Ontem recebi o Certificado do curso de Capacitação em Comunicação Social. O Exército Brasileiro potencializa a formação intelectual de seus integrantes com o ensino a distância (sem abrir mão da presencialidade).
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
CONTE UM CONTO - RESULTADO
Hoje passei a tarde dentro da sala de reuniões da Secretaria de Educação e Cultura de Santiago, como membro da comissão que escolheu os melhores trabalhos produzidos para o 6º Concurso Literário "Conte um Conto". Depois de ler todos os concorrentes (acima de 30), chegamos aos cinco finalistas. Pelo regulamento, apenas os dois primeiros serão premiados em dinheiro. Sugeri à organizadora, professora Eleni, que desse uma menção honrosa aos outros três. Entre os contos selecionados na primeira triagem, dois se destacaram com unanimidade. Dois contos excelentes, a despeito do estilo diverso que os caracterizam: um sintético, com pontos substituindo os conetivos (à Dalton Trevisan); outro, analítico, primando pelo fluxo contínuo da palavra (à Caio Abreu).
1º Lugar: O teu conto - Camila Canterle Jornada
2º Lugar: Fronteira(s) - Erilaine Perez
3º Lugar: A torre - Ciméia Almeida Machado Fiorin
4º Lugar: Finalmente o fim - Matheus Chaves
5º Lugar: Apenas mais uma (outra) de amor - Inaê Oliveira
ENEM - UMA COISA OU OUTRA
Toda a trapalhada que ocorreu na elaboração, aplicação e efeitos da prova do Exame Nacional do Ensino Médio, incluindo o vazamento do tema da redação, ou demonstra cabalmente a incompetência que afeta nossa educação, ou há um propósito subreptício para descrédito dessa forma de concurso, que leva à universidades alunos pelo mérito intelectual. As duas alternativas não se contradizem pelo caráter antiético que prevalece na política nacional.
Uma terceira possibilidade, seria a derrubada de Fernando Haddad para o próximo governo (embora o presidente Lula já tenha pedido para mantê-lo no ministério).
terça-feira, 9 de novembro de 2010
NOVO ÍNDEX
O Índex Librorum Prohibitorum foi criado pela Igreja Católica em 1559, no Concílio de Trento, e tinha como objetivo queimar livros que de alguma forma contrariava a doutrina cristã. A última edição do índex, pasmem os leitores, ocorreu recentemente, em 1948, e continha uma relação de 4.000 títulos condenados. Quando a igreja achava que queimar os livros não era suficiente, jogava na fogueira seus autores (como foi o caso de Giordano Bruno). Ainda por motivos religiosos, o fundamentalismo islâmico condenou à morte Salman Rushdie, autor do romance Versículos satânicos (eu li). O escritor indiano foi obrigado a se refugiar na Inglaterra para fugir à fatwa do Aiatolá Khomeini. No século XX, muitos livros foram queimados por motivos políticos. A revolução (a)cultural promovida por Mao Tsé-Tung na China intentou substituir uma história milenar (incluindo a sabedoria de Confúcio) por um único Livro Vermelho. Para isso, atacou os intelectuais, fechou as universidades e queimou livros. Outras revoluções condenaram, apreenderam e queimaram livros pelo mundo afora, algumas vezes para evitar o que aconteceu, acontecia ou aconteceria na China. No século XXI, todavia, a primeira condenação de um livro ocorre em nosso país. Pasmem os leitores. O julgamento condenatório parte do Conselho Nacional de Educação. O livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, seria racista, em razão de passagens como a que se refere à tia Anastácia, "que tem carne negra" (na fala de Emília). Lembro-me de ter lido esse livro na adolescência, uma história cheia de emoção. Se a moda pega (desde já, sou contra), muitos outros autores deverão ser relacionados nesse novo índex tupiniquim.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
DIVERSOS E ESPARSOS
As palhaçadas do ENEM sempre foram divulgadas (até editadas, desconfio), provando o ridículo a que chegou nossa educação. Todo mundo ri(a) do ridículo a que chegou nossa educação. Sim, rir dos estudantes dá no mesmo. Agora, a palhaçada é de quem instituiu, organizou e aplicou a prova, a começar pelo Ministério da Educação.
