segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

DE FRENTE COM GABI

Ontem Gabi entrevistou o pastor Silas Malafaia. Ao prever que o diálogo seria interessante, resolvi assistir ao programa. O papo se iniciou com o que foi publicado na revista Forbes, dando a Malafaia o terceiro lugar dos pastores mais ricos do Brasil. Segundo ele, uma mentira. Provou-a, lendo a relação de bens declarados ao Leão. Os trezentos milhões divulgados pela revista se resumem a quatro. Depois Gabi tocou na moleira do pastor, sua intransigência à homossexualidade. A discussão chegou ao clímax com esse assunto.  A cada contraponto da entrevistadora, Malafaia rebatia com argumentos que aprendeu a elaborar em seus programas televisivos, palestras e livros (via de regra, evitando responder às perguntas apelativas). A Forbes mentiu sobre sua fortuna, mas a Bíblia é categórica (como palavra de Deus revelada) sobre o homossexualismo. No final da entrevista, Gabi insistiu com o ganho do pastor em relação ao rebanho. Malafaia fez a distinção entre prosperidade abençoada por Deus e prosperidade segundo o senso comum, exclusivamente financeira. 
Muita falácia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DUAS QUESTÕES RESOLVIDAS

Nesta tarde, debrucei-me sobre duas questões de História da Filosofia: 
a) identifique as noções fundamentais da mentalidade filosófica; e
b) verifique se essas noções fundamentais da mentalidade filosófica estão contempladas no texto bíblico (Gênesis, capítulo 1). 
Com base em algumas leituras, entre as quais Convite à Filosofia, de Marilena Chauí, e Os pré-socráticos, da coleção Os pensadores, escrevi o que se segue:
a) A mentalidade filosófica começa a se desenvolver no momento em que o homem passa a fazer uso do presente de Prometeu, o fogo dos deuses, o pensamento racional. O mundo até então conhecido por intermédio dos mitos, apresenta novos contornos sob os olhos perscrutadores da razão. Doravante, para defini-lo, toda explicação segue os critérios estabelecidos pelo lógos. A natureza (physis), como objeto de conhecimento, faz escolas com os primeiros pensadores, chamados pré-socráticos. A relação de causas que identifica o processo natural de (auto)criação diferencia-se das justificativas míticas, sobrenaturais. O princípio primordial (arqué) é caracterizado como uma realidade tangível, que existe sem a intervenção divina. Os primeiros filósofos /cientistas veem uma ordenação racional na constituição do Universo, também chamado de Cosmo. Essa visão determina o novo discurso (lógos), que não é definitivo, peremptório, mas suscetível de crítica, de reformulação. 
b) Sobre a origem do Universo, as respostas provisórias a que chegaram os primeiros pensadores tem seu equivalente no mito judaico-cristão, que responde categoricamente pela intervenção de um deus, denominado Jeová. A mentalidade filosófica na Grécia buscava teorizar sobre o mundo como uma sucessão de causas naturais, explicadas pelo discurso racional. No Gênesis, a causa é uma divindade, expressa no primeiro enunciado (versículo). O equivalente da arqué na narrativa bíblica é a vontade de Jeová, sua palavra. Do nada fez-se tudo. O criado é visto como algo bom pelo próprio criador. Semelhante visão se repete entre os pensadores gregos: o cosmo é justo e belo. A harmonia do mundo (que está além dos pequenos males reclamados pelo homem) permite tal apreciação, descrita numa linguagem referencial pela Filosofia e alegórica pelo mito. Razão versus fé. No texto bíblico não há como encontra o lógos e o caráter crítico, duas condições para o pensamento filosófico (e científico).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

