quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

EXEMPLO DE PLÁGIO

Mais tarde, esqueci-me de colocar na postagem abaixo, editarei um exemplo de plágio, feito com um dos sonetos do próprio Filinto Charão.

A VERDADE

Esta manhã, fiquei surpreso ao ler no blog do Júlio Prates:
Oracy Dornelles leu o livro Antologia II - Rua dos Poetas e o texto que fala sobre Felinto Charão, na sua opinião, é um plágio do que escreveu no jornal A Coxilha sobre o mesmo. Até os termos foram copiados. (O nome correto do jornal é A Cochilha.)
Mais uma vez, não me menifestaria, em respeito ao blog mais lido de Santiago, noticioso, por excelência, e à admiração que tenho pelo Oracy Dornelles (como poeta). Pensando melhor, resolvi sair em defesa da Erilaine Perez, que realizou o trabalho de coletar o material literário e histórico para a antologia da Rua dos Poetas. Ela poderia com razão me acusar de ser um covarde, um lorpa ou coisa que o valha, caso deixasse por isso mesmo.
A biografia do Filinto Charão foi extraída do livro Um pouco da história de Santiago, de Guirahy Pozo, página 133. Diferente do texto publicado pelo Oracy no jornal A Cochilha, em 8 de setembro de 1956. Obviamente, Guirahy deve ter contado com o auxílio do Oracy, embora não haja referência a isso. Não me consta que dados biográficos, como nome de cidade, nome do livro inédito etc., sejam considerados plágio. A propósito, no texto do Oracy, Filinto Charão, o poeta esquecido, a data de morte do poeta é 15 de junho de 1950, e no livro do Guirahy Pozo, a data é dia 24 (do mesmo mês e ano).
Mais tarde, voltarei a esta postagem, para editar a cópia da página do jornal A Cochilha, com o texto do Oracy. Da mesma forma, editarei a biografia de Filinto, publicada no livro do Guirahy Pozo e no Rua dos Poetas - Antologia II.
A verdade precisa ser noticiada (inclusive neste espaço hipertextual).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

EXEMPLO DE SOLIDARIEDADE

Hoje de manhã, fui ao velório de Sérgio Prates. Conheci melhor o ex-vereador no ano que passou, ao longo do qual frequentei as sessões legislativas. Ninguém pode negar o trabalho humanitário que ele realizou, adiantando-se a um dos grandes problemas sociais do futuro (próximo): a assistência aos idosos. Atualmente, esse problema ainda é pequeno. Neste aspecto, Prates foi um iniciador, um exemplo de homem público cada vez mais necessário em nossa sociedade.

Não conhecia os parentes do Prates, o que me fez passar por uma situação delicada. Para superá-la, cumprimentei as pessoas que cercavam o esquife com olhos congestionados pela dor da perda.

Saí da Câmara matutando sobre a morte. As palavras que me faltam numa hora dessas, por não acreditar noutra vida, internalizam-se em forma de reflexão. Quem morre deixa de perceber, de sentir, de ser. Não há diferença em ir ao seu velório ou não. Toda minha atenção era para ser dada durante sua vida. Por que, então, vou ao seu velório? Para mostrar aos parentes e amigos que o parente e amigo falecido era alguém respeitado, admirado. Isso conforta realmente.

A imortalidade, em sua dimensão existencial, sensível, existe na memória dos que continuam a viver e, principalmente, nas obras realizadas.