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Há blogueiros que pregam moral e são imorais, que negam falar de política e falam de política, que pregam o amor ao próximo para camuflar seu egocentrismo terra-a-terra, que atribuem aos outros defeitos que eles lutam para se desvencilhar.
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A propósito, blogueiros divulgam a formação de um novo partido em Santiago (ou a inserção de novos nomes para um partido velho). Por que não se fala mais no grande nome para as oposições, de alguém que se destaca em nossa cidade como administrador? Por quê? Certamente, essa pessoa não aceitou mudar de partido (dar cabriolas).
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Político que muda constantemente de partido é semelhante à cabra: ambos dão cabriolas. A cabra, no sentido real, uma vez que pular é da sua natureza. O político, no sentido figurativo, pula para atender seus próprios interesses.
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A localidade do Passo da Cruz estava de festa ontem, festa que fora adiada de sua data costumeira, no mês de outubro. Diferentemente dos anos anteriores, desta vez não havia um único figurão da nossa política. Por que será? O próximo pleito está distante? Meu tio é categórico: Brasília começa aqui.
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Até a passagem do século (ou milênio), a revista Veja era argumento de autoridade de certos arrivistas. Hoje eles a execram sem constrangimento.
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Destaco como um dos melhores textos do Expresso Ilustrado da última edição a coluna do leitor, enviada por Heloísa Flores. Da última edição da Veja, o melhor texto é A velha Ibéria resiste no governo, de Maílson da Nóbrega.
sábado, 6 de novembro de 2010
CATEGA DO GURI
Uma vez que não é feio o louvor de si mesmo no âmbito da nossa blogosfera, chamo a atenção para as seguintes coincidências:
1) Dia 31 de outubro, na postagem Inverno ou verão (ler abaixo), escrevi "Os votos que a elegerão são de duas procedências: dos petistas e da massa alienada que se move para lá e para cá como um tsunami". O colunista Roberto Pompeu de Toledo da Veja, escreve na última edição da revista (03 nov 10): "O eleitorado é como o mar [...] Às vezes, toma-se de empolgação e avança como um tsunami".
2) Na coluna do Expresso Ilustrado de ontem, 5, escrevi Presidenta, analisando esse substantivo feminino já registrado pelo Grande Houaiss. No blog, o título para esse mesmo texto é Presidente - presidenta. Abro o caderno Cultura do Zero Hora de hoje, e a coluna do professor Cláudio Moreno é Presidente ou presidenta (citando o Houaiss). Sou mais eu.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
TRAVESSURAS DA MENINA MÁ (II)
Terminei de ler Travessuras da menina má, de Vargas Llosa, escritor peruano que ganhou o Nobel de Literatura este ano. Leio lentamente, porque sofro para ler (olhos e enxaqueca). Não obstante, leio minuciosamente, sublinhando palavras, frases, parágrafos. Na parte interna da capa ou numa página em branco, anoto capítulos, personagens, tempo e lugar. Uma palavra me chamou a atenção, por aparecer seis vezes ao longo do romance: anódino(a)(s). O romance tem mais de 300 páginas, com pouco diálogo, subdividido em sete capítulos. A história começa no bairro Miraflores, em Lima (1950), quando o personagem-narrador, Ricardo Somocurcio, então com 15 anos, apaixona-se por Lily.O segundo capítulo pula para Paris dos anos 60; o terceiro, para Londres, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; para Tóquio; outra vez para Paris; para Lima; para Madri dos anos 80. A história termina ao sul da França, com o reencontro entre Ricardo e a menina má (ou Otilia, ou Lily, ou camarada Arlette, ou madame Arnoux, ou Mrs. Richardson, ou Kuriko, madame Somocurcio). Antes de morrer de câncer, numa tarde, "sentados no jardim, ao crepúsculo, ela me disse que se algum