terça-feira, 14 de junho de 2011

JURA, JUREMIR?

Por diversas vezes, destaquei Juremir Machado da Silva neste espaço, concordando com as opiniões do jornalista. O Alessandro Reiffer, há muitos dias, discordou publicamente do escritor em relação a um assunto em que o colunista fora parcial, pouco convincente. Pois bem, hoje o Juremir expõe-se ao ridículo outra vez com o texto Dois heróis, defendendo que João Goulart e Leonel Brizola são os maiores heróis brasileiros dos últimos 50 anos. Não está blefando ironicamente, com a intenção de provocar pessoas que ele chama de "conservadoras", uma vez que escreveu um livro sobre o assunto, Vozes da legalidade. Portanto, Juremir pensa realmente que Jango e Brizola são dois grandes heróis brasileiros. É isso o que expressa na pior coluna que escreveu (de todas as que li) no Correio do Povo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ESCOLA BOA VISTA

Hoje estive na Escola Municipal Boa Vista, para falar com as turmas de sétima e oitava séries. O assunto escolhido foi o projeto Rua dos Poetas (da Prefeitura de Santiago). Antes de começar a apresentação dos slides, distribuí papel e caneta aos alunos, pedindo que relacionassem os nomes dos homenageados. O prêmio para quem tivesse mais acerto: um livro de poesia. A aluna Diéssica Delevati se destacou, com as citações de Aureliano de Figueiredo Pinto, Caio Fernando Abreu, Sílvio Duncan e Jaime Pinto. Em seguida, mostrei-lhes um a um dos vinte artistas que compõem o panteão da Rua dos Poetas. No slide, apenas o nome do artista e um excerto de sua produção textual, escultórica ou musical. Alguns alunos leram os versos de Manuel do Carmo, Adelmo Simas Genro, Zeca Blau, Manoel Vargas Loureiro... Para justificar a aproximação da poesia com a música popular, citei o exemplo de Túlio Piva. Ao encerrar, com Eurides Nunes, coloquei para tocar o vaneirão Farroupilha.  
Relação completa: Manuel do Carmo, José de Figueiredo Pinto (Zeca Blau), Ramiro Frota Barcelos, Túlio Piva, Antonio Carlos Machado, Sílvio Duncan, Carlos Humberto Aquino Frota, Filinto Charão, Rivadávia Severo (Dr. Rivota), Aureliano de Figueiredo Pinto, Oneron Dornelles, Antero Amaral Simões, Guirahy Pozo, Adelmo Simas Genro, Manoel Vargas Loureiro, Ney Aramy Dornelles, Arno Gieseler e Eurides Nunes.

"ÉTICA FLEXÍVEL"

"Lula ainda na noite de segunda ligou para Antonio Palocci e insistiu: depois da decisão da Procuradoria-Geral da República de não investigá-lo, ele não deveria sair da Casa Civil. Segundo relato de Palocci a amigos, disse Lula com seu pragmatismo que habitualmente manda a ética às favas: 'Já mantivemos no cargo companheiros culpados, agora que você tem uma carta de inocência nas mãos por que teria de sair?'. Dilma, porém, não concordou com a extravagante lógica de Lula."
(Por Lauro Jardim, Veja, página 62.)

