sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

DIADÓDIO


hamas
odeia


NO TEMPO DO REI JOSIAS

Assunto puxa assunto. Faço outra postagem para transcrever o que li em A Bíblia não tinha razão, de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, respectivamente, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e diretor de interpretação histórica do Centro Ename de Arqueologia da Bélgica.

"A saga histórica contida na Bíblia - do encontro de Abraão com Deus e sua jornada para Canaã à libertação da escravidão dos filhos de Israel por Moisés, à ascensão e queda dos reinos de Israel e Judá - não foi uma revelação miraculosa, mas um inteligente produto da imaginação humana; sua concepção teve início - como os recentes achados arqueológicos sugerem - durante o breve espaço de tempo de duas ou três gerações, há cerca de 2.600 anos. O local de nascimento foi o reino de Judá, região pouco povoada por pastores e fazendeiros, assentada de forma precária no meio de uma terra mantanhosa, sobre estreito espinhaço, entre ravinas escarpadas e rochosas e governada por uma cidade real afastada.
"Durante poucas décadas notáveis de efervescência espiritual e agitação política, perto do final do século VII a. C., uma improvável coalizão de oficiais da corte de Judá - escribas, sacerdotes, camponeses e profetas - se formou para criar um movimento. No seu âmago estava uma escritura sagrada de incomparável gênio literário e espiritual: era uma saga épica, composta por uma surpreendente coleção de escritos históricos, memórias e lendas, contos folclóricos e historietas, propaganda real, profecia e poesia antiga. Uma parte dela era composição original e outra, uma adaptação de fontes e versões antigas, mas aquela obra-prima literária passaria por nova edição e elaboração, a fim de tornar-se uma âncora espiritual não apenas para os descendentes do povo de Judá, mas para comunidades do mundo inteiro."

O dilúvio, por exemplo, foi uma cópia do Livro de Gilgamesh, modificado em seus elementos narrativos (lugar, tempo, personagens...) para servir aos propósitos conhecidos de todos.

DIA DE ÓDIO

Israel ataca 40 alvos em Gaza e fecha Cisjordânia por 48 horas
Israel anunciou nesta sexta-feira ter atacado 40 alvos da faixa de Gaza durante a madrugada e decidido fechar as fronteiras da Cisjordânia por 48 horas. Hoje, a ofensiva do Estado contra o grupo radical islâmico Hamas, que domina Gaza, entra em seu 21º dia. Entre os palestinos, 1.100 foram mortos e mais de 4.000, feridos. Entre israelenses, houve 13 mortes.
Com a intensificação dos ataques por parte do Estado hebreu iniciada nesta quinta-feira (15), tanto o Hamas quanto seu rival, o secular Fatah, do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, convocaram os palestinos a fazerem manifestações anti-Israel, em um "dia de ódio".
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Imagino dar aos palestinos o mesmo poder bélico dos judeus! Neste dia de ódio, tampouco Jerusalém escaparia da completa destruição.
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RELIGIÃO E POLÍTICA