dia eu pensasse em escrever a nossa história de amor, não a deixasse muito mal, senão o seu fantasma viria me puxar os pés todas as noites. - E por que pensou isso? - Porque você sempre quis ser escritor, e nunca teve coragem. Agora que vai ficar sozinho, pode aproveitar, assim esquece a saudade. Pelo menos, confesse que lhe dei um bom material para escrever um romance. Não foi, bom menino?". Esse final ocorre em 1989, trinta e nove anos depois. Uma tragédia contada com humor, uma comédia contada com seriedade. Vargas Llosa é realista, apolíneo, diferente de García Márquez, mágico, dionisíaco.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
JUAREZ GIRELLI
O Juarez abriu uma banca de jornais, revistas e livros na Praça Franklin Frota, ao lado do ponto de táxi. Hoje passei por lá e me interessei por dois livros: O que é política?, de Wolfgang Leo Maar, e A linguagem e seu funcionamento - as formas do discurso, de Eni Pulcinelli Orlandi. Wolfgang é analísta político, professor na Universidade Federal de São Carlos. Eni Orlandi é um dos nomes mais destacados na linguística de nosso país. Mas o objetivo desta postagem é tecer um comentário sobre o Juarez. Meu amigo é escritor e militante do Partido dos Trabalhadores. Nas últimas eleições, fez campanha para o Valdeci Oliveira, eleito para a Assembleia Legislativa. Seu candidato a governador e amigo, Tarso Genro, também ganhou fácil no primeiro turno. Outro dia perguntei a ele, em tom de brincadeira, se não iria para Porto Alegre, a convite de um desses correligionários. Disse-me que não, com a humildade que o caracteriza desde sempre. Nenhum cargo de confiança? Em Santiago, pelo menos... Certamente, meu amigo não será lembrado pelos próximos anos, o que não é óbice para sua fidelidade (ao partido e aos políticos eleitos).
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
LITERATURA VERSUS POLÍTICA
O Ivan tem razão (não pela crítica que faço a todas as esquerdas, mas por uma série de motivos): a literatura é 10; a política terra-a-terra é zero. Prefiro, em última instância, a loucura na ficção, ao mau-caratismo na realidade. Doravante, dedicarei mais tempo ainda à arte da palavra. Qualquer esforço a favor da ética, contra a baixaria, o roubo oficializado é completamente inútil.
(Rui Barbosa também tinha razão.)
(Rui Barbosa também tinha razão.)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
LUZ QUE NÃO APAGA
Hoje recebi duas ligações, convidando-me para ir ao cemitério do Bom Retiro, entre Santiago e Jaguari. Minha mãe foi sepultada lá (numa das manhãs mais tristes da minha vida). Um problema de saúde me obriga a ficar em casa neste dia, lendo o último romance de Vargas Llosa e escrevendo um texto para a coluna do Expresso Ilustrado. Também penso no costume de frequentar o cemitério no Dia de Finados, para levar flores e acender velas aos mortos mais próximos. Ao respeito que temos por eles se acrescenta a expectativa de que nossos túmulos sejam visitados futuramente. Por isso, vamos ao cemitério. Não cabe aqui dizer que todo dia é dia de pensar em nossos entes queridos (mortos ou vivos), que mais acesa que uma vela é a terna lembrança, que mais viva que uma flor e a emoção, a lágrima nos olhos. Caso pudesse, iria ao cemitério neste dia.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
CARLOS PENA FILHO
A oficina de poesia que estou orientando no Centro Cultural me exige muito estudo. Com isso, passo a conhecer certos detalhes da nossa literatura que desconhecia (em razão dos livros didáticos constituírem sempre uma amostra superficial do que se destaca no amplo cenário brasileiro). Pesquisando sobre estrofes isométricas, isto é, com versos de mesma medida, cheguei ao nome de Carlos Pena Filho (Recife, 1929 - 1960), um dos mais importantes poetas pernambucanos depois de João Cabral de Melo Neto. Logo me identifiquei com a sua poesia, com forte apelo pictórico, especialmente pela cor azul. Destaco os sonetos:
.