Sérgio Prates, a despeito de sua admirável humildade, começou uma obra grandiosa demais para ser concluída um dia.
O nome do ex-vereador e cidadão santiaguense será sempre lembrado como exemplo de solidariedade humana.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

AVISO AOS COMENTARISTAS ANÔNIMOS

Seguidamente, os anônimos vomitam impropérios contra este blogueiro, tudo porque, coerente com a denominação "CONTRA.", manifesto um viés contestador, nunca "capcioso", em algumas postagens. O último chegou a ameaçar não ler mais o que escrevo, confessando sua presunçosa importância, não obstante a anonimidade. Eles ignoram que, ao escrever três ou quatro linhas, deixam rastros discursivos identificáveis. Basta uma palavra, algumas vezes, para que se conheça suas identidades. Não é blefe. Na próxima vez que comentarem anonimamente, plantem uma bananeira, para irrigar melhor o cérebro. Outra opção: escrevam com a mão esquerda.

DIVERSOS

Sem sair de casa, ouvi artistas cantantes no palco dos 125 anos de emancipação político-administrativa do município. Decidi que assistiria ao show pirotécnico da minha janela, fotografando-o nos momentos mais luminosos. A cantoria acabou e a cidade preparou-se com o silêncio que precede as grandes apresentações. Cinco para a meia-noite, apanhei minha digital e fiquei na expectativa. Notei que algumas pessoas desciam pela Duque, como se retornassem da festa. Minha leitura, passados 15 minutos, foi de que houve um problema na execução do protocolo (até na morte de alguém). Fui deitar decepcionado. Nesta manhã, liguei o rádio para ouvir alguma informação. Nada. Nos blogs, apenas Rafael Nemitz se perguntava acerca dos fogos de artifício e passava o informe de que, por falta da equipe de segurança, os mesmos foram suspensos.
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O Fantástico apresentou ontem uma reportagem sobre o personagem Orlandinho da telenovela A favorita, em luta com a sua opção sexual. Muitas apiniões populares, contra e a favor, depoimentos de homessexuais assumidos e, contrariando o senso comum, de um ex-homossexual que se convertera a uma das religiões cristãs. A reportagem incluiu os discursos do Papa Bento XVI e de um pastor evangélico (contrários à homossexualidade). A propósito, dia 26 de dezembro, postei um contraponto sobre esse assunto, citando a suprema autoridade da Igreja Católica.
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A maioria dos blogueiros confunde o domingo com o dia do descanso, sem saber que é o primeiro dia da semana na mítica judaico-cristã. O momento do fiat lux quase se apaga na nossa blogosfera.
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Juremir Machado da Silva escreveu em uma de suas colunas do Correio do Povo que existem vários começos de ano no Brasil. O primeiro é o dia marcado no calendário, o segundo seria hoje, o primeiro dia depois do feriado do Ano-Novo. O primeiro dia depois do Carnaval, o primeiro dia de aula, o Primeiro de Maio, entre outros começos de ano. Para mim, o ano começa no dia 24 de janeiro (um ano a mais).
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Sugestão ao organizadores da Copa Santiago de Futebol Juvenil: usem a carga de fogos não explodida ontem para a abertura dos jogos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O AUTOR E O LEITOR NO HIPERTEXTO

