sexta-feira, 30 de novembro de 2007

FORMAÇÃO CRÍTICA DO LEITOR

Na disciplina Formação Crítica do Leitor, a professora Sandra do Nascimento nos pediu para apresentarmos um painel de uma realidade de Santiago (e de São Francisco de Assis para os pós-graduandos assisenses). O grupo da LÍGIA, LUCAS e CATIANE apresentou sobre o nosso Hospital de Caridade. O grupo da KÁTIA, ELOÁ e JANETE, uma excelente apresentação sobre o lixo produzido em Santiago (com um viés sociológico). ANA PAULA, ADRIANA e BELÂNIA apresentaram sobre o uso de anúncio pela Loja Tamiosso. DILZA, EDGAR e TACIANE mostraram um amplo painel sobre a Querência do Bugio, seus principais pontos turísticos. CRISTIANE e DALVA focalizaram o programa social Banco do Brasil Educar em São Francisco. ELIZIANE, JÚLIO, GISELE e eu apresentaremos amanhã uma crítica sobre o difícil processo industrial santiaguense.

VERSOS PARA UM POEMA MAIOR

o vento dentro
da noite
com suas crinas
molhadas
dispara
pelas coxilhas
sob as estrelas
prateadas
ooo
cavalo solto
se esconde
na escuridão
das quebradas
onde o silêncio
é que pasce
vertentes
de madrugadas

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

POEMA A DUAS MÃOS

Quando tu me amas
Sentidos ganham sons.
Entregue a ti
Despeço-me de mim
Para dançar
A valsa das horas
Em teu corpo...
Nossas almas unidas

Em sombras
Visitam a aleluia celeste
Transluminada de estrelas...
Já não temos sexos
Nem idades
Não conhecemos os dias
Nem as horas,
E o poema surge
A duas mãos
Escrito na carne
Sem nenhuma palavra.

OOO
Desafio aos blogueiros: quem escreveu o poema acima? Uma dica apenas: constitui uma das mais belas promessas na poesia produzida em Santiago. Sem exagero. Veja a beleza e profundidade destes excertos:
ooo
...
devolve na cruz
ao vate
a voz
santa vigília
na noite
da criação
depois do cansaço
eleva teus braços
em rendição
abre tuas palmas
e bebe no
cálice
o orvalho copioso
de tua paixão!

...


lábios que tocaram
o elo de um
pacto sagrado...

ooo
lembrei de
outros tempos
em que via
beleza poética
até nos naufrágios...

ooo
agora, o espanto...
na cólera violenta
das ondas
quando rebentam
nas pedras!

oooo
Poesia tem que ser assim: com metáforas, metáforas e metáforas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

EVENTO ESPECIAL

Santiago se enriquece de cultura. Apenas nos meses de outubro e novembro: Feira do Livro, Inauguração das Rua dos Poetas, Festival da Música Crioula, Santiago Encena, Feira dos Artistas Santiaguenses (no último fim de semana) e lançamento do livro da Lise Fank (hoje).
O evento ocorreu na loja Obino Top, que ficou pequena. Mais do que número, qualidade humana. A Lise era o centro das atenção. Poeta tímida, como a maioria dos poetas, não falou ao público. O importante é que a poesia dela fala, como escreveu o Oracy. Ainda não é meia-noite, no entanto já li todos os seus poemas editados no livro. Destaco dois:
ooo
O vigia
ooo
Na madrugada
da selva de pedras
um Silva
desafiando tempestades.
Na madrugada
da selva de pedras
um silvo
silvando, insone,
salvando sonos
e patrimônios
que não são seus.
ooo
ooo
O Homem-Aranha
000
O homem mente pela primeira vez
e uma segunda que alicerça a primeira
e uma terceira que remenda a segunda
e uma quarta que mascara a terceira
e uma quinta que justifica a quarta
e uma sexta que reforça a quinta
e ainda uma sétima que extrapola a todas.
E assim, de teias em teias,
cai enredado,
confuso e cansado
sobre os sete degraus
dos pecados capitais.
Mas nunca é tarde demais!