"RELIGIÃO E POLÍTICA NO ORIENTE MÉDIO: uma leitura à luz da obra de Rousseau
Por Thomaz Kawauche (doutorando em Filosofia pela USP)
Conflito entre judeus e palestinos se baseia na mistura entre o indivíduo político e o indivíduo religioso e na crença que cada um dos grupos possui a verdade revelada.
A disputa pelos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, bem como da parte leste da cidade de Jerusalém, é uma questão política ou religiosa? Em outros termos: os argumentos teológicos dos discursos das partes beligerantes são apenas fonte de motivação e legitimidade para as ações militares, ou eles expressam uma dimensão maior da vida humana que abarcaria, entre outras coisas, a Ética e a Política?
No primeiro caso, a Religião estaria subordinada à Política, de tal maneira que os líderes espirituais, tanto dos judeus quanto dos árabes, estariam simplesmente utilizando o discurso religioso como um instrumento ideológico para mobilização de seus exércitos; teríamos então que nos indagar acerca da legitimidade dessa manipulação. No segundo caso, a Política estaria subordinada à Religião, e, dessa forma, é a própria idéia de Política que seria posta em xeque: o problema do convívio entre os homens seria resolvido, não em termos de acordos estabelecidos pelos próprios homens, mas mediante o conhecimento de uma vontade divina, o que colocaria a arte do governo na dependência de uma revelação sobrenatural.
"O conflito entre judeus e palestinos ocorre, principalmente, pela posse e direito de soberania sobre Jerusalém, e os territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, onde fica o muro das lamentações, principal santuário judeu e também onde os palestinos querem estabelecer a capital de um futuro estado independente."
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Assim começa uma matéria da revista Filosofia, www.portalcienciaevida.com.br (ainda nas bancas). Transcrevo alguns excertos da matéria que julgo mais relevantes.
"Política e Religião mesclam-se de modo tão intenso que a fronteira entre os domínios de uma e de outra se mostra extremamente difusa, e não nos parece adequado tentar estabelecer qualquer distinção em termos tão rígidos."
"Da mesma forma, não poderíamos simplesmente rotular os seguidores dessas tradições como povos 'primitivos' ou 'atrasados' por seus costumes religiosos, em oposição aos povos 'modernos' do mundo ocidental. Isso implicaria na aceitação da tese de que existe um progresso da cultura à medida que a moral se dessacraliza, o que, de modo algum é consenso entre os estudiosos do fenômeno religioso."
"Por meio dessa primeira reflexão sobre a questão israelo-palestina é possível introduzir um filósofo que, entre outras coisas, dedicou muito tempo de sua vida a analisar o vínculo entre Religião e Política: Jean-Jacques Rousseau."
"Assim como diversos outros filósofos do século XVIII, Rousseau também criticava os efeitos negativos da Religião na sociedade, sobretudo o fanatismo e a intolerância."
Em Profissão de fé, Rousseau mostra "por meio da idéia de religião natural, as condições de tolerância entre os homens, tendo-se em vista que as religiões históricas (cristianismo, judaísmo, islamismo) são intolerantes por princípio".
"A religião natural é uma religião simples, constituída de poucos dogmas fundamentais: a existência de um deus inteligente, dotado de vontade e poder, que move o universo e ordena todas as coisas; a existência da alma imaterial que sobrevive à morte do corpo; a liberdade do homem, que pode ser utilizada tanto para o bem quanto para o mal. Contudo (e isso que importa notar), esses dogmas são estabelecidos, não como revelações ou doutrinas eclesiásticas, mas como verdades aceitáveis pela razão e pela consciência, ou seja, verdades não segundo um código religioso, mas segundo a natureza e, portanto, acessíveis a todos os homens sem necessidade de intermediários humanos."
"Para Rousseau, o problema das revelações é a falta de universalidade na comunicação entre o céu e a terra: pelo fato de Deus dar a poucos homens o privilégio de conhecerem sua vontade diretamente de sua boca, todos os demais ficam na dependência desses porta-vozes da divindade para se poderem conduzir de acordo com os preceitos do Ser supremo. Contudo, existem diversas religiões no mundo, cada uma delas com doutrinas próprias estabelecidas sob a alegação de expressarem a verdade revelada por Deus. E o detalhe é que essas doutrinas não apenas apresentam diferenças de uma religião para outra, como também quase sempre se contradizem mutuamente."
"E é exatamente nesse ponto que se encontra o problema: se a verdade é revelada por Deus a todos os homens, então ela deeria ser a mesma em todas as religiões. E ainda que a forma de expressão dessa verdade variasse, o conteúdo dos dogmas deveria ser o mesmo, de tal maneira que, a despeito das diferenças culturais, os pontos fundamentais da diversas religiões fossem compatíveis entre si, e não conflitantes."
"A diversidade das revelações é, pois, a prova cabal de que os homens não comunicam fielmente a suposta revelação original."
"Com relação à questão do fanatismo e da intolerância, Rousseau mostra que não pode haver conciliação enquanto cada um dos partidos defender sua própria 'verdade' e acusar o partido contrário de 'mentira' e 'erro'; mostra também que o indivíduo religioso e o indivíduo político se confundem, e não é possível buscar um acordo de paz sem considerar o forte vínculo que amarra a Religião e a Política, haja vista a impossibilidade de se distinguir, na ideia mesma de 'verdade', o que vem da suposta revelação divina daquilo que os próprios homens acrescentaram segundo suas opiniões e seus preconceitos."
"Rousseau era, em muitos aspectos, pessimista quanto à salvação do gênero humano... O máximo a se fazer em termos de Política consiste em retardar o fim inevitável, uma vez que a História, para ele, é sempre a história da decadência e da corrupção das instituições. [...] Não há como escapar dos efeitos nocivos da intolerância enquanto não houver o reconhecimento de que, mesmo em meio às verdades supostamente reveladas pela divindade, existem opiniões humanas misturadas, de tal modo que a política, indissociável da Religião tanto para israelenses como para palestinos, continuará a padecer dos males decorrentes dessa absurda convicção de que só os outros podem se enganar."

