terça-feira, 1 de março de 2011

VENTO SUL

Gibran escreveu que gostava das tempestades, tinha o espírito arrebatado pela paixão de viver, um romântico extemporâneo. Lembro-me dele toda vez que venta do sul, exatamente o vento de hoje, arauto de uma nova estação. Depois de dias calorentos, quando o Sol se apresenta como será no futuro (exterminador da vida por ele propiciada), nada melhor que o refresco, a temperatura amena. Por isso, gosto do vento sul, dessa presença austral da Natureza. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

FILME E PALESTRA

Nesta noite, a convite do Museu das Comunicações da URI, fui assistir à palestra "Mídia e Esfera Pública, um Olhar sobre as Relações de Poder", ministrada pelo sociólogo uruguaio Alejandro Javier Lezcano Schwarzkopf. Foi rodado o filme Boa Noite, e Boa Sorte, que serviu de base para a fala do palestrante.  

PRESSUPOSTO

Qual o pressuposto da manchete transcrita na postagem abaixo? Por favor, visitante, responda a essa questão de significação implícita.

MANCHETE DO DIA (COM IMAGEM)


"MANTEGA DIZ QUE PAÍS NÃO TEM DINHEIRO PARA COMPRAR CAÇAS"

domingo, 27 de fevereiro de 2011

MULHER INDÍGENA MILITAR

Do interior da floresta amazônica, aos 14 anos, ela resolveu ir para a cidade, mendigou e passou fome, aprendeu a ler e foi condecorada com diversas medalhas de literatura. Estudou artes, foi atleta, virou fisioterapeuta e cursa hoje a terceira graduação em saúde. Essa é a trajetória de Silvia Nobre Waiãpi que, aos 35 anos, tornou-se a primeira militar indígena a integrar as Forças Armadas no Brasil, no último dia 3 de fevereiro. A índia disputou uma vaga com 5.000 candidatos e foi aprovada com uma das melhores pontuações no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro, onde concluiu o treinamento e hoje serve no Hospital Central do Exército como aspirante. Depois de seis meses, será promovida a 2º tenente. 
(Matéria do UOL, para saber mais, clicar aqui.)

O EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ

Escrevi para o Expresso Ilustrado há sete anos: A história começa em 1916. Ainda menino, Mayer Guinzburg vem com a família para o Brasil, fugindo da pobreza na Rússia, mais exatamente de Birobidjan, Sibéria Oriental. São judeus e se fixam em Porto Alegre. Mayer cresce arredio, pensando na revolução de 1917. Sua obsessão é construir uma nova sociedade. Tenta fundá-la no Beco do Salso com grupo de amigos. Casa-se com Léia, filha do dono da loja em que trabalha. Esquizofrênico, Mayer sempre vê uns homenzinhos aplaudirem seus discursos socialistas. Uma crise financeira o leva a fugir outra vez para a Nova Birobidjan, onde vive com uma cabra, um porco e uma galinha, aos quais chama de "companheiros". Depois de apanhar de uns trapeiros, retorna para casa. No bairro do Bom Fim, chamam-no pejorativamente de Capitão Birobidjan. Ele e Leib Kirschblum fundam uma empresa de construção que os faz ricos. Transforma a secretária em amante. Entra em falência. Separa-se de Léia. Acaba numa pensão para idosos. Outro acesso de esquizofrenia: quer transformar a casa no Palácio da Cultura de uma nova sociedade. Sofre uma parada cardíaca. "A saga de Birobidjan", segundo os editores de Moacyr Scliar, "o solitário pregador de um mundo melhor, seu louco humanismo, seus sonhos mágicos, fazem de O exército de um homem só uma leitura emocionante e inesquecível"