Para fazer um soneto
Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
E espere um instante ocasional
Neste curto intervalo Deus prepara
E lhe oferta a palavra inicial
Ai, adote uma atitude avara
Se você preferir a cor local
Não use mais que o sol da sua cara
E um pedaço de fundo de quintal
Se não procure o cinza e esta vagueza
Das lembranças da infância, e não se apresse
Antes, deixe levá-lo a correnteza
Mas ao chegar ao ponto em que se tece
Dentro da escuridão a vã certeza
Ponha tudo de lado e então comece.
Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas
.
.
Desmantelo Azul Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas
.
Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas
.
E afogados em nós nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço
.
E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas
.
E afogados em nós nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço
.
E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.
domingo, 31 de outubro de 2010
INVERNO OU VERÃO
Todos os anos, ouço reclames contra o frio que faz alguns dias no inverno, quando as pessoas confessam abertamente sua preferência pelo verão. Antes de dezembro chegar, elas são coerentes ainda em repudiar aquela estação. Paulatinamente, a temperatura se eleva, seca até a raiz das gramas e a substância de que é feito nosso corpo parece derreter. Sem demora, os mesmos reclamantes (meses atrás) passam a criticar o calor insuportável.
Tamanha incoerência nos gostos e irresponsabilidade na escolha se justificam na medida em que tais pessoas são hedonistas e nada mais. Noutras palavras, vivem em função do prazer imediato, umbiguista e sensual.
Neste dia, faz-se a opção entre Serra e Dilma.
Os números propiciados pelas pesquisas indicam a vitória da candidata. Os votos que a elegerão são de duas procedências: dos petistas e da massa alienada que se move para lá e para cá como um tsunami. Daqueles fundamentalistas, militantes de três décadas, a Dilma terá apoio sempre, independentemente do êxito ou do fracasso de seu governo. Da massa de votantes que a elege hoje hei de ouvir reclamações futuras, na medida em que são pessoas irresponsáveis com suas próprias razões. Muitas (des)mentirão a si mesmas, jurando que não votaram em Dilma. Isso é compreensível, em vista de se adquirir o direito perdido no momento da escolha (justamente hoje, 31 de outubro de 2010).
Caso Serra fosse eleito, a tese acima continuaria válida. Dessa forma, não há como adiantar qual a opção certa. O que se comprova equivocada é a irresponsabilidade com a escolha.
Da parte que me cabe, já assumi a responsabilidade: prefiro o inverno. Mais de uma vez, reclamarei dos dias quentes que virão.
sábado, 30 de outubro de 2010
PRESIDENTE - PRESIDENTA
A língua portuguesa teve origem no latim vulgar, falado pelos romanos na Península Ibérica (desde 219 a.C.). Esse latim era bem diferente do falado ou escrito pelos grandes oradores ou poetas de Roma, entre os quais destacam-se Cícero e Ovídio. Na evolução posterior da "última flor do Lácio" é que os estudiosos passaram a tomar o latim clássico como referência etimológica, o que nunca impediu a inserção de outras línguas (no Brasil, as faladas pelos índios, pelos negros e pelos imigrantes).
O parágrafo acima infere dois aspectos interessantes: a língua é imutável, fixa, sujeita a regras que a normatizam e é dinâmica, flexível, sujeita a mudanças. A escrita segue o padrão e a fala inova. Quando a inovação é aceita pela maioria dos falantes, começa a ser aceita também pelos escritores e gramáticos. Exemplo perfeito é o feminino de presidente: presidenta.