O título acima constitui o sexto capítulo de um trabalho de Fabiana Komesu*, Pensar em Hipertexto, publicado no livro Interação na Internet - Novas formas de usar a linguagem, organizado por Júlio César Araújo e Bernardete Biasi-Rodrigues. Transcrevo excertos que julgo mais interessantes.
"Da perspectiva do autor, observo que, com o advento do hipertexto, é possível colocar em circulação sua produção de textos escritos, imagéticos, sonoros, sem a ingerência do sistema editorial tradicional."
"A possibilidade de circulação sem restrições declaradas é avaliada de maneira positiva por Bolter (2001). No domínio da teoria crítica, trata-se da abertura de um debate sobre a instituição dos cânones literários, sobre as razões pelas quais se incluem ou excluem autores e suas produções. [...] O hipertexto consiste não apenas das palavras que o autor escreveu, mas também da estrutura das decisões que criou para que o leitor explore a página eletrônica. Apesar das restrições decorrentes da seleção dos links, Bolter acredita (verbo não condizente com um estudo científico) que o leitor seja livre para se deslocar como quiser, o que o torna um participante ativo na produção textual eletrônica."
"Parece haver, de fato, vantagens para o autor do hipertexto, mas elas ainda não correspondem à conquista definitiva da publicação irrestrita dos textos. Possenti (2002) avalia com cuidado essa 'possibilidade inifinita de publicação'. Segundo Possenti, deve-se considerar a existência de diferentes critérios para a consagração quer de um romancista, de um cientista, de um jornalista, seja no meio eletrônico ou no suporte de papel. Não se deve confundir a queda de um tipo de barreira com sua ausência pura e simples."
"A discussão da função autor como modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos é conhecida em Foucault (1992). É ele quem apresenta a ideia de que, em determinada sociedade, certos gêneros, para poderem circular e serem recebidos, têm necessidade de um identificação fundamental dada pelo nome de seu autor, enquanto outros não."
"No caso dos blogs, por exemplo, parece desejável que a autoria seja reconhecida, pois o número de acessos é indício do reconhecimento de seu produtor e critério para a sobrevida na Internet."
"Entre a suposta liberdade de publicação e o comprometimento de seus direitos clássicos, o autor do hipertexto é concebido como o que organiza a produção textual, assinalando os links que orientam as escolhas do leitor em sua trajetória no meio eletrônico. Estou de acordo com Possenti, quando ele associa este conceito de autor (organizador da sequência textual) à função que se atribui ao leitor. O leitor do hipertexto é comumente definido como co-autor, na medida em que deve organizar a sequência do que vai ler, 'clicando ou não palavras-chave, por exemplo, ou seja, indo ou não a um outro espaço, e tendo ido, decidir se volta ou não ao texto como o autor teria disposto ou imaginado."
"O leitor do hipertexto é o que responde de maneira 'ativa', uma vez que as interconexões ficam sob sua responsabilidade (LANDOW, 1997)."
* Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas.

125º ANIVERSÁRIO DE SANTIAGO

Este blog não se dedica ao gênero noticioso, exceto de quando em vez pela importância dos fatos. Ampliando o alcance hipertextual, republico a notícia do site da prefeitura (www.pmsantiago.com.br), seguindo o blogueiro Rafael Nemitz (http://rafaelnemitz.blogspot.com/)
oo
Bolo de 25 metros e show dos Garotos de Ouro para festejar os 125 anos de Santiago
A cidade de Santiago festeja 125 anos neste domingo, 04 de janeiro, e a partir das 20h está prevista uma grande festa que irá acontecer em frente a Prefeitura Municipal. Uma grande mateada, seguida pelo show dos Garotos de Ouro, serão atrativos que devem atrair milhares de pessoas que estão convidadas a fazer parte desta festa. Os santiaguenses poderão saborear também um pedaço do bolo de 25 metros que será servido à comunidade, seguido de um show de fogos de artifício. Tudo para marcar mais um aniversário de emancipação político-administrativa de Santiago.

sábado, 3 de janeiro de 2009

ANTÍTESE


fogo não há
nesta casa
mas palavras
que incendeiam
e silêncios
que apagam

oo
fogo não há
nesta casa
mas palavras
de gelo
e silêncios
de brasa

CLIMA AMENO

Todo frio no verão me é agradável, abro a janela e deixo entrar o vento do quadrante sul. Defino-me como austral (Nietzsche orgulhava-se de ser hiperbóreo, habitante do clima frio, do norte da Terra). Contrariando previsões de muito calor, o ano se inicia com uma temperatura baixa em Santiago. Excelente para trabalhar, estudar, comer, dormir... tudo o que não fazemos com mais prazer no forte do verão. O calor é bom para sentar à sombra, tomar uma gelada, ir à praia... Depois de uma boa chuva e desse vento refrescante, falar em desequilíbrio é pernosticismo inútil.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