MOACYR SCLIAR

* 23 mar 1937
+ 27 fev 2011
Ontem, ao receber o Zero Hora de hoje, abri o Donna e mais uma vez senti a ausência do Moacyr Scliar. Qual minha triste surpresa ao ligar o computador nesta manhã? Primeira notícia no UOL: Morre o escritor Moacyr Scliar
Ele sofrera um AVC em janeiro, tinha um tumor benigno no intestino, uma infecção respiratória e, por derradeiro, falência múltipla dos órgãos. 
Ao abri meu blog para fazer esta postagem, li que o Cláudio Irion já noticiara o falecimento do escritor. 
Dos grandes da nossa literatura, posso dizer que Moacyr Scliar era o escritor que eu mais conhecia pessoalmente. Em sua vinda a Santiago, em novembro de 1999, ele me autografou A mulher que escreveu a Bíblia (na URI) e, mais tarde, eu o auxiliei numa palestra para os alunos do Cristóvão Pereira. 
Muito cedo, comecei a ler os contos do Moacyr Sliar, gênero em que ele alcançou o topo literário, onde se encontram Machado de Assis, Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, Julio Cortázar, J. L. Borges, entre outros. Produziu muitos romances, como O exército de um homem só (que me levou a escrever uma coluna para o Expresso Ilustrado em 2004), A guerra do Bom Fim, O ciclo das águas, O centauro no jardim, Os vendilhões do templo, entre outros.  
Na coluna supracitada, escrevi que duas coisas me chamaram a atenção em Moacyr Scliar: "a simplicidade do homem e a inteligência do escritor". 
Morreu o cidadão, e o Rio Grande está de luto. Para a Literatura, Scliar é imortal.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CARNAVAL

a carne vai
ao vale
do jaguar
                e fica
aqui
o sossego
a alma da cidade
com olhos
molhados de azul
e a garganta
cheia de pássaros

sem o aval
da lei
a carne vai
ao vale
           e vem
depois do carnaval
.
(Publicado em Vozes e Vertentes. Eis um exemplo em que simples detalhes fonéticos são responsáveis pela literariedade do poema, isto é, qualidade que o distingue de um texto não-literário. No excerto
a carne vai
ao vale
do jaguar
               e fica
esse "e" grifado soa como um "i", completando a palavra anterior, "jaguar... i".) 

CARNE(VALE)

Depois de dois anos do meu retorno a Santiago, participei do melhor carnaval feito pelo Grêmio dos Subtenentes e Sargentos. Ano de 1998. A partir disso, os clubes passaram a ter dificuldades para patrocinar os bailes, trabalhando no vermelho. Enquanto isso, os jovens se agrupavam nos chamados QGs, onde davam vazão à folia com a liberdade que os identificam natural e culturalmente. Contra eles foi deflagrada uma campanha com tolerância zero, vertical, legal (no sentido não contemplado pela gíria), colocando-os a correr daqui. A única alternativa para a nossa juventude foliona foi "ganhar a faixa". O primeiro lugar que encontraram, Jaguari, muito oportunamente, aderia ao carnaval de rua, como sói acontecer em todo o país. Bem acolhidos, os santiaguenses voltaram maravilhados na quarta de cinza. A cada ano, o carnaval de rua da vizinha  cidade cresce a olhos vistos (olhos que querem ver, sem despeito). Santiago, em contrapartida, esvaziou-se do dia para a noite. Os clubes fecharam as portas, quebrados. Restou o carnaval de rua, uma ou duas escolas a desfilarem na avenida, jurando não repetir sua participação no próximo ano por falta de incentivo, gente e dinheiro. Por esse delgado fio que ainda prende o carnaval como um acontecimento vivo em nossa sociedade, agarra-se a esperança das autoridades locais de criar aqui o que Jaguari consegue há anos sem propaganda (ou contrapropaganda). São Vicente do Sul parece seguir os mesmos passos. 
Santiago sem carnaval e... sem futebol (segundo leitura pertinente de blogueiros). 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VESPEIROS

Os piores vespeiros, sei disso por experiência, são os do marimbondo vermelho e da lichiguana (que o Houaiss confunde com o enxu). Nem com vara longa para mexer com eles. A ferruada quase aleija de dor. Sempre evitei saber se a da mamangava é mais dolorida (o que tornaria minha experiência incompleta não fosse essa espécie mais mansa). 
Certos assuntos são como vespeiros, com a agravante de que as "vespas" não se mostram, aproveitam-se do anonimato para desfechar seu ataque violento. 
Bastou minha postagem abaixo, cujo teor inquiritivo é como o mel (com um ferrão suspenso em sua apetitosa densidade), para que um anônimo trocasse a doçura pelo veneno. Ele pede que faça ligação telefônica para a prefeitura de Santiago (fale com pessoas entendidas de saúde) e que se preocupe, principalmente, com a dengue em São Luiz Gonzaga. 
Quanto mais conheço os bichos, os mais perigosos inclusive, mais me convenço da maldade que se acumula no coração do homem (seja o mal de natureza instintiva ou racional).   