Há pouco tempo, presidente era considerado particípio presente (ou ativo) do verbo presidir. Não formava o feminino com a desinência a. Isso era inconcebível. Do particípio ativo passou a constituir um substantivo de dois gêneros. O artigo determina o masculino e o feminino: o presidente, a presidente.
O povo começou a falar presidenta e os grandes dicionaristas já incluem a novidade no universo léxico da nossa língua. O Grande Houaiss (para citar o mais volumoso dicionário brasileiro) registra o seguinte: presidenta s.f. 1 mulher que se elege para a presidência de um país (a p. da Alemanha) 2 mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição (a p. do Centro Cultural) 3. Mulher que preside algo (a p. da sessão do congresso) 4 p. us. mulher do presidente.
Diz-se que a língua é machista, e é. A definição 2 acima o prova.
O povo começou a falar presidenta e os grandes dicionaristas já incluem a novidade no universo léxico da nossa língua. O Grande Houaiss (para citar o mais volumoso dicionário brasileiro) registra o seguinte: presidenta s.f. 1 mulher que se elege para a presidência de um país (a p. da Alemanha) 2 mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição (a p. do Centro Cultural) 3. Mulher que preside algo (a p. da sessão do congresso) 4 p. us. mulher do presidente.
Diz-se que a língua é machista, e é. A definição 2 acima o prova.
Dessa forma, somos testemunhas de uma evolução que não trai a origem popular, vulgarizada ou enriquecida com a participação dos falantes. A sociolinguística contribui enormemente na rápida oficialização dessas inserções, para o dissabor dos gramáticos mais conservadores.
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O João Lemes, ao defender uma escrita mais coloquial possível para o Expresso Ilustrado, de maior alcance popular, está certíssimo em determinar que seus redatores grafem presidenta, chefa, generala...
Obviamente, por uma questão de estilo até, a opção por a presidente ou a presidenta continuará sendo facultativa.
JOHN KEATS
Em 25 jun 10, postei sobre o filme Brilho de uma paixão, que mostra os últimos anos de vida de John Keats, um dos maiores poetas inglês. Ontem, quando a cidade adquiria feições românticas, vestida de cinza, vi o filme de Jane Campion (diretora de O Piano), com Abbie Cornish e Ben Whishaw no papel, respectivamente, de Fanny Brawne e Keats.
Sinopse: "Em 1818, o irmão do jovem poeta John Keats adoece e a vizinha Fanny Brawne oferece seus cuidados. Encantado, John se aproxima da moça com o pretexto de ensiná-la poesia. Os dois pertencem a mundos totalmente distintos, mas isso não impede que se apaixonem. E no momento em que a mãe de Fanny e o melhor amigo de John descobrem o caso, já é tarde demais para tentarem desaconselhá-los. O casal mergulha num romance obsessivo no qual a paixão é tão forte quanto as turbulências".
Numa relação dos dez maiores poetas da humanidade, Will Durant inclui John Keats, deixando de fora Ésquilo, Sófocles, Horácio, Ovídio, Virgílio, Petrarca, Milton, Goethe, Byron, Victor Hugo, Heine, Poe, entre outros.
Em Canto ao Rouxinol, o poeta escreve:
Na penumbra escuto e muitas vezes me enamoro da Morte serena, peço-lhe que me exsolva em sopro no ar quieto. Mais que nunca, hoje, parece-me belo morrer, cessar sem dor à meia-noite enquanto soltas pelo espaço o êxtase do teu canto. E continuarias cantando sem que eu, transfeito em pó, tenha ouvidos para ouvir teu sublime réquiem.