RESPOSTA AO BIANCHINI

O amigo, blogueiro e vereador Bianchini pergunta em sua penúltima postagem por que Caio Abreu não tem o devido reconhecimento em nossa cidade. 
Não é o primeiro a fazer tal pergunta, tampouco será o último. 
O trem já está andando, é justificável que os passageiros que entram mais tarde (em estações subsequentes) queiram sentar-se à janela. Noutras palavras, o Caio vem sendo reconhecido há muitos anos.
Para não citar a mim (que leio Caio Abreu desde 1980, quando D. Renita Andretta me emprestou O ovo apunhalado), cito o Centro Cultural de Santiago que fez uma bela homenagem ao escritor alguns dias antes dele partir definitivamente (1996). 
Minha irmã, Tânia de Oliveira, era diretora de Literatura do Centro Cultural e organizou essa homenagem, que consistiu na inclusão do Caio na galeria dos escritores. A viagem a Santiago foi memoravelmente registrada pelo próprio, na crônica A raiz do pampa.
Para vir a Santiago, o Caio desistiu de ir a Montevidéu e postergou sua baixa ao hospital.
Mais tarde, com o projeto da Rua dos Poetas, nova homenagem ao Caio, com a inclusão de seu nome entre os escolhidos. Alguns foram contra tal escolha, argumentando que o Caio não era poeta (no sentido restrito do termo). Depois disso, houve uma profusão de homenagens ao escritor nascido em Santiago, com seu nome designando diversas entidades (como de uma escola técnica, por exemplo). 
O blogueiro tem razão ao enfatizar "devido reconhecimento". Os santiaguenses não reconhecem Caio Abreu porque não o leem. Qualquer iniciativa institucional, como as citadas acima, não encontra a resposta do público. Isso é muito mais verdadeiro que dizer que o Caio "não cabia em nossos trilhos". 
O Caio era homossexual assumido. Vários de seus contos trazem personagens homossexuais. O preconceito quanto à sexualidade do Caio existiu (e existe), mas não é a principal justificativa para o não conhecimento de sua obra. Falta leitura. Não há reconhecimento sem leitura. Verdade que corre o risco de ser negada em nossa cidade, com o reconhecimento do homem e não de sua produção literária (de reconhecido valor estético).
Futuramente, poderá ser erigido outro monumento ao Caio. Na esquina da Getúlio Vargas com a Rua dos Poetas (em frente à farmácia São João), já existe uma homenagem em "bronze e cimento" ao nosso grande escritor. Sugiro ao vereador que proponha na Câmara a denominação de uma rua com o nome "Caio Fernando Abreu".
Toda homenagem, todavia, deve ser pensada, planejada e executada sem atropelo, com o cuidado de não decair para a vulgarização. 

domingo, 12 de junho de 2011

CASO BATTISTI

A recente decisão do STF sobre o Caso Battisti, mais uma vez, causa-me espanto por sua falta de lógica, com um ministro dizendo "sim", e outro, "não". Como gostaria de já ter escrito neste espaço que Cesare Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos, crime que não pode ser perdoado independentemente onde ele esteja. Não há paraíso penal. O Brasil, a partir da decisão de transformar Battisti num preso político e absolvê-lo dos crimes que cometeu, nega a própria verdade. 
Ninguém daria importância se tivesse escrito isso no meu blog. Quem sou eu, simples opinativo, sem conhecimento da grande ciência do Direito? 
Não perdi por esperar.
Os outros dizem o que calei. Gente do próprio Supremo, como Gilmar Mendes:
"Nós não estamos a falar de alguém que fez um passeio, mas que é acusado de quatro assassinatos";
"Se de fato o STF serve para isso, para o que se decidiu no Caso Battisti, melhor que perca essa competência"
O papel do STF precisa ser discutido no Congresso para esse tipo de questão, avalia o ministro Gilmar Mendes. 
Falta lógica.
Inaceitável o discurso do ministro Luiz Fux:
"O que está em jogo aqui não é nem o futuro nem o passado de um homem, mas a soberania nacional".
Não é dessa forma que devemos afirmar nossa soberania. Trata-se, sim, dos crimes cometidos por um homem, que não prescrevem além de uma determinada fronteira. 
Inaceitável o discurso do ministro Marco Aurélio Mello:
"O acolhimento de um estrangeiro pelo Estado brasileiro está no campo da normalidade".
Normalidade???
Decisões do Supremo (como a desse caso) estão coerentes com uma generalizada decadência nos valores éticos da nossa sociedade. A corrupção no governo federal (como o  "mensalão"), as provas malfeitas do ENEM, o desprestígio da norma culta da língua e os livros com erros de Matemática distribuídos pelo Ministério da Educação, a eleição de Merval Pereira para a ABL (e não Antônio Torres), o atraso nas obras para a Copa do Mundo, a degradação ambiental na Amazônia, o tráfico de drogas, a violência, tudo faz sentido pela falta de eticidade  que caracteriza uma nação.
Meu espanto não se justifica neste momento. Corro o risco de ser considerado anormal por não achar normal um assassino ser acolhido pelo governo brasileiro (como o expresso pelo ministro Marco Aurélio Mello). 

sábado, 11 de junho de 2011

ASTRONOMIA



Encontra-se disponível das bancas O livro de Ouro do Universo, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (maior autoridade em Astronomia no Brasil). Com mais de 500 páginas, o livro traz todo o conhecimento já comprovado sobre o Universo e as principais teorias (que são passos dados corajosamente pela ciência em direção ao desconhecido). 
Apenas 24 reais.

