segunda-feira, 30 de abril de 2012

O QUE FAZER?

O homem quer ser especial, distinto dos demais seres vivos. Para isso, cria deus à sua imagem e semelhança. Para isso, denomina a espécie a que pertence de "humanidade", uma metáfora que esconde a condição animal. A consciência de que se orgulha tanto, mais do que lhe propiciar a certeza da própria morte, leva-o à loucura de fantasiar uma outra vida, transcendente, eterna. 
Ele parece ignorar que sua espécie soma sete bilhões de indivíduos. Caso o ritmo de crescimento se mantenha, em algumas décadas serão catorze bilhões. Vinte, trinta, cinquenta bilhões... O planeta não será suficiente para tantos indivíduos, que continuarão se organizando em estados cada vez mais ricos e cada vez mais pobres. Sim, depois da busca incontrolável pelas riquezas (cuja base são os recursos naturais), buscarão a sobrevivência.
O que fazer? 

domingo, 29 de abril de 2012

POR QUE PSEUDOAMBIENTALISTA?

Em postagem abaixo, usei o termo pseudoambientalista. A negação prefixal pressupõe a diferença que se estabelece entre a teoria e a prática, entre o ideal e a realidade. Todo o ambientalista constitui-se numa contradição em si mesmo. O simples fato de respirar o torna um emissor de dióxido de carbono, como as rochas aquecidas, os vulcões, os automóveis, as indústrias etc. A parcela insignificante que ele emite pode ser multiplicada por sete bilhões, os quais se somam aos demais seres que sobrevivem graças a essa transformação química. O oxigênio consumido pela biosfera não altera a taxa desse elemento existente na natureza, mas aumenta a de dióxido de carbono, cuja reciclagem diminui progressivamente com a menor capacidade fotossintética do planeta. Se o exemplo não é suficiente, cito outro: o indivíduo com ideias boas sobre o meio ambiente também se alimenta, caso contrário morreria de inanição. Pois bem, tudo o que ele põe na boca exige uma agressão ambiental para ser produzido. Excluo, por enquanto, o consumo da água (que merece uma consideração à parte). Independentemente se é vegetariano (qual o filósofo Peter Singer) ou comedor de carne (à maneira dos gaúchos), ele faz parte de um grande processo de agressão ambiental que existe há dez mil anos, desde que o homem começou a produzir grãos ou domesticar animais. A roça ainda não foi de todo abandonada, geralmente feita nas encostas, às margens de algum curso d'água. A engorda do gado inclui a prática de ampliação das pastagens, com a consequente diminuição dos bosques, matas e florestas. A condição vegetariana apenas não pactua com o sofrimento dos animais, mas exige que se redobre a produção de grãos, que ainda se utiliza de animais para trabalhos pesados, como arar a terra e transportar a colheita. Depois de milênios, a tecnologia automotora está substituindo espécies domesticadas para esse trabalho duríssimo (realizado, repito, há dez mil anos). A produção do arroz, por exemplo, prato de todo vegetariano (daqui e da China), continua causando males ainda não calculados, como a exaustão dos lençóis freáticos (agora incluindo a água). Os danos ambientais provocados pelos arrozeiros, de que somos testemunhas vivas, são evidentes. Assim como o arroz, todas as outras culturas requerem um processo de degradação, principalmente com o solo (erosão e salinização). Mas  o pseudoambientalista não necessita apenas de ar, água, carboidratos e proteínas para sobreviver. Ele necessita de roupas, de casa, de energia (incluindo a lenha para sua lareira), de automóvel e um milhão de coisas mais. Suas ideias vão de encontro ao próprio modus vivendi

