sábado, 30 de janeiro de 2010

COMENTÁRIOS DIVERSOS

O calor me tira a vontade de ler, de escrever, de navegar (com a imprecisão virtual). Muito líquido: água gelada, suco, refrigerante, cerveja... O calor é maior no centro da cidade, o barulho também.
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O Ivan Zolin esteve em Santiago e me deu Facundo, de D.F. Sarmiento. Em espanhol. "Obra fundamental de la literatura argentina, el Facundo de Sarmiento constituye un texto clave para el deciframiento de la identidad nacional, un polémico documento político y un relato con pasajes de enorme belleza narrativa." Já havia lido em português.
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Fui ver o primeiro jogo do Grêmio na Copa Santiago de Futebol Juvenil, contra o Gama. Saí decepcionado do estádio, achando que a equipe tricolor não passaria das quartas de final. Não passou. Foi o pior time gremista que veio a Santiago até hoje.
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A propósito, o nível técnico da copa que ora se encerra caiu bastante em relação aos anos anteriores. Vi isso logo no primeiro jogo e decidi não voltar ao Alceu Carvalho. Não perdi nada. Aos poucos, passo a me interessar menos por futebol.
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Pergunto aos meus amigos blogueiros se conhecem ÉLBIO GILBERTO PEREIRA DUTRA. Sua madrinha Eva da Silva Ávila, residente em Viamão, quer encontrá-lo. Na Internet, li seu nome num edital do Detran. Élbio nasceu em 08 de janeiro de 1965.


4ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DAS CIDADES

Nesta semana, participei da 4ª Conferência Municipal das Cidades, realizada na Câmara dos Vereadores. Assisti às quatro conferências:
1) Criação e Implementação de Conselhos das Cidades, Planos, Fundos e seus Conselhos Gestores nos Níveis Federal, Estadual e Municipal e no Distrito Federal; Avanços e/ou Retrocessos das Conferências Anteriores.
2) Aplicação do Estatuto da Cidade e dos Planos Diretores e a Efetivação da Função Social da Propriedade do Solo Urbano.
3) A Integração da Política Urbana no Território: Política Fundiária, Habitação, Saneamento e Mobilidade e Acessibilidade Urbana.
4) Relação entre os Programas Governamentais - Como PAC e Minha Casa, Minha Vida - e a Política de Desenvolvimento Urbano.
À frente dos trabalhos, estiveram, respectivamente, Ademar Canterle (secretário de planejamento), Hugues Velleda Soares (arquiteto), Júlio Ruivo (prefeito) e Laércio Kinzel (engenheiro). A mediação coube à Nelci Denti Brum (arquiteta).
Inicialmente, nosso grupo de estudo levantou a necessidade de uma revisão e da maior divulgação do Estatuto da Cidade, bem como dos planos diretores.
Fala-se tanto em cidadania...


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CONDOMÍNIO SEM DOMÍNIO

No âmbito da ficção, as lambanças de condomínio já renderam bons livros e, no da realidade, provocou algumas mortes (o que é sempre ruim). No primeiro dia, após minha mudança, assisto ao maior bate-boca entre duas vizinhas: 212 versus 213. O barraco começou em decorrência do trabalho de uma marreta contra a parede externa do edifício. Às 8:30 h., encontro uma jovem descalça na escada, vestindo um blaser masculino sobre a camisola. Ela fala com dois rapazes a respeito do silêncio obrigatório àquela hora. Pergunta-me se é no meu apartamento, respondo-lhe que não. O barulho vem do 213, logo abaixo. Ela toca a campainha para alertar seus moradores que há uma ordem no condomínio... Não passam cinco minutos, a jovem aparece à janela de seu apartamento, reclamando com os rapazes que instalam um ar condicionado. Eles dizem que é rapidinho. De repente, de dentro do 213, surge uma senhora a gritar com a outra. A troca de ofensa é uma coisa espetacular, a ponto de acordar os dorminhocos que agüentavam as marretadas. “A casa é minha, bato até quando me der na telha, sua vagabundinha descontrolada”, ataca a do 213. “Não sou eu a descontrolada, sua ignorante”, defende-se e contra-ataca a do 212. Da posição confortável de neutralidade, penso que ali se configura mais um conflito de gerações: a da jovem, que se deita às seis da manhã e se levanta depois do meio-dia; a da senhora, que se acorda cedo, depois de uma longa noite de sono. As duas não se entendem e tampouco se aturam. Quando indivíduos dessas gerações são obrigados a dividir espaços menores, como o de um condomínio, o choque é inevitável.
(Crônica)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

MUDANÇA

Por motivo de mudança, deverei ficar uma semana sem internet. A Santiagonet agendou para o dia 29 de janeiro a instalação de uma antena sobre o edifício em que vou residir. Até lá, acessarei de uma Lan House, principalmente para interagir com a nossa blogosfera.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

CANALHA!