OLHOS AVELÃ

a tarde traz
o excedente
de pássaros
ooooooo(da manhã)
ooo
por isso canto
a doçura
dos teus olhos
ooooooooooooavelã

terça-feira, 27 de novembro de 2007

LISE FANK

Hoje sai mais um lançamento do projeto Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são? do curso de Letras da URI. Lise Fank, minha doce amiga, será o centro das atenções às 20:30 horas, na Obino Top, esquina da Rua dos Poetas. O livro 2 fará mais conhecida uma poesia feita com a cabeça e o coração - inteligente e sensível.

ILHA BELLA SHOPPING

(García Lorca escribió)
oooooooooooooA las cinco de la tarde
oooooooooooooeran las cinco en punto de la tarde
e o shopping reunia umas cem almas, para assistirem a um espectáculo inusitado que só uma feira da arte poderia oferecer. Pela primeira vez, um recital dos mais belos sonetos da literatura brasileira. Fundo musical: Sonata em Dó Menor (Patética), Adagio Cantabile, de Beethoven.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A MAIOR PISCINA DO MUNDO




Um amigo me mandou e-mail com essas fotos da maior piscina do mundo, assegurando-me que irá ao Chile como turista. A piscina pertence ao Resort San Alfonso del Mar. Ela está no Guinness: equivalente a 8 campos de futebol, 250.ooo metros cúbicos, 1 km de extensão, 35 metros de profundidade, custou US$ 1,5 bilhão para ser construída e gasta US$ 4 milhões por ano de manutenção. Um lugar desse me faria muito bem. A diária é de...


RETROSPECTIVA E ESPERANÇA

Entra ano e sai ano e uma coisa não muda em nós, humanos: o balanço retrospectivo em dezembro e a recorrência profética em janeiro. Esse comportamento precede a feitura do próprio calendário e sua origem recua para a pré-civilização, quando o homem teve consciência dos ciclos naturais. Sem exigir muito da imaginação, podemos dizer que esse costume pode se associar à prática da agricultura, entre 10 e 12 mil anos atrás. No século XX, depois de uma explosão belicosa (primeira metade), assistimos a uma explosão midiática, tudo adquirindo novos contornos antropocêntricos. O ano não é mais determinado pelo movimento da Terra em torno do Sol, mas por algo abstraído e internalizado de nossas atividades, eufemisticamente chamado de tempo psicológico.

domingo, 25 de novembro de 2007

JARDIM DO CÉU

A Lua cheia sempre foi um motivo para a contemplação dos humanos mais evoluídos em apreender a beleza do Universo, das flores às estrelas. Os poetas são essencialmente contempladores. Seus olhos percebem o objeto diante de si e internalizam a imagem do mesmo. No âmago de seu ser é processada uma apreciação estética que retorna ao objeto pelo olhar. O ato de contemplar ocorre instantaneamente, que se pode descrevê-lo partindo do observador para o objeto e vice-versa. No momento da contemplação, ambos se fundem, o objeto se humaniza e o sujeito se plasma no objeto. O poeta é o sujeito que vivencia a experiência. O fenômeno da criação é sua tentativa de reproduzir lingüisticamente a experiência vivida. Por isso, ele acaba personificando quase tudo o que vê ao redor, como um ousado demiurgo. As pessoas avessas à poesia não vêem a Lua como algo mais que uma lua simplesmente. Demoram a entender uma prosopopéia ou uma metáfora que atribui às coisas, seres e fenômenos da Natureza um sentimento próprio do poeta. Dessa forma, não sabem o quanto é belo o luar, ainda mais quando refletido nos olhos da pessoa amada. Nas noites sem Lua, não vêem as estrelas, incapazes de conceber que estas são flores no jardim do céu.


sábado, 24 de novembro de 2007

PÓS-GRADUAÇÃO, RECITAL, ESTERIÓTIPO...

Um dia cheio. Aulas da disciplina METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR com a mestre Elaine Maria Dias de Oliveira. Lizi, Júlio e eu apresentamos um trabalho sobre o professor e as novas tecnologias. Muito debate. Excelentes observações da professora Elaine. Final de curso, uma corrida para entregar os trabalhos nos prazos.
Às 16:00 horas, vim para o Ilha Bella Shopping, onde fiz um recital de sonetos. Foram 140 versos recitados de memória (performance que chamou a atenção de alguns conhecidos que não sabiam desta minha prova de amor à poesia). O verso RAIA SANGÜÍNEA E FRESCA A MADRUGADA, do soneto As pombas, de Raimundo Correia, era considerado o mais belo da nossa literatura por Manuel Bandeira. Para mim, MAS QUE SEJA INFINITO ENQUANTO DURE, do Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes.
À tarde, saí de branco (calça e camisa). Falaram na sala em "pai de santo". Outro me perguntou na rua se eu era médico ou enfermeiro. A maioria das pessoas seguem um esteriótipo, isto é, idéia ou convicção preconcebida sobre alguém ou algo, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações (segundo Houaiss). Coerente com o nome deste blog, gosto de quebrar esteriótipos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

