terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ETERNO RETORNO


a manhã
faz cesto
com as flores
para levar
o orvalho
às faces
da tarde

mas tropeça
no caminho
e retorna
com os pássaros
para dentro
de um viveiro
de auroras

(Poema publicado em Ponteiros de palavra, 2006.)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O VINHO ERA VINHO OU NÃO ERA VINHO?

No sábado, fui a um casamento de dois jovens evangélicos. No discurso que oficializou a união religiosa, o pastor citou versículos do Eclesiastes e de João (segundo). 
Do primeiro livro, capítulo 4, versículos 9, 10 e 12: 
"Melhor dois do que um, porque eles têm boa recompensa pelo seu trabalho árduo. Pois, se um deles cair, o outro pode levantar seu associado. Mas, como será com apenas aquele um que cai, não havendo outro para levantá-lo? E se alguém levar de vencida a um que está só, dois juntos poderiam manter-se de pé contra ele. E um cordão tríplice não pode ser prontamente rompido em dois".
Do segundo, capítulo 2, versículos de 1 a 10. Nesse trecho, narra-se as bodas de Caná da Galileia, quando Jesus transformou água em vinho. 
No jantar que se seguiu à solenidade religiosa, todavia, não havia vinho, mas água e refrigerante. A propósito, a falta de bebida alcoólica e de dança foram as únicas diferenças para um casamento católico. 
Referindo-me às bodas citadas na Bíblia, um rapaz evangélico que compartilhava da mesma mesa me assegura que o vinho transformado  não continha álcool, qual (sempre preferível a "como") um suco de uva.
O ateu é sempre considerado um debatedor inoportuno, uma vez que apela  para argumentos insofismáveis, irretorquíveis, não perdendo o azo de contradizer por contradizer. Pois sou diferente, aprendi a ser ético no ateísmo, transcendendo o prevalecimento de tripudiar sobre um criacionista, por exemplo. 
Para não abrir uma discussão inútil, fingi concordar que o vinho, milagrosamente transformado por Jesus, não continha álcool. 
Não bastasse a língua, a própria história bíblica nega a interpretação do jovem conviva. Vinho foi traduzido do grego "oinos", que significa vinho (qual o conhecemos, fermentado). 
Nas discussões que mantenho com interlocutores cristãos, emprego a mesma fonte bíblica citada por eles. No Gênesis, milhares de anos antes de Jesus, as filhas de Lot embebedaram o velho pai com vinho, para fazer o que fizeram (19: 35). (Incesto abençoado por Jeová.) Em Cantares, 7: 9, afirma-se que o bom vinho "faz falar os lábios dos velhos". 
No dia em que aconteceu o milagre, narra-se que o bom vinho foi levado ao dono da festa para que ele o provasse. Não há provadores de suco de uva, qualquer um poderá fazê-lo. 
Outra saída de meus interlocutores cristãos é de suprimir toda a referencialidade objetiva do discurso bíblico, o qual não passaria de uma alegoria, de uma metáfora. O vinho não seria vinho, mas alegria (por exemplo). Assim fica difícil!
No caso do vinho sem álcool, penso que é para justificar (racionalizar) a proibição de se ingerir bebida alcoólica, rigorosamente seguida pelos evangélicos.                                                                                                                                   