Hoje me chegou Canalha!, último livro de Fabrício Carpinejar (filho de Carlos Nejar e Maria Carpi). O livro ganhou o 51º Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas. Nos passos do pai, Carpinejar envereda pela prosa, depois de se tornar reconhecido na poesia. A propósito, os gaúchos estão por cima: Altair Martins ganhou o São Paulo de Literatura e Carpinejar, o Jabuti.
A seguir, transcrevo a crônica As tampinhas do leite:
Ao acordar, logo me deparo com a dobra de papelão da caixa do leite. Todos os dias olho para a pia e lá está soberano o pequeno cone. Um origami da pressa. Um barquinho cortado abruptamente de noite. Percebo a serrinha da faca na superfície. Trabalho malfeito. O triângulo desigual. Pego com doçura o lacre e examino, tal letra oriental me provocando, tal peixe cuspindo oxigênio. Poderia implicar e perguntar para minha mulher o motivo de ela nunca colocar fora. Seria difícil? Cansativo? O lixo fica a quatro passos. A primeira coisa que passa pela cabeça é "que preguiça". A segunda é "que desleixo". Mas deixo de bancar o juiz, porque aquilo não me irrita. O papelzinho me enternece, me faz cócegas como se alguém mexesse nos meus pés.
Eu me vejo verdadeiramente acordado ao observar a dobra me aguardando. Sério. Espio antes de chegar. Fiquei dependente da tampinha. Amo a tampinha. É agradável dividir o espaço com ela. Não me dá trabalho. Sugere sede, fome, dependência. Por ela, sei que minha mulher está em casa, está comigo. É vizinha da linha dos lábios dela. É seu vício, sua senha. Cartolina colorida de criança. É sua maneira de me animar, de dizer que vive comigo. É um código morse. Um aviso apaixonado. Ela deixa pistas discretas de si e vou recolhendo pelo resto da casa, para não encerrar a sedução. Nosso jeito de fazer palavras cruzadas. Ela se anuncia logo cedo. Fico com vontade de lamber os pingos de leite como um gato. Mas me contenho por educação. A dobra é um leque para botar minha unha dentro do vento.
Minha mulher não põe bilhetes na geladeira, não borra o espelho com batom, não grava recados na secretária eletrônica, não força provas de paixão, não forja testemunhos. É suave, sugestiva, pede a compreensão e o mistério. Pede que eu a entenda antes que diga algo. Pede que aceite o espaço de cada um, os hábitos de cada um, e preserve as individualidades com cuidado. O pedacinho da caixa de manhã é como a súplica de um bom-dia. É o equivalente diurno da rolha do vinho. O buquê de um beijo. Minha mulher é diferente. Ela me escreve tampinhas de papel. Uma tampinha por dia. Uma década de tampinhas. Uma década em que eu não censuro o amor, deixo ele dormir entre a gente na mesma cama.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

IDEIAS IMPRÓPRIAS

No meu primeiro caderno de ideias, compilado em 1989, portanto, há vinte anos, escrevi que um dos maiores problemas futuros seria o da superpopulação humana. Hoje, esse problema é evidente.
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Somos especistas incorrigíveis. Na mesma proporção que superestimamos a nossa família. Na mesma proporção que somos individualistas. Esse comportamento egoísta foi responsável pela nossa sobrevivência.
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Um deus que castiga nunca existiu, exceto no plano mítico (ou na cabeça daqueles o temem absurdamente).
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A natureza não tem uma personalidade, uma consciência, algo que possa arquitetar uma vingança contra o homem. Aliás, o homem seria seu natural representante, caso não tivesse se rebelado contra ela por meio do artifício.
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Terremotos, maremotos, furacões, enchentes, secas, glaciações, queda de meteoro, sempre existiram, existem e existirão (independentemente da frequência ou da intensidade). Ao homem foi necessário se agarrar aos intervalos, quando as condições ambientais eram mais favoráveis a sua sobrevivência.
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A civilização é o estágio que insuflou no homem o orgulho antropocêntrico.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A CULPA

Pela segunda ou terceira vez, escrevo que uma das funções do blog é servir de laboratório para a produção textual. O acesso rápido, a facilidade de trabalhar com a ferramenta, a noção de espacialidade topográfica (J.D. Bolter), entre outros fatores, contribuem para a revisão da ortografia, a reescrita (com cortes e acréscimos), enfim, o acabamento formal e conteudístico que se exige de todo texto.