RECITAL DE SONETOS

Neste sábado, farei um recital dos mais belos sonetos da literatura brasileira. Local: Ilha Bella Shopping. Horário: 16:30 horas. Evento: I Primeira Feira de Artistas Santiaguenses. Durante o curso de Letras na URI, por ocasião da Semana Acadêmica, fiz vários recitais poéticos: Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto); La vida es sueño (Pedro Calderón de la Barca); Ponteiros de palavra (meus poemas); Os mais belos sonetos (diversos poetas). Já recitei noutros lugares: Monsenhor Assis, Lucas Araújo de Oliveira, Manuel Abreu, Eron Ribeiro, Geraldina Bitencourt, Medianeira, Círculo Militar, Centro Cultural, Salão 25 de Agosto, Ruínas de São Miguel (encontro de estudantes dos Colégios Medianeira, 1980), Igreja São Pedro (Sapucaia do Sul, 1981), Churrascaria da Gaúcha Car (Porto Alegre, 1982), Universidade Tuiuti (Curitiba, 1988)... Nas salas de aula, tenho feito da poesia quase um método para ensinar Literatura. Na terça-feira passada, antes de passar as datas de nascimento e morte de Camões, narrando lances da vida do poeta português, recitei estrofes de Os lusíadas (épico) e o soneto Amor é fogo que arde sem se ver (lírico).
O recital de hoje incluirá os seguintes sonetos:
LÍNGUA PORTUGUESA e
VIA LÁCTEA, Olavo Bilac;
AS POMBAS, Raimundo Correia;
VELHO TEMA, Vicente de Carvalho;
OS CISNES, Júlio Salusse;
DUAS ALMAS, Alceu Wamosy;
FORMOSA, Maciel Monteiro;
CÍRCULO VICIOSO, Machado de Assis;
VERSOS ÍNTIMOS, Augusto dos Anjos;
SONETO DA SEPARAÇÃO e
SONETO DA FIDELIDADE, Vinícius de Moraes.

SABIÁ CANTOR

Hoje despertei às 5:15 horas, antes do sabiá cantor de todas as madrugadas. Abri a janela para ouvi-lo cantar às 5:38 horas. Preciso dessa ligação com o natural. O canto do sabiá provoca em minha cabeça uma paz que as idéias, já desde cedo, começam a mandar embora. Com o pensamento mais leve, aliviado do peso das idéias, ouço mais forte o próprio coração.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CRONOS APRISIONADO E AS TRÊS FRUSTRAÇÕES DA HUMANIDADE

Hoje falei para 15 companheiros reunidos numa sala, convidados para ouvir sobre Cronos aprisionado e As três frutrações da humanidade. Com a primeira metáfora, eu quis pontuar o tempo mensurável pelo homem desde o Big Bang ao presente. Um rápido comentário sobre os principais acentecimentos. Para chegar ao Big Bang, por exemplo, foi necessário falar primeiro de uma descoberta feita por Edwin Hubble em 1929: a Expansão do Universo. Cronos era um titã na mitologia grega, pai dos deuses, representante do tempo (por isso cronologia, cronômetro etc.). Com aprisionado quero significar que o tempo é mais ou menos mensurado pelo homem (filho e pai dos deuses), quantificado em sua finitude passada. Mesmo assim, devido a uma interferência antropocêntrica, as noções sobre o tempo são completamente confusas ou distorcidas. O surgimento e evolução da consciência, por exemplo, ocorreu ao longo dos últimos dois milhões de anos. Por uma influência nefasta da tradição judaico-cristã, a consciência humana autodivinizou-se, criou uma imagem poderosa e agora se diz a suprema e apoteótica criação dessa imagem. Até que, em 1543, Nicolau Copérnico provasse matematicamente que a Terra não passava de um planetinha girando em torno de uma estrela. Tal constatação provocou a primeira grande frustração da humanidade. A segunda veio em 1859, com Charles Darwin e sua descoberta. Nenhum obra produzida pelo homem foi tão verdadeira quanto A origem das espécies. Nossa origem é animal, somos animais. Animais racionais. Até que surgisse Sigmund Freud para fazer uma descoberta avassalaradora para a razão: o inconsciente. (Mais tarde, continuo...)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

