quarta-feira, 31 de outubro de 2007

MATINA

o ouro estelar
se derrama
sobre as vidraças
e clareia
as esquinas
verticais

onde olhos
alheios
se fecham
os meus se abrem
molhados
de óleos

os sonhos
se quebram
- potes de mel
e as calçadas
são cães
farejando o dia


uma chuva
de fótons
inunda a manhã

e anula o peso
da minha
sombra
OOO
(poema inspirado no reflexo do sol numa janela)


terça-feira, 30 de outubro de 2007

ARCADISMO

ooooooooooo A Arcádia e seus pastores - um mundo ideal
Centrei as aulas sobre o Arcadismo (Neoclassicismo) dadas nesta noite nos lemas da escola literária:
CARPE DIEM: aproveitar, gozar o dia
FUGERE URBEM: fugir da cidade
LOCUS AMOENUS: lugar ameno
INUTILIA TRUNCAT: cortar o inútil
AUREA MEDIOCRITAS: mediocridade dourada, meio termo, equilíbrio
Depois de todo o conflito existencial, depois de todo o drama da transitoriedade da vida (que caracterizava o Barroco), a ordem era viver o presente, de preferência num lugar tranqüilo, longe da cidade. Cansado de ser vítima de um dualismo crônico, jogado de um lado para outro por forças contrárias e implacáveis (valores humanistas do classicismo versus valores cristãos), o poeta árcade descobre o caminho do meio. Nem religioso nem pagão, mas humano: pecando e não pecando. Como reação ao cultismo barroco, cheio de antíteses, metáforas e hipérbatos, o arcadismo terá uma linguagem simples, na ordem direta. Inutilia truncat. Nenhum poeta fingiu tanto quanto o árcade: vivia na cidade mais rica e movimentada da época, Vila Rica, mas seu eu-lírico era pastor entre florestas e riachos, pelos prados inexistentes numa região montanhosa na realidade.
Após as locuções latinas do grande poeta Horácio, referencial clássico para os brasileiros da segunda metade do século XVIII, o texto é meu. Oralmente, ele foi bem mais extenso, repetido duas ou três vezes.
Importante: Mais quatro novas alunas no Pré/ PEIES: Greice, Gidiane, Lizara e Lenise (perdão se errei alguma letra do nome).

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DATAS PARA SUA MAJESTADE

Dia Internacional do Livro Infantil: 02 abril;
Dia Nacional do Livro Infantil: 18 abril;
Dia Mundial do Livro: 23 abril;
Dia Nacional do Livro: 29 outubro.
(Meu) Dia Pessoal do Livro: todo dia.

DIA NACIONAL DO LIVRO

Raramente faço comentários sobre as datas disto ou daquilo. No Dia da Árvore, fui obrigado a fazê-lo, uma vez que no mesmo dia se comemorava o Dia do Fazendeiro. Contradição evidente, em tempo de preservação ambiental. Hoje é comemorado o Dia Nacional do Livro. Havia lido no rodapé da minha agenda e, chegando em casa, leio o post do Júlio Prates. Preciso escrever algo a respeito do objeto que está na berlinda neste 29 de outubro. Lembro que aprendi a ler com sete anos, graças à insistência da minha mãe. Já no segundo ano (segunda série), demonstrava um gosto para folhar, sentir o cheiro e, obviamente, ler o livro de Olavo e Élida (personagens que ilustravam os textos didáticos). Nos anos subseqüentes, uma vez ao ano, meu pai ia à cidade e comprava o livro pedido na escola. Encantava-me com os poemas. Salvo melhor juízo, foi nessa época que me inclinei para a poesia. No quarto ano, a professora me emprestou a Bíblia Ilustrada. A história de Sansão devo ter lido mais de dez vezes. Mais tarde, quando vim pra cidade, estudar no Colégio Polivalente (Lucas Araújo de Oliveira), descobri uma mina de livros na hora do recreio. Enquanto os outros colegas metidos a ricos gastavam na cantina e galanteavam as meninas, eu me refugiava na biblioteca. O primeiro livro que nessa nova fase da minha vida foi Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcellos. Gostava de ler a Enciclopédia Conhecer (da capa vermelha e inscrições douradas, ou brancas). Ali começava oficialmente me autodidatismo (um conhecimento que, não fosse pela modéstia instransponível, diria que já se aproxima do enciclopédico). Naquele ambiente tranqüilo do colégio, joguei xadrez com o professor Albino (o único professor a visitar a biblioteca). Ensinei vários de meus colegas a jogar o melhor jogo do mundo. Também ali, conheci Emília. Mas essa é outra história, muito próxima da poesia, do sonho. (Tardiamente, lendo sobre Dante Alighieri, achei que nossas histórias se aproximavam: ele conhecera e se apaixonara por Beatrice Portinari um pouco mais cedo do que minha paixão adolescente por Emília G.) Nunca mais parei de ler. Orgulho-me de ser um leitor, à maneira de Jorge Luis Borges: que otros se jacten de las páginas que han escrito; a mi me enorgullecen las que he leído. Disponho de uma pequena biblioteca em casa com mais de 1.000 livros, a maioria escolhido minuciosamente (a dedo). Uma das primeiras coisas que fiz quando criei este blog (29 de julho de 2007), foi postar a minha biblioteca ideal. Ali foram reunidos os livros que mais gostei e aqueles que julgo indispensáveis para uma auto-educação integral (filosófica, científica e artístico-literária). Pode parecer muita pretensão, mas não é.

domingo, 28 de outubro de 2007

DA AMIZADE

A amizade, mais do que a estética (como pensava Nietzsche), justifica nossa existência neste mundo barbaramente civilizado. Único sentimento que transcende as diferenças de sexo, de idade (não é mesmo Rebeca), de cor, de classe etc. Para as pessoas sensíveis (entre as quais me incluo), Santiago não é um lugar em que os(as) amigos(as) possam demonstrar livremente essa relação incondicional, sem interesses egoísticos. Sou feliz na Terra dos Poetas pelas amizades que tenho. Estranho quando saio daqui, para uma cidade onde não conheço ninguém e ninguém me conhece. A Fátima Friedriczewski escreve em seu blog: Agradeço ao meu amigo Froilam, poeta e intelectual, que tem a sensibilidade de sentir as dores do mundo! Outras pessoas já me falaram algo parecido. Meu ego está dominado, para permitir que ele se ache o tal com esses elogios. Agradeço a essas pessoas amigas. Suas palavras fazem ainda mais doce minha alma.

TROPA DE ELITE

Minha manhã, que começou com o gorjeio alegre do sabiá, termina com esse filme hiper-realista, violento. Por isso mesmo, incomoda. Sua temática é real. Sua qualidade, entretanto, aproxima-se de Hollywood - o que representa um avanço do cinema brasileiro. O melhor que fizemos até agora.

O CANTO DO SABIÁ

Um domingo e tanto. Abro a janela às seis horas. Leio o ZH. Não há movimento de automóvel na rua em frente. O céu começa a adquirir o azul claro das manhãs. Os pássaros vêm cantar a dois metros de onde estou. O sabiá, mais arredio, anuncia efusivamente o tempo da pitanga madura. Como eu gostaria de caminhar no campo, cruzar alguma restinga, ouvir a água de um riacho entre as pedras (sem a podridão humana). Um problema de inflamação nas articulações me prende em casa, nesta sala cheia de livros e um computador que me salva.

INCÔMODA PALAVRA

há uma palavra
no ar
ainda
na língua
na garganta
do silêncio

posso ouvir
sua vibração
presa
entre as grades
animado
bicho

há uma palavra
em movimento
pra negar
a rotina
da espera

incômoda
palavra

sábado, 27 de outubro de 2007

A ÁGUIA E A GALINHA

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeava pelo jardim, disse o naturalista:
oooo- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
oooo- De fato - disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
oooo- Não - retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
oooo- Não, não - insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
ooooEntão decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
oooo- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
ooooA águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
ooooO camponês comentou:
oooo- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
oooo- Não - tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
ooooNo dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurou-lhe:
oooo- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
ooooMas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
ooooO camponês sorriu e voltou à carga:
oooo- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
oooo- Não - respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
ooooNo dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
ooooO naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
oooo- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
ooooA águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento..."
oooo
(Extaído do livro de Leonardo Boff, A águia e a galinha - Uma metáfora da condição humana.)