IRRESPONSÁVEL

Na condição de indivíduo, o brasileiro é irresponsável. Basta se envolver num acidente, para não assumir sua responsabilidade. Ato contínuo, culpa um terceiro, geralmente uma instituição (a que pertence pelo princípio de universalidade). 
Exemplo:
A ponte sobre o Rosário, na estrada que leva ao Passo da Cruz, esteve a beira de ir água abaixo por muito anos. Algumas vezes, ao chegar lá, o rio fustigava-a com violência. Minhas opções: atravessá-la mesmo assim, esperar duas ou três horas (o rio baixar) ou dar meia volta. Desnecessário dizer que fiz as três coisas em vezes diferentes. Nunca me aconteceu um acidente. Mesma sorte não tiveram outras pessoas, dentre as quais meu avô, que acabou arrastado pela correnteza. 
Desde que me conheço por gente, não foram poucas as reclamações dos usuários da estrada para que o poder público municipal construísse uma nova ponte. Em vésperas de eleição, os candidatos prometiam a obra.
Meu avô se salvou agarrado à sua montaria. Naqueles anos setenta, mesmo que ele morresse afogado, ninguém pensaria em culpabilizar o poder público (que deixara de refazer a ponte). A responsabilidade caberia exclusivamente ao afogado e pronto. 
Hoje isso é impensável. O cidadão (maior de idade) deixou de ser responsável por si mesmo. A impressão é que ele, não tendo noção alguma de que a ponte está prestes a ir água abaixo, inconsciente, decide-se pela travessia.
P.S.: O termo ponte é empregado nos dois sentidos, real e figurado.    

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ÊNIO KINZEL


O homem morre, mas ficam suas palavras, suas ideias, suas realizações, sua fina educação, tudo muito nítido em nossa memória. Graças a esse perfil inapagável, ele transcende a própria existência e, de certa forma, continua vivo. 
Identificava-me com Ênio Kinzel, sobretudo por sua preocupação com o meio ambiente. Numa terra em que se sobressaem os interesses individuais, imediatistas, ele compunha o pequeno grupo de pessoas que pensam pelos outros, pelo futuro. No escritório do Dr. Valdir Pinto, conversávamos longamente sobre os mais diversos assuntos. O único ponto em que discordávamos referia-se à exploração do Aquífero Guarani. Em relação à construção de uma nova barragem para Santiago, ninguém melhor que ele desenvolveu os mais convincentes argumentos. 
Hoje fui ao auditório da Câmara de Vereadores, não para me despedir do amigo, mas para abraçar seus familiares mais próximos. 
O homem morre, mas ficam suas palavras, suas ideias, suas realizações, sua fina educação, tudo muito nítido em nossa memória.
Nosso diálogo continua em aberto...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

TRÁGICO, TRAGÉDIA...



Ante a morte, o homem é um ser inexoravelmente trágico (no sentido que Aristóteles deu a conhecer na Poética sobre os heróis do teatro grego). Essa característica nele se evidencia nos momentos em que age desafiando a morte de uma forma perigosa, a despeito de sua fragilidade (nunca autopercebida). Por mais elevada sua posição, cedo ou tarde, acaba sucumbido pela própria fortuna, pelo próprio destino. Todo o artifício de que se cerca não é suficiente para que tenha inteiro domínio sobre os elementos naturais. Sua relação com o fogo, por exemplo, é desastrada algumas vezes, sobretudo pela ocorrência de uma centelha (em contato com um material explosivo), ou pelo volume que escapa à manipulação. Há quase meio milhão de anos, esse elemento passou a auxiliar na sobrevivência hominídea. Principal energia para a confecção dos alimentos, para a resistência ao frio, para a forja dos metais, para o cultivo da roça, para a vitória nas guerras, para o puro entretenimento, entre outras tantas finalidades. Essas práticas milenares, todavia, quando não controladas cem por cento, resultaram em incêndios devastadores, em grandes sinistros. Outras vezes, o fogo, provando sua origem, ocorre sem a intervenção de seu manipulador humano. Exceto em tais ocorrências, mais raras, as demais são de responsabilidade do homem. Antes do acidente na boate Kiss, em Santa Maria, ninguém pensou que uma única porta era insuficiente (para saída de 1500 pessoas em caso de emergência). Ninguém pensou na inspeção dos extintores. Na impossibilidade de acender um sinalizador contra o teto inflamável. Ninguém pensou, ninguém fez. Antes, e não depois. A tragédia tem uma causa ontológica: o homem. Herói e anti-herói de si mesmo.    

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SE UM EXTRATERRESTRE...