COMENTÁRIOS DIVERSOS

Ontem mais uma festa em Santiago: o 19º Encontro da Família Machado. Muito frio, é verdade (coisa de que não me queixo), mas dentro dOs Tropeiros havia calor, propiciado pela bebida indispensável, pelo churrasco, pelo arrasta-pé, pela proximidade consanguínea, pela amizade.  
Por falar em frio, a previsão é de que terça-feira que vem, de madrugada (mais precisamente), a temperatura chegará a 0ºC. Dessa forma, o dia mais frio do ano é sempre superado pelo seguinte. Ao chegar o inverno, o frio passa a estável.
Na postagem abaixo, fiz uma referência ao número de policiais em nossa cidade como fator de inibição para os criminosos. Contra esse e outros fatores, o assalto a Relojoaria Fank demonstrava toda a ousadia daqueles que o executaram. Faltou acrescentar sobre a qualidade, ainda que parecesse uma redundância. Por outras prisões já realizadas, este blog enalteceu o trabalho sério e eficaz de nossos policiais. 
As imagens forjadas pelos oposicionistas santiaguenses (em tempo de pré-definição de candidatos) extrapolam o âmbito da política. Elas são mais comuns no cinema: encontro num terreno baldio, para um duelo que poderia ser de palavras ou de tijolos. 

sábado, 28 de abril de 2012

ASSALTO À FANK

O assalto à joalheria Fank é quase inacreditável por vários fatores: 
1) SANTIAGO - nossa cidade é pequena, cercada de campo limpo, com apenas quatro saídas (ou entradas);
2) HORÁRIO - no meio da manhã;
3) LUGAR - centro;
4) POLICIAMENTO - poucas cidades no Estado contam com maior contingente de policiais (civis e militares). 
Mas o assalto aconteceu, apenas possível por um fator contrário: a ousadia dos assaltantes. 
Para não fugir à característica principal deste blog, a do contraponto, registro minha "teoria conspiratória": há santiaguense envolvido na execução desse crime. O senso comum não pensa assim. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

NOVO CÓDIGO FLORESTAL

O Novo Código Florestal brasileiro gerou uma polarização, dois lados, uma controvérsia. A votação no Congresso Nacional constitui a prova científica dessa divisão: 274 x 174. Difícil de compreender nesses números é como a chamada "bancada ruralista" conseguiu tamanha adesão. Gente do governo (sempre a maioria pós-mensalão) e os (pseudo)ambientalistas perderam. Prefiro pensar de acordo com uma sentença plena de sabedoria: numa controvérsia há um lado, outro e o certo.  

quinta-feira, 26 de abril de 2012

PARA QUEM O DECIBELÍMETRO?

A música alta continuou noite adentro, madrugada afora. As janelas do edifício em frente vibravam com o som produzido na festa. De vez em quando, algumas mulheres, desequilibradas pelo álcool, deixavam o salão para imitar os homens com uns gritinhos debochados. 
Inicialmente, pensei que se tratava de mais um evento dançante no Central Baile (a despeito de ser quarta-feira). Mas me enganei. Daquele local, o som já não mais incomoda (bastante contido pelo isolamento). A festa ocorria no salão do Centro Empresarial.  
Em relação à emissão sonora em altos volumes, automóveis e casas particulares são policiados com rigor, sendo seus  proprietários notificados não raramente. Isso é correto, legal. 
Ao não dormir ontem, elucubrei filosoficamente: o grupo pode transgredir a dita "lei do silêncio", o indivíduo não. Noutras palavras: permite-se a transgressão, quando os atingidos pela poluição sonora são em menor número que os transgressores. 

DECIBELÍMETRO PARA QUEM

"Fico indignada com certas coisas que observo. Numa noite dessas, nossa turma de faculdade, celebrando a formatura, no salão do Grêmio, que é local apropriado para esse tipo de evento, em um sábado, que é dia convencionado para tal, teve a hora de término (meia-noite) e o volume do som moderados. A justificativa é a lei do silêncio, que começou a se fazer valer devido ao aumento expressivo das reclamações de vizinhos perturbados. A partir disso, também foram adquiridos decibelímetros e a polícia passou a exercer a fiscalização. Não obstante, meu sono e dos demais moradores da Pinheiro Machado é interrompido pelas festas realizadas no espaço ao lado do Centro Empresarial, locado pela entidade para a realização de festas. O que chama a atenção nesses encontros de música que estremece os vidros das residências em frente e de frequentadores embriagados e nada moderados no tom de voz, é o dia da semana em que acontecem (em plena quarta-feira) e o horário até o qual se estendem (quatro e meia da manhã). 
"Por que a lei do silêncio vale para uns e não para outros?"

