domingo, 18 de dezembro de 2011

O QUE É CULTURA?

Cultura se contrapõe à natureza. Tudo que é natural não é cultural. Colher um fruto silvestre para comer é natural, o homem o fez ao longo de todo o paliolítico (aproximadamente 2,5 milhões de anos). Plantar uma árvore para colher seus frutos é cultural. A propósito, este é o primeiro significado para o termo "cultura": ação, processo ou efeito de cultivar a terra. Analogamente, matar um animal selvagem para se alimentar é natural, o homem o fez ao longo de seu regime carnívoro. Criar animais em cativeiro, não apenas para o abate, por sua vez, é cultural.
Câmera 2. 
Elaborar normas para melhor controlar os homens em sociedade é cultural. A liberdade, em contrapartida, não o é. Embora carecesse de valor a princípio, como afirma Freud em El malestar en la cultura, a liberdade precede toda cultura. 

CULTURA

O Júlio Prates já definiu o que seja cultura em seu blog (preocupado com os conceitos reducionistas que vigora(va)m de uma forma equivocada em Santiago). Ao ler O malestar de la cultura (O mal-estar da civilização), de Freud, destaco o seguinte: "la palabra 'cultura' designa toda la suma  de operaciones y normas que distancian nuestra vida de la de nuestros antepasados animales". Eis o sentido mais generalizado que Freud atribui à cultura. Mais adiante, "ningún otro rasgo creemos distinguir mejor la cultura que en la estima y el cuidado dispensados a las actividades psíquicas superiores, las tareas intelectuales, científicas y artísticas, el papel rector atribuido a las ideas en la vida de los hombres". Eis o sentido mais específico dado pelo grande pensador ao mesmo termo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

COMENTÁRIOS DIVERSOS

I - Ontem fui à inauguração do Auditório Caio Fernando Abreu, mandado construir pela Câmara de Vereadores de Santiago, reaproveitando o prédio antigo que havia ao lado. A obra justifica a evolução cultural experimentada por Santiago nas últimas décadas e encaixa-se perfeitamente no programa "Cidade Educadora". 
II - Entre os idealizadores desse auditório, realça-se o nome de Nelson Abreu. Entre os executores da obra, o de Miguel Bianchini.
II - Ao visitar nossa blogosfera há pouco, percebo o quanto ela se deixa eivar pelo anonimato, em comentários maledicentes (postado pelo blogueiro, que passa a ser responsável dessa forma).
IV - Percebo que a falta de ética se evidencia em véspera de eleições municipais, (in)justamente para detonar possíveis pré-candidatos. 
V - A sobra de vagas nas quadras centrais é um fenômeno não surpreendente (para mim) nesta primeira semana de estacionamento pago. Anteriormente, era muito difícil estacionar nesta quadra da Pinheiro Machado (entre a Getúlio Vargas e a Benjamin Constante). Por que a mudança brusca? 
VI - Para responder a pergunta acima, sugiro duas resposta por enquanto: 1) os usuários de automóveis são avarentos, para desembolsar até R$ 2,40; 2) os usuários de automóveis são pobres, não podendo somar mais essa despesa às demais contas para manter o bem passivo. Ambas pressupõem uma contradição: avarentos e pobres não poderiam ter automóveis. Mas quem se importa em ser contraditório?
VII - Entre o pão-durismo e a demonstração de riqueza, o avarento se inclina para a segunda opção (com um pouco de sofrimento). Entre aparentar que tem "café no bule" para adquirir um automóvel e andar a pé (reconhecendo que não tem condições), o pobre escolhe a primeira opção. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

UM MOTIVO


A semana passada, decidi voltar à pintura outra vez. Estou com uma tela em branco, sem saber por onde começar. Infelizmente, nossa cidade não oferece um motivo natural que chame a atenção do pintor. Assim que comprar novas tintas, me voy al campo. Um motivo interessante para pintar me ocorreu nesta manhã: o azul. Velho tema que se renova aos olhos de quem o contempla.  