ROMANTISMO COMPRADO NO COMÉRCIO

É uma grande incoerência associar romantismo, em sua acepção de sentimento puro, de doçura, com o materialismo, esse afã consumista que movimenta nossa sociedade. 
Já me disseram algumas vezes que não sou romântico, que não falo e não escrevo sobre o amor. Mas nunca me elogiaram por ser coerente, por não fazer essa associação (ou confusão) entre SER e TER - como o faz a maioria sem qualquer problema. A propósito, essa confusão entre o anímico ou ontológico e o material é observada amiúde no comportamento daqueles que dizem amar a Deus e amam de fato as riquezas.
Não leio nos jornais e não vejo na televisão que devo ser românticos no Dia dos Namorados. A propaganda que mantém essas mídias tão ativas me bombardeia que devo comprar um presente (quanto mais caro melhor, mais verdadeiro) e, somente por esse gesto, demonstrar meu amor.
Não compactuo com esse romantismo de fachada. Tudo o que pode "rolar" no Dia dos Namorados não é, em essência, diferente do que "rola" nos dias anteriores ou posteriores. 
As afeições não podem depender do comércio, como condição necessária para sua expressão entre as pessoas. A troca de presentes, meros adereços, não passa de uma possibilidade.  

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O DIA DA VERGONHA

Reinaldo Azevedo escreve 
"O dia em que Battisti foi solto, e Palocci, aplaudido de pé", propondo o "Dia da Vergonha". Leiam aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

SOB AS CINZAS

As cinzas do vulcão Puyehue atingem o Rio Grande do Sul. Minha dúvida é se atingiu ou atingirá Santiago (a quase mil quilômetros ao norte). Refiro-me à capital chilena. A cinza vulcânica não faz mal à saúde humana, exceto se é inspirada, o que poderá causar a pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. 
Gibran, que gostava das tempestades, diria que um vulcão em erupção é um belo espetáculo da Natureza. Para ver dessa forma é imprescindível uma posição acima do umbiguismo antropocêntrico. Os dinossauros, que dominaram o planeta por 150 milhões de anos, foram extintos em razão de muita cinza de origem vulcânica. A queda de um grande meteoro provocou erupções em cadeia. Por muito tempo, o céu ficou completamente encoberto, invernando o planeta por quanto tempo(?). Os répteis gigantes não aguentaram.
Este dia fechado, sem sol, extremamente frio, causa um desconforto apenas. Que o digam os "dinossauros", ou melhor, os mamíferos mais suscetíveis.

GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL

O terceiro capítulo do Guia politicamente incorreto da História do Brasil, com o título Pequena coletânea de bobagens dos nossas grandes autores, começa com esta introdução:
"Intelectuais famosos nem sempre são geniais. Cometem besteiras em troca de dinheiro, adotam ideologias da moda que se revelam loucura e escrevem coisas de que depois se arrependem. Erram principalmente quando jovens, o que é de esperar. Mas alguns insistem no erro até a velhice, sustentanto toda a sua obra em equívocos fundamentais. Quando entram para a história, passam por uma triagem que ao longo dos anos retira imperfeições, feitos medíocres e detalhes bizarros. Nas biografias e nos verbetes de enciclopédias, ficam somente os cachos vistosos do bom-mocismo. É uma pena. As frutas podres contam boas histórias sobre a época e a personalidade dos artistas - além de serem bem divertidas".
O autor do Guia expõe algumas poucas e boas dos seguintes escritores: Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Gilberto Freire, Gregório de Matos e Euclides da Cunha. 
Machado de Assis "foi censor do Conservatório Dramático, o órgão da corte do imperador dom Pedro II encarregado de julgar as peças que poderiam ser levadas ao público". Portanto, Machado era "censor do Império".
José de Alencar, que era deputado no Rio de Janeiro, eleito pelo Ceará, publicou sete cartas dirigidas a dom Pedro II, das quais três tratam abertamente da defesa da escravidão negra no Brasil. "De acordo com José de Alencar, toda nova civilização da história floresceu por meio da escravidão de civilização decadente."
"Quando tinha 28 anos, o baiano Jorge Amado conseguiu defender, ao mesmo tempo, dois dos maiores tiranos do século 20: Adolf Hitler e Josef Stalin.[...] Amado virou redator da página de cultura do Meio-Dia, então jornal de propaganda nazista no Brasil. [...] No livro Navegação de Cabotagem, Jorge Amado mostra por que admirava o líder político baiano Antonio Carlos Magalhães."
"Numa crônica de 1921, o autor de Vidas Secas defendeu que o futebol era uma moda passageira que jamais pegaria no Brasil. [...] Graciliano Ramos "ainda pediu aos jovens que esquecessem o esporte e resgatassem, em nome da cultura brasileira, atividades nacionais que andavam esquecidas, como a queda de braço e a rasteira."
Gilberto Freire escreveu "que o Brasil deveria seguir a Argentina e clarear a população". Num trabalho acadêmico, embrião de Casa-Grande & Senzala, Freire elogiou o esforço dos "cavalheiros da Ku Klux Klan americana".
"Gregório de Matos era um dedo duro. [...] O poeta odiava negros, índios e judeus." Seus poemas satíricos denunciavam os "hereges" aos padres católicos.
Sobre Euclides da Cunha, o Guia expõe o lado perverso do escritor com a própria família. Em sua expedição à Amazônia, deixou "a mulher no Rio de Janeiro, sem dinheiro e sem casa para abrigar os três filhos. Anna da Cunha [...] teve que colocar os dois filhos mais velhos num colégio interno e se mudar com o caçula para uma pensão barata". Nessa pensão, ela conheceu Dilermando de Assis. Enviado a Canudos pelo jornal A Província de S. Paulo, Euclides mandava de lá "uma mistura de informações erradas e atrasadas sobre o conflito".