GILGAMESH, REI JOSIAS, LEONARDO BOFF

Na última vez que fui a Porto Alegre, comprei o livro de Gilgamesh (Épico sumério). Esse, sim, é o mais antigo livro da história da humanidade. Muito antes que constituíssem os grandes impérios do antigo Oriente Médio - como o Assírio, o Egípcio e o Babilônico - os sumérios ocuparam as terras férteis e irrigáveis da Baixa Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, no sul do atual Iraque. Diga-se de passagem, anteriores ao chamado povo de Israel. Gilgamesh era rei de Uruk. Alguém mais velho que ele, Utnapishtin, conta-lhe a história do dilúvio: "Conheces a cidade de Shurrupak, que fica nas margens do Eufrates? Essa cidade era antiga e velhos os deuses que nela havia. O seu pai era Anu, senhor do firmamento, e o guerreiro Enlil era o seu conselheiro. Ninurta auxiliador e Enugi o vigilante dos canais; e com eles estava também Ea. Naqueles dias o mundo pululava, o povo multiplicava-se, o mundo mugia como um toura selvagem e o grande deus foi despertado pelo clamor. Enlil ouviu o clamor e disse aos deuses reunidos em conselho: - O tumulto da humanidade é intolerável e já não é possível dormir com esta confusão. E assim os deuses concordaram em exterminar a humanidade". A narração continua, com os preparativos com a construção de um barco pelo próprio Utnapishtin.
"A saga histórica contida na Bíblia - do encontro de Abraão com Deus e sua jornada para Canaã à libertação da escravidão dos filhos de Israel por Moisés, à ascensão e queda dos reinos de Israel e Judá - não foi uma revelação miraculosa, mas um inteligente produto da imaginação humana; sua concepção teve início - como os recentes achados arqueológicos sugerem - durante o breve espaço de tempo de duas ou três gerações, há cerca de 2.600 anos. O local de nascimento foi o reino de Judá, região pouco povoada por pastores e fazendeiros, assentada de forma precária no meio de uma terra montanhosa, sobre estreito espinhaço, entre ravinas escarpadas e rochosas e governada por uma cidade real afastada. Durante poucas décadas notáveis de efervescência espiritual e agitação política, perto do final do século VII a. C., uma improvável coalizão de oficiais da corte de Judá - escribas, sacerdotes, profetas e camponeses - se formou para criar um movimento. No seu âmaga estava uma escrita sagrada de um incomparável gênio literário e espiritual: era uma saga épica, composta por uma surpreendente coleção de escritos históricos, memórias e lendas, contos folclóricos e historietas, propaganda real, profecia e poesia antiga. Uma parte dela era composição original e a outra, uma adaptação de fontes e versões antigas, mas aquela obra-prima literária passaria por nova edição e elaboração, a fim de tornar-se uma âncora espiritual não apenas para os descendentes do povo de Judá, mas para a comunidade do mundo inteiro. Governava Jerusalém nessa época o rei Josias. Do Templo de Jerusalém e da Bíblia nasceu o monoteísmo moderno."
Frei Leonardo Boff, em A águia e a galinha, escreve que "os hebreus, povo que na Antiguidade ocupava o atual território de Israel, desenvolveram, com grande capacidade, esse gênero literário. Os mestres em Israel, os rabinos e os comentadores dos textos sagrados da Bíblia e do Talmud, chamavam esse gênero de midraxe. Utilizavam-no com a intenção de ampliar histórias bíblicas enfeitando-as com dados verdadeiros, legendários ou fantásticos. Todo o Gênesis seria um exemplo de midraxe". Certamente, a história do dilúvio foi adaptada do livro de Gilgamesh.
O texto acima foi composto por recortes de três livros: Gilgamesh (anônimo), A Bíblia não tinha razão, de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, e A águia e a galinha, de Leonardo Boff.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

RECANTO DA POESIA

Entre mim e a caricatura do Oracy, o soneto monossilábico que dediquei ao poeta. O Márcio Brasil registrou esse "encontro" no estande das Farmácias Fronteira, ExpoSantiago, outubro de 2007.

A RELIGAÇÃO DOS SABERES

Esse livro organizado por Edgar Morin é extraordinário. Seguidamente, apanho-o da minha estante para reler algum coisa. Agora mesmo, abro na página 40: A era estelar. Um milhão de anos mais tarde, tendo a temperatura do universo caído para aproximadamente 3.000 graus, o átomo de hidrogênio nasce da captura do elétron pelo própton. Desde então, o universo ilumina-se, pois os elétrons acorrentados não podem mais reter os fótons. É a alvorada cósmica. [...] O gás universal fragmenta-se em imensas nuvens que florescem em estrelas. As estrelas, individualmente, opõem-se com todas as suas forças (ou, melhor dizendo, com toda a força da gravitação, que é a atração da matéria pela matéria) à expansão do universo, essa corrida generalizada em direção ao difuso e ao frio. Elas concentram e reaquecem a matéria em seu seio. Sob a influência do calor, elas transformam em seu cadinho os núcleos de hidrogênio e de hélio gerdados do Big Bang em carbono, azoto, oxigênio etc. e tornam-se assim o verdadeiro motor da evolução química das galáxias. [...] A estrela é o lugar em que a matéria se desmaterializa, pois nela a matéria se transforma parcialmente em luz, contrariamente ao Big Bang, que é o acontecimento no qual (parcialmente, muito parcialmente) a energia se materializa. Ela brilha porque transmuta elementos. [...] Nos cadinhos estelares o simples hidrogênio transforma-se em complexos carbono, azoto, oxigênio, ferro, ouro e urânio. Se quisesse agradar as crianças, eu poderia dizer que no coração das estrelas celebram-se milhares de casamentos entre núcleos de átomos. O grito de alegria é a luz. E acrescentaria, para fazer com que gostem de matemática, que as estrelas fazem operações aritméticas: 3 hélios correspondem a 1 carbono, da mesma forma que 3 x 4 = 12. [...] As estrelas entregam ao vento celeste miríades de átomos alados. Dessa forma, elas desempenham o papel de artesãs conscienciosas na economia geral do universo. As grandes, revolucionárias, cuja explosão é acolhida aqui embaixo pelo grito alegre de "supernova", oferecem ao céu os átomos confeccionados em seu seio, e as pequeninas, como o Sol, distribuem em volta de si luz e calor duráveis. [...] Quando vocês olharem as estrelas, façam-no com outro olhar. Olhem-nas como aquilo que elas realmente são: as mães de nossos átomos.
A era solar - A pele luminosa do astro do dia esconde, de fato, uma central nuclear de confinamento gravitacional. Ele traz em seu coração o inferno, mas sua face é serena. [...] O homem é um caçador diurno e a atmosfera é transparente numa grande parte da irradiação solar, e é a permanência da luz do Sol que forjou nossos olhos (todos os olhos existentes no mundo): seus átomos falaram sem parar a linguagem da luz aos átomos de nossos olhos. O olho é solar: por isso, somos cegos em relação às estrelas muito mais quentes ou muito mais frias que este Febo da crina dourada. [...]
o
O conhecimento chega a ser poético.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

VASOS SONNE






A arte cerâmica é extraordinária. Esses vasos "sonne" (que significa "sol") foram produzidos por uma artista plástica de Curitiba, minha amiga Soraia Savaris.

BOM DIA, BLOGUEIROS

Hoje levantei mais cedo, precisava revisar as primeiras provas do Expresso Ilustrado e ler as últimas postagens da extensa relação de blogs que adicionei. Abri a janela, permitindo que entrasse a aragem da manhã (apenas para senti-la vale a pena levantar às seis horas). O canto dos pássaros é limpo, sem a incômoda concorrência dos automóveis. O sabiá não para de emitir seu trinado, anunciando o tempo de pitangas maduras. (Por essas e outras, considero-me o poeta do amanhecer.) Bom dia a todos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

NOVO BLOG

Minha amiga Fátima Friedriczewski criou um blog: Jardim de Zymm. Uma das razões que a entusiasmou pelo seleto mundo dos blogueiros foi mostrar suas doze gatas: Melina Svetlana, Vitza Slovena, Karinka Stanislava, Chiquinha, Micaela, Oksana, Nikita, Irina, Mon Mothma, Ashtara, Narriman e Luminara Unduli. Para visitar a Fátima e sua bichanada: jardimdezymm.blogspot.com

OS DOIS POMBOS

Ao retornar para casa, pelo bosque de eucaliptos, observei dois pombos engalfinhados numa peleia. Dois pombos peleando, essa é boa! Você pode estranhar, mas é a pura verdade. Continuei meu caminho, rindo por dentro desse fato. Como tais criaturas tão doces, delicadas, pacíficas (constituem o símbolo da paz), são capazes de lutarem entre si? O motivo estava a alguns metros dos emplumados contendores: uma pombinha, mais delicada ainda, ainda mais fofa. Será que o pombo possui um "eu"? Uma individualidade racional? Não possui. Dessa forma, era o instinto específico que obrigava os dois pombos a disputarem a fêmea. Instinto é um modo de dizer que seus genes querem cegamente se perpetuar, transformando os pombos em meros veículos desse propósito. A teoria da evolução de Charles Darwin está comprovada: não é o indivíduo que sobrevive, mas a espécie de pombos, com a maximização contínua da qualidade. Os genes do mais forte conseguirão seguir adiante. Isso acontece em todo o reino animal. O derrotado - que luta menos, que corre menos, que voa menos, que ataca menos, que nada menos, que menos tudo (o trocadilho ficou legal) - interrompe o processo evolutivo. O homem, por mais que interfira artificiosa e negativamente em sua sobrevivência, também obedece a essa lei natural. Basta pensar que na época do avô do nosso avô, a mortalidade infantil era muito maior, a expectativa de vida era muita menor, as mortes ocorriam com bastante freqüencia, sem que o indivíduo cumprisse o seu desígnio específico (de espécie, tá). Eu, você, todos nós somos a prova de um processo seletivo bem sucedido. O "eu" humano, disfarçado de senhor, está programado a cumprir fielmente os ordens dos genes. Somos tão manipuláveis quanto os pombos, mesmo com toda a agressividade que nos caracteriza filogeneticamente.