Coerente com a ideia acima, transformei as três postagens anteriores em uma única, que poderá ser a próxima coluna do Expresso Ilustrado. Apresento-a quase pronta:

A tragédia no Haiti reinicia uma velha discussão, cujo momento mais conhecido foi protagonizado por Voltaire e Rousseau. Quem é o culpado diante de uma grande desgraça? O terremoto ocorrido em Lisboa, em 1755, em que morreram mais de 10 mil pessoas, motivou um enfrentamento discursivo entre os dois filósofos franceses. Na época, padres alardearam se tratar de um castigo de Deus (deus, com letra minúscula para os ateus). Cristãos não perderiam a oportunidade de julgar o terremoto no Haiti da mesma forma. A razão desse julgamento remete ao fato de o vodu ser dominante no país, prática que incomoda os católicos ressentidos ainda com a perseguição de Papa Doc. Pseudoecologistas não perderiam igual oportunidade de dizer que a natureza se vinga das agressões sofridas. Outros, como já o fizera Rousseau, culpam o próprio homem, que não escolhe os lugares mais adequados para construir suas cidades. Impossível manter uma posição de neutralidade absoluta ante um quadro como o do Haiti. Toda miséria e toda violência não eram suficientes para esse país, que, há apenas dois séculos, constituía-se numa das colônias europeias mais prósperas na América Central? Os males acima têm a marca do homem, que os infringe e os experimenta em si mesmo concomitantemente. Por alguns bilhões de anos, antes de surgir a nossa espécie, esses e outros acidentes geológicos já ocorriam no planeta. Tal dado basta para isentar qualquer culpa, inclusive aos humanos, que transcenderam as piores vicissitudes. Acaso, sorte, seja lá o que for, ninguém pode negar que, desde o paleolítico, a solidariedade foi um fator decisivo para a nossa sobrevivência. Ao se solidarizar, o homem se redime da culpa.

sábado, 16 de janeiro de 2010

VOLTAIRE VERSUS ROUSSEAU

No ano de 1755, ocorreu um grande terremoto em Portugal, destruindo a cidade de Lisboa. Morreram mais de dez mil pessoas. Os padres da época, ainda pregadores remanescente da Idade Média (ou das "trevas"), sentenciavam que a catástrofe fora um castigo de Deus (deus, com letra minúscula para os ateus). Voltaire escreveu sobre o terremoto, colocando a culpa na própria natureza e atacando os padres. Rousseau escreveu uma carta ao grande iluminista, corrigindo-o que, tampouco, a natureza era culpada. Os homens é que erraram em se aglomerar em cidades.
(Está trovejando, preciso desligar o computador)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SOLIDARIEDADE

Antes de o interlocutor silencioso interpretar minha posição como rousseauniana em relação ao terremoto no Haiti, suspendi a postagem abaixo. No fim dela, diria que a cada catástrofe que ocorre nas últimas décadas, mais e mais se destaca o espírito de solidariedade dos homens. Não penso que seja um contraponto perguntar por quê.

HAI(DE)TI

Impossível manter uma posição de neutralidade absoluta diante de um quadro tão trágico (no sentido verdadeiro do termo) como o do Haiti. Toda miséria e toda violência não eram suficientes para esse país que, há apenas dois séculos, constituía-se na colônia mais próspera da França na América. Os males acima têm a marca do homem, aquele que infringe e que sofre ao mesmo tempo. Até aqui, nenhuma tragédia (que necessita de um agente externo e mais forte, contra o qual os humanos se debatem, algumas vezes, pela própria sobrevivência). Eis que, abruptamente, surge o agente: a natureza. (Esse termo é sempre empregado num sentido incompleto, por excluir de sua significação o próprio homem. Não estaria aí a raiz de um mal maior?) Desde alguns bilhões de anos antes de surgir a nossa espécie, todas essas chamadas "catástrofes" já ocorriam no planeta. Entre um e outro dos grandes acidentes geológicos, pode-se dizer, ela foi capaz de se desenvolver a ponto de seus representantes mais imaginativos criarem deuses à sua imagem e semelhança, como uma forma indireta de autocontemplação.
(Continuo mais tarde...)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

PERDOAR OU NÃO?