QUE CÉU!

Vocês já pararam com o que estavam fazendo hoje para olhar o céu? O eixo da Terra não se deslocou (que saibamos), para que ocorresse uma manhã de outubro em pleno dezembro. 

ROTATIVO

Neste momento, faltando 15 minutos para as 10 horas, em plena manhã de quinta-feira, há tão somente cinco automóveis estacionados na quadra da Pinheiro Machado, entre a Getúlio Vargas e a Benjamin Constant. Apenas cinco automóveis. Não era essa a configuração da rua antes do estacionamento pago. Vejam o que faz 0,60 centavos! 
Agora, às 11h e 15 min, o número de automóvel estacionado na quadra acima delimitada caiu para 2.
Às 13 horas, apenas um automóvel se encontra estacionado na quadra. 

PALMA(DÁ)

A Lei da Palmada não é retroativa. Caso contrário, nossos pais seriam condenados. Nós, filhos educados a palmadas, não imaginávamos àquela época que eles (nossos pais) estariam errados. Os filhos das novas gerações, todavia, hão de incriminar seus pais pela omissão (ou pelo excesso de tolerância). 

domingo, 11 de dezembro de 2011

EU = ICEBERG


O eu autoconsciente (que tantas certezas traz ao indivíduo que o professa) pode ser comparado à parte emersa de um iceberg. Tudo mais é inconsciente, como as pulsões. 

QUAL É?

Um jovem foi morto a tiro nessa madrugada, em frente ao Clube União, 
e nenhum blog noticioso de Santiago divulgou o fato (à exceção do 5º Regimento Santiago-RS).

ANTROPOMORFISMO


Toda vez que ouço um bem-te-vi cantar (pousado numa antena além desta janela), penso em Xenófanes, o primeiro pensador a combater o antropomorfismo. Para ser mais claro, abro o Houaiss e transcrevo a significação para o vocábulo: antropomorfismo s.m. 1 FIL REL forma de pensamento comum a diversas crenças religiosas que atribui a deuses, a Deus ou a seres sobrenaturais comportamentos e pensamentos característicos do ser humano 2 FIL visão de mundo ou doutrina filosófica que, buscando a compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais
O nome científico do bem-te-vi é Pitangus sulphuratus, que provém de pitanga guassu, em guarani. Sulphuratus diz respeito à cor amarela, como o enxofre. Há uma clara manifestação antropomórfica no nome desse pássaro, que reflete o que disse outro filósofo grego, Protágoras, que o homem é a medida de todas as coisas. Sugiro que prestem atenção ao canto do bem-te-vi. Se pudéssemos transcrever foneticamente o som por ele emitido, certamente não seria do fonema "b", seguido de um "e" nasalizado. Aproxima-se, mais claramente, de um "k", seguido de "u" e "i". 


A propósito, Fátima Friedriczewski postou (em seu Jardim de Zymm) sobre uma nuvem estranha com o formato de um disco voador. Obviamente, minha amiga não insinuou que a nuvem pudesse não ser uma nuvem, mas um OVNI. Fez uma comparação, apelando para o imaginário (que constitui um diferencial no poeta). 
Neste caso, o antropomorfismo se manifesta em relação a uma ideia que o senso comum (condicionado pelos ufólogos) faz de um disco voador. O estranhamento é perfeitamente compreensível, está na raiz de toda forma de medo, de assombro. 
O conhecimento, como desmistificador da realidade, chega a se aproximar da poesia. A Nura fotografou uma NUVEM LENTICULAR. Basta buscar por "nuvem lenticular" no Google imagem e se divertir com uma "invasão extraterrestre".

sábado, 10 de dezembro de 2011

O ASFALTO CHEGANDO

O ruído da máquina lá fora é uma canção para meus ouvidos. Meia tarde deste sábado (azul com nuvensinhas brancas), o asfalto está chegando à Pinheiro Machado. Imagino um pintor deslizando seu pincel molhado em tinta escura sobre os paralelepípedos que eram marca da nossa cidade. No futuro, essas pedras serão motivos de estudo arqueológico (ou poético). 
A máquina continua seu serviço, ruidosa, suja e feia, mas vista e ouvida com certa alegria.