Em 1819, a tuberculose se manifesta agudamente. O poeta trocou a Inglaterra pela Itália em busca de sol, mas a mudança não lhe fez bem. Longe da amada, a ideia da morte passou a ser o único reconforto (escreve seu amigo Severn). Compôs o próprio epitáfio: "Aqui jaz alguém cujo nome está escrito na água". Morre em 23 de fevereiro de 1821, com apenas 25 anos, para a profunda tristeza de Percy Shelley (outro poeta inglês incluído na relação dos 10 maiores por Durant).
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
NAVEGAÇÃO
A cidade, quando cinza, parece um barco no meio da tarde, um barco que escurece a medida que se aproxima do cais. Não demora, é noite. Os ratos saem dos porões imundos, com a ousadia de quem sabe que seus predadores, os gatos, enfastiados de comida, ou dormem aos pés dos homens, ou correm atrás de fêmeas no cio. Cidade, ratos, gatos, homens... tudo navega por esse mar sempre antes navegado, perdidos dentro da neblina.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
CONCEITO DE MEME
No último capítulo do livro O gene egoísta (que li duas vezes de tão bom), Richard Dawkins "cria o conceito de meme. Um meme pode ser compreendido como uma unidade de cultura, um comportamento ou uma ideia que pode ser passada de pessoa pela imitação". (Cito a revista filosofia, nº 51.)
"Existe uma grande discussão sobre se os memes podem ser passados só por imitação ou se podem ser passados por outras formas de aprendizado social. Mas o importante é que eles são copiados de indivíduo para indivíduo. Ele é o replicador e, deste modo, o meme é o análogo cultural do gene."
Segundo Susan Blackmore, "memes são instruções para realizar comportamentos, armazenado no cérebro (ou em outros objetos) e passado adiante por imitação".
Exemplos de memes: a moda nas roupas e na alimentação, cerimônias e costumes, artes, ideias, o alfabeto, a religião etc.
Exemplos de memes: a moda nas roupas e na alimentação, cerimônias e costumes, artes, ideias, o alfabeto, a religião etc.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
MEME DA CORRUPÇÃO
O debate político (não seria embate?), que ocorre entre os dois candidatos à presidência e, de uma forma generalizada, entre os brasileiros mais ou menos politizados, com posição definida, não sai do zero a zero, do dez a dez, enfim, do empate. Por falar em “brasileiro politizado”, o país se divide atualmente entre a defesa da liberdade democrática, a começar pela liberdade de expressão (por um lado), e o arrivismo* fanático, corruptor e violento (por outro). A maioria dos que apoiam os representantes arrivistas, isto é, eleitores pobres, ou pobres leitores, conquanto eleja qualquer um(a) pela quantidade, constitui massa de manobra, indiferente aos aspectos éticos que deixam a desejar, que seriam decisivos em lugares menos corrompidos do planeta. Denúncias de propinas milionárias, de aditivos de contratos milionários, de fraudes milionárias, de novos milionários (que há dez anos ainda combatiam a burguesia, com um discurso que se prova agora, do tipo “uvas verdes”), todas essas denúncias são inúteis em véspera de eleição. Completamente inúteis para provocar uma mudança a favor da lisura do próprio processo eleitoral. No Brasil, a corrupção já se transformou em meme** da nossa cultura. O mensalão, por exemplo, virou piada, rap, samba, não mais considerado o uso do dinheiro público para a estruturação de uma ditadura sui gêneris, alicerçada entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
* Arrivismo é o procedimento de pessoa arrivista, que quer vencer na vida (no caso em pauta, na política) a qualquer custo.
** Um meme é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima de informação que se multiplica de cérebro em cérebro.
domingo, 24 de outubro de 2010
RIMA PRECIOSA
Os poemas de Jorge de Lima, reunidos no Livro de Sonetos, não trazem título, mas são preciosidades literárias poucas vezes produzidas por outro poeta. Num dos sonetos, em que descreve o sortilégio de cinco crianças em torno de uma esfera armilar, antigo instrumento astronômico, há um caso de rima preciosa:
cedê-la a cinco crianças em disfarce,
e houve uma delas que se pôs a alar-se.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
FÊNIX 2
......A escada está ali, à sua frente, num canto ainda não explorado da galeria. A iluminação escassa do refúgio permite a visão dos primeiros degraus e a extremidade de um corrimão.