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A TODO BÔNUS...

Viver é um processo que implica natural e artificialmente a degradação do meio ambiente. A todo bônus, um ônus. 

domingo, 5 de junho de 2011

SLOGANS ABSURDOS

Às vezes, desconfio que minha inteligência está regredindo (seria esse o primeiro sintoma do mal de Alzheimer?). A mesma inteligência que me faz ser autocrítico antes de ser crítico. Seria uma pena para quem sempre buscou o conhecimento, inclusive o autoconhecimento (responsável pela inversão da ordem do objeto a ser criticado). 
Caso o problema não seja de saúde, pessoal, então é minha inteligência que mais claramente passa a perceber a ignorância que engorda e governa. Fora de mim. 
Destaco dois slogans para uma pequena crítica:
"PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA";
"FLORESTAS: A NATUREZA A SEU SERVIÇO".
O primeiro é do governo federal. O segundo, do Dia Mundial do Meio Ambiente.
Não entendo nenhum dos dois. Com "país rico é país sem pobreza" o governo idealiza ou referencia? Isso no campo semântico. No campo gramatical, não passa de um pleonasmo, de uma tautologia. O discurso é demagógico. 
Antes de interpretar o segundo, pergunto se "floresta" e "natureza" são coisas diferentes. A frase distingue uma coisa da outra, invertendo a relação hiperonímica: a natureza subordinada à(s) floresta(s) e não o inverso. Equivale a dizer "Rosas: as flores a seu serviço".  
Há outra interpretação para esse slogan, que não o da Natureza estar a serviço das florestas? Ou, numa interpretação antropocêntrica, as florestas são a Natureza a serviço do homem? Um absurdo.

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE



Dia do meio ambiente é todo dia. Este 5 de junho acaba sendo o dia em que os homens se dedicam a pensar no meio ambiente. A pensar - como único processo que não leva ao processo seguinte, o da (transform)ação. Por um lado, a falta de agir não é de todo ruim. Apenas para pensar, para manter-se vivo, o homem constitui-se num organismo que degrada o meio ambiente. Como todo ser vivo. A (em) princípio. Ao pensar e fazer alguma coisa, ele acaba causando dano muito maior. Negando a Lei de Lavoisier, na interação do homem com os elementos externos há uma perda, sim, na qualidade ou constituição físico-química desses elementos. O ar é um exemplo. Basta a respiração para transformá-lo num gás nocivo (exceto para o Reino Plantae). Outras atividades humanas, também necessárias para a vida, que não seja a simples alimentação, têm a capacidade de apodrecer a água. A agricultura é uma prática que vem degradando o solo há dez mil anos. Utilizado há muito mais tempo, necessário à sobrevivência, o fogo transforma o orgânico (que levou bilhões de anos para se constituir) em inorgânico. Nada se perde? 
Paradoxalmente, o homem é o único ser capaz de pensar sobre si mesmo e sobre o meio em que vive e ser incomparável na capacidade de destruir esse meio. No aspecto destrutivo, ele é semelhante aos vírus. Pensar é sua forma de fazer mea culpa.

sábado, 4 de junho de 2011

PARABÉNS, NINA!