domingo, 13 de janeiro de 2013

CRÔNICA DO RUY GESSINGER



Corria o ano de l965. Recém eu concluíra o primeiro ano de Direito na UFRGS, era dezembro e eu estava sem um vintém. O curso supletivo onde eu dava aulas não pagava nada durante as férias.
Foi quando meu  inseparável amigo Sulzbacher me avisou:
- Tem vagas de auxiliar de pesquisador do IEPE. É um  americano que estuda as colônias italianas da Serra.
Pagavam bem e lá me fui numa Rural Willys com Mr. Erwin e mais três colegas, entre os quais o Sulzbacher. Mr. Erwin deixava cada um de nós  numa entrada de propriedade rural com um questionário e depois  nos recolhia. Numa noitinha ele decidiu nos distribuir  mais uma vez.
Coube-me uma propriedade  cuja casa ficava láááá em baixo, descendo uma montanha. Desci e a cachorrada me acuando. Apareceu um homem jovem, chapéu de palha e perguntou o que eu queria.
Expliquei-lhe e ele me convidou para passar para dentro.  Sala e cozinha eram conjugadas, não havia instalação elétrica. Sobre a grande mesa um enorme pão feito  em casa e um baita queijo. Perto do fogão a lenha vários embutidos pendurados.
Duas meninas fortes, altas, de uns 15 anos, vestidas de camiseta, sem soutien, e calção desses de futebol, cabelos pretos, olhos azuis bem claros e pele queimada me olhavam quais duas corças.
Depois de responder ao questionário, que não quis assinar, o gringo, de seus 40 anos, me ofereceu um vinho de sua própria produção, com pão, queijo e salame. A esposa, ainda jovem, só observando.
Fomos conversando, ele perguntou pela minha família. Vibrou muito quando eu disse que um dos meus lados era de colonos. Ví um acordeão sobre um banco e falei que tocava violino. Para mostrar meu conhecimento de italiano cantei para eles " canzone per te". O gringo pegou a gaita e tocou várias canções italianas, algumas delas eu acompanhei, como " La Montanara" e " Santa Lucia".
A mãe das gurias disse que tinha gostado muito de mim e se eu quisesse voltar poderia. Ao que o gringo retrucou: e até tu pode escolher uma dessas gurias, são gêmeas. E dava risada, "tem que escolher uma só".
E as gurias espetavam o dedinho indicador no ar:
- Escolhe eu!
- Não, escolhe eu! dizia a outra.
Enquanto isso Mr. Erwin já tinha recolhido meus outros colegas e buzinava insistentemente, lá  na entrada da propriedae, que distava uns mil metros. Claro que não ouvi.
E dê-lhe vinho!
Mr. Erwin mandou o Sulzbacher me buscar.
Quando a cachorrada o anunciou o gringo gritou:
- Chegou o outro  noivo de uma das filhas!
O gringo insistiu e meu amigo também começou a beber vinho.
A noite ia avançando, veio o outro colega, até que Mr. Erwin também chegou enfurecido e nos levou por diante de volta para a maldita Rural Willys.
As gurias nos fizeram prometer que em seguida a gente voltaria.
A esposa do gringo estava com os olhos úmidos. As duas meninas de mãozinhas ficaram acenando, tendo ao fundo um lampeão.
Se voltei lá?
Não deu tempo....
De novo.
________________.o.__________________

Gostei muitíssimo dessa crônica do Ruy, que resolvi postá-la mesmo sem sua prévia autorização. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

A HISTÓRIA SE REPETE

Por ocasião da Copa Santiago de Futebol Juvenil do ano passado, comentei aqui sobre a decadência da equipe gremista, sempre abaixo do ano anterior. Isso continua sendo válido para a deste ano, a partir do resultado do jogo de ontem (contra o Avaí). O time poderá reagir nas próximas rodadas, com possibilidade de até ganhar a Copa. 
O Inter, em contrapartida, recupera-se das estreias fracas e chega ao título inclusive. Foi assim no ano passado.
Ou o Grêmio anda mal nas categoria de base, ou a sua diretoria não está dando atenção à Copa Santiago. 

MARCELINO RAMOS



A foto publicada no Almanaque Gaúcho, Zero Hora de 4 de janeiro de 2013, como sendo de Santiago, na verdade é de Marcelino Ramos. Dr. Valdir Pinto me passou sobre esse equívoco do editor Luís Bissigo. Imprensa apressada! 