MENINGITE (SIM OU NÃO?)

Afinal, há surto de meningite em Jaguari ou não? Apenas em Jaguari, não em Santiago, São Francisco, São Vicente...? Há pessoas nessa cidade com inflamação das meninges? Quem são elas? Onde estão internadas? Já sei como acabar com tal dúvida: ligação para o Hospital de Caridade de Jaguari ou para alguém conhecido de lá. Acabei de ligar: 3255-1882. Tu... tu... tu... tu... (tá chamando)

UMA SIMPLES PANELA

O interfone tocou nesta tarde, por volta das quatro horas. Fui atender. A voz de alguém perguntava qual era meu apartamento, porque havia fumaça saindo do primeiro andar, acima da porta de entrada. Desci correndo as escadas. Um cheiro forte de queimado tomava conta do corredor em frente ao número 101. Imediatamente, desligamos os disjuntores e chamamos os bombeiros (que chegaram em minutos). A senhora idosa, moradora do apartamento não se encontrava. O soldado entrou pela janela e abriu a porta por dentro. A causa do cheiro e da fumaça vinha da área de serviço, onde uma panela de alumínio derretia sobre o fogão (que se encontrava apertado entre o armário e a geladeira). A princípio, pensei que se tratasse do ferro de passar ligado. Essa foi a causa provável de um incêndio que destruiu inteiramente a casa dos meus tios lá no Rincão dos Machado há alguns anos. Na semana passada, um curto-circuito (provocado por instalação elétrica irregular) queimou o galpão de um vizinho do meu pai. Quando descoberto a tempo, o motivo de um incêndio é quase insignificante, como o de uma panela a queimar esquecida sobre o fogão a gás.  

TERRA RARA, VIDA RARA?

O título acima é de um capítulo de Criação Imperfeita, de Marcelo Gleiser, professor de Filosofia Natural  e de Física e Astronomia no Dartmouth College, EUA. Ele escreve que "em seu corajoso livro Terra rara, Peter Ward e Donald Brownlee argumentam que muito provavelmente a vida extraterrestre só aparecerá nas suas formas mais simples: planetas com características terrestres têm chances de abrigar micro-organismos alienígenas, mas não muito mais do que isso". 
"Embora a possibilidade de que o cosmo esteja repleto de seres extraterrestres inteligentes (e que tenham já nos visitados) seja extremamente instigante, a ciência atual nos diz que, ao menos por enquanto, somos únicos. [...]
"Estou, sim, afirmando que somos únicos e especiais. Mas não porque fomos criados por Deus, ou por sermos resultado de uma intencionalidade cósmica, de um Universo com o propósito de criar vida inteligente. Somos únicos e importantes porque estamos vivos e temos consciência de nossa existência. [...] Talvez não sejamos a medida de todas as coisas, como propôs o grego Protágoras em tempos pré-socráticos, mas somos as coisas que podem medir. A aceitação da nossa solidão cósmica é um toque de despertar, iniciando uma nova era para a humanidade. [...]
"O clima está mudando, e mais de 30 mil espécies estão morrendo por ano. Estamos testemunhando a maior extinção em massa desde o desaparecimento dos dinossauros há 65 milhões de anos. A diferença é que, pela primeira vez na história, somos nós, e não a Natureza, a causa da extinção. Destruímos habitats, poluímos rios, pulverizamos montanhas, cortamos florestas, alagamos vales, introduzimos espécies em ambientes novos sem planejamento, matamos, pescamos e caçamos espécies em risco de extinção com impunidade. No nosso frenesi destrutivo, esquecemos que a Terra é um sistema limitado e que não pode sobreviver a um abuso contínuo. [...]
"O aspecto mais maravilhoso da nossa existência é que temos consciência dela. [...] Vamos nos unir como membros da mesma espécie e lutar pela nossa sobrevivência. Este é o conflito da nossa era. Porém, ao contrário das guerras comuns, esta não tem o propósito de definir fronteiras ou credos. Esta é uma guerra entre o nosso passado e o nosso futuro, uma guerra onde somos nossos piores inimigos e nossa única esperança."