PETA






















A atriz australiana Sophie Monk posa nua sobre um leito de pimentas em nova campanha a favor do vegetarianismo, divulgada pelo PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, em português).
Já fiz uma postagem semelhante a essa, em que Alicia Silverstone aparecia nuazinha.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O FENÔMENO POÉTICO

A vida, parafraseando Nietzsche, torna-se mais interessante quando vista como fenômeno estético, em que há beleza, em que há arte. Ao observar a natureza, o homem desenvolveu uma forma de expressar o belo que via ao seu redor: a linguagem. A admiração e o encantamento deram origem à poesia, que é a linguagem mais próxima possível do pensar e do sentir humanos. Ela faz uma ponte entre essas duas instâncias do ser (psíquico e emocional). A primeira criatura que, saindo de seu sítio, parou ante a visão do sol nascente, por exemplo, constituiu-se no ancestral genealógico de todos os poetas. Por alguns milhões de anos, o fenômeno do amanhecer foi observado apenas como mero determinante de um novo dia. De maneira análoga com relação às flores, aos pássaros, às cascatas etc. A mente primitiva ainda era incapaz de reconhecer a extraordinariedade nas impressões trazidas a ela pelos sentidos. Além das funções básicas, cotidianas, os processos mentais demoraram em internalizar o que hoje conhecemos com abstrações, a começar pela própria linguagem. O pensamento é essa capacidade de refletir o mundo de dentro para fora. A palavra articulada foneticamente, representando as coisas existentes, caracterizou o homo sapiens sapiens (que acabaria inventando a escrita há poucos milênios). Mais do que facilitar a comunicação à distância (espaço-temporal) e criar a História, a palavra impressa se transformou no melhor instrumento do espírito criador, passando a personificar seu excedente de sensibilidade, seu lirismo. A poesia é o contraponto de uma realidade quase insustentável pelo seu peso, pela sua feiúra. Com grandes asas metafóricas, ela voa alto agora, libertando-se de vez de um tempo marginal (rodado pelo mimeógrafo) para o ciberespaço.

5.000 VISITAS


Os números redondos não inspiram confiança, denotam exagero. Mas numa outra leitura, são irrefutáveis como prova. O Hiper Contador do meu blog acaba de registrar 5.000 visitas. Isso merece um brinde.

VII CONCURSO AURELIANO DE POESIA

Como comentário da minha última postagem, wemerson escreve: "Olá, por favor, faça o que o Centro Cultural não fez, em desrespeito a todos que enviaram trabalhos para o VII Concurso Aureliano de Poesia, e divulgue a lista dos premiados em seu blog. Agradecemos!"
ooooo
Caro leitor, no mesmo dia em que a comissão se reuniu, selecionando os melhores trabalhos, este blogueiro, diretor do Departamento de Literatura do Centro Cultural, fez a seguinte postagem
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
VII CONCURSO AURELIANO DE POESIA
A Comissão Julgadora do VII Concurso Aureliano de Poesia reuniu-se ontem, para selecionar os melhores trabalhos literários. Dos 120 poemas que foram enviados ao Centro Cultural de Santiago, foram escolhidos os seguintes:

1º Lugar: NA FEIRA DE ARTESANATO - Reginaldo Costa de Albuquerque (Campo Grande - MS);
2º Lugar: LIBERTAS - Júlia Parreira Zuza Andrade (Belo Horizonte - MG);
3º Lugar: MUNDARTE - Ludimar Gomes Molian (Praia Grande - SP).
Menção Honrosa:
- ARLEQUINADA - Reginaldo Costa de Albuquerque;
- UM VESTIDO DE SONETOS - Reginaldo Costa de Albuquerque;
- POEMA PARA AMÉLIA - Júlia Parreira Zuza Andrade;
- COLHEITAS - Maria A.S. Coquemala (Itararé - SP).

oooo
Na edição do Letras Santiaguenses, Ano XI - nº 70 - Julho/Agosto 2007, foi publicado o resultado do concurso, com a publicação do 1º, 2º e 3º lugares na capa.
Satisfeito, meu caro poeta?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

AS TRÊS HUMILHAÇÕES DA HUMANIDADE








A primeira foi propiciada pelos estudos astronômicos de um monge polonês, chamado Nicolau Copérnico. Em 1543, ele prova matematicamente que o nosso planeta, "almofada de repouso dos pés de Deus e ponto escolhido para a sua peregrinação redentora", não passava de pequenino satélite dum pequenino sol. Retomando as palavras de Will Durant: "Tudo mudou a partir desse instante - distâncias, significações, destinos. E Deus, que estava tão perto de nós, morando no seu sólio de nuvens, afastou-se para o fundo do espaço sem limites". Portanto, a Terra dexava de ser o centro do Universo.
A segunda está relacionada com esse senhor britânico de barbas longas: Charles Darwin. Segundo Durant: "E subitamente o mundo se tornou rubro, e a natureza que parece tão bela sob as cores do outono (da primavera), passou a mostrar-se feroz arena de luta, na qual o nascimento era um acidente e a morte a única certeza". Se "Copérnico reduzira a Terra a grão de poeira entre as nuvens, Darwin reduzui o homem a um animal em luta para uma transiente dominação do globo". Os pós-darwinistas confirmam as teorias do grande cientista: não somos descendentes dos macacos, mas pertencíamos à mesma espécie há sete milhões de anos (o que é equivale a deletar o "não" da assertiva anterior).
A terceira humilhação advém de outro barbudo: Sigmund Freud. O criador da Psicanálise descobriu muitas coisas, como o inconsciente, o que significa dizer que o tão amado e idolatrado "eu não é dono sequer de seu próprio nariz", nas palavras do professor Michael Günter, que consolidou essas três humilhações.
oooo
Como eu poderia cultuar uma religião tradicional, se leio sobre essas descobertas há quase trinta anos?

UMA NOÇÃO DO TEMPO

Na sexta-feira que vem, devo falar sobre o conhecimento humano para alguns de meus colegas. Não posso ultrapassar 40 minutos. Estou pensando em riscar uma linha ao longo do quadro, representando um segmento da eternidade entre o Big Bang e o presente. Sobre essa linha, colocaria vários pontos como imagens congeladas do tempo (de acordo com uma idéia de Platão). Depois da grande explosão e da formação do universo perceptível, o primeiro ponto a considerar é a formação do Sistema Solar, há aproximadamente 5 bilhões de anos. Prometo não decepcionar ao descrever o que é nossa estrela por dentro, há quatro anos leio e releio Marcelo Gleiser). Próximo ponto: início da vida na Terra. Era dos dinossauros. Mamíferos. O que aconteceu mais ou menos há sete milhões de anos? Australopitecos. Homo erectus/ homo habilis. Por que se desenvolveu a consciência no homem? A origem da linguagem. Homo sapiens neanderthalensis. Homo sapiens sapiens. A descoberta da agricultura e a domesticação de animais (concomitantes há dez mil anos, o que está representado metaforicamente no Gênesis da Bíblia). A descoberta da escrita e o início da História. Mitologia grega e hebraica. Nascimento da Filosofia e da Ciência. Copérnico. Renascimento. Francis Bacon e o empirismo. Descartes e o racionalismo. Charles Darwin. Sigmund Freud. Abrirei um parêntesis para falar sobre as "três humilhações" passadas pela humanidade. (Vocês querem saber?) Século XX. Certamente, não conseguirei me deslocar ao longo da linha com tamanha desenvoltura e rapidez. Meu objetivo principal é dar uma noção do tempo que nos antecede, diante do qual a existência humana não passa de uma fração diminuta. No entanto, por ignorância ou pela influência da mitologia judaico-cristã, superestimamos o nosso tempo.

domingo, 21 de outubro de 2007

KIMI RÄIKKÖNEN CAMPEÃO


Acertei que Räikkönen ganharia o GP do Brasil. Errei que Hamilton seria campeão. Duas "barbereadas" e perdeu o campeonato, para o qual era favoritíssimo até o Japão. Uma temporada interessante pelo equilíbrio. Muito massa.