CARLOS ALEXANDRE NETTO

O nome acima identifica o reitor da UFRGS, que tem um artigo de opinião publicado no Zero Hora deste sábado. 
Referindo-se ao concurso vestibular que se realizará amanhã, domingo, o reitor discursa um mundo de mil maravilhas na educação superior do país.
Por aí começa minha discordância, minha atitude responsiva negativa. 
Em seguida, atribui à Lei das Cotas o momento sublime de "grande transformação" na educação superior. Esclarece que a medida é constitucional, que o critério de mérito é mantido e que o sistema não privilegia os menos capazes.
Para justificar a a manutenção do mérito, escreve que "todos os candidatos devem atingir os pontos de corte para serem classificados". Isso passa como verdadeiro antes de juntar-se ao terceiro fundamento: o sistema não privilegia os menos capazes.
Como "não privilegia"?  (Se não privilegia, por que instituir o sistema de cotas?)
O reitor afirma que não privilegia, "mas oferece oportunidade competitiva de acesso ao Ensino Superior público e qualificado". Falta coerência entre "não privilegia os menos capazes" e "oferece oportunidade competitiva...". Esse fundamento não passa de um sofisma.
O articulista encerra com outra premissa falsa "todos ganham com as cotas". Ganham os cotistas (é óbvio!), ganha a universidade ao diminuir as desigualdade sociais (como?) e ganham os estudantes do acesso universal (é óbvio que não!). 
Como os estudante do "acesso universal" são beneficiados, se ficam de fora com nota superior aos beneficiados pelo sistema de cotas.     

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CAUSA DOS TREMORES NA VILA ITU

Há alguns dias, venho pensando nas mais diversas causas que explicariam os tremores na Vila Itu. Ao ler a opinião de Fábio Brum Prestes sobre o assunto (publicada no Nova Pauta), resolvi não mais adiar esta postagem. 
Mais que conhecimento dedutivo, muita imaginação é necessária para criar um leque de possibilidades, da mais a menos plausível. Num extremo do leque, é possível colocar a não ocorrência dos tremores, a despeito dos testemunhos. Tratar-se-ia de um tipo de paranoia coletiva? Menos factível que os túneis jesuíticos sugeridos pelo Fábio. 
Na hipótese dos tremores serem de natureza geológica, origem descartada pela inteligência acadêmica da URI, por que tal ocorre apenas sob a Vila Itu? Algum vazio se formou a pouca profundidade, em torno de uma poderosa vertente, por exemplo? A pouca profundidade explicaria por que os tremores só são sentidos na vila. O epicentro da vibração poderia se localizar, mais exatamente, sob uma rua em que trafega veículos pesados. 
Ao invés da vertente, por que não a escavação de um poço clandestino com pequenas e controladas explosões? Por que não pequenas e controladas explosões para outras finalidades.
Outras causas subterrâneas são possíveis, apesar de se distanciarem da dedução racional, aproximando-se da ficção fantástica, do sonho ou da fantasmagoria. 