SONHO IMPOSSÍVEL


Para justificar a mudança no fundo desta página, transcrevo um dos meus microtextos que escrevi nos anos oitenta:
BELVEDERE DA TERRA - Muita expectativa precedeu a descida do homem na Lua, em 20 de julho de 1969. Nesse dia, a humanidade pôde comprovar que esse corpo celeste é completamente estéril e que lá existe um único motivo para contemplação: o planeta azul.
Acusam-me de ser racional, realista demais, mas tenho sonhos, sou romântico (dependendo do tempo e do lugar). Sonhos impossíveis, como o de ver nosso planeta do espaço. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIOS DIVERSOS

Alfa Centauro é um sistema com três estrelas (A, B e C). A Alfa Centauro A é 23% maior que o Sol, localizada a uma distância de 4,4 anos-luz, aproximadamente 40 trilhões de quilômetros. Uma viagem até lá demoraria cerca de 100 mil anos nas espaçonaves mais velozes da atualidade. Isso significa dizer que (conforme as palavras de Marcelo Gleiser) "se não estamos sós, na prática é como se estivéssemos". 
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A nossa blogosfera é um fenômeno hipertextual deveras interessante. Apesar de várias desistências, depois de um começo entusiasmado, vem aumentando o número de acessos diários, como o atestam os principais blogueiros. Há uma inegável polarização em torno de alguns blogs, entre os quais o do Júlio Prates e do Rafael Nemitz. Isso forçou um upgrade na qualidade, do design às postagens. O Prates, muito oportunamente, mudou a epígrafe de sua página, transcrevendo o belíssimo Art. 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Nemitz agora com assessoria jurídica. 
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O Ruy sugere que o tênis passe a ser obrigatório nas escolas. O Ítalo foi mais rápido em informá-lo sobre um projeto para o Criança Feliz, com a possibilidade de ser incluído no Forças no Esporte (desenvolvido com crianças e adolescentes em turno oposto dentro dos quartéis do Exército, Marinha e Aeronáutica).  
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Enxadrista desde os 15 anos (com essa idade Bobby Fischer já era campeão nos Estados Unidos e Garry Kasparov já disputava o campeonato na então União Soviética), mediano, mas apaixonado pelo jogo-arte-ciência, o mais intelectual dos esportes, também penso que o xadrez poderia ser parte do currículo escolar. Já existe iniciativa nesse sentido no Brasil. Xadrez e internet, internet e xadrez: não há descompasso, conciliáveis. 
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Endereço do Internet Xadrez Clube: www.ixc.com.br 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

FILTRO PESSOAL

"O começo e o fim de toda a atividade literária é a reprodução do mundo que me cerca por meio do mundo que está dentro de mim."
(Tradução de um verso de Goethe.)

ESQUERDA EM TEMPOS SOMBRIOS

Procuro o livro A esquerda em tempos sombrios: uma posição contra a nova barbárie, do filósofo francês Bernard-Henri Lévy. Sua última publicação não consta nos sites de venda, sequer nos importados. Certamente, ainda não foi traduzido para o português. Sou o primeiro na fila de espera. 
Lévy, amigo de Michel de Houlebeck, escreveu um artigo de opinião na última revista Filosofia, em que denuncia um antissemitismo ressurgente. Não tenho certeza se o filósofo participou do grupo de Comte-Sponville na publicação de um livro antinietzscheano (já ando me esquecendo, seria alzeimer?). O que é certo, Lévy é antimarxista. Independentemente disso, quero ler A esquerda em tempos sombrios assim que o livro estiver disponível.
No artigo O antissemitismo que virá, o pensador cita três acontecimentos recentes que demonizam Israel: 1) Na França, há uma campanha  para um embargo contra Israel, única e verdadeira democracia no Oriente Médio; 2) no Festival Cinematográfico de Toronto, foi apresentado o documentário Lágrimas de Gaza, que, para Lévy, não passa de propaganda, com imagens  filmadas por cinegrafistas palestinos na linha de combate; 3) a recepção calorosa que esse pseudo-documentário teve na Noruega.
A primeira impressão é de alarme falso, certo exagero de Lévy, que deve ser de origem judia (embora tenha nascido na Argélia). 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