MUDANÇAS ORTOGRÁFICAS

Não é só a nossa blogosfera que está dividida em relação às mudanças ortográficas da língua portuguesa (com uma indisfarçável preferência pela ortodoxia). Grande escritores e filólogos se manifestam contra ou a favor da pequena reforma. Entre os primeiros, cito João Ubaldo Ribeiro. Entre os segundos, Ivanildo Bechara. O principal argumento contrário: tudo o que foi impresso nas últimas décadas encontra-se com 0,43% dos vocábulos graficamente modificados a partir de agora. À semelhança do Dr. Ruy Gessinger, tenho uma biblioteca acima de mil livros, entre os quais o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, o maior e (até 2008) melhor fonte metalinguística. Como já sei de cor e salteado as novas regras, continuarei a pesquisar no Houaiss desatualizado. O principal argumento a favor: a uniformização tornará o português língua oficial de órgãos internacionais, como a UNESCO, cujas publicações não eram distribuídas à "pátria pessoana" (em vista das diferenças ortográficas). Ganham as editoras (ipsis litteris), e perdem os bibliófilos apaixonados. Independentemente de umas e outros, nosso idioma, negando sua origem vulgar, adquire um único padrão na escrita. Aqui e além-mar (com hífen antes e depois).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

NOVO BLOG

OBSERVANDO A NATUREZA - Esse é o título do blog do Dr. Arlindo Luiz Disconzi, que vem enriquecer a blogosfera santiaguense (de maneira particular) e o hipertexto (mais amplamente). Conhecimentos empíricos, principalmente os relacionados à Medicina, dedicação à Ecologia, ao Meio Ambiente, cultura holística, espírito de solidariedade... tudo isso reunido numa única pessoa decidida a participar deste novo fenômeno da escrita digitalizada. A partir de agora, seu blog será visita obrigatória.

CONTINUIDADE POÉTICA

Para demonstrar a continuidade com o exemplo pessoal, escrevi um poema nas últimas horas de 2008 e escrevi outro nas primeiras horas de 2009 (conforme postagens abaixo). Não premeditei escrevê-los com esse propósito, aconteceu espontaneamente. Isso se acrescenta a minha alegria de viver, que se plasma na poesia como principal manifestação estética.

CICLO ANUAL


uma árvore de esperança
é plantada
na passagem

alto carvalho
sobre a continuação
da mesma lajem

o limite das raízes
a secura
do tempo
fazem-na minguar
dia a dia

no último solstício
já um caule de grama
crestado



prestes a ser varrido
como coisa
despicienda
na passagem


OO

quando é plantada
uma árvore
de esperança

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O TEMPO


o tempo
não pára
continuidade absoluta
roldana que gira
que gira
sob os pés do homem
saltimbanco
que por ora
se equilibra

o tempo
não pára
ooooooab
menteooooso
oooooatul
OO

E-MAIL DO MADRID

FELIZ DOIS MIL
INOVE

FESTÉBOM

Entre os livros de Nietzsche, Genealogia da Moral é apofântico, verdadeiro. Em seu grande projeto de introduzir os conceitos de sentido e de valor, começa defendendo que o filósofo é um genealogista, alguém que estuda valores de origem e origem dos valores. A crítica instaurada por ele não é uma reação, mas um modo de existência ativo. A leitura de Zaratustra complementa esse entendimento.
A introdução acima é necessária para o que o visitante deste blog, leitor inteligente, saiba o porquê da minha crítica a certos costumes, a certos valores sociais que fundamentam a vida moderna. Observando todo o estardalhaço que fazem as pessoas na passagem de ano, ouso dizer que o conhecimento genealógico do nosso calendário diminuiria os exageros cometidos num estado que beira a insanidade coletiva. Dois sentimentos parecem dominar a todos: o desprezo pelo que passou (2008) e a esperança pelo que virá (2009). Aquele é velho, encarquilhado, terra arrasada, e este é novo, bonito, terra prometida. Com alguns conhecimentos de Psicologia, adianto que jamais teremos um próspero novo ano se aquele que encerra seu ciclo não foi um ano próspero. Isso continua verdadeiro para qualquer outra variável que se coloque no lugar de prosperidade. Não é pessimismo, não. Puro realismo, admitindo-se que vivemos distante do Reino da Fantasia, com considerável saúde mental.
Na coluna do Expresso de hoje, abrevio um conteúdo vastíssimo para dar a entender em poucas palavras a minha posição quase alienígena diante da partição temporal. Uma necessidade de ordem cronológica, prática e exterior, forçou-nos a elaborar um calendário cheio de imprecisões e absurdos. O resultado foi a criação de um outro tempo, psicológico, interior (explorado pela Literatura e Cinema). Agora vivemos submetidos à ação de fora e de dentro, num trânsito cada vez mais confuso e veloz.
Apesar disso, não vou discordar dos meus contemporâneos: festa é bom.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