SORTE NA ACADEMIA... AZAR NO AMOR

O título acima é dado a uma matéria da revista BRAVO (janeiro de 2013). Luís Roberto Amabile escreve sobre o livro Os grandes filósofos que fracassaram no amor, do norte-americano Andrew Shaffer.
O primeiro pensador a ser citado é Sócrates, autor desta frase conhecidíssima: "Se conseguir uma boa esposa, vai ser feliz; se conseguir uma péssima, vai se tornar filósofo". (A propósito, uma lastimável tradução!) 
Sócrates, feio e baixinho, casou-se aos 60 anos com Xantipa, quatro década mais jovem. A ranhetice de Xantipa virou lenda, tanto que importunava o célebre autor da maiêutica, método filosófico que consistia em dar à luz a verdade em seu interlocutor. Imagino que as principais queixas de Xantipa se referia às goteiras dentro de casa, à falta de comida e aos atrasos do homem (que se distraía falando nas ágoras atenienses). Há dois mil e quatrocentos anos, as mulheres não reclamavam do sexo (coisa que passou a acontecer abertamente a partir da segunda metade do século XX). Xantipa deveria  ter lá suas frustrações, que eram racionalizadas obviamente.
O segundo exemplo é René Descartes. Este filósofo teve apenas uma relação sexual ao 38 anos. Apaixonou-se por uma princesa da Boêmia, mas não foi além da amizade (Freud escreveu que esse sentimento é motivado pela libido inibida em seus objetivos). 
O terceiro exemplo extraído do livro de Shaffer é Nietzsche (que muita gente escreve sem o "z" ou sem o "s"). Apaixonou-se duas vezes. "A primeira recusou seu pedido de casamento, pois amava outro. A segunda, 17 mais jovem, rejeitou diversas vezes a proposta do autor de Ecce Homo". O relacionamento conturbado do filósofo com Lou Salomé é bem conhecido dos nietzschianos. 
F. Dostoiévski e Louis Althusser, frustrados que eram no amor, "tiveram ganas de matar a mulher". O primeiro transformou esse desejo em literatura (ler o romance O jogador), e o segundo estrangulou de fato sua cara metade ao fazer-lhe uma massagem no pescoço.
Nietzsche amava Lou Salomé (foto abaixo), que amou Nietzsche,  Sigmund Freud, Rainer Maria Rilke, Paul Rée, entre outros. 
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

LAMENTÁVEL

Não há otimismo que me convença de que a ordem sempre sobrevirá à desordem no âmbito dos grupamentos humanos (que constituem sistemas analisáveis pelo princípio de uma entropia social). O desperdício de energia e a consequente desorganização ocorrem ao natural, a despeito de todo o esforço contrário. No momento em que a situação beira o insustentável, institui-se uma reforma ou explode uma revolução. 
Fui motivado a pensar isso por um fato lamentável para Santiago: a destruição, na Rua dos Poetas, da réplica em pedra da Bruxa de Arno Gieseler e do monumento a Adelmo Simas Genro. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

UMA ANALOGIA POSSÍVEL

A partir da abertura no jogo de xadrez, cujos lances devem obedecer a uma sequência consagrada pelos grandes mestres, e de suas variantes respectivas, toda jogada é tão simplesmente uma escolha do enxadrista. Baseada na capacidade de raciocínio, de desenvolver uma estratégia de ataque (ou de defesa), o jogador dispõe de muitíssimas opções para mover suas peças. Entre tais opções, certamente, uma é a melhor, que o encaminha à vitória, e outra é a pior, que o leva à derrota.
O jogo (que é esporte, arte e ciência) imita a vida - que imita o jogo.  Para jogo e vida, a razão constitui um instrumento eficaz para o indivíduo fazer a melhor escolha (independentemente do lobby fortíssimo do desejo, da vontade). 
Ser racional é isto: pensar em diversas jogadas (no maior número delas possível) e optar pela melhor, a que resulta em maior ganho (ou menor perda). Ganho em fruição, conhecimento, liberdade e tudo mais. 
A razão não é essa coisa fria, calculista, descrita pelos ignorantes, pelos preconceituosos. Garry Kasparov, o melhor enxadrista de todos os tempos, jogava um xadrez considerado artístico, romântico. 
Nos finais de jogo, quando poucas peças restam sobre o tabuleiro (da vida), a razão continua indispensável para o equilíbrio. Nesse momento, não existem lances predeterminados, exigindo-se, para realizá-los, uma sempre apurada intuição (esgotados os cálculos). A despeito disso, todo jogador, A ou B, acaba levando xeque-mate uma última vez - sem que se possa apertar a mão do adversário.

QUEM É O CORVO?

"Cría cuervos, y ellos te sacarán los ojos"

(Repito a postagem de 6 de dezembro de 2012, como leitura de certas relações pessoais/trabalhistas que ocorrem em Santiago. A sabedoria  desse provérbio espanhol é de uma luminosidade...!)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

TREMORES MISTERIOSOS

Genial a ideia do Oracy de escrever uma quadra em que tematiza os "abalos sísmicos" na Vila Itu. 
Desafiado a imitá-lo, produzi os versos seguintes:
tremores na Vila Itu
já não causam mais abalo:
nas profundas, um tatu
(que) corre feito cavalo

Brincadeira à parte, penso que logo será descoberta a causa desses tremores misteriosos. 