VOLP (NÃO COMPRE)


A 5ª edição do VOLP, esqueci-me de incluir na postagem abaixo, foi publicada, apressadamente publicada, diga-se passagem, com 239 incorreções (incluindo-se os aditamentos). A Academia Brasileira de Letras anexa ao grosso volume um encarte com seis páginas, trazendo a seguinte epígrafe: "Já está dito, e deve ser geralmente sabido, que, por motivos igualmente reconhecidos, raramente haverá trabalho literário que mais suscetível seja de correção e aditamentos do que o dicionário de uma língua". Desculpa esfarrapada. Esse descaso com a Língua Portuguesa é decepcionante, reflete um estado de burrice generalizada que permeia o país. 

VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO

Por diversas vezes, falei que o emprego do hífen era o "calcanhar de Aquiles" do último Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. No Brasil, mormente. Em Portugal, há vulnerabilidades maiores, como a eliminação do c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores ct, por exemplo. Os portugueses deixariam de pronunciar (o que mais grave) e de grafar acto, porque o acordo assim o normatiza. 
Hoje recebi o "aquiles", digo, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Com o arco retesado, aponto uma flecha para a palavra "dia-a-dia". Coloco-a entre aspas, uma vez que constitui o pivô da discussão que provoco nesta postagem. O VOLP traz "dia a dia", substantivo masculino. No Aurélio (não  disponho do Houaiss pós-acordo), a grafia é "dia-a-dia", substantivo masculino.
Antes do Acordo Ortográfico, "dia a dia" tinha a função de advérbio, equivalente a "dia após dia", "diariamente", "cotidianamente" etc. Exemplo: "O trânsito em todas as cidades piora dia a dia". Não perdeu essa função. Dessa forma não pode ser classificado como substantivo, por é advérbio.  "Dia-a-dia", por sua vez, exercia a função de sujeito, equivalente a "cotidiano". Exemplo: "O dia-a-dia de todas as cidades é uma luta facilmente observada no trânsito". 
O VOLP, ao grafar "dia a dia sm", não se refere a "dia a dia" com função de advérbio. Falha ao não fazer tal referência. O Minidicionário Aurélio traz "dia-a-dia sm", com hífen, juntando os dois significado: "a sucessão dos dias" e "o viver cotidiano". Por isso, falha também.
Nas demais palavras compostas, tipo s+p+s (substantivos repetidos com uma preposição no meio), o VOLP grafa sem hífen. Exemplos: corpo a corpo, terra a terra... Tais palavras não têm uma homográfica com significado distinto, como é o caso de "dia a dia". O contexto frasal basta para justificar a extinção do hífen? 
Pronto, lancei a flecha. 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

APENAS UM SONHO



Toda vez que vou ao Rincão dos Machado, saio para fora de casa para contemplar o céu estrelado. No fim de semana passado, isso foi possível num breve intervalo entre a entrada da noite e a Lua cheia. A partir desse momento, o luar diminui consideravelmente a luminosidade dos demais corpos celestes. Os campos e as matarias do rincão são cobertas por um manto diáfano de prata, obrigando-me a mudar o foco de minhas observações, que desce do céu para a Terra. Meu desejo de ver o céu noturno é tão grande que sonho um dia dispor de um potente telescópio. O primeiro objeto para onde o apontaria  está  muito além das estrelas: Andrômeda (NGC 224, Messier 31 ou M31). Essa galáxia se encontra a 2.900.000 anos-luz de distância do nosso referencial, o Sistema Solar, podendo ser vista a olho nu. Não passa de uma pequena mancha no hemisfério norte. Depois de observá-la, veria todos os corpos possíveis no interior da Via Láctea, com tempo suficiente e lugar apropriado para isso. Certamente, os fins de semana no Rincão dos Machado preencheriam tais exigências.