Se um extraterrestre, inimaginavelmente mais inteligente que os humanos, testemunhasse as nossas tragédias, diria o seguinte (por ele próprio traduzido): 
"Vocês têm uma forma perigosa de se divertir, muito próxima da morte. Tal aproximação é tão realista na alegria que precede a tragédia (escapando da visão limitada de que são dotados) e tão poética na tristeza que a segue". 
Os acidentes de trânsito exemplificam seu discurso. (Para que citar o caso mais recente?) Há um prazer, há uma volúpia na velocidade que arrebata todo aquele que dirige um automóvel. Um segundo após, a dor, o luto. 
Lembro-me do naufrágio do Bateau Mouche na Baía de Guanabara, 31 de dezembro de 1988. Festa e tragédia (causa e consequência). 
Se um extraterrestre...

domingo, 27 de janeiro de 2013

TRÁGICO NOS DOIS SENTIDOS

Ante a morte, podemos dizer que o homem é um ser inexoravelmente trágico. Não o é tanto como nos momentos em que, frágil e arrogante, ele a desafia de uma forma perigosa. 
Entre os elementos naturais, o fogo ainda mantém certa dubiedade em relação ao domínio humano. Há quase meio milhão de anos, esse elemento passou a ser responsável pela sobrevivência hominídea. Principal energia na confecção de alimentos, no combate ao frio, na forja de metais, no cultivo da roça... 
Essas práticas, todavia, quando não controladas cem por cento, resultaram em incêndios devastadores, em grandes sinistros. Às vezes, sem a intervenção de seu manipulador, o fogo teve origens naturais, inevitáveis.
As mortes causadas pelo fogo/ fumaça, quais as ocorridas na boate de Santa Maria, apontam para o descuido do homem, para suas irresponsabilidades. Antes dessa tragédia, ninguém pensou que a porta de entrada era estreita, que deveria haver outra opção de saída (em caso de emergência). Ninguém pensou na recarga dos extintores. Na ventilação interna. Na impossibilidade de acender um sinalizador na hora do evento.
Mais necessário que pensar é a ação que se efetiva em seguida.  
Certo está o Corpo de Bombeiros em exigir mais e mais segurança para os prédios em que habitamos, trabalhamos e nos divertimos.
___.o.___   
Entre os jovens que morreram tragicamente na boate Kiss, encontrava-se um primo de minhas sobrinhas Andrieli e Cristina. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

NÃO TENHO RAZÃO?

No segundo dia da Copa Santiago de Futebol Juvenil (12 JAN), publiquei a postagem seguinte:

Por ocasião da Copa Santiago de Futebol Juvenil do ano passado, comentei aqui sobre a decadência da equipe gremista, sempre abaixo do ano anterior. Isso continua sendo válido para a deste ano, a partir do resultado do jogo de ontem (contra o Avaí). O time poderá reagir nas próximas rodadas, com possibilidade de até ganhar a Copa. 
O Inter, em contrapartida, recupera-se das estreias fracas e chega ao título inclusive. Foi assim no ano passado.
Ou o Grêmio anda mal nas categorias de base, ou a sua diretoria não está dando atenção à Copa Santiago.

Tenho ou não tenho razão?
Foi o pior time do Grêmio Sub-17 vindo a Santiago em todas as edições da Copa Santiago. Apenas um dos meninos se revelou bom jogador, Murilo. Alguns deles, a gente pode imaginar, são filhos de papais importantes.
A Grêmio perdeu tudo nessa quarta/ quinta: para a LDU, na Libertadores; para o Canoas, no Gauchão (que precisa vencer este ano); e para o Criciúma, na Copa Santiago. Na Copa São Paulo, o Sub-20 fora goleado pelo Bahia.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

LIÇÃO GRATUITA

O texto é poético porque rompe com a sucessão sintagmática da prosa. É metafórico, associa elementos semânticos (e sonoros). Muito do que é produzido na Terra dos Poetas, embora com temas amiúde desenvolvidos pela poesia, não passa de prosa (cujo trabalho extra do autor é mudar de linha antes do final). 
O texto em prosa, como o artigo de opinião abaixo, orienta-se  sobre o eixo da contiguidade (em que se ordenam os sintagmas). 
Na poesia, cria-se pela própria linguagem. Na prosa, pelas ideias.
Exemplo 1:
percussão

o vento
a soprar
     o fio

             o fio
             a cortar
             o vento

                              tenso
                                  fio

                                            lasso
                                            vento

                                                         asso
                                                           vio

Exemplo 2:
"Os nossos desejos e frustrações ocorrem com a mesma intensidade e revelia - sístole e diástole de um individualismo que beira a enfermidade".