AURELIANO F. PINTO


A estátua de Aureliano de Figueiredo Pinto, colocada em frente à casa onde residia, constitui um dos pontos mais característicos da Rua dos Poetas. Após a instalação de um chafariz e do desenvolvimento das flores ali plantadas, a pracinha se tornará um lugar muito aprazível para os encontros da tarde.
Duas pessoas já se manifestaram contra essa homenagem a Aureliano. Uma delas já está se achando em condições de criticar por criticar (uma vez que não mudará nada do que foi feito). A propósito, prometeu que mudará, sim, quando for prefeito: tirando a estátua de Aureliano da Rua dos Poetas. No mínimo, paradoxal para quem defende a democracia. Bom começo para quem quer ser prefeito um dia. Chicão nunca se portou dessa forma, ditatorialmente. O Júlio Ruivo também. Ambos fizerem por merecer a belíssima carreira política no âmbito municipal. No lugar de Aureliano, essa pessoa defende que outro deveria ganhar uma estátua: Caio Fernando Abreu. Este já foi homenageado na primeira quadra. Futuramente, Caio poderá ser estatuado (antes que esse crítico do projeto chegue a ser prefeito, eh eh).
A segunda pessoa, beirando a insanidade, brada ao telefone que é uma "cachorrada" a distinção dada a Aureliano (que não é santiaguense de nascimento, blá, blá, bla). Jaime Medeiros Pinto é que deveria ganhar uma estátua. Homenageado na primeira quadra, o radialista e poeta também entraria na fila iniciada (acima) com o Caio Abreu.
Aureliano não era porto-alegrense, no entanto, seu nome passou a designar uma das avenidas da capital gaúcha. Santiago já o homenageou com a denominação de uma pequena rua. Mas é pouco para o tamanho de Aureliano: médico humanitário, político, poeta, romancista e, acima de tudo, cidadão que amava a cidade em que escolheu para viver até o fim de seus dias.
Caso o projeto da Rua dos Poetas dependesse dessas duas pessoas para a seleção de um dos vinte homenageados, com o propósito de representá-lo plasticamente, certamente o desacordo acabaria em briga. A comissão optou por Aureliano de Figueiredo Pinto, sem manipulação (diga-se de passagem).

FILINTO CHARÃO

Filinto Charão é outro exemplo do que postei abaixo. O presente corrige uma falta do passado. Até ontem, ele era um poeta esquecido, como bem avaliara Oracy Dornelles. As escolas receberão a antologia, que traz o seguinte poema de Filinto:
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Noite de Inverno
oo
Que noite má, que frio e que amargura!
Somente lá por fora zimbra o vento,
Contorcendo o arvoredo que murmura
De mãos alçadas para o firmamento.
oo
E eu só!... que noite longa e que tristura
Há neste quarto lúgubre e poeirento!
Meu leito - é uma gelada sepultura,
Meu lençol - um sudário... Oh, que tormento!
oo
Ah! si odorante e linda como outrora,
Ela, em quebrantos, terna e carinhosa,
De amor vencida aparecesse agora!...
oo
Não mais terei ventura igual aquela,
De, em uma noite assim, triste e brumosa,
Sonhar envolto entre os cabelos dela!
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A vida de boemia dava ao poeta os ingredientes para compor esse soneto romântico, mesmo em pleno modernismo. Por isso mesmo, excelente para ser estudado numa aula de Literatura.