EL MALESTAR EN LA CULTURA


Desde que li Totem e Tabu em 1982 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nunca deixei de retornar a Freud, seguramente o pensador que mais expressou verdades acerca da psique humana. Há pouco, terminei seu extraordinário ensaio El porvenir de una ilusión e, ato contínuo, passo a El malestar en la cultura. Tenho o costume de iluminar os trechos que me chamam a atenção durante a leitura (isso me serve de guia para um novo contato futuro). Pois bem, as páginas do primeiro livro acima restaram quase todas em amarelo. 
El polvenir de una ilusión me levou a retomar A essência do Cristianismo de Ludwig Feuerbach. Muito interessante a ligação entre eles. Em ambos, cultura significando (preponderantemente) as doutrinas religiosas. 

MESQUINHEZ E HIPOCRISIA

A mesquinhez é prima-irmã da hipocrisia, e ambas, mais que meras palavras, tipificam o caráter de pessoas muito conhecidas na sociedade santiaguense. Por motivos óbvios, deixo de citar o nome de algumas delas (como exemplo a não ser seguido por quem almeja certo relevo social). O mesquinho, via de regra, pertence a uma entidade ou grupo com fins filantrópicos. O hipócrita, via de regra, pertence a uma organização religiosa. A proximidade entre os (pseudo)espiritualistas e a philantropia é inegável, cujo propósito sub-reptício consiste em disfarçar ou redimir os sentimentos contrários. Para empregar a linguagem das fábulas, há lobos vestidos com pele de cordeiro mais do que pode perceber os olhos ingênuos dos cordeiros. A motivação para escrever sobre esse tema me ocorreu na segunda-feira, quando soube, por intermédio de uma costureira, que sua cliente não a ressarciu pelos serviços. Num evento em que participei há poucos dias, essa pessoa velhaca discursava em defesa da afetividade e da educação tão necessárias aos mais humildes. À exceção de mim, seu discurso comoveu a todos os presentes. Aliás, o discurso constitui a essência do parecer, pele de cordeiro sobre o coração de lobo. A palavra persuade por seu poder de expressão em si mesmo, não pela realidade do que é representado. Por isso, o político consegue arrancar aplausos de seus correligionários; o pastor, a embasbacar seu rebanho; o professor, a “educar” seus alunos; o advogado, a convencer os jurados; ad nauseam. Com base nessa sobre-exaltação discursiva, pergunto se, no final do processo, há justiça, há educação, há religiosidade, há coerência. Mas tal questionamento foge ao tema acima exposto. A mesquinhez e a hipocrisia são, repito, duas componentes do caráter de gente grã-fina da nossa sociedade.
(Texto publicado na coluna do Expresso Ilustrado dessa sexta-feira.)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

FACEBOOCK (UMBIGUISMO E IDIOTIA)

Por insistência de pessoas amigas, abri uma conta no Faceboock. Apesar de atender a seus pedidos de adição, não tenho interagido com elas. Para mim, essa rede social não passa de um Orkut mais selecionado. Ambos são a consagração do umbiguismo no âmbito eletrônico (ao contrário do que pode parecer), barreira a impedir a evolução para o que há de melhor no hipertexto.
Hoje leio nos sites noticiosos:
"Morte de Bin Laden é o tema mais comentado no Faceboock em 2011".
Isso prova a idiotia no Faceboock.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ESTACIONAMENTO GRÁTIS

Uma das consequências do estacionamento pago nas quadras centrais será a maior demanda por vagas nas quadras contíguas (em que não haverá parquímetro). Por exemplo, rua Benjamin Constant, General Canabarro, Bento Gonçalves, Marechal Deodoro, entre outras.  