PESSOAS & PESSOAS

Poucas coisas neste mundo são mais interessantes do que conhecer pessoas, falar com elas e guardar do encontro uma impressão que faz a gente mais feliz. Ontem tive a oportunidade de ficar frente a frente com algumas pessoas que conhecia de vista, de encontros casuais, sem o diálogo aproximador. Durante o evento Premium – Reconhecimento e Sucesso, realizado no Clube União, conheci um pouco mais Analise Severo, Diogo Bonatto, Karin e Leonel (simpaticíssimo casal diretor do Pólo da Unipar em Santiago). Essas pessoas me conquistaram de alguma forma, seja pela doçura, pela inteligência ou pela simpatia. Vim para casa com a alma um pouco maior e escrevo sobre este meu estado anímico nas primeiras horas de uma manhã fechada lá fora (mas azul aqui dentro). Se o homem não é uma ilha (a atividade intelectual me arrasta para o isolamento, às vezes), considero-me um continente.

DEBUTANTES

Há vários anos, escrevo a mensagem e os poemas para as debutantes do Grêmio. O baile que as “apresenta”, certamente, está entre os eventos mais charmosos e bem organizados de nossa cidade. A idéia de escrever um pequeno poema para cada menina-moça virou moda (ou tradição). O apresentador lê a mensagem inicial e, em seguida, passa a chamar as debutantes, lendo uma estrofe que finaliza com o nome de cada uma delas. Dos eventos que passaram, são exemplos poéticos:
O sonho, às vezes, demora,
Mas sempre se realiza.
Com data muito precisa
O teu
Debut
é chegado.
Valeu por tê-lo sonhado
Até há pouco – LUÍZA.

OOO
A beleza é muito simples
Numa flor de maçanilha,
Mas na estrela que rebrilha
Ela é quase transcendente;
No teu rosto, certamente,
Há os dois traços – MARÍLIA.

OOO
“Beleza é fundamental”
Vinícius disse uma vez.
Cabelos, olhos e tez
Numa perfeita harmonia.
Em ti, o belo irradia,
AIESCA PIVETA WESZ.

sábado, 20 de outubro de 2007

LIVROS, LIVROS E LIVROS

Estou terminando de ler O enigma da origem da consciência, de D.V.Gúriev. Relendo Filósofos na Tormenta, de Elisabeth Roudinesco (reunião de Canguilhem, Sartre, Foucault, Althusser, Deleuze e Derrida). Recebi da minha amiga Nayara, de Salvador, Antologia dos poetas virtuais, organizado pela orkuteira Magali Oliveira. Não é porque eu goste demais de ler sobre a evolução (do homem inclusive), mas o primeiro livro acima é fantástico. Quem foram os australopitecos? Quanto tempo eles viveram no planeta? Como eles passaram a usar instrumentos aleatoriamente? Como o desenvolvimento de seu psiquismo pode estar na origem da consciência humana? Como o Homo erectus (os australopitecos já se deslocavam na posição vertical), em especial o Homo Habilis, passaram a usar os instrumentos de uma forma racional? Como as mãos desenvolveram uma linguagem gestual? Como o homo habilis, tendo as mãos ocupadas e fazer algo, foi obrigado a elaborar uma linguagem com outras partes do corpo? (Isso sou eu que deduzo.) Mas o mais interessante é o tempo dessa evoluçãozinha: entre três e quatro milhões de anos. O homo sapiens existe há cem mil anos. Ao final da leitura, postarei um resumo das principais idéias.

CADERNO CULTURA DO ZH

Memória
Nova vida para Caio

Acervo de mais de 3 mil documentos doados para a UFRGS traz material ainda inédito do escritor, como contos e poemas

Caio Fernando Abreu (1948 - 1996) era um exagero. Em 47 anos de vida, foi contista, romancista, tradutor, dramaturgo, ator, exilado e lavador de pratos na Europa. Venceu prêmios como o Jabuti e o da Associação Paulista de Críticos de Arte. Sua obra foi editada em várias países da Europa. Fez seu nome com livros como O Ovo Apunhalado (1975), Morangos Mofados (1982), Triângulo das Águas (1984) e Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1989), além de peças como A Maldição do Vale Negro (de 1989, parceria com Luiz Arthur Nunes). Além de jornalista, foi porta-voz de uma geração. Mas se você quiser mesmo conhecer Caio Fernando Abreu, terá de saber que ele era astrólogo amador, que adorava trabalhar ouvindo o elepê de Nara Leão ... Que tudo mais vá pro inferno (1978), que trocava correspondência com os leitores das colunas que publicava nos jornais, que aperfeiçoava incansavelmente seus contos e romances, datilografando-os com capricho para, logo em seguida, rasurá-los a golpes de caneta Bic azul. Esse CaioFernando Abreu pop, íntimo, irreverente e desconhecido de quem não era seu amigo íntimo, que assinava Caio F., ficou mais fácil de ser descoberto a partir de agosto de 2005, quando o Núcleo de Literatura Guilhermino César, do Instituto de Letras da UFRGS, recebeu de presente oito caixas com mais de 3 mil documentos como fotos,manuscritos, originais de contos e romances, mapas e trânsitos astrológicos, discos de vinil, boletins escolares, lembranças da Primeira Comunhão, tudo do acervo pessoal de Caio.
(A reportagem é extensa.)
Tive uma surpresa ao abrir o Zero Hora deste sábado e ler no Cultura sobre os Textos escondidos de Caio Fernando Abreu. A reportagem traz cópias de páginas datilografadas e corrigidas à mão pelo escritor. Interessante verificar as correções com caneta azul na primeira e terceira versão do conto "Creme de alface", publicado no livro Ovelha Negra.

Estava esquecendo:
Dentro de uma das caixas, estavam guardados 94 poemas inéditos, que estão sendo organizados para futura publicação. A partir de então, não será mais questionável se Caio era ou não poeta. Alguns de seus contos já revelavam uma poética nas entrelinhas.
Gostaria de me reunir com o Márcio Brasil e a Ieda Beltrão para conversarmos sobre Caio Fernando Abreu (que leio desde 1980).


UMA SEMANA DEPOIS

Sete dias sem net (isso dá um verso). Ontem comprei novo modem e hoje tentei instalá-lo. Não é que funcionou. Depois de desligar o micro e ligá-lo outra vez. Já não sou mais um náufrago (numa ilha perdida no meio do oceano). Consertei meu barco e navego agora. Ou melhor, vôo, viajo. Segundo Pierre Levy, trata-se do ciberespaço, não da ciberágua.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

RAPIDINHAS (DE UM NÁUFRAGO)

Não é só comprar um novo modem: preciso fazer a sua configuração. Brasil Telecom (o Rodrigo não aparece), BrTurbo, seja lá que empresa for, é uma dificuldade.
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Na madrugada passada, acabei de escrever os poemas para as debutantes do Grêmio. Onze meninas debutarão este ano. O texto constará do livreto de convite e será lido pelo apresentador na hora da debutante entrar no salão nobre.
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Aulas no curso de Pós hoje e amanhã. Depois devo cortar um resto de grama. Amanhã: Premium - Reconhecimento pelo sucesso no Clube União.
ooooo
DESTAQUE NA LITERATURA - Na terça-feira passada, por ocasião da abertura do Santiago Encena, me foi entregue o troféu “Caio Fernando Abreu” – honraria concedida pelo destaque em Literatura. É dificílimo impedir que um pouco de vaidade se manifeste numa hora dessas, quando a referência constitui a própria pessoa de quem fala ou escreve. No meu caso, a simples escolha do tema (presente no título) já me coloca como regra, embora tenha reconhecido a dificuldade de aludir a si mesmo com isenção. Concordem ou não os leitores desta coluna, minha posição também se orienta aqui pela autocrítica, severa demais às vezes. Não posso negar esta honestidade, parafraseando o que Nietzsche escreveu em seu Zaratustra: ainda sou aquele que se acanha ao ver cair o dado a seu favor e que se pergunta “Serei um jogador trapaceiro?”. Outras pessoas também mereciam o troféu por mim recebido, sem que a escolha pudesse suscitar objeções (de q-q-q seja). Todavia, há sempre objeções, independentemente da escolha de A, B, C ou D. Elas expressam um inconformismo gratuito, nunca satisfeito naqueles que criticam por criticar (nada autocríticos). Contra esses, não é páreo a humildade – a negação do se-achismo. Para evitar o confronto, o melhor é a indiferença (a mais aristocrática das virtudes). Sobra mais lugar (e tempo) para agradecer aos que fizeram a escolha do meu nome, quais sejam, os representantes da Prefeitura, da URI, do Centro Cultural e da Secretaria de Educação e Cultura. Ao Dr. Valdir Amaral Pinto e à Mara Rebelo, destaques na Cultura e na Educação, respectivamente, minhas congratulações efusivas. Os três somos oriundos do 3º distrito de Florida. Muito obrigado, Santiago.