Perguntaram a um coronel do BOPE (Polícia de Elite do RJ), se ele perdoaria os traficantes que derrubaram o helicóptero da PM, matando três policiais. A resposta:
"Eu creio que a tarefa de perdoá-los cabe a Deus. A nossa é de simplesmente promover o encontro".
(Retirado do jornal Inconfidência, ano XV, nº 147)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

DEFEITO ORIGINAL DOS FILÓSOFOS


"Todos os filósofos têm em seu ativo este defeito comum de partir do homem atual e pensam, fazendo uma análise do mesmo, chegar ao objetivo. Involuntariamente "o homem" lhes aparece como uma aeterna veritas, como um elemento estável no meio de todos os turbilhões, como uma medida segura das coisas. Mas tudo o que o filósofo enuncia sobre o homem nada mais é, no fundo, que um testemunho sobre o homem num espaço de tempo muito limitado. A falta de sentido histórico é o defeito original de todos os filósofos; alguns até tomam, sem se darem conta, a mais recente configuração do homem, tal como se produziu sob a influência de determinadas religiões ou mesmo de determinados acontecimentos políticos, como a forma fixa, da qual é preciso partir. Não querem aprender que o homem evoluiu, que a faculdade de conhecer também evoluiu; enquanto alguns deles até se permitem construir o mundo inteiro a partir dessa faculdade de conhecer. (...) Ora, todo o essencial da evolução humana se produziu em tempos remotos, muito antes desses quatro mil anos aproximadamente que conhecemos; nestes, o homem já não pode ter mudado muito. Mas o filósofo vê "instintos" no homem atual e supõe que estes instintos façam parte dos dados imutáveis da humanidade e, a partir disso, podem fornecer uma chave para a compreensão do mundo em geral; toda a teleologia esta edificada sobre isso, de modo que se fala do homem dos últimos quatro mil anos como de um homem eterno, com o qual todas as coisas do mundo têm, desde seu início, uma relação natural. Mas tudo evoluiu; não há realidades eternas: tal como não há verdades absolutas. Por conseguinte, a filosofia histórica é doravante uma necessidade e, com ela, a virtude da modéstia."
Do livro Humano, demasiado humano, de F. Nietzsche.
Já escrevi um texto muito parecido, sem especificar que seriam os filósofos os equivocados, mas a maioria dos homens.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SIM E NÃO

Tudo em minha vida é uma decorrência inexorável de um sim ou de um não. De um sim ou de um não que disse em algum momento pretérito. Em incontáveis momentos, fui forçado a dizer sim; noutros, a dizer não. Em incontáveis momentos, disse sim e disse não por vontade própria. Do sim ou não que disse livre e espontaneamente, seguindo a lógica ou a intuição, raras vezes me arrependi da escolha. Do sim ou não que me foram impostos por alguém, pelas leis, pelas circunstâncias etc., muitas vezes, acabei sofrendo consequências previsíveis. Por esse viés, compreendo melhor Jean-Paul Sartre: o inferno são os outros. (...) Um simples sim, como me sentar numa cadeira, quando era para permanecer de pé. Um irrelevante não, como me levantar da cadeira, quando era para permanecer sentado. Um pusilânime não, quando era para ter dito um corajoso sim. Um sacrossanto sim, quando melhor convinha um não profano. (...) Pensamentos, palavras e atitudes de afirmação ou de negação, ou por iniciativa minha, ou por influência alheia, trouxeram-me até aqui, exatamente onde estou e como sou. E caso tivesse feito outra opção, o não pelo sim, o sim pelo não? Isso era factível, bastaria que me sentasse na cadeira ou que me levantasse dela, quando de fato fiz o contrário. O efeito borboleta se encaixa perfeitamente na ilustração do que ocorre a partir do gesto de me sentar ou de me levantar de uma cadeira. Esse gesto (em algum momento pretérito) deu origem a todo acontecimento que marcou minha vida. Independentemente da ventura ou desventura desse acontecimento, sei que haveria uma possibilidade de tudo ser diferente. Não serei feliz, enquanto culpabilizar minhas escolhas, livres ou forçadas, enquanto transitar indeciso ao longo da fronteira entre sim e não.