HÍFEN - QUARTA LIÇÃO

Consoantes iguais, no final do prefixo e no início do segundo elemento, hífen para separá-las:
HIPER-REQUINTADO, INTER-RACIAL,
SUB-BASE, SUPER-RESISTENTE...
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Nos demais casos, com consoantes diferentes, não se usa o hífen: hipermercado, superinteressante, superproteção...
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Nada mudou com a reforma, o que reforça a regra preexistente. Sem o hífen, o prefixo perderia sua última consoante (fonema), como em subase, ou a emprestaria para a formação do dígrafo rr, como em interracial, o qual se separaria na translineação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A CULTURA DA BANALIDADE



No Brasil, os brasileiros querem saber se Leo beijou Milena na primeira festa do BBB9. No Estados Unidos, os estadunidenses estão ansiosos para saber qual o vestido que a primeira-dama, Michelle Obama, usará na posse do marido. Enquanto isso, Israel desfere o maior ataque aos palestinos.

PREFIXO CO-

Antes do Acordo Ortográfico, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa editava o seguinte:
co- pref. do lat., prep. cum 'com' - numa de suas formas co-, com-, con-, col. -, em eruditismos do s XVI em diante, tanto a regra bras. quantoa port. recomendam que, com relação a co-, seja escrito com hífen, se a palavra seguinte tiver existência autônoma e o sentido de co- for de 'a par de' (regra que, diga-se criticamente, cria muito embaraço, frequentemente, ao usuário): englobando todas as f. anteriormente referidas deste pref., o V. O. (vocabulário ortográfico) registra cerca de 7 mil palavras assim prefixadas.

HÍFEN - TERCEIRA LIÇÃO

Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal:
ANTI-IMPERIALISTA, ANTI-INFLACIONÁRIO,
ANTI-INFLAMATÓRIO, AUTO-OBSERVAÇÃO,
AUTO-ÔNIBUS, AUTO-OSCILAÇÃO, CONTRA-ALMIRANTE,
MICRO-ONDAS, MICRO-ÔNIBUS, MICRO-ORGANISMO,
SEMI-INTEGRAL...
Explicação: Penso que é para evitar uma futura crase (fusão das duas letras iguais), mantendo por inteiro o significado prefixal.
A exceção fica por conta do prefixo co, que geralmente aglutina-se ao segundo elemento: cooperar, coordenar, cooptar...
Ainda não há explicação para isso, polêmica tão somente.
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Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.
Exemplo:
..........O diclofenaco é o mais comum dos anti-
..........-inflamatórios.