CARÁTER BRASILEIRO

O adiamento do uso obrigatório das novas regras do Acordo Ortográfico apenas confirma o caráter brasileiro (por excelência). 
1. Somos apressados. Ante todas as dúvidas e indecisões em relação às mudanças, nossas autoridades correram para publicar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Repleto de incorreções, diga-se de passagem.
2. Somos lenientes. No caso das mudanças ortográficas, não pensamos duas vezes: concordamos com elas.
3. Somos cedentes. Inconscientemente, apressamo-nos e, facilmente, reconhecemos isso, concordando com os nossos contrários (mais ponderados). 
Falta-nos pensadores de palavra (não bastassem os políticos).  

domingo, 6 de janeiro de 2013

SÓCRATES


“só sei
uma coisa,
e é que nada
                      sei”

se nada sabe
como sabe
que nada
                  sabe?

o sofisma
traiu
o sábio

sábado, 5 de janeiro de 2013

COMENTÁRIOS E PREVISÕES

Comentário com base na constatação evidente: CHOVE EM SANTIAGO. 
Previsão com base na evidência constatada: CONTINUARÁ A CHOVER NOS PRÓXIMOS DIAS EM SANTIAGO.
Comentário com base na atual constituição da Câmara de Vereadores de Santiago: HAVERÁ MUITA BRIGA NAS SESSÕES LEGISLATIVAS. DOIS ATACANDO, E DOIS DEFENDENDO O PODER EXECUTIVO MUNICIPAL. O PRESIDENTE DA CASA PROMETE QUE IRÁ GRUDAR O DEDO NA CAMPAINHA, EXIGINDO COMPOSTURA. 
Ontem, no centro, encontrei um vereador que ficará na cômoda posição de neutralidade. Argumento para ele que os vereadores deverão dar o exemplo de urbanidade, coerentes com o grande projeto de transformar Santiago numa "Cidade Educadora". Ele sorriu negativamente, assegurando-me que haverá briga, sim.
Alguém me lembrou de que a última sessão de 2012 fora um horror. 
Não restam dúvidas, CONTINUARÁ A CHOVER, COM TROVOADAS RETUMBANTES.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O QUE (NÃO) MUDA

Meu 2013 começou exatamente como terminou o 2012. A sequência dos dias imediatamente anteriores e posteriores à passagem do ano podem muito bem ser comparada a qualquer outra sequência (escolhida à revelia). No que diz respeito à leitura, por exemplo, comecei a ler O ópio dos intelectuais, de Raymond Arondia 27 de dezembro, e continuo a lê-lo neste 4 de janeiro. No que diz respeito ao trabalho, idem. Cumpri expediente na 1ª Bda C Mec dia 27 de dezembro e continuo a cumpri-lo a partir de ontem. 
Não quero (já querendo) com isso dizer que a realidade desmi(s)tifica uma sobrenatureza, algo que sofreria influência divina, astrológica, numerológica ad nauseam. O que muda, paulatinamente, é a idade, a soma de uma sequência contínua de dias. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

VENTO FRIO E RECOMENDAÇÕES PARA 2013

Para quem gosta do inverno, este friozinho em pleno verão é um presente da Natureza (que tanto nos presenteia, sem intenção naturalmente). Como me incluo entre os primeiros da lista, saio à rua de mangas curtas para melhor sentir o vento. 