O primeiro exemplo é do meu livro Ponteiros de palavra; o segundo, da postagem abaixo. São inconfundíveis. 
Um e outro devem apresentar a sua credencial de originalidade. Nesse aspecto se identificam. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

SOBRE NOSSA SURDEZ

No verão, não ouvimos o estrídulo desesperado da cigarra macho. Certamente, isso não ocorre porque o espécime homóptero desapareceu ante a soalheira da tarde (sem encontrar sua fêmea), mas porque, para ouvi-lo, não temos mais o sentido suficientemente apurado. Não temos mais - o que nossos antepassados tinham no mais alto grau de desenvolvimento. A mente moderna passa a sofrer de uma perda crescente da sensibilidade, causada pelo barulho que fazemos artificiosamente. Isto mesmo! Nosso dia a dia é movido pelo artifício, o grande paradigma que nos distancia das vozes da natureza. O estrídulo da cigarra é apenas uma dessas vozes, entre milhares de outras (desde a emitida por um simples inseto à música das esferas). A nossa surdez é um fato ainda não percebido em decorrência da insensibilidade da razão, que se faz mais e mais insensível em decorrência do próprio fato gerado por ela. À exceção do relógio que tiquetaqueia em algum lugar da casa e do sino da Matriz (que marca o meio-dia e a hora da Ave-Maria), tudo mais agride pela falta de ritmo. Ouvimos das coisas seus descompassos, seus ruídos determinados pela forma aleatória com que se arranjam no tempo e no espaço. Ouvimos do coração sua arritmia, não o ritmo natural. Por isso, os versos que produzimos são tão ruins, a despeito de reivindicarmos a condição de poetas. Por isso, os nossos desejos e frustrações ocorrem com a mesma intensidade e revelia - sístole e diástole de um individualismo que beira a enfermidade. Não apenas apresentamos problemas de audição, mas também de memória, a ponto de nos esquecermos do outro, ainda que o outro seja, por exemplo, nosso pai idoso num asilo, ou nosso filho bebê num automóvel. A prova dessa verdade consiste em não ouvirmos o estrídulo desesperado da cigarra macho no verão. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

LUGAR FELIZ



Uma coisa que muito gostava em menino era ouvir a conversa entre os adultos. (Obviamente, sem me intrometer, que configurava falta de educação.) Suas conversas, de certa forma, ampliavam meu mundo, ainda restrito ao Rincão dos Machado (nos primeiros anos), ao Bom Retiro, Vila Florida, Linha Nove, Linha Oito, Buriti e Vila Branca (nos anos seguintes). Ernesto Alves, onde residiam meus avôs Camilo Fiorenza e Maria Colpo, parecia-me um lugar muito longe, diferente de tudo o que conhecia até então. Eles falavam em Santiago e Jaguari, cidades localizadas além do horizonte que alcançavam meus olhos nas manhãs claras de abril (ou de outubro). Antes de conhecer essas cidades efetivamente, já sabia por alto como eram pelas conversas entre pais, tios, vizinhos... Não demorou, passaram a falar em Porto Alegre. Algumas pessoas iam para a Capital e vinham nas férias, descrevendo coisas extraordinárias de lá. Apenas aos onze anos conheci Santiago, onde bati com a cara num poste, tomei uma indigestão de sorvete e corri atrás de um avião até quase o aeroporto. Aos dezessete, fui a Porto Alegre. Mais tarde, morei em Santiago e em Porto Alegre. Continuavam a falar em lugares mais distantes, como Curitiba e Rio de Janeiro. Com a mesma atenção de menino, continuei a ouvir, porque esse método dava certo para o alargamento geográfico de meu universo. Hoje ainda ouço alguém contando suas viagens a Ushuaia, Machu Pichu, Paris, Nova Iorque, Viena, Katmandu e fico pensando que talvez não haja tempo para tamanha aventura. Esse pensamento é suficiente para me fazer olhar para o passado (ou para dentro de mim). Lá se encontra o lugar mais feliz da minha vida, para onde sempre retorno: Rincão dos Machado.

domingo, 20 de janeiro de 2013

O PAPA É CULPADO?