......Fermino Ávalos sorri da própria sorte. Por que não a encontrou antes? Lamenta pelas horas sofridas à espera de seu salvamento. Prestes a começar a subida, olha para trás, de onde parece ter ouvido vozes estranhas. Não tivesse certeza de se encontrar sozinho, ele as interpretaria como um pedido de socorro. Coisa da minha cabeça, diz para si mesmo.
......Com o corrimão preso à destra, puxa-o contra sua perna, num movimento que torna mais fácil a transposição dos degraus. Um ponto de luz acima, minúsculo como as estrelas mais distantes, orienta seus olhos dilatados pela escuridão. Contra a previsão de que logo cansaria, sente-se mais forte à medida que sobe. A expectativa de chegar ao alto é o combustível de seu corpo debilitado. Sentia-se muito fraco até encontrar a escada.
......Ele não imagina o perigo que se apresentará nos próximos passos. Os degraus se estreitam cada vez mais. O corrimão perde a firmeza, quase solto, não passa de um fio de arame que desliza por entre seus dedos. No lugar de paredes rochosas, o vazio. A umidade com cheiro de terra é substituída pelo ar gelado.
......De repente, dá-se conta da imensa torre em que se encontra, desestabilizada pelo peso de seu corpo. Olha para baixo. A esposa, os filhos e uma multidão o acenam. Não ouve o que dizem. Presume que seja para manter a calma.
......Isso acontecendo com ele, um acrófobo desde sempre. A mãe fora jogada para cima durante seu difícil nascimento. Várias vezes. Nasceu numa queda. Os piores sonhos, pesadelos para ser mais exato, sempre apresentaram um cenário como o desta torre na iminência de ir abaixo.
......Ele se agarra com todas as forças. Embalde. As estrelas giram num fundo de breu. A frágil estrutura pende sem volta para o chão. No momento de sofrer o impacto, umas mãos vigorosas sacodem seus ombros.
......Fermino, despiertate!
......Gritos de alegria enchem o refúgio. Num canto iluminado, sobre um elevado de cascalhos, acaba de pousar a Fênix 2.
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(Microconto baseado no resgate dos mineiros no Chile. O personagem Fermino Ávalos é uma homenagem ao primeiro a ser salvo dentro da cápsula Fênix 2, Florencio Ávalos.)
COMUNICAÇÃO SOCIAL
Hoje concluí o curso de Capacitação em Comunicação Social, propiciado pela Fundação Trompowsky, modalidade a distância. As EB-aulas tiveram início no dia 6 de setembro, por módulos dispostos semanalmente, ao final dos quais havia uma atividade avaliativa. Dos quatro trabalhos exigidos, valendo nota 5 cada, consegui 17 pontos. Na prova final, valendo 80, errei duas questões. Minha nota do curso: 86,33.
Os trabalhos pedidos pelo curso foram: fazer um convite (do general ao prefeito); escrever um release para a imprensa sobre a convocação para o serviço militar inicial; elaborar uma nota para o Noticiário do Exército; e analisar um case de comunicação.
Desde junho, trabalho na Seção de Comunicação Social da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, envolvendo-me diariamente com várias atividades. Ontem, pela primeira vez, desempenhei a função de fotógrafo em Nova Esperança do Sul, onde o 9º Batalhão Logístico realizou uma Ação Cívico-Social. O Sgt Marcelo Langone e o Sd Mário tinham outras missões. Nossas matérias vem sendo publicadas com frequência no site do Exército.
E-mail para contato: www.scs1bdacmec@gmail.com
Fone: 3251-2277
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