O LIVRO


A Rua dos Poetas, a partir de agora, tem sua estrutura física diferente (calçamento, luminárias, monumentos, placas etc). Quem passar por ali, principalmente o pedestre, perceberá cinestesicamente a melhoria dessa realização urbanística. Há uma obra paralela, diga-se de passagem, dirigida à inteligência, ao espírito: o livro antológico. Não é porque auxiliei na seleção dos textos (cujo trabalho maior coube a Erilaine Perez), fiz a revisão e escrevi a apresentação, mas acho a melhor parte desse projeto cultural sem equivalente na história do nosso município. Não tivemos as câmeras voltadas para a sessão de autógrafos, realizada dentro do shopping Ilha Bella. Nenhum político passou por ali, onde não seria o centro das atenções, apenas professores e alunos - gente que gosta de ler, de conhecer. Mais tarde, dentro da Churrascaria Gaúcha, levamos o livro a todos os presentes. Por aí, conclui-se sobre a relação distante que o santiguense tem com a leitura. Alguns dos autores incluídos na antologia, como Ney A., não tinham publicado, permanecendo desconhecidos para a maioria.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

COLUNA DO EXPRESSO

A próxima edição do Expresso Ilustrado sairá na quarta-feira, dia 31 de dezembro. Depois de pensar um pouco sobre o tema para a coluna Crítica e Autocrítica, resolvi escrever sobre o maior acontecimento festivo da atualidade: a passagem do ano. Fui obrigado a cortar parte do rascunho, dimensionando o texto ao espaço da coluna ("leito de Procusto"). artaO
OOOOOOOOOOOOOOFELIZ 2009
Um alienígena que chegasse à Terra neste momento, depois de ter estudado nossa cultura, continuaria a não entender a grande agitação vivida por nós, seus anfitriões. Mesmo dotado de uma grande inteligência, ele teria que aguardar até a meia-noite, quando, sob fogos de artifício, ouviria um discurso em uníssono. A partir daí, o viajante interestelar seria iluminado pela luz do discernimento próprio, como testemunha de um rito de passagem especial, em que participa toda a sociedade. Orientados por um calendário mais ou menos preciso, festejamos o fim de um ano e o início de outro. Logo ele saberia que dois números (de uma seqüência relativamente pequena) significam o passado e o futuro: 2008 e 2009. Uma hora antes, uma hora depois, uma faixa delgada de tempo sobre a qual os terrestres fazemos o maior alvoroço. Todo balanço acaba com um saldo positivo, uma vez que o encerramos com a expectativa do novo ano. Outros aspectos seriam percebidos pelo observador de fora. A origem religiosa de nosso calendário, bastando-lhe seguir o “fio de Ariadne” estendido ao longo de dois milênios. Os primeiros anos coincidiriam com a vida de Jesus Cristo. Os movimentos do planeta, como referencial para as medições cíclicas, principalmente de dias e anos. A imprecisão dessas medidas, ele concluiria, resulta num dia extra a cada quatro anos. Com relação aos meses, todavia, ficaria sem entender nomes e números. Mera convenção instituída por Roma (governo e igreja). Como o primeiro do ano. Mera convenção. Nenhum ponto característico existe no movimento da Terra em torno do Sol que identifique um começo da translação. A interferência é a marca da cultura humana. Isso o nosso hipotético visitante logo aceitaria como verdade, desejando-nos um Feliz 2009.