"117. O Vaticano, por si só ou sendo usado apenas para sustentar a reivindicação da condição de Estado à Santa Sé, não atende à exigência de uma 'população permanente', o que demandaria, no mínimo,  a existência de uma comunidade estável e reconhecível. O povo do Vaticano não é um 'povo' em qualquer sentido, mas sim apensa um corpo burocrático temporário da Igreja, com dignitários, diplomatas e funcionários visitantes, em um palácio do qual esses 'cidadãos' podem ser expulsos a qualquer momento pelo papa. Em resumo, a Santa Sé não tem uma sociedade humana estável - o único membro 'permanente' do vilarejo do Vaticano é o próprio pontífice - e uma série de televisão recente mostra que ele muitas vezes vai com seu helicóptero até sua residência na Itália, Castel Gandolfo (a cinquenta quilômetros de Roma), para jantar, aproveitando-se dos produtos da fazenda orgânica papal, com tudo preparado pelo seu chef italiano, que se gaba do saber de seus 'cordeiros de Deus'."
(Do livro O papa é culpado?, de Geoffrey Robertson.)
A Santa Sé é como uma organização milenar, sua riqueza não pertence ao papa, apesar dele usufruí-la. Com as igrejas que vicejaram nos últimos cem anos, cujo melhor exemplo é a IURD, a riqueza pertence ao pastor. 

COMBATE LEAL

A postagem abaixo motivou um comentário interessante, de alguém que não se identificou (por isso não o publiquei). Pelo conteúdo, subentende-se de autoria de uma pessoa evangélica. Ela sugere que se substitua a palavra "pastor" pela palavra "papa", talvez pensando em meu possível catolicismo. Uma vez fui católico, na primeira fase de minha vida (idade média pessoal). A evolução por que passei (e passo) me conduz ao ateísmo. O fato de me reconhecer ateu causa certo furor, principalmente aos evangélicos fundamentalistas. Mas o ateísmo, em si, não lhes provoca tanto a ira quanto a dicotomia criada pela Reforma e que resultou em séculos de derramamento de sangue numa Europa cristã. Os católicos, com o apoio de reis, passaram ao fio da espada muitos protestantes. Hoje são os protestantes que contra-atacam com a palavra, condenando as contradições católicas, entre as quais a maior delas, o próprio Vaticano. A disputa da atualidade não é pela fé, graças ao que os ateus foram esquecidos dos discursos incriminatórios e salvos das fogueiras inquisitoriais, mas é pelo dinheiro (facilmente arrecadável pela fé). A Igreja Católica já enriqueceu, agora é a vez de milhares de outras igrejas perseguirem o mesmo caminho. 
No dia 5 de outubro de 2012, postei sobre o livro O papa é culpado?, de Geoffrey Robertson. Ali transcrevi um parágrafo dessa obra acusadora. Para a tranquilidade do meu comentarista, não sou um Paulo de Tarso antes da conversão ao cristianismo (criado por ele). Não combato discursivamente os cristãos (penso que os islâmicos mereceriam muito mais), mas as suas contradições, seus preconceitos, suas hipocrisias.    