(Publicado na coluna do Expresso Ilustrado, edição de hoje)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

NOVIDADES

Havia escrito sobre o 20º Festival no domingo. "Assisti à apresentação das 12 classificadas. Mais tarde, em casa, acompanhei pelo rádio a premiação. A única toada, contra oito milongas, foi a vencedora: Ao segurar tua mão. A letra e a melodia justificaram a escolha. (A propósito, entre os jurados estava Gujo Teixeira, certamente um dos melhores letristas da nova geração nativista.) Segundo lugar: Sobre a mentira. A letra é péssima, com versos bárbaros e de pé quebrado, corrigidos pela excelente interpretação de Leonardo Paim. Outra escolhida: Rumbeador. Melhor poesia: Alambrador, de Mário Eleú Silva. Com um outro arranjo e interpretação, essa música poderia ser a vencedora. Gostei da letra que contava a história de Horácio Pena."
oooo
Ontem foi a entrega do troféu "Caio Fernando Abreu", dentro da abertura do Santiago Encena. Destaques na Cultura, na Educação e na Literatura. Um beijo, Rebeca, pela presença.

PEQUENO NAUFRÁGIO

Estou desconectado desde sábado (é tempo pra caramba!). Sim, a navegação acabou com um pequeno naufrágio. Hoje não agüentei tamanho isolamento. Aviso aos blogueiros que acabei de ler seus últimos posts. Amanhã devo comprar um novo modem.

sábado, 13 de outubro de 2007

VATICANO SUSPENDE MONSENHOR QUE ADMITIU SER GAY

O Vaticano confirmou ter suspendido um de seus quadros da alta hierarquia que confessou ser homossexual.O homem, não identificado, fez a admissão na TV italiana no início deste mês, em um programa sobre padres homossexuais.O porta-voz da Santa Sé disse apenas que o monsenhor - título dado a autoridades do Vaticano - trabalha no departamento encarregado de professar o clero no mundo.O caso está sendo conduzido em sigilo, e a suspensão vigorará enquanto investigações estiverem sendo conduzidas, afirmou o chefe da sala de imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi. Ele disse que o monsenhor agiu de maneira incompatível com seus status na sede da Igreja Católica Romana.Colegas e amigos do padre conseguiram identificá-lo no programa de TV apesar do disfarce da voz. O monsenhor com freqüência celebrava missas e desempenhava o papel de âncora em um conhecido canal católico. Ele declarou ao programa que não se considerava pecador por conta de sua homossexualidade, mas havia sido forçado a mantê-la em segredo para não contrariar a pregação da Igreja em relação ao tema.O Vaticano raramente faz comentários sobre escândalos envolvendo padres, e a admissão rápida da suspensão do padre é incomum.

ANTÃO SAMPAIO

Hoje me reencontrei com o Antão Sampaio no escritório do Dr. Valdir Pinto. Primo dos meus primos, o Antão está escrevendo uma monografia sobre o juiz Moysés Viana. Veio de Osório, à procura de documentos e jornais da época. Em Florida, ele fez uma entrevista com a Dona Leca, que tinha cinco anos e ouviu o tiroteio naquele fatídico 24 de maio de 1936. Certamente, a monografia do meu amigo jornalista evoluirá para um livro.

NÍVIA ANDRES

Não tenho palavras para elogiar a coluna da jornalista Nívia Andres, publicada nA Folha Santiago, em 5 de outubro de 2007. Gostaria muito de cumprimentá-la pessoalmente, seu texto se alinha ao grande projeto que resultou na criação da Rua dos Poetas. Rendo-lhe uma homenagem, transcrevendo sua crônica (tão genial quanto as produzidas pelo Frotinha).

"Rua dos Poetas, nº 1

ooooo"Santiago. Rua dos Poetas. Noite de 3 de outubro de 2007. No puro ar da madrugada, leve brisa faz balançarem minúsculas estrelas de prata que restaram da festa de poucas horas antes. Suas partículas de luz envolvem Caio, Manuel, Zeca, Ramiro, Túlio, Antõnio Carlos, Sílvio, Carlos Humberto e Jaime, nove homens que deslizam lentamente, lado a lado, na solidão da rua, tão diferentes em sua circunstância, tão si-métrica e exatamente iguais na sua arte, prosa-poesia-palavra-poética-afinal. O que é a poesia senão a palavra rítmica que escorregou da frase e caiu na outra linha? E a prosa, não é somente a palavra comportada, tão bela quanto cântico, que insiste em caminhar até o fim da pauta?

ooooo"Estes homens-poetas, arquitetos de mil-palavras se movem na aragem noturna e comovem uns aos outros, ao contemplarem suas faces esculpidas em bronze, na pedra que os eterniza, humaniza e trz para perto do povo. E caminham, mirando-se no espelho do tempo. Caio relembra outros momentos, outra rua, em que correu desesperadamente sua solidão, até a uma porta que não se abriu... Manuel, ao caminhar, recorda a sua musa, dourada como o sol, argêntea como a lua... Zeca procura, com o olhar comprido, em íntimas paragens, o encanto das tardes de sonho de outrora... Ramiro sente ainda o cheiro bom de terra e de capim molhados e enxerga, protegendo o fundo da paisagem, o horizonte em fogo, como lenço colorado... Túlio, um pouco atrás, evoca vozes, ternamente mansas, trazidas pela boca do vento, que sopram fantasias e lembranças... Antonio Carlos perscruta a noite e lembra a tão próxima Vila Flores, terra sagrada, berço e bom abrigo da bela vida passada, sempre tropeada no corredor das lembranças...

ooooo"Sílvio levanta os olhos e avista uma alma de Quixote cruzando o campo, aguda como ponta de faca campeira, revolta de loucura santa... Mais contemplativo, Carlos Humberto reflete sobre o papel da verdade que, se imagem arrancada dos livros de Geografia, ganharia a suavidade dos riachos, falaria com a simplicidade das águas transqüilas, que não se encrespam de irritação, nem quando as tempestades acabam... E Jaime, feliz, reúne a todos e recita: Eu te agradeço, Senhor, glória tamanha, de viver aqui no terno seio deste povo, terei sempre que agradecer de novo!... E da simpleza do meu gesto me perdoa. Mas é a voz da minha alma que ressoa, neste canto de amor em tom de prece: Obrigado, Senhor! - É Santiago que agradece."

TEMPO E SOM

A neblina e a queda de temperatura ao entardecer de ontem diminuiram a visitação aos estandes abertos da feira. Culpa do tempo. O som extremamente alto na Praça da Alimentação feria os tímpanos mais sensíveis e inviabilizava o diálogo. Culpa do homem.

CÂMARA DE VEREADORES

A Casa do Povo marca presença na feira. Diniz Cogo, seu presidente, preocupa-se com a redefinição da própria democracia (em Santiago).

SHOW DE POESIA

O estande das Farmácias Fronteiras é um show de poesia. Numa sacada criativa, lúdica, rende-se uma homenagem aos atuais poetas de nossa cidade. O Oracy ganhou um espaço, com a sua caricatura em tamanho natural e vários poemas (entre os quais o meu sonemínimo ora / só / ora / com // ora / cor / ora / som // ora / céu / ora // ser / ora / cy). O projeto Santiago do Boqueirão – seus poetas quem são?, do curso de Letras da URI, também participa da Expo.

