 18 meses que morei no Rio, onde andava por todos os lugares (menos dentro das favelas). 
Diante do discurso mais radical, tio Raul me contraponteava. Para ele, o morro era habitado por trabalhadores, que os grandes traficantes de armas e drogas eram magnatas do asfalto. Eu não queria aceitar que o Estado (juízes, delegados, policiais etc.) pudesse imiscuir-se no crime. Pessoas ligadas ao Brizola (e rompidas com ele) afirmaram que o candidato discursava nas "comunidades" que se eleito fosse (a primeira vez) a polícia não subiria o morro. Não acreditei, quando me disseram tal coisa.
Também fui testemunha no Rio da má fama da polícia. Os cariocas, do morro ou do asfalto, eram unânimes em execrar policiais. Os bandidos não os amedrontavam tanto quanto. Para mim, isso era o fim. Nós, do Exército, não podíamos andar fardados na rua, ao contrário do que acontece em Santiago. 
Finalmente, minha proposta de invasão ao morro, com a tropa que fosse necessária (todas as polícias, Marinha, Aeronáutica e Exército), começa a reverter o quadro que parecia inexorável. Para tomar o território, desarmar o bandido e prender todos os envolvidos com a droga, do grande traficante ao vendedor da "boca".    
Espero que a partir dessas primeiras operações, todos os brasileiros passem a acreditar na ordem, no bem (muitas vezes instituídos ou recuperados pela força). 

COMENTÁRIO DO JAYME PIVA

Meu caro Froilam: 

Começo por cumprimentá-lo. E dizer da minha redobrada satisfação vivenciada na minha recente estada em nossa querida Santiago: ser distinguido com o título de Patrono da 12a Feira do Livro e reencontrar o amigo, para ser contemplado com sua inspirada obra "Vozes e Vertentes". O livro, acabei de ler numa sentada, e sofregamente, sem pausa para respiração. Constitui a reafirmação literária de um vate de primeira grandeza, sensibilidade e romantismo à flor da pele, de esplendente criatividade , a entonar cânticos e louvores de rara beleza, aformoseando a singeleza da vida. 

Leitor assíduo das tuas inteligentes crônicas no Expresso, alinhavo aqui a minha admiração e o sincero agradecimento por essa dádiva, esses florilégios de ternura que vertem e se esparramam da tua poética. Meus parabéns. 

Jayme Camargo Piva

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MODELO DE APRESENTAÇÃO

A Lise Fank lançou seu Poetemas em novembro de 2008, para a 11ª Feira do Livro de Santiago (que tinha a poeta como patronnesse). Escrevi a apresentação do livro, postada neste blog: Um novo enunciado na Terra dos Poetas. Basta um clique nesse link (e o visitante terá um modelo de como fazer uma análise literária).   

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A REBELIÃO DAS MASSAS

Um livro que amalgama filosofia e sociologia: A rebelião das massas. Vale por um curso inteiro. Destaco este excerto da página 48: "A característica do momento é que a alma vulgar, sabendo que é vulgar, tem a coragem de afirmar o direito da vulgaridade e o impõe em toda parte. [...] A massa faz sucumbir tudo o que é diferente, egrégio, individual, qualificado e especial"
Quanta atualidade!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PESSOAS

Uma coisa boa da feira do livro foi ter dado azo ao (re)encontro entre pessoas (que, sem o evento, dificilmente aconteceria). Ainda não sou misantropo para deixar de fazer este registro, mesmo que extemporâneo aos post da feira encerrados abaixo. No meu caso, reencontrei o Jayme Piva, o Neltair Abreu, os irmãos do Santiago, o Tadeu Martins... Foi um prazer ter conhecido Leo Fett e Weimar Donini. Aquele, um senhor octogenário, de uma simpatia rara; este, assíduo interlocutor dos blogueiros santiaguenses. Homens inteligentes, de fala doce, que vieram à nossa cidade por motivo da feira e dos amigos. 
Donini, um abraço!

VERSO LIVRE

Toda segunda-feira, às 18 horas, continuo com a oficina de arte poética no Centro Cultural. No último encontro, estudamos o verso livre (o preferido da professora Arlete Cossentino). A primeira coisa que o iniciante na poesia deve saber é que o verso livre não consiste em “cortar a prosa em pedaços arbitrariamente”, como o expresso por João Cabral de Melo Neto (que não escreveu versos livres). Nesse aspecto, tenho lido muitos poemas escritos linearmente, como se prosa fosse, com a única diferença de terminar antes do final da linha. Sem qualquer observância à teoria do verso livre, como a que trata do polirritmo. Ao analisarmos dois dos maiores poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, vamos constatar que seus poemas feitos com versos livres, heterossilábicos, sem métrica e rima, recorrem a outros recursos que são observados na produção poética mais antiga (presente nos textos bíblicos, por exemplo). Entre esses recursos, Armindo Trevisan destaca o paralelismo. O paralelismo dá ritmo ao poema, substituindo o isossilabismo, pela repetição da estrutura gramatical que caracteriza o verso. Para produzir em versos livres, o iniciante na arte literária deve conhecer o ritmo. Sem exagero, ele deverá produzir um soneto. Nada supera em beleza essa forma fixa de poema, criada na Itália há mais de 700 anos, por Giacomo Notaro, cultivada por Francesco Petrarca, trazida para Portugal por Sá de Miranda, elevada à perfeição lírica por Luís de Camões e cultivada até nossos dias por grandes poetas. O soneto transcendeu a revolução modernista na pena de um Vinícius de Moraes, por exemplo. Fortunato de Oliveira, um dos participantes da nossa oficina, tem belos e inéditos sonetos. Depois de alguns acertos formais, ele os publicará certamente. Isto também é válido para os versos livres: a forma não está proscrita.