Erilaine Perez

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FUNÇÃO PARA A FILOSOFIA

Peter Singer é extraordinário: a Filosofia é indispensável "como mediadora dos debates sobre os problemas éticos contemporâneos".
Penso, digo, aposto muito nisso. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

ESTRELAS


As estrelas parecem um mistério. 
Em determinado tempo e lugar no cosmos, uma nuvem de elementos (caos) entra em colapso (ordem). A tamanha quantidade de massa, devido a força gravitacional, começa a gerar reações nucleares. A pressão da energia liberada por essas reações (fusão de átomos) desintegraria a estrela, não fosse a força gravitacional. Na ilustração acima, publicada na edição nº 3 da Enciclopédia Ilustrada do Universo, mostra o sentido contrário das duas forças, de cujo equilíbrio depende a estabilidade da estrela. O Sol, que contém 98% da massa de todos o sistema, é uma estrela que funde hidrogênio, formando hélio (que se acumula em seu núcleo).
Lembro da frase de Einstein: "Pode-se afirmar que o eterno mistério do mundo é sua compreensibilidade". 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

EIXOS PRINCIPAIS DOS CONTINENTES



Além dos eixos inscritos no planisfério, este blogueiro inclui um quarto, com uma extremidade na China e outra nas ilhas Chathan (que não aparece no mapa, a 800 km de Nova Zelândia). Segundo Jared Diamond, "as direções dos eixos afetaram o ritmo da expansão da agricultura e da pecuária, e, possivelmente, também da disseminação da escrita, da roda e de outras invenções". Uma olhadela na figura acima basta para concluir que o eixo eurasiano foi o mais propício à expansão da produção de alimentos: sudoeste da Ásia para a Europa, Ásia Central e Vale do Indo. Compreender esses eixos é compreender a genealogia da própria História. 

INTERFACE ANTIGA

Aos blogueiros que não gostaram da nova cara do blogger: clicar sobre uma catraca que aparece no canto superior direito, ao lado da janela "Português (Brasil)", e em "Interface antiga do blogger".

domingo, 22 de abril de 2012

AS 12 AMEAÇAS

No livro Colapso, Jared Diamond começa perguntando "como pode uma sociedade outrora tão pujante entrar em colapso". Entre as sociedades que tiveram esse destino trágico, o biólogo e fisiologista cita anasazi e cahohia (continente norte-americano), as cidades maias (América Central), mochica e Tiahuanaco (América do Sul), Grécia Miceniana e Creta Minoica (Europa), Grande Zimbábue (África), Angkor Wat (vale do Indo) e ilha de Páscoa (Pacífico). Algumas delas desapareceram em razão do esgotamento (ou destruição) dos recursos ambientais de que dependiam para sobreviver. Segundo Diamond, cometeram "suicídio ecológico não intencional". Ele divide em oito categorias os processos que levaram à tamanhas decadências: desmatamento e destruição do hábitat; problema com o solo (erosão, salinização e perda de fertilidade); problemas com o controle da água; sobrecaça; sobrepesca; efeitos da introdução de outras espécies sobre as espécies nativas e aumento per capita do impacto do crescimento demográfico. Colapsos atuais: Somália, Ruanda e outras nações do Terceiro Mundo. Quatro novas ameaças se somam as oito já citadas: mudanças climáticas, acúmulo de produtos químicos tóxicos no ambiente, carência de energia e utilização total da capacidade fotossintética do planeta. O cientista pensa que essas ameaças se tornarão críticas em âmbito mundial nas próximas décadas, cujos efeitos poderão minar inclusive as sociedades do Primeiro Mundo. Não basta mais conscientização, tecnologia poderosa, globalização, medicina moderna e maior conhecimento. Tudo o que nos difere de sociedades do passado, que nos poria em menor risco. Outros aspectos nos colocam em maior risco: tecnologia poderosa, globalização (de modo que um colapso na Somália afeta também os EUA e a Europa), dependência que milhões de indivíduos têm da medicina, população maior... A propósito, não consigo imaginar os EUA entrando em colapso (sem arrastar os demais países). 