TRIGÊMEAS


ooooooooooooas três meninas
ooooooooooooiguais
oooooooooooocom milk shake
oooooooooooosorrindo
ooooooooooooas três
oooooooooooocom olhos azuis
oooooooooooodo céu que pinta

oooooooooooomais lindo

ooooooooooooas três meninas
ooooooooooooiguais
oooooooooooofeição idade
ooooooooooooe altura
oooooooooooocatorze aninhos
oooooooooooonão mais
ooooooooooooas três com a mesma
oooooooooooodoçura

oooooooooooovestindo roupas
ooooooooooooazuis,
oooooooooooode uma beleza
ooooooooooootão rara
ooooooooooooas três meninas
oooooooooooo
iguais
oooooooooooomariana
oooooooooooooooooomônica
ooooooooooooooooooooooomaiara

oooo
Não vejo coisas, vejo pessoas. Ontem conheci as trigêmeas Mônica, Mariana e Maiara. Elas vieram de Toroquá, interior de São Francisco, para visitar a ExpoSantiago. O Márcio as fotografou na fila do Milk Shake.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

OS TRÊS JÚLIOS

Júlio Ruivo, Júlio Prates e Júlio Garcia. Os três são santiaguenses, meus amigos.
O Ruivo, desde 1973, quando formamos a melhor turma que o Colégio Polivalente teve em sua história: a 6/6. Nossas raízes filogenéticas se assemelham: Nossos pais, de origem portuguesa, eram vizinhos, moradores do Rincão dos Machado e Rincão dos Ruivo (tendo o rio Rosário como limite). Nossas mães, de origem italiana, nasceram e moravam em localidades vizinhas: Ernesto Alves e Curuçu.
O Prates, conheço desde 1977, de outra turma inesquecível do Colégio Cristóvão Pereira. Nossas raízes distritais são as mesmas: Vila Florida. Agora voltamos a ser colegas no curso de Pós-Graduação de Leitura, Produção, Análise e Reescrita Textual.
O Garcia, também o conheço do Cristóvão Pereira, 1978/79. Sempre que eu vinha a Santiago, ele era das primeiras pessoas que procurava encontrar. Infelizmente, quando vim transferido para cá, ele se mudou para Porto Alegre. No próximo reencontro, devo devolver-lhe o livro de Whitman (Folhas das folhas de relva).
Os três Júlios são políticos, dotados de um grande intelecto e de uma honestidade com os seus ideais a toda prova. Embora defendam ideologias distintas, gostaria de ver esses três governando nossa cidade (ao mesmo tempo). Grosso modo, isso era o que Platão (o maior dos idealistas) pensou para a sua República. Com uma ressalva: Santiago continuaria a Terra dos Poetas.

A PEQUENA POLÍTICA

Lendo o último post da Eliziane, em que ela confessa sua decepção com a política feita em Santiago, ocorreu-me a idéia de que os políticos se dividem em dois grandes grupos: os idealistas e velhacos. A maioria dos jovens estaria no primeiro, com muitas possibilidades de quebrar a cara, dar-se mal na carreira. Uma coisa é certa: os idealista jamais continuam como tal, ou desistem, ou aprendem a velhacaria e se transformam em políticos de sucesso. Uma das práticas do segundo grupo foi condenada recentemente pelo poder judiciário: a cabriola (o salto da cabra, no sentido denotativo, e o salto de partido por conveniências pessoais, no sentido figurado). Embora tenha amparo constitucional, a reeleição é o outro mal que afeta negativamente a política em todas as esferas eletivas.
Pensei que essa tese fosse minha, original ou descabida, mas não é nem uma coisa nem outra. Vejamos o que diz um jurisconsulto sobre o assunto:
Aprovada a emenda constitucional da reeleição, é oportuno demonstrar a sua evidente inconstitucionalidade...

TEMPO INTERNETIANO

Uma coisa que ninguém pensou ainda: nossa noção de tempo evolui com o advento da Internet. Por falta de uma melhor definição, chamamos de "tempo real". O jornal ZH me foi entregue às 10 horas, desta sexta-feira. Leio: Nobel da Paz pode premiar luta contra o aquecimento global. Dessa forma, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore está entre os candidatos mais cotados à honraria. Antes, porém, eu havia ligado o computador e lera: Al Gore e Grupo da ONU para Mudança Climática (presidido pelo indiano Rajandra Pachauri) ganham o Prêmio Nobel da Paz. Sem minha conexão à rede (ou a outros meios com transmissão via satélite ou ondas de rádio), só amanhã saberia quem ganhou o Nobel da Paz.
Em tempo: aproveitem o feriado e assistam ao documentário Uma verdade inconveniente.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

AGORA É OFICIAL

Ontem recebi o seguinte convite:
"A Prefeitura Municipal de Santiago, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, convida Vossa Senhoria para receber o Troféu Caio Fernando Abreu dia 16/10/07, às 19 h., no Grêmio do Subtenentes e Sargentos da Guarnição de Santiago, por ocasião da abertura do evento Santiago Encena."
Há muito não saio de casa, meu sapato foi colocado ao sol e enrugou. Penso com Noel Rosa: com que roupa? Deverei alugar um sapato, obviamente. Tenho terno, de antanho, quase eterno o terno que tenho. A aparência não é o problema, penso. O que falar? Palavra que bicho nenhum foi capaz de criar, apenas o homem (Exupéry). Amanhã vou à ExpoSantiago.

BLOG PROCESSADO

O selo de música Zomba disse que abriu um processo contra o blog de fofocas PerezHilton.com, por postar ilegalmente músicas de Britney Spears. O processo, registrado em Los Angeles nesta quinta-feira (11), acusa o site e seu proprietário, Mario Lavandeira, de obter e postar ilegalmente pelo menos 10 músicas finalizadas e demos incompletas do álbum inédito da cantora, chamado "Blackout", durante os últimos três meses, informou a Zomba em um comunicado. "Blackout" estava marcado para ser lançado em 13 de novembro pela gravadora Jive Records, que faz parte da Zomba. Devido ao vazamento na internet, a data foi antecipada para o próximo dia 30. O processo não especifica valores monetários, mas pede por reparações reais e punitivas, assim como cobrança de danos legais.
ooooo
Anteontem, postei aqui o primeiro caso de censura a um blog (na verdade, eliminado da Rede). Nossa liberdade tem um limite.

A COBRA E O VAGA-LUME

Fui a uma palestra hoje, às 8 horas. O palestrante começou contando uma fábula que eu não conhecia: a cobra e o vaga-lume.
Era uma vez uma cobra que passou a perseguir um vaga-lume. Ele fugia rapidamente, com medo da feroz predadora, e a cobra nem pensava em desistir. Fugiu um dia, e ela não desistia; dois dias e nada... No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra:
- Posso te fazer três perguntas?
- Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te comer mesmo, podes perguntar...
- Pertenço a tua cadeia alimentar?
- Não.
- Te fiz alguma coisa?
- Não.
- Então, por que queres me comer?
- Porque não suporto te ver brilhar...
ooooo
O palestrante usou essa fábula para ilustrar o que ocorre entre os indivíduos humanos, mais especificamente a inveja. A vontade mais inconfessável do invejoso é a de devorar o outro, mas, na impossibilidade dessa antropofagia, vomita sobre ele todo o veneno.

ESCÓLIO

No texto abaixo, concluo com um termo que é próprio da psicanálise: transferência. Não dispondo lá de mais espaço, parafraseio aqui. O analista é substituído pela criança, o paciente por aquele que a ama. Pois bem, esse amor é reflexo de um sentimento que o adulto ainda tem em relação a sua própria infância.

RAZÕES DO CORAÇÃO

Por que adoramos as crianças? Por que amamos as crianças? Os motivos são conhecidos de todos os adultos: inocência, fragilidade, alegria, promessa de vida... Ainda que Freud tenha descoberto a sexualidade nos pequenos, apenas na puberdade a Natureza a impõe como uma exigência vital. Durante os anos iniciais, nenhuma prole dispensa maiores cuidados para um desenvolvimento seguro. Para salvá-la de um perigo real, iminente, somos capazes de grandes sacrifícios. Nada é mais autenticamente puro do que o sorriso da criança. (O primeiro sorriso da Isis foi fotografado por mim aos seus vinte dias de vida.) Além de levar nosso sangue, nossos genes e nosso nome, essas criaturas adoráveis conduzem acesa a chama da vida para amanhãs mais distantes. Perante elas, nosso “eu” torna-se menos espesso, menos centrado em si próprio. O comportamento infantil nos remete a algo que quase perdemos de todo, isto é, a capacidade incondicional de nos associarmos ao outro, lúdica e afetivamente. O teor de agressividade que é inato no indivíduo humano, manifesta-se na infância de uma maneira inconseqüente, sem premeditação, vingança ou ressentimento. Nossa evolução ocorre com a perda da inocência, o enrijecimento do corpo e da alma, o cenho necessário para a autodefesa e o enfrentamento da realidade – que diminui a extensão de todas as perspectivas. No ponto de fuga dessa inevitável trajetória, fica o paraíso que perdemos na infância. Um lugar que não mais reencontramos, um tempo ido e não mais vivido. Um pouco da admiração e do amor que sentimos pelas crianças é saudade, é transferência.
OOOO
(Texto a ser publicado na coluna do Expresso Ilustrado amanhã, Dia da Criança. A foto acima foi tirada quando este blogueiro tinha cinco anos, numa festa realizada em Bom Retiro. Única foto da minha infância.)