sábado, 9 de janeiro de 2010

DESABAFO

Nunca darei as costas aos meus interlocutores, mas preciso confessar-lhes algo que me incomoda nestes dias. Depois de um momento de puro entusiasmo com o hipertexto, sobretudo o já estruturado em nossa blogosfera, experimento uma sensação em que se misturam desânimo e subestimação do próprio discurso. Simplesmente, cansei. A saída estratégica para essa "crise" seria dar um tempo, tirar umas férias. Virar as costas aos meus interlocutores? Outros blogueiros já passaram por isso, alguns abandonando ou excluindo sua página eletrônica. A vontade de imitá-los agora, todavia, encontra um argumento que a enfraquece. A postagem anterior, em poucas linhas, tentou justificar o contrário. Nesse intuito, abri o Zero Hora de hoje, outro sábado cinzento (que é do azul?), para encontrar um assunto interessante, que me motivasse discursivamente. Qual o resultado (para não dizer desencanto)? Nada me chamou a atenção. Inclusive o caderno Cultura, do qual sou colecionador. A coluna do Paulo Sant'Ana, Doença da solidão, foi uma exceção. Noutra hora, sequer a leria a partir do título. Larguei o jornal e peguei caneta e papel. O texto que escrevi sobre a impossibilidade de a ciência e a religião caminharem de mãos dadas mais parece uma agressão. Frustrado, decidi ligar o computador e desabafar com os caros visitantes. Se vale o paradoxo, sou meu contraponto nesta postagem.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

RESPONSABILIDADE BLOGUEIRA

O número de visitantes diários a este blog constitui-se numa das razões que me obriga a postar com frequência, sob pena de ver reduzir o fluxo dialógico já estabelecido. A despeito da interação não ter provas textuais, à exceção de comentários esporádicos, ela me exige cada vez mais seriedade e aprofundamento nos assuntos apresentados em diversas postagens. A autoria do blog, paralelamente ao destaque de sujeito provocador do diálogo, implica em maior responsabilidade da minha parte. Nunca darei as costas aos meus interlocutores.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PREVISÕES E PREVISÕES

No início de um novo ano, astrólogos, tarólogos, numerólogos, entre outros adivinhos que não merecem o belo pospositivo de origem grega (´-logo), fazem a vontade de "clientes" supersticiosos com uma série de previsões. As pessoas que justificam a existência desses charlatães, dando-lhes crédito, ignoram a não-confirmação do que eles previram. Com o intuito de auxiliá-las a superar o misticismo, a superstição, recomendo que anotem as principais previsões e se certifiquem no final do ano se elas ocorreram de fato. O resultado é previsível: pouco do que foi previsto se confirmará, mesmo com adequações posteriores ao texto inicial (geralmente confuso, impreciso). Já me prestei a fazer esse tipo de comprovação mais de uma vez. Sem lançar mão de búzios, cartas, astros e o escambau, posso prever, por exemplo, que o Brasil ganhará a próxima Copa do Mundo de Futebol; ou que o Brasil não ganhará a próxima Copa do Mundo de Futebol; que acontecerá um acidente aéreo em São Paulo; ou que acontecerá um acidente aéreo em algum lugar; que José Alencar não mais resistirá ao câncer no intestino; ou que José Alencar será curado definitivamente do câncer no intestino; que a conferência das Nações Unidas para o clima em 2010, no México, repetirá o fracasso de Copenhague; ou que a conferência das Nações Unidas... Caros visitantes, perceberam a malandragem? Dessa forma, acabo acertando todas as minhas previsões. Isso é o que ocorre com os diferentes adivinhos. Eles fazem as adivinhações mais diversas (e estapafúrdias). Obviamente, a mídia dá uma atenção especial aos acertos (meramente casuais), nenhuma aos erros. Ao invés desse destaque, os meios de comunicação deveriam exigir a retratação dos charlatães que ganham em perpetuar o misticismo, a superstição.

NÉLSON ABREU

Ontem, ao meio-dia, fui visitar meu amigo Nélson Abreu no Hospital de Caridade de Santa Maria. Ele se encontra internado no Centro de Tratamento Intensivo em estado regular. A Zete me falou que, em vista de uma ligeira melhora, levariam-no para o quarto, mas foi obrigado a ficar no CTI com uma pequena recaída. Em razão dos medicamentos fortes, o Nélson não acordou com a minha chegada (tampouco com o atendimento da enfermeira). Saí do hospital mais otimista.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010