INCOERÊNCIA POLÍTICA

Ontem me indignei, assistindo aos jornais televisivos (que mostravam a concessão de refúgio político a um terrorista italiano). Ato contínuo, pensei nos dois atletas cubanos deportados pelo governo brasileiro.
Para me proteger da ira de certos leitores deste blog, defensores das incoerências políticas emanadas do Planalto, resolvi transcrever a matéria publicada hoje no Correio do Povo. Penso que esse jornal não pode ser acusado de um viés "capcioso". Tampouco o nosso Senado.
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2009

Senado cobra ‘coerência’ do ministro da Justiça
Decisão de dar abrigo a italiano é confrontada com deportação de cubanos

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (Dem-PI), defendeu ontem a convocação do ministro da Justiça, Tarso Genro, para explicar por que concedeu refúgio político ao italiano Cesare Battisti, contrariando parecer do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). O senador argumenta que a presença de Tarso também é necessária para que o ministro explique por que beneficiou um condenado na Itália e permitiu a deportação dos pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, que desertaram da delegação cubana durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio. 'A decisão do ministro foi esquisita e incoerente', diz o senador. Membro da comissão, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), concorda com Heráclito e afirma que o Senado tem de ouvir, 'de imediato', tanto o ministro quanto o suposto terrorista, 'até para se ter explicação dos motivos que levaram a deportar os boxeadores cubanos e a conceder refúgio ao italiano'. Se Battisti recusar o convite, Jarbas prevê que a situação 'ficará feia' para o ministro. Vasconcellos vê no episódio 'as contradições da política externa brasileira no governo Lula'.
Para ler a matéria, acessar
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RESUMINDO: O meu país protege um terrorista, com vários homicídios, alegando possível perseguição da justiça italiana, depois de ter entregue na bandeja os dois pugilistas cubanos que apenas queriam viver em liberdade, uma vez que de onde vinham esse atributo indispensável à condição cidadã não é extensivo ao povo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

HÍFEN - SEGUNDA LIÇÃO

Sempre hifenizar depois dos seguintes prefixos EX, SEM, ALÉM, AQUÉM, RECÉM, PÓS, PRÉ, PRÓ:
EX-ALUNO, SEM-TERRA, ALÉM-TÚMULO, AQUÉM-MAR, RECÉM-NASCIDO, PÓS-GRADUAÇÃO, PRÉ-REFORMISTA, PRÓ-OCIDENTAL
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Explicação lógica:
EX é um prefixo com significado próprio: pessoa que deixou de ser algo. Coloquialmente, fala-se "minha ex", "meu ex", sem problema comunicativo. Os demais prefixos acima também mantêm uma ideia de exclusão, posição etc.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

LABORATÓRIO TEXTUAL

Nenhum dos doutores em Linguística que estou lendo para fundamentar minha monografia escreve que o blog também serve de laboratório para a produção textual. Os experimentos são exaustivos e demonstram a importância da reescritura. Minhas colunas do Expresso Ilustrado ganharam em qualidade desde que passei a editá-las neste espaço hipertextual. Da mesma forma, meus últimos poemas, os quais submeto à espacialidade topográfica, característica que me permite também uma apreciação visual dos mesmos. A postagem desses poemas, via de regra, traz a observação infraescrita de que necessitam de acabamento.
Para a próxima edição do Expresso, pensei escrever sobre a dicotomia que existe entre a cultura da terra (agricultura e pecuária) e a cultura como produção intelectual, artística. Na noite passada, desisti do tema, optando por dissertar sobre o Acordo Ortográfico.
As pequenas mudanças instituídas em nossa ortografia têm gerado muita polêmica, dividindo filólogos, escritores, professores, jornalistas, blogueiros, todos aqueles que se ocupam da língua portuguesa (como profissão ou hobby). O grupo dos contra, mais numeroso, argumenta que tudo o que foi impresso nas últimas décadas encontra-se, a partir de agora, com 0,43% dos vocábulos graficamente modificados. O grupo a favor defende a uniformização do português, que o tornará língua oficial de órgãos internacionais, como a UNESCO (cujas publicações não eram distribuídas à “pátria pessoana” em vista de suas diferenças ortográficas). Ganham as editoras, ao pé da letra, e perdem os bibliófilos apaixonados. Nosso idioma, negando sua origem vulgar, adquire um padrão único na escrita. Aqui e além-mar (com hífen antes de depois). Outra conseqüência do Acordo, ainda não pensada até agora, está sendo a atenção dada ao idioma por seus falantes e escreventes. Entre as particularidades linguísticas, eles passam a perceber mais nitidamente os âmbitos da fala e da escrita. No Brasil, felizmente, as mudanças se limitam a aspectos gráficos. Foram abolidos alguns sinais diacríticos, não a pronúncia ou tonicidade dos fonemas. O “u” de “linguiça” não será engolido, tampouco “ei” de “ideia” deixará de ser aberto e tônico. O vocábulo “farmácia”, por exemplo, já foi grafado com ”ph” (mais próximo de sua etimologia). O som e o significado precedem a grafia, em antiguidade e importância. Também eles estão sujeitos a alterações, uma vez que toda língua natural é um processo dinâmico.