A TRADIÇÃO NÓRDICA

Por falar em Nobel de Literatura, lembrei do argentino Jorge Luis Borges, certamente um dos melhores escritores de todos os tempos. Borges sempre foi um dos favoritos ao prêmio, o qual não lhe foi outorgado. No final da vida, já desiludido, ele reconheceu, espirituoso, que negar-lhe o nobel já se transformara numa tradição nórdica. Disponho dos seguintes livros de Borges: Ficções; Elogio da Sombra/ Perfis; O livro dos seres imaginários; O informe de Brodie; História universal da infâmia; O livro de areia; O Aleph; História da eternidade; Os conjurados; Obras completas en colaboración.

NOBEL DE LITERATURA

Não deu outra: a Academia Sueca surpreendeu novamente. O nome da escritora britânica Doris Lessing não constava da lista dos favoritos. Justificativa do prêmio: Lessing transmite "experiência épico-feminina" e descreve"com ceticismo, paixão e força visionária a divisão da civilização". Romances da escritora: The Grass is Singing; The Golden Notebook; The Grandmothers; Time Bites; The Cleft...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

QUINTA UNIADIS EM SANTIAGO

Depois da Unopar, Unisul, Ulbra, Unicastelo (e outras que não sei), chega a Santiago mais uma universidade virtual: Uniderp. De Campo Grande (MS), a Uniderp oferece os seguintes cursos a distância: Administração, Pedagogia, Letras, Ciências Contábeis, Gestão de Pequenas e Médias Empresas, Gestão de Serviços de Saúde, Serviço Social... Site: www.interativa.uniderp.br

BORDERLINE

Quase todo acidente de trânsito é resultado de uma desobediência às normas estabelecidas. O Brasil é recordista em acidentes de trânsito. Portanto, o motorista brasileiro é um infrator contumaz. Infelizmente, as mortes ocorridas em nossas rodovias são a prova irrefutável do silogismo acima.
O acidente que matou 27 pessoas em Santa Catarina aconteceu porque um caminhão tentou ultrapassar outro veículo num trecho da rodovia em que as linhas contínuas não permitiam tal manobra (como se vê na foto). A despeito da presença dos bombeiro no local, não houve suficiente sinalização após o acidente, acarretando um segundo acidente (ainda mais grave que o anterior). O caminhão que o provocou trafegava na contramão, provavelmente a uma velocidade acima do permitido.
Minha tese é de que os homens se transformam ao volante de direção, viram borderline, no limite (sempre acima dele) entre a razão e a insanidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

FILOSOFIA ESPECIAL

Ao ler o título acima, no expositor da revistaria, levantei a revista e... "O saber filosófico de Nietzsche, Hume, Heidegger e Locke". Não tive dúvida: comprei a revista. Ao chegar em casa, rasguei o plástico protetor e... Não acredito: trata-se de Filosofia Clínica. Matérias:1) Entrevista com Lúcio Packter (criador da Filosofia Clínica, fala sobre esta modalidade de tratamento com foco existencial); 2) Mundos Legítimos (o instrumental teórico básico usado pelo filósofo clínico para traduzir o unverso do partilhante); 3) Conhecimento Milenar (A Filosofia utilizada para auxiliar na recuperação da autonomia e responsabilidade individual); 4) Caleidoscópios previsíveis (A projeção do modelo de um homem bla-bla-blá); 5) Certezas incorretas (A Ética a Nicômaco, de Aristóteles, empregada terapeuticamente para corrigir raciocínio e promover mudanças de atitude); 6) Historicidade (Partilhar da história pessoal é fundamental para o filósofo clínico, além de ser um processo com potencial modificador); 7) Saúde relativa (A medicina encontrando subsídios necessários para tratar questões que extrapolam seu campo); 8) Lucidez para construir (O importante e frutífero diálogo entre a Filosofia Clínica e a Psicologia); 9) Eu sou eu? (Critério utilizado na Filosofia Clínica pode ser visto como contribuição à procura humana da identidade pessoal); Ensaio (O conceito de normalidade e loucura e a estrutura do delírio); 10) Auto-avaliação (A importânica dos encontros nacionais entre os filósofos clínicos).
O que faço? Não posso devolver a revista. É tanta "filosofia clínica" pra cá e "filosofia clínica" pra lá que estou predisposto a não entrar nesse filosofismo "manicomial". Estranho? Não, absolutamente. Psicanalistas filosofam. Filósofos psico-analisam. E os médicos? Criam bois em Santiago. Uma doidera...!

BLOGUEIROS, CUIDADO

Blogueiros, cuidado ao criticarem os ricos e poderosos.
Quando um bilionário nascido no Uzbequistão e um ex-embaixador britânico sem papas na língua se chocaram por causa de um blog crítico, o primeiro resultado foi equivalente a censura na Internet. O "web log" (ou blog) diário do ex-embaixador do Reino Unido no Uzbequistão, Craig Murray, desapareceu depois que o provedor de Internet de Murray na Grã-Bretanha recebeu uma enxurrada de intimações ameaçadoras exigindo a retirada da informação "potencialmente difamatória" sobre Alisher Usmanov, um magnata da mineração uzbeque que tem uma crescente participação no time de futebol inglês Arsenal. Duas semanas depois, Murray não está mais blogando, mas suas opiniões corrosivas deverão voltar à tona através de um provedor de Internet da Holanda, cujas leis contra difamação são mais brandas, que oferece refúgio para blogueiros polêmicos dos EUA e da Inglaterra. E com essa viagem Murray despertou o apoio e a revolta geral de blogueiros e provedores de Internet, que se queixam de que as exigências das empresas estão ficando mais freqüentes em vários países.
oooo
Li essa no UOL (para assinante). Imaginem se a moda pega!

TROFÉU CAIO FERNANDO ABREU

Não recebi nenhuma correspondência, oficializando minha escolha para receber o troféu "Caio Fernando Abreu". Mas as notícias viajam num raio de luz (como imaginou Einstein ver o mundo um dia) no ambiente da Rede. Muitas vezes, quase se adiantando aos fatos. Uma insinuação que eu teria surpresa durante a Feira do Livro e o pedido do meu currículo (de pessoas ligada à URI e ao Centro Cultural, respectivamente), me apontavam para a possibilidade de ser lembrado pela comissão. Li no Blog do Júlio Prates o resultado. Surpreso com a escolha do meu nome para a Literatura (pela modéstia que trago de berço e que aprendi socraticamente) e plenamente de acordo com os nomes de Valdir Pinto para a Cultura e de Mara Rebelo para a Educação. Por um lapso, deixei de fora das informações adicionais do meu currículo um dos pontos mais importantes do meu envolvimento literário em Santiago: a criação do Concurso Aureliano de Poesia. Desde 1998, já em sua sétima edição, o concurso tem contribuído para levar o nome de Santiago e de seu nobre epíteto, Terra dos Poetas, país adentro. Na edição de 2007, por exemplo, tivemos 120 trabalhos inscritos de muitos estados brasileiros.
Demais itens do meu currículo:
§ Autor do livro Ponteiros de Palavra (poesia)
§ Organizador do livro O que importa em Oracy (com Fátima Friedriczewski e Júlio Prates)
§ Organizador do livro Ruadospoetas – Antologia 1
§ Textos publicados em várias antologias
§ Revisor (jornais, revistas e livros)
§ Colunista do jornal Expresso Ilustrado e da revista A Hora
§ Professor de Literatura para o PEIES e Pré-Vestibular no Sinapse
§ Diretor do Departamento de Literatura do Centro Cultural

de Santiago (interino)
§ Membro Correspondente da Academia Santa-Mariense de Letras
§ Bibliófilo (acervo particular superior a 1.000 livros)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

PASSEIOS EM CURITIBA

Ópera de Arame é um teatro construído com tubos de aço e estruturas metálicas, coberto com placas transparentes de policarbonato. De forma circular, a edificação é parcialmente circundada por um lago artificial, de maneira que o acesso ao auditório é feito por uma passarela sobre as águas. Mas esse não é o maior nem o melhor teatro de Curitiba, uma vez que há o Teatro Guaíra. Fui uma única vez, assistir a um concerto musical. Na capital paranaense, prefiro os parques, os museus, os restaurantes, o Clube de Xadrez, as livrarias e sebos...

PONTOS TURÍSTICOS

PARANÁ: Curitiba (Jardim Botânico, Ópera de Arame, Parque Barigüi, Museu Oscar Niemeyer, Ruas das Flores, Feira do Largo da Ordem), Vila Velha, Estrada da Graciosa, Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, Ilha do Mel, Foz do Iguaçu (Parque do Iguaçu, Itaipu, Ciudad del Leste).
SANTA CATARINA: Praias, Florianópolis, Blumenau...
RIO DE JANEIRO: Cristo Redentor, Pão de Açúcar (ao anoitecer), Maracanã, Barra da Tijuca, Ilha de Paquetá, Arcos da Lapa, Petrópolis (Museu Imperial, Palácio de Cristal, Casa de Santos Dumont e Rua Teresa)...
MINAS GERAIS: Poços de Caldas.
MATRO GROSSO DO SUL: Bonito (o lugar mais bonito que conheço), Pantanal (Corumbá, Rio Paraguai, fronteira boliviana)...
RIO GRANDE DO SUL: Canela e Gramado (véspera de Natal), Vale do Vinhedo, Porto Alegre, Torres, fronteira uruguaia, Aparados da Serra, Ruínas de São Miguel, Festa da Uva em Caxias...
ooo
ooo
Todos esses são pontos turísticos que conheço. Há outros menores que ficam para uma próxima postagem.