LIÇÕES DE HISTÓRIA


Antes de explicar a ilustração acima (algo que o leitor não encontra no hipertexto), transcrevo outro dado do livro Armas, germes e aço, de Jared Diamond: "Até o fim da última Era Glacial, cerca de 11.000 anos antes de Cristo (prefiro dizer há 13.000 anos), TODOS OS POVOS DE TODOS OS CONTINENTES ERAM CAÇADORES-COLETORES DE ALIMENTOS". 
Para responder sobre as desigualdades verificadas entre os povos no mundo moderno, Diamond começa a analisar as áreas do planeta onde a produção de alimentos surgiu de forma independente. A produção de alimentos, primeira definição para o termo cultura, diz respeito à domesticação de plantas e de animais. As áreas marcadas no planisfério acima representam os centros em que ocorreram tal domesticação. A interrogação indica certa dúvida: se a produção sofreu ou não influências externas. 
As áreas de produção independente foram estas: Crescente Fértil, China, Mesoamérica, os Andes e o leste dos Estados Unidos. Trigo, ervilha e azeitona, por exemplo, foram domesticados há 10.500 anos, no Crescente Fértil. 
Embora o mundo narrado e descrito pela Bíblia não tenha dez mil anos, Caim e Abel são metáforas dos primeiros agricultores e pastores mais antigos da história humana. (Isso não está no livro de Diamond.)

sábado, 21 de abril de 2012

DA VERDADE

Hoje o Zero Hora publica (na página do Almanaque Gaúcho) um poema do Alessandro Reiffer. Num estilo que lembra Pessoa, o poeta santiaguense vence os últimos degraus do parnaso. Pós-moderno, romântico...

JULGAMENTO DO MENSALÃO

Independentemente se a revista VEJA publique a verdade que depõe contra o PT e seus eternos líderes (Lula e José Dirceu), não afrouxo a guarda em relação ao mensalão. O julgamento desse contribuirá para o futuro ético da política brasileira, positiva ou negativamente. 
Leiam o trecho abaixo da última VEJA:
"Josef Stalin, o ditador soviético ídolo de muitos petistas, considerava as ideias mais perigosas do que as armas e, por isso, suprimiu-as, matando  quem teimava em manifestá-las. O PT até que tenta se arejar, exercitar certo pluralismo, mostrar respeito às leis e conduzir as instituições do país que ele governa não como uma propriedade particular do partido, mas reconhecendo-as como conquistas da sociedade brasileira. Mas basta uma contrariedade maior para que o espírito de papai Stalin baixe e rasgue a fantasia democrática dos petistas parcialmente convertidos ao convívio civilizado. A contrariedade de agora é a proximidade do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da maior lambança promovida pelos petistas com dinheiro sujo, que produziu o escândalo entronizado no topo do panteão da corrupção oficial brasileira  com nome de mensalão. Sussurre esse nome aos ouvidos de um petista nos dias que correm e ele vai reagir como se uma buzina de ar comprimido tivesse sido acionada a centímetros de seus ouvidos. A  palavra de ordem emanada do comitê central sairá automaticamente: 'Isso é invenção da oposição e da imprensa!'.
"Como formigas guiadas por feromônios, os militantes de todos os escalões, de ministros de estado aos mais deploráveis capangas pagos com dinheiro público na internet, vão repetir disciplinarmente o mantra de que o mensalão 'foi uma farsa'. Ele vai ser martelado sobre os cinco sentidos dos brasileiros na tentativa de apagar os crimes cometidos pelos petistas e, seguindo a cartilha stalinista, fazer valer as versões sobre os fatos...". 
Destaquei do excerto a expressão "corrupção oficial brasileira", indagando se ela é possível. Corrupção oficial? 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