HÍFEN - PRIMEIRA LIÇÃO

Antes do h, hífen há.
ANTI-HIGIÊNICO, CO-HERDEIRO, INTER-HUMANO, MACRO-HISTÓRIA, MINI-HOTEL, NEO-HEBRAICO, SOBRE-HUMANO, SUPER-HOMEM...
Exceção: SUBUMANO (a palavra humano perde o h).
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Uma explicação para a obrigatoriedade do hífen antes do h: essa letra apenas aparece no interior das palavras como auxiliar dos dígrafos ch e lh. No início das palavras, ela é mantida por força da etimologia.
A exceção aponta uma possibilidade, sendo facultativo o emprego do hífen: sub-humano, sub-humanidade, sub-hepático...

domingo, 11 de janeiro de 2009

COMENTÁRIO ABERTO

Em sua última postagem, Rafael Nemitz escreve: 2009 será lembrado pelo ano da Copa Santiago ou pela Copinha de Santiago? Fui assistir à abertura. Logo após a apresentação das equipes, avaliei que esta edição, pela ausência dos Atléticos, do Fluminense, do Vitória, do Goiás, do Peñarol, do Defensor, do Cerro Porteño, seria uma copa com menor qualidade. Em seguida, vendo o Grêmio jogar e perder para o Cerro (do Uruguai), tive certeza que restavam apenas dois times campeões: Cruzeiro e Internacional. Ótima chance para o nosso Cruzeirinho.
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Em Observando a Natureza, Dr. Disconzi aconselha ter um animal de estimação, relacionando uma série de benefícios para a pessoa. O blogueiro se cuidou para não expor o "calcanhar de aquiles" (onde caberia um tiro preciso): o especismo. O animal também ganha na relação.
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Dayana Pessota Leite toca na ferida de um continuísmo existencial que transforma as expectativas do novo ano em meras fantasias de uma noite de verão (no caso, dia 31 de dezembro). Escrevi sobre esse tema na coluna do Expresso Ilustrado. Desejamos mudanças internas, em nossa estrutura psicoemocional, provocadas por contingências externas. As pessoas devem saber, por experiência anterior, que pouca coisa mudará além do que é factível.
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Júlio Prates noticia as últimas da alta política santiaguense. Informações quentíssimas, adiantando-se em uma semana aos nossos jornais. Seria essa uma das grandes funções comunicativas dos blogs?
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Em Floryflor, Heloísa Flores escreve de além-mar (o hiperespaço acabou com essa denominação, penso). A blogueira continua fiel ao gênero intimista, recorrente no âmbito deste software que inaugurou uma nova era na Internet, rumo à radicalização da escrita. Estamos lendo o mesmo romance de Saramago, Ensaio sobre a cegueira.
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Márcio Brasil vem com a alvissareira notícia para a recuperação da Tritícola. Espero que não seja mais uma das suas, do tipo tornado famoso por Orson Welles (homenagem ao meu amigo cinéfilo). Irmo Sagrilo é uma das pessoas mais certas para assumir a presidência da nossa cooperativa (fundada numa reunião que ocorreu no dia 14 de janeiro de 1956).
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Erilaine Perez transcreve um poema de Rubén Darío, Para una cubana. Félix Rubén García Sarmiento, conhecido como Rubén Darío, foi um poeta nicaraguense, iniciador e máximo representanto do Modernismo literário em língua española. A blogueira confessa gostar desse poeta, por motivo da amizade que ele manteve com Pablo Neruda. Este, sim, seu deus da poesia. Na postagem abaixo, ela nos brinda com outra de suas crônicas, escrita com beleza e inteligência.