FEIRA DO POETA


Curitiba é modelo para todo o Brasil e para o mundo (no caso do transporte urbano). Nessa capital há uma Feira do Poeta, aberta permanentemente. Nos anos oitenta, cheguei a imprimir alguns poemas, depois de montá-los num prelo com tipos de chumbo.Todas as vezes que vou a Curitiba, a Feira do Poeta é roteiro obrigatório. Da última visita, trouxe o seguinte poema de Cláudio Daniel:

OOOOOvírus
oooo
0000
OOOOOOOo
OOOOOOOvírus
OOOOOOOo vivo vírus
OOOOOOOna vulva - pústula -
OOOOOOOlepra acesa, que arde, arde
OOOOOOOno papel;
OOOOOOOpiolhos
OOOOOOOno branco orifício do zero
OOOOOOOassim é o tosco ofício
OOOOOOOdo fácil,
0000000ovírus fútil
00000000que, para alguns
oooooooooé poesia
ooo
ooo
(A foto acima mostra a Casa Romário Martins, onde se localizava a Feira do Poeta nos anos oitenta. Na última vez que fui a Curitiba, a feira havia se mudado para o outro lado da largo.)

domingo, 7 de outubro de 2007

MARIA

Teu cabelo era feito dos raios solares e das flores que colhias naquelas manhãs distantes. Vestias uma roupa de fustão estampado com boninas azuis. Os carrapixos do campo se agarravam nas tuas meias, acima dos sapatinhos de fivela. Um menino brincava contigo, faceiro dentro de uma calça curta com suspensório. Onde foi parar aquele tempo, meu Deus?

FORTE COIMBRA

Do ponto mais alto do Forte, recostado à muralha, espero as primeiras luzes do dia. O céu é de um azul cambiante, infiltrado pelos tons quentes. As nuvens sobre o horizonte enfeitam um dos adventos mais belos da natureza - o dilúculo. Em primeiro plano, a curva do rio (onde começa o Morro da Marinha). O Paraguai vem na direção do Forte, silencioso, desviando-se rumo à Baía Negra. A brisa norte, agradável. Ouço os bugios no outro lado e pássaros em todo lugar. As cores mudam a olhos vistos. Elas tomam o céu, refletidas pela superfície espelhada do rio. Um ponto por detrás da delgada nuviação se torna mais e mais intenso, de um vermelho sangüíneo. O relógio marca seis horas. Identifico-me com o primeiro poeta da humanidade que contemplou o amanhecer. O Sol aparece, e sua luz inunda o Pantanal.

TARDE CAMPEIRA

Umbus. O rancho. Três guris na frente,
livres, lembrando pássaros selvagens,
laçam, refugam gado inexistente,
que apascentam nas íntimas paragens.

Acompanha, mateando, as traquinagens,
o casal de velhitos, docemente.
São relevos bizarros nas paisagens
renascendo emoções na alma da gente.

É o Rio Grande de outrora, redivivo!
Balizando fronteiras, sem alardes,
severo e sóbrio campeador nativo!

És tu Santiago, meu rincão agreste,
bendito, pelo encanto destas tardes,
pelas horas de sonho que me deste!
OOOO
ooooo
(Soneto incluído na antologia Ruadospoetas)

MANUEL DO CARMO

Entre os livros de Manuel do Carmo, Consolidação das Leis do Verso é o mais completo tratado de versificação em Língua Portuguesa. Editado em 1919, supera o escrito por Olavo Bilac e Guimaraens Passos em 1905. Não conheço o Tratado de metrificação do português António Feliciano de Castilho, muito mais antigo (meados do século XIX) e, por isso mesmo, menos atualizado. Em 2000, o poeta gaúcho Armindo Trevisan lançou A Poesia - Uma Iniciação à Leitura Poética, impossível de ser comparado com o do Manuel do Carmo por sua maior abrangência teórica. Cada definição, cada tópico tratado em Consolidação das Leis do Verso constitui um artigo. Exemplo: Art. 89. Na contagem das sílabas, quando há vogais em frente uma da outra, estas ora se devem elidir, ora se repelem, ora lhes é facultativa a elisão. Ao todo, são 740 artigos.
Recomendo aos novos poetas de Santiago que estudem os elementos poéticos: ritmo, métrica, rima, figuras etc. Dr. Valdir Pinto está com o livro original, o Oracy e eu dispomos de uma cópia.

O MITO DA "LOIRA BURRA"


A piada da "loira burra", tão ao gosto das morenas, denuncia uma campanha subliminar para puxar o tapete de quem é o protótipo universal da beleza feminina. Na verdade, a "loira burra" é uma morena. Tudo começou na Roma (a genealogia é muito importante). Desmond Morris escreve em seu A mulher nua: A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messalina, gostava de fazer sexo com estranhos. Para não ser reconhecida e atrair mais facilmente suas "vítimas", saía para a sua caçada noturna usando uma peruca loira, exclusiva das prostitutas romanas. Outras damas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prostitutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às loiras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se estabelecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se reproduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinha de luxo, loira burra.
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Um argumento de autoridade em favor das loiras (que se fundamenta apenas na imagem) ocorre na festa do Oscar nos Estados Unidos: Nicole Kidman. As outras mulheres quase desaparecem, ofuscadas pela beleza loiríssima (ou ruivíssima, pois não vejo diferença estética entre as duas) da australiana.

A MULHER NUA

O escritor e zoólogo inglês Desmond Morris - autor de O macaco nu - descreve o corpo feminino, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezadas. Na fronteira da Zoologia com a História e a Sociologia, Morris desnuda nesse livro os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo existente no planeta". Acerca dos cabelos, por exemplo, escreve:
Existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa cabeça humana. As loiras têm cabelos mais finos e, como compensação, um número de fios ligeiramente superior à média - geralmente cerca de 140 mil. As morenas têm cerca de 108 mil, enquanto as ruivas que possuem cabelos mais espessos, têm apenas 90 mil. [...] Qual é a atração dos cabelos loiros, um apelo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artificiais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fato de eles serem finos e leves, mais suaves ao toque e portanto mais sensuais nos momentos de íntimo contato corporal. Por entre os dedos ou no contato com o peito do homem, a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. Assim, nesse aspecto, as loras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. Na verdade, a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. A mulher loira tem uma penugem fina e suave nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. [...] A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pêlos das morenas. [...] A mulher loira passa uma imagem mais juvenil.[...] As loiras passam uma idéia de juventude porque, em grande parte da humanidade, os bebês são mais loiros que os pais, de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelmente associada à infância.

sábado, 6 de outubro de 2007

WILLIAM SHAKESPEARE

Por falar em Shakespeare, leiam o que Will Durant escreveu acerca do poeta: O que nele mais gostamos é a loucura e a riqueza do seu falar. Tem o estilo da vida que levava, pleno de energia, tumulto, cor e excesso; "nada como o excesso". Estilo às carreiras, sem fôlego; o poeta escrevia a galope e jamais encontrou folga para arrepender-se. Nunca emendou uma linha, nem corrigiu provas; a suposição de que no futuro suas peças seriam antes lidas do que representadas jamais lhe ocorreu. Descuidado do porvir, escreveu com o fogo da paixão. Palavras, imagens, frases e idéias lhe vinham numa inexaurível torrente - e inquieta-nos saber de que fonte brotavam. Ele tem "uma casa-da-moeda de frases em seu cérebro". Homem nenhum dominou tanto uma língua, nem usou-a com maior prodigalidade. Vocábulos anglo-saxônicos, franceses, latinos, palavras de cervejaria, palavras médicas, palavras legais; ligeiras linha monossilábicas e sonoros discursos sesquipedais; eufemismo de damas e grosseiras obcenidades idiomáticas: unicamente um escritor do tempo de Isabel ousaria jogar com semelhante língua. Temos hoje melhores maneiras e menos força. Sim, seus enredos são impossíveis, como notou Tolstoi; os equívocos são pueris, os erros são legião, e a filosofia é de renúncia e desespero. Nada importa. O que importa é que em cada página fulgure a divina energia da alma - e isto nos faz perdoar tudo a um homem. A vida está além da crítica - e Shakespeare é mais vivo que a vida.