ESTACIONAMENTO PAGO


Da janela deste apartamento, vejo um dos 11 parquímetros instalados no centro de Santiago - em frente ao Círculo Operário. Nesse clube, o maior movimento acontece no fim de semana, quando a cidade diminui seu ritmo (principalmente no trânsito). A partir de segunda-feira, 12, os associados que vão ao clube jogar bochas ou cartas deverão pagar pelo estacionamento de seus carros. Eles já sabem o que acontece se o tempo ultrapassar as duas horas? Multa automática? Eles podem mudar o carro de lugar e pagar por mais duas horas? Em caso de ser multado, o proprietário poderá recorrer. O dinheiro da multa vai para que cofre? Da empresa Rek Parking? A questão mais série e mais hilária (ao mesmo tempo), já apontada acima, consiste na obrigatoriedade de pagar pelo estacionamento num centro quase vazio nos sábados e domingos. 
No âmbito desta blogosfera é possível identificar aqueles que foram a favor do estacionamento rotativo, pago por minuto. Tais não poderão voltar atrás sem o reconhecimento de que estavam errados. Fora do âmbito blogueiro, todavia,  muita gente que defende a cobrança irá voltar atrás com a maior cara de pau. 
Essa empresa com um bonito nome em inglês, "Rek Parking", não lucrará muita coisa. Seu faturamento tenderá a cair com a crescente conscientização de "cidade educadora".   

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

FIM DAS LICENCIATURAS NA URI

Ao ler a lista dos aprovados no vestibular da URI, percebo a falta dos cursos que foram (ab origine) os pilares que justificavam o ensino superior em Santiago: Letras, Matemática, História, Pedagogia... Qual é a causa do desprestígio das licenciaturas?  

sábado, 3 de dezembro de 2011

CONTRA BIBLIOTECA ON-LINE

"Mais um capítulo na conturbada história da digitalização de bibliotecas e acervos literários. Desta vez, grupos de  autores dos EUA, Austrália e Canadá estão processando instituições como a Universidade de Michigan (EUA) com o intuito de brecar a constituição de um acervo digital. Composta por 7 milhões de obras, a biblioteca de Michigan é acusada de escanear livros sem autorização. Os autores acusam a universidade de possuir um repositório chamado HathiTrust, ondo os universitários podem baixar livros que não foram impressos ou cujos autores não foram  localizados. A ação judicial visa recolher as cópias digitais e cobrar por outros danos."
(Publicado na revista LÍNGUA portuguesa, Ano 7, Nº 73, Novembro de 2011, www.revistalingua.com.br)

CAIO ABREU (+ 1 X)



A mais recente edição da revista LÍNGUA portuguesa faz uma referência a Caio Abreu em sua última página (conforme ilustração acima). Caso te interessar, caro visitante, dá um clique sobre a imagem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Indicado por meus superiores, fiz o curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos no Portal Educação. Depois de um mês de acessos, tomando nota, lendo e relendo os cinco módulos, realizei a prova final nesta tarde. 
O curso, por sua denominação, parecia-me um tanto enfadonho. Ao ler o Histórico da produção de resíduos, todavia, passei a me interessar pelo assunto. 
Na conceituação de resíduos sólidos, lê-se: "Qualquer material gerado por alguma atividade humana e que não apresente utilidade imediata ao seu gerador é constantemente qualificado como lixo. O próprio significado da palavra lixo remete a algo totalmente  imprestável e que deve ser descartado, afastado, destruído. Porém, essa designação não parece muito adequada. A maior parte do que se costuma chamar de lixo apresenta, sim, algum tipo de utilidade, seja imediata ou após algum processo de transformação. Sendo assim, tem-se adotado o termo resíduos sólidos para designar materiais que, se não podem mais ser utilizados para o seu objetivo original, poderão tornar-se úteis para outros fins após algum tipo de modificação".
(Mais tarde, volto com alguns dados interessantes. )