CULTURA VERSUS CULTURA


No sentido real, os homens passaram a fazer cultura entre dez e doze mil anos atrás. O cultivo da terra e a criação de animais foram atividades concomitantes desde o princípio. Desde o princípio, elas asseguraram a sobrevivência aos seus agentes humanos. Sobrevivência e riqueza. Noutra acepção, significando crenças, costumes, conhecimentos, artes..., a cultura constitui a marca que distingue excepcionalmente nossa espécie. Isso ocorre desde os primeiros hominídeos, há mais de um milhão de anos. Instrumento de pedra, tática de caça, descoberta e utilização do fogo, linguagem, pintura rupestre, criação de deuses e demônios, tudo classificado como cultura. Outro produto cultural é a guerra (cuja genealogia foi vislumbrada cinematograficamente por Stanley Kubrick, em 2001 – Uma odisseia no espaço). Caim e Abel, irmãos no mito genesíaco, são alegorias de um conflito que certamente existiu entre povos agrícolas e pastores. Dez mil anos se passaram, o confronto no campo continua, agora entre sem-terra e latifundiários. A cultura da terra ainda é uma questão de sobrevivência. Para um continente inteiro (à sombra do terrível espectro), certamente o é. A cultura do lucro, iniciada há poucos séculos, provocou desequilíbrio em toda parte, incluindo o meio ambiente. No microuniverso santiaguense, percebe-se a ascendência da cultura ligada à criação e difusão das artes, mormente a literária.
(Ensaio para a próxima coluna do Expresso Ilustrado)

sábado, 10 de janeiro de 2009

EROS E CIVILIZAÇÃO II


"Se a ausência de repressão é o arquétipo de liberdade, então a civilização é a luta contra essa liberdade"
"A substituição do princípio de prazer pelo princípio de realidade é o grande acontecimento traumático no desenvolvimento do homem - no desenvolvimento do gênero (filogênese), tanto quanto do indivíduo (ontogênese)"
"Filogeneticamente, ocorre primeiro na horda primordial, quando o pai primordial monopoliza o poder e o prazer, e impõe a renúncia por parte dos filhos. Ontogeneticamente, ocorre durante o período inicial da infância, e a submissão ao princípio de realidade é imposta pelos pais e outros educadores"
"Na concepção freudiana, a civilização não põe termo, de uma vez por todas, a um 'estado natural'. O que a civilização domina e reprime - a reclamação do princípio de prazer - continua existindo na própria civilização"
"Rechaçada pela realidade externa ou mesmo incapaz de atingi-la, a força total do princípio de prazer não só sobrevive no inconsciente, mas também afeta, de múltiplas maneiras, a própria realidade que superou o princípio de prazer"
"O retorno do reprimido compõe a história proibida e subterrânea da civilização"
"O indivíduo escravizado introjeta seus senhores e suas ordens no próprio aparelho mental"
"A noção de que uma civilização não-repressiva é impossível constitui um dos pilares fundamentais da teoria freudiana"
"Freud discute a cultura não de um ponto de vista romântico ou utópico, mas com base no sofrimento e miséria que sua implementação acarreta"
(EXCERTOS DO CAPÍTULO 1, A TENDÊNCIA OCULTA NA PSICANÁLISE)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