sábado, 19 de janeiro de 2013

PASTORES RICOS

Leio num site noticioso que Edir Macedo lidera a lista dos pastores mais ricos do Brasil. Macedo é o criador da Igreja Universal do Reino de Deus. 
Pergunto se esse fato não denuncia uma evidente contradição, com base nas grandes lições dos evangelhos. Cito apenas o que lembro, sem folhear o Novo Testamento: 
Jesus ensina que não é para armazenar tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem...; que ninguém pode servir a dois senhores, Deus versus as riquezas materiais; que para ser perfeito (dirigindo-se ao jovem rico), ele deveria vender os bens que tinha e dar aos pobres, que isso lhe daria um tesouro no céu; que é mais fácil um camelo passar pelo orifício de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.
Todo cristão sabe que Jesus nasceu numa família pobre, optou pela pobreza voluntária. Todo cristão sabe que o grande profeta que antecedeu Jesus, João Batista, era voluntariamente pobre. Todo cristão sabe que os grande ascetas do cristianismo optaram pela pobreza. 
Edir Macedo, subvertendo as escrituras, elabora uma doutrina nos anos setenta que reconcilia riqueza e Deus, a chamada doutrina da prosperidade terrena como prova de.
A riqueza desse pastor é uma agressão aos fiéis que o seguem religiosamente. Um crime contra a ética, contra a moral. 
Muitos outros pastores enriqueceram no Brasil pelo mesmo tipo de exploração de milhões de seguidores. Exploração direta. 

COMENTÁRIOS DIVERSOS

Muito fraco o futebol apresentado pelos meninos nesta edição da Copa Santiago de Futebol Juvenil. Aquém do ano anterior (que já foi fraco). O primeiro tempo de Grêmio e Guarani, ontem, foi sonolento de tão ruim. O número de torcedores no Alceu Carvalho era similar ao nível futebolístico da competição. Fico pensando no esforço dos organizadores, capitaneados por João Miguel Durgante (Maninho), na torcida que fazem pelo sucesso do evento. Os santiaguenses devemos tirar o chapéu para esses desportistas.
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Nunca antes, a Gaúcha esteve tão lotada quanto nessa sexta-feira. Show com Neninto Sarturi e seus quatro instrumentistas: Leonardo Sarturi (violão), Anderson Mireski (violão), Diego Piani (gaita) e Dionathan Farias (contrabaixo). 
Juntando-se aos frequentadores ocasionais, dois formandos do curso de Direito da URI comemoraram suas conquistas acadêmicas na mesma churrascaria. A convite do Nenito, compareceram os dirigentes da delegação de futebol do Internacional. Fizeram-me companhia à mesa: Erilaine, Maria, Cláudio, Vanderleia, Ana Cláudia, João Vítor, Cristina, Luciano e Luís Felipe. 
Cláudio Fiorenza de Oliveira, meu irmão que serve em Brasília, foi indicado agora para compor uma equipe brasileira junto à ONU, responsável pela missão de paz no Haiti.
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A vizinha do apartamento de baixo atravessou a noite proseando com três ou quatro visitantes. Às seis horas, ainda batiam trela animadamente. Os demais moradores do edifício Dom Manuel foram obrigados a levantar mais cedo neste sábado. Quase impossível evitar os incômodos de uma vida suspensa nestas gaiolas de alvenaria. Não bastasse o barulho, hoje me levaram o Zero Hora (deixado sob a porta de entrada do edifício).
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Todo sofrimento de que nos queixamos (em razão de um excesso de sensibilidade) não é nada se comparado com o da família do delegado José Soares de Bastos, cuja filha de onze meses faleceu em decorrência de desidratação, esquecida dentro do automóvel em Santa Rosa. O choque emocional desse rapaz é qualquer coisa que não vivenciamos ainda. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

UMA POMBA APENAS

Por volta das 23 horas de ontem, encontrava-me navegando em mares hipertextuais, quando uma pomba, em pleno voo, chocou-se contra a metade fechada de minha janela. Incontinenti, estendi o braço e apanhei a pequena ave. Bastante atordoada, parecia inteira um coração batendo trezentas vezes por minuto. Nesse estado, ela não conseguia voar mais que curtos espaços dentro do quarto, o que me impediu de soltá-la do alto do terceiro andar. Provavelmente, cairia sobre o telhado do restaurante ao lado, onde há gatos caçadores, prontos para transformar a doce pomba num delicioso repasto. Antes de me deitar, levei minha visitante improvável para a área de serviço, dentro de uma caixa de papel, deixando a janela aberta. A liberdade é um valor inerente à vida. Não gosto de ver animais preso em gaiola, invenção que deveria limitar-se aos próprios inventores, os homens. Na manhã de hoje, a primeira coisa que fiz ao me levantar foi ir ao aposento da pomba. Ela estava recuperada, alçou voo e saiu pela janela para sempre. A impressão é que minha manhã começou mais azul.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ASSALTO EM SANTIAGO