EDITORIAL DA FOLHA

Ao ler A Folha desta semana, chamou-me a atenção o editorial Sociedade podre, em que o jornalista responsável pela editoria acusa certos indivíduos do universo social santiaguense de serem inescrupulosos, corruptos, estelionatários, recalcados, chantagistas... 
"Pessoas que não enxergam nada em sua frente a não ser o ódio, a maldade e a calúnia. Esse tipo de gente encontramos em todos os segmentos, inclusive nos meios de comunicação... A sociedade dos homens corretos não podem caminhar lado a lado com esse tipo de gente, temos que banir do nosso meio esses vermes."
Forte demais! Pelo menos para os leitores mais sensíveis.
Não obstante declinar dos nomes dessas pessoas, afirmando que há em todos os segmentos, o editorialista reduz bastante o número delas quando inclui a área (mídia) em que se encontram envolvidas, "sem nunca ter sequer sonhado em constituir uma empresa séria". 
O jornalista empregou duas figuras de linguagem: a metonímia e a hipérbole. Ele toma o todo pela parte, exagera ao caracterizar a sociedade como podre (no lugar de alguns indivíduos). Aliás, o próprio texto serve de errata: "a sociedade dos homens corretos".
No fundo (até onde alcança a perspectiva das entrelinhas), o editorial trata de apenas um indivíduo podre. 
Não acho que convivam em nosso meio tantas pessoas com tantos defeitos éticos e morais denunciados pelo jornal, algumas bagaceiras sim. Uma vez bagaceira, sempre bagaceira. Independentemente dos bens materiais e intelectuais que porventura venha a adquirir. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

GRANDE CONFUSÃO

Já comparei o hipertexto com uma nova babel. Hoje retomo o assunto para reafirmar a grande confusão e, por conseguinte, o equívoco, a imprecisão, a não confiabilidade do conhecimento veiculado pela Internet. Os sites se contradizem, inclusive aqueles que tratam de ciência. Para dar um exemplo dessa babel, peço que o leitor digite ANÉIS DE SATURNO no Google, abrindo os primeiros sites. A Wikipédia, enciclopédia livre, ensina que a espessura dos anéis é de 1,5 km. Para ciencia. hsw.uol.br, 200 m. Segundo 1minutoastronomia.org, 20 km. E noveplanetas.astronomia.web.st, menos de um quilômetro. Um absurdo!  

PARADOXISMO (II)

Em post anterior, escrevi sobre um dos paradoxismos vividos pelos brasileiros: a superestimação da política (e dos políticos). O assunto é de uma amplitude tal que me desafia a retomá-lo. Dentro de vinte anos, provavelmente, talvez seja possível uma estimação terra a terra (para não dizer subestimação). Isso ocorrerá com a evolução (auto)crítica do senso comum. Desta vez, relaciono a superestimação a outro mal que lhe é correspondente, o paternalismo. O termo constitui a melhor síntese de todos os “ismos” que caracterizaram ou que caracterizam a política no Brasil, cada um em seu determinado tempo: patriarcalismo, coronelismo, clientelismo, populismo e, nos últimos anos, assistencialismo. Tal relação é do tipo ovo-galinha, em que não se sabe o que é causa e o que é consequência. Por três séculos e pouco, os filhos deste solo estiveram sem pai, ou com o pai além-mar. Após o arranjo da casa imperial que superestimamos como independência, o filho do pai instituiu-se pai absoluto. Logo ele abandonaria o país, deixando aqui o filho de cinco anos – na condição hereditária de novo pai. O magnânimo. Sua morte, representada 58 anos depois pela perda do trono e exílio, não libertou a população. Esta continuou superestimando quem quer que fosse o pai substituto. No lugar do monarca, pai único, uma classe econômica tomou o poder. Não demorou para que a figura do presidente passasse a representar o pai. A Revolução de Trinta mudou a designação de “velha” para “nova” a república fundada pelos oligarcas. Outra consequência: o advento do pai dos pobres, emblemático por evidenciar a relação entre paternalismo e superestimação popular. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

EXPANSÃO CHINESA

Ao postar sobre o iate abaixo, ocorreu-me que a China sempre foi expansionista. A primeira grande expansão, levado a cabo pelos austronésios, colonizou muitas ilhas do Pacífico e algumas do Índico (como Madagascar) há três/ quatro mil anos. Outra teve fins meramente comerciais no século XV. No século XX, com a revolução comunista de Mao Tsé-Tung, a expansão foi ideológica (contra o capitalismo). Nesse mesmo século, aceitando aquilo que negava, entrou no  mercado, exportando os produtos mais baratos do mundo, miudeza em geral. Neste século, o Estado capitalista chinês avança em todas as direções, em todos os negócios. O expansionismo está nos seus genes (ou memes), herança dos austronésios que avançaram pelo mar dentro de canoas com flutuadores.