Recebi um e-mail com algumas recomendações para manter a saúde em 2013:
1. Beba mais água (nunca bebi tanta água quanto em 2012, uma vez que diminui as crises de gota);
2. Coma mais o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas (nunca comi tanta verdura quanto em 2012, tentando diminuir o ácido úrico);
3. Viva com os 3Es: Energia, Entusiasmo e Empatia (energia, depois dos 50, diminui consideravelmente; entusiasmo, idem; empatia, ao contrário, desenvolvo-a em seu mais alto grau);
4. Arranje tempo para orar (para quem? A Natureza não tem ouvidos);
5. Jogue mais jogos (nunca joguei tanto xadrez online quanto em 2012);
6. Leia mais livros do que leu em 2012 (será difícil cumprir essa meta, bati todos os meus recordes em 2012);
7. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia (boa recomendação! Sou contemplativo, amo o silêncio);
8. Durma 8 horas por dia (essa nunca cumprirei);
9. Faça caminhadas de 20-60 minutos por dia e enquanto caminha sorria (não tenho automóvel, enquanto caminho, contemplo, penso e cumprimento as pessoas). 
Das recomendações acima, destaco a de número 6: Leia mais livros do que leu em 2012. A leitura faz bem para a saúde do intelecto, do espírito, quase metafísica. Para o principal órgão dos nossos sentidos, a visão, a prática é desgastante. Outra coisa, calculo que o autor dessa recomendação não tenha lido em 2012. Falar bem da leitura é moda hoje em dia, mas o que se vê amiúde são não leitores.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

IRONIA

"O primeiro bebê nascido na cidade de Coqueiros do Sul em 2013 é menino(a)." 

"Crime bárbaro em Sertão: J.N.T. desferiu três tiros em D.L.O. A polícia prendeu em flagrante o suposto autor. Trata-se de um acerto (faz) de conta."

Os exemplos acima imitam certas notícias publicadas pela mídia em nossa cidade (inclusive na blogosfera). O exagero é proposital, recurso estilístico que auxilia na compreensão do enunciado. 
No primeiro, qual a relação entre os leitores/ ouvintes santiaguenses com a cidade de Coqueiros do Sul?
No segundo, a mesma pergunta sobre o interesse pode ser feita. Não se conhece ninguém pelas iniciais. Em muitos casos, mesmo com o flagrante, a linguagem legal insiste com o "suposto" autor do crime. "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória", preceitua o inciso LVII do art. 5º da Constituição Federal. Qual a inocência que pode ter um assassino confesso?
Não poderia haver o princípio da culpabilidade evidente? Ou da evidência de culpa?
Mas isso é assunto que foge ao tema desta postagem.
A conclusão "acerto de conta" é brilhante (ironicamente falando).


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

VONTADE X RAZÃO

A esperança é irmã do otimismo, e ambos são filhos do desejo do homem. A "família" vive a um passo da utopia, descontente com a realidade (que a incomoda dia e noite). 
Por isso, ao fecho de um ano, ao fecho de uma realidade determinada, esperança e otimismo se regozijam num abraço fraterno. A alegria é geral, envolvendo realistas, pessimistas e catastrofistas, que também brindam o próximo ano.
Independentemente das coisas boas que ocorreram no ano passado, como a colheita rentável, a promoção no trabalho e a conclusão do curso superior, os filhos do desejo querem mais e mais. A insatisfação com o presente os identifica, bem como a crença no futuro. São ingratos com a fortuna recebida, ressentidos com o infortúnio (em que se enquadra o sonho não realizado). 
Essa falta de agradecimento ao ano velho infere que o muito da esperança foi malogrado, que o muito do otimismo dobrou-se ao peso da realidade.
A chegada de um ano novo constitui uma oportunidade extraordinária para outro sonho, para desejar uma coisa (que se torna boa pela chancela do desejo).
Como racional, antecipo que 2013 não será muito diferente de 2012. Esses números não passam de uma convenção da cultura ocidental. Há um tempo contínuo que não se fragmenta, como se o 31 de dezembro e o 1º de janeiro fossem apenas um dia após o outro, tão iguais e tão dessemelhantes quanto sói ocorrer com qualquer outra sequência temporal.
A lógica é irmã do realismo, e ambos são filhos da razão do homem.

NOVO ANO



Texto produzido para o Facebook, observando sua filosofia de troça.