Ontem, entre 18 e 19 horas, houve um assalto em Santiago. Dois indivíduos armados com revólveres, meia na cabeça, invadiram a "loja" (onde o dinheiro estava sendo contabilizado) e renderam proprietário e vendedores. Segundo o relato de um vendedor (que se esgueirou do local), os assaltantes fugiram num carro vermelho, acompanhados por uma motocicleta. Não foi dado parte à polícia por um motivo que prefiro deixar implícito.
Mais uma vez, os blogs de plantão nada publicam.
Sobre o assalto, já desenvolvi uma tese: 
O "negócio" rende muito no Rio Grande do Sul, sendo motivo até de uma ampla reportagem no Zero Hora, crescendo os olhos dos cariocas, monopolizadores desse mercado sui generis. Quadrilhas especializadas virão ao Estado (ou serão aqui contratadas) para praticar esse tipo de assalto, forçando os donos de loja (ainda iniciantes) a cederem seus "estabelecimentos" a empresários mais experientes. O truste impondo sua estratégia de expansão, noutras palavras.      

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ALTURAS


"QUANTO MAIS NOS ELEVAMOS, MENORES PARECEMOS AOS OLHOS DAQUELES QUE NÃO SABEM VOAR"
F. NIETZSCHE

PEQUENO SOBREVOO

"Se eu fosse a Natureza", disse Anatole France, "não faria o homem e a mulher à semelhança dos grandes macacos, mas à semelhança dos insetos que depois de um período de lagarta viram borboletas e na última parte da vida só pensam em amor e beleza. Eu poria a mocidade no fim da existência humana... Arranjaria que o homem e a mulher, desdobrando rutilantes asas, vivessem por um tempo no orvalho e no desejo, e morressem num beijo de êxtase."
(Transcrito do livro Obras filosóficas, de Will Durant, filósofo e historiador norte-americano.)

A inversão expressa pelo grande escritor se não ocorre no plano físico, serve de metáfora para o que se passa com a alma (psique) não atingida por uma das mil e uma enfermidades. As ideias se tornam mais claras depois dos cinquenta anos de idade, possuidoras de "rutilantes asas". Limitados pelos corpo, cheio de dores, tornamo-nos cada vez mais sábios. Não tão somente pela experiência de vida (as viagens, concordando com o Ruy Gessinger, constituem experiências interessantes, autoevolutivas), mas pelas leituras mais seletivas que fazemos.
Cito mais uma vez meu amigo Ruy, transcrevendo sua última postagem:

Leio, meio enfarado, a repetida notícia, de que  trocentos milhares rodaram no exame da  OAB.
Bocejo, enquanto ouço vagidos e gritos contra os professores, contra a OAB, contra as faculdades.
Nada disso me surpreende:
a) não é possível cursar, com PROVEITO,  uma faculdade trabalhando o dia inteiro e estudando de noite. Triste, mas real. Não dá para assoviar e mascar chiclé ao mesmo tempo.
b) não é possível o estudante não ter sua própria biblioteca; só anotações de aula - piada!
c) se você veio de um colégio em que só festas eram importantes,  fica difícil sua situação;
d) não há lugar para todos no mundo jurídico. entendeu? Muitos querem, faculdades há até em Quixaremobim. Mas tu: estudas? lês? 
Amigo:  na vida no andar  de cima não há lugar para quem dorme demais ou acorda tarde ou culpa os outros.
Ou não?

Chamo a atenção dos leitores deste blog para a sapiência do Ruy. Em poucas palavras, num pequeno sobrevoo, manifesta um argumento verdadeiro e belo. Há beleza na verdade - apenas percebida de uma certa altura. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

QUEDA

a flor
se despe
tal

o
vento

só 
sobra
o
ta
lo
morto

espinho
de fera

(que)
espe
tala
restos
do tom
       b
       o

ab
  so
    luto