EROS E CIVILIZAÇÃO

O Juarez me vendeu um livro nessa manhã: Eros e civilização, de Herbert Marcuse.
Na Introdução, o autor escreve sobre a finalidade do que chama de ensaio: "contribuir para a filosofia da psicanálise".
Tudo o que mais gosto de ler, isto é, a teoria psicanalítica, sem as narrações demoradas de casos analisados empiricamente.
Excertos que iluminei nas primeiras páginas:
"O conceito de homem que emerge da teoria freudiana é a mais irrefutável acusação à civilização ocidental - e, ao mesmo tempo, a mais inabalável defesa dessa civilização. Segundo Freud, a história do homem é a história da sua repressão"
"A civilização começa quando o objetivo primário - isto é, a satisfação integral de necessidades - é abandonado"
"O inconsciente, governado pelo princípio de prazer, compreende 'os mais remotos processos primários, resíduos de uma fase de desenvolvimento em que eles eram a única espécie de processos mentais"
"O princípio de prazer irrestrito entra em conflito com o meio natural e humano. O indivíduo chega à compreensão traumática de que uma plena e indolor gratificação de suas necessidades é impossível. E, após essa experiência de desapontamento, um novo princípio de funcionamento mental ganha ascendência. O princípio de realidade supera o princípio de prazer: o homem aprende a renunciar ao prazer momentâneo, incerto e destrutivo, substituindo-o pelo prazer adiado, restringido mas 'garantido'. Por causa desse ganho duradouro, através da renúncia e restrição, de acordo com Freud, o princípio de realidade 'salvaguarda', mais do que 'destrona', e 'modifica', mais do que nega, o princípio do prazer"
"Com o estabelecimento do princípio de realidade, o ser humano, que, sob o princípio de prazer, dificilmente pouco mais seria do que um feixe de impulsos animais, converte-se num ego organizado".
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Desde 1982, quando fiz um trabalho sobre Totem e tabu na UFRGS, disciplina de Filosofia da Cultura, leio Freud e os pós-freudianos.

GRANDES POETAS

Certamente, o Oracy, o Reiffer, o Júlio Garcia, entre outros poetas santiaguenses discordarão desta minha escolha, mas o faço com outros fins que não o de cotejar gostos ou grandezas. Para mim, entre os maiores poetas brasileiros, três nomes são obrigatórios: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Carlos Nejar. Coincidentemente, todos posteriores à grande revolução estética do Modernismo. Mas o aspecto que me interessa nesta postagem é de destacar a principal atividade profissional de cada um dos três.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - funcionário público exemplar.
JOÃO CABRAL DE MELO NETO - diplomata sério.
CARLOS NEJAR - Promotor de Justiça.
oo
A relação de poetas que fogem à esteriotipia caracterizada pelo Júlio Prates é extensa. Inclusive entre os românticos. Portanto...

POESIA E REALIDADE

Na tarde de ontem, sentado num banco da URI, escrevi este poema:
oo
PROCURADOR
oo
das coisas
levadas pelo vento
me fiz
procurador
oo
por isso
contemplo macegas
em disparada