OUTRO COMENTÁRIO

''Olha o céu, azul, disseste. Olho o céu: está grisalho como um velho encapotado; de azul, mal uma nesga. E só então me dou conta, o azul estava em tua voz: e num milagre, eu, meus olhos e o dia fulguram sol.''

COMENTÁRIO ANÔNIMO

Alguém comenta na postagem que fiz do romance Quando Nietzsche Chorou o seguinte: "As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem, mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física". Esse aforismo é de Nietzsche, segundo o(a) autor(a) do comentário, que pede minha opinião. Se é uma armadilha para me pegar pelas palavras, adianto que leio Nietzsche não por sua misoginia. Com relação a Schopenhauer também. Quanto ao aforismo, penso que está faltando alguma coisa, uma explicação sobre a antipatia, se é mútua, se é a mulher que deve senti-la com relação ao "amigo". Para ser sincero, a frase parece uma daquelas generalizações do tipo "Cristo disse", mas Cristo não disse. Ando com problema de falta de memória, talvez em decorrência das diversas atividades intelectuais que desenvolvo, para lembrar de ter lido isso no filósofo, principalmente em A gaia ciência (onde ele escreve sobre o relacionamento entre os gêneros). Antipatia física é provocada pelo feio, antiestético. A não ser que tal sentimento seja fundamental para impedir que a amizade se transforme num sentimento mais forte, com desejo objetal (ou não inibido em seu objetivo, como definiria Freud). Amizade, pra mim, depende de simpatia, falando holisticamente.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

CAMÕES, BÁRBARA, JÉSSICA...

Hoje dei uma aula de Literatura que, modéstia à parte, cativou a turma do PEIES. Do Trovadorismo ao Renascimento, com um destaque para o Luís, aquele que escreveu o maior poema épico da Língua Portuguesa (que não admito ser grafada com iniciais minúsculas, isso não pode ocorrer com o nome da minha pátria e do Fernando). Recitei a famosa estrofe dOs lusíadas
ooo
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Netuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
ooo
Uma aluna não resiste e comenta que eu deveria ser ator também. Jéssica pede um poema lírico de Camões. Agora sou eu que não resisto e
ooo
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dóis e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
ooo
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder:
ooo
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata a lealdade.
ooo
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
OOO
Bárbara confessa que adora teatro e que vai representar numa peça de Shakespeare. Julieta, claro. Tiago acusa o sumiço do ursinho dele. Letícia e Tayane estão impossíveis. Tamara é tão quietinha, doce menina. Eduardo é inteligente e namorador, conheço-o de outras aulas. Jaíne é encantadora. De certa forma esses adolescentes são assim: inteligentes e encantadores. Saí da sala feliz.

NOVAS PALAVRAS

as palavras secam feito
espinhos
e cravam no poema
já sem carne
onde se desnuda
a semente
pronta para a nova estação
que há de
engendrar
um fruto
doce como nunca fora
as palavras apaixonadas
feito flores

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

UM FENÔMENO COMUM


O BIG BANG É UM FENÔMENO COMUM, OU VOCÊ ACHA QUE EXISTE APENAS ESTE UNIVERSO?

Essa afirmação - que devo registrar como exclusivamente minha - é

absurda ( ) ou científica ( )

AUTO-RETRATO


Pintei esse Auto-retrato com uma camisa amarela em 1985, usando os dedos para espalhar a tinta e os pincéis para o acabamento. Naquele ano, mudara para Curitiba, até então a melhor entre as capitais brasileiras. Logo comprei o material e saía para pintar no fim de semana, encantado com a beleza das praças, das avenidas, dos parques... Como sempre gostei de pessoas, dava as minhas telas. O auto-retrato acima é uma exceção. Sempre ligado aos livros, aos pouco uma outra arte arrebatou minha alma.