oo
por isso
(res)guardo rebanhos
de nuvem


por isso
escuto o gemido
das palavras

oo
procurador
das coisas
trazidas pelo vento
oo
À noite, fui ao Alceu Carvalho, levado por uma paixão menor: o futebol. O show da abertura foi muito bonito, com a melhor apresentação que vi dos pequenos artistas da Escola de Turno Oposto Criança Feliz. Em seguida, o primeiro jogo. Quando a equipe adversária do Grêmio entrou em campo para o aquecimento, perguntei ao Ademar Canterle se os uruguaios não haviam se enganado de cidade. Aquela gurizadinha deveria disputar o torneio infantil em Alegrete, o EFIPAN. Surpreendentemente, os marmanjos gremistas não sabiam jogar bola e acabaram levando um gol do Cerro. Isto mesmo! O último campeão da Copa Santiago foi derrotado pelo Cerro, do Uruguai.
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Diego Neves, acadêmico da UFSM, comenta em meu blog:
Froilam!
Há tempos não deixava meu comentário na tua página. As provas da faculdade não me deixavam sequer manter atualizado meu blog. Estou passando para dizer que continuo um leitor assíduo das tuas postagens, as quas considero as mais interessantes e importantes da rede blogueira atualmente. Agora, em férias, vou poder atualizar meu blog e comentar mais vezes. Um abraço!
Muito generosa essa apreciação.
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Minha coluna do Expresso Ilustrado desta sexta-feira:
Carta aberta
Filha, a saudade não tem tamanho, por isso te escrevo pela quinta vez desde este velho continente (exótico para um sul-americano que não havia saído de seu país anteriormente). Tantas para te dizer, que não sei por onde começar, ou pela ventura de conhecer a África, ou pela lembrança do teu sorriso. A UNAVEM III é a última fase desta missão de paz, responsável por monitorar o cessar-fogo entre os revolucionários da UNITA e os governistas da MPLA. Há poucos dias, um dos nossos fuzileiros foi morto durante uma emboscada contra um comboio de viaturas brasileiras. Angola é um campo minado, perigo iminente de perdermos uma perna ou a vida. Ao entrar para o Exército, nunca me ocorreu que um dia pudesse realizar um trabalho humanitário tão significativo. Não é só a boina azul que me leva a ser solidário com as pessoas, crianças e idosos em sua maioria. Aqui posso dar livre vazão à doçura que tu experimentas desde bebê. Nos momentos de folga, corro para a comunidade mais próxima, onde ensino língua portuguesa, xadrez e recito os grandes poetas. Com um pseudônimo, escrevo para um jornal de Luanda. Diferente de meus companheiros militares, converso muito com os angolanos em suas casas, nos bares, nas ruas. Não te lembras de Forte Coimbra? As vilas daqui têm o padrão da Saramandaia, obviamente sem considerar os danos de uma guerra civil (vistos pelo mundo por ocasião de uma recente visita da Princesa Diana). Esta nação precisa ser reconstruída. Como soldado da ONU e cidadão universal, penso que contribuo para os primeiros passos nesse sentido. O trabalho me diminui a saudade de ti, filha. Teu pai.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

TELEVISÃO, FUTEBOL...

Não vi o primeiro quadro do Jornal do Almoço de hoje. Ao ligar o televisor, começava o segundo quadro, com a Copa Santiago de Futebol Juvenil, economia (indústria moveleira), entrevista do novo prefeito (Júlio Ruivo), destaque para a criação de cavalo crioulo (Cássio Bonotto), Gilberto Monteiro, Caminhos de Santiago, Clube Amigos de Beethoven e Nenito Sarturi. Sobre a poesia, soube por telefone, foi entrevistado o Oracy Dornelles, Sadi Machado, Deividi Santana e Antoninho Duarte, respectivamente, universalidade, regionalismo, juventude e maturidade.
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Logo mais, à noite, inicia-se a Copa Santiago de Futebol Juvenil. Nenhum outro evento desportivo tem destacado com maior alcance midiático o nome da nossa cidade. Após o aniversário de emancipação político-administrativo, ela sofreria um esvaziamento sob a soalheira deste mês. O futebol a movimentará em parte, convidando-a para ir ao estádio Alceu Carvalho.
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Gosto tanto de Santiago e defendo o nobre epíteto de Terra dos Poetas. Para uns, ela foi berço (como Manuel do Carmo, Antônio Carlos Machado, Sílvio Duncan...), para outros, querência (como Zeca Blau, Aureliano de Figueiredo Pinto, Ney A. Dornelles...). Em vista de uma possível transferência em junho, sentirei muito ter que me afastar daqui pela terceira vez. Menos pior que, com a Internet, continuarei ouvindo o Jornal Falado da querida ZYK 297 - Rádio Santiago.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

GAZA


gaza não goza

de paz a

ooooooooofaixa

é guiza

que não acaba

sob um céu

de fogo

à guisa

ooooooooode gaza
oo