Há um ano exatamente
vieste ao mundo menina
- geminiana, inteligente,
linda e simplesmente
                          Nina

Neste dia muito especial para o Júlio e a Eliziane, em que a Nina completa seu primeiro ano de vida, felicito-os. Muitas felicidades!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

NOVO ERRO DO MEC

Leio no UOL que o Ministério da Educação distribuiu livros com erros de matemática a 37 mil escolas. Nesse material didático (?) "se aprende (?), por exemplo, que 10 - 7 = 4 e que 16 - 8 = 6. Há ainda exercícios que remetem à página errada e frases incompletas". O gasto com o equívoco é insignificante para as cifras do governo federal: catorze milhões de reais. "O total de estudante prejudicados, de acordo com o MEC, é de cerca de 300 mil, menos de 1% do ensino público." Também insignificante. A incompetência nesse ministério já tirou a prova dos noves fora. 

GUIA POLITICAMENTE INCORRETO

Mais uma vez, expresso meu gosto por livros que desmi(s)tificam. O Guia politicamente incorreto da História do Brasil, de Leandro Narlock, encaixa-se nesse tipo. Leitura agradável. O primeiro capítulo dedicado à história dos "índios" e o segundo, aos negros (que estou lendo agora). Transcrevo abaixo alguns rápidos excertos do livro:
"Quem mais matou índios foram os índios";
"De repente, porém, aconteceu um fato extraordinário. Apareceram no horizonte enormes ilhas de madeira, que eram na verdade canoas altas cheias de homens estranhos. Numa quarta-feira ensolarada do sul da Bahia, duas pontas da migração do homem pela Terra, que estavam separadas havia 50 mil anos, ficaram frente a frente. Os milênios de isolamento dos índios brasileiros tinham enfim acabado";
"Até o descobrimento, não havia coqueiros no Brasil";
"Os portugueses trouxeram de presente para os índios um lobo que tinha sido domesticado fazia 14 mil anos, no sul da China";
"O mito do índio como um homem puro e em harmonia com a natureza já caiu faz muito tempo, mas é incrível como ele sempre volta";
"O homem apontado como o primeiro sifilítico da Europa é justamente um navegador: Martín Afonso Pinzón, comandante da caravela Pinta [...] Pinzón teria feito sexo com índias na ilha Hispaniola";
"A floresta era o maior inimigo dos índios";
"Os bandeirantes ganharam recentemente o papel dos grandes facínoras";
"Os acusados merecem um novo julgamento";
"Os padres se esforçavam, nos comunicados às autoridades espanholas, para retratar os sertanejos como demônios";
"A maioria dos índios abandonou os jesuítas não tanto por causa da violência dos ataques paulistas, mas por falta de confiança nos padres e cansaço de suas normas cristãs".
"Por volta de 1830, o escravo José Francisco dos Santos conquistou a liberdade. Depois de anos de trabalho forçado na Bahia, viu-se livre da escravidão, provavelmente comprando sua própria carta de alforria ou ganhando-a de algum amigo rico. Estava enfim livre do sistema que o tirou da África quando jovem, jogou-o num navio imundo e o trouxe amarrado para uma terra estranha. José tinha uma profissão - havia trabalhado cortando e costurando tecidos, o que lhe rendeu o apelido de 'Zé Alfaiate'. No entanto, o ex-escravo decidiu dar outro rumo a sua vida: foi operar o mesmo comércio do qual fora vítima. Voltou à África e se tornou traficante de escravos".

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A LÓGICA DA LEI

Uma lei proibindo fumar em determinado ambiente vai beneficiar a maioria que não fuma. Ao mesmo tempo, ela prejudica o fumante. Correto? É inconcebível uma lei que assegure o direito aos dois lados, tampouco que o negue, em razão da oposição.
Em relação a outras leis que estão sendo elaboradas no país para beneficiar uma minoria, salvo melhor juízo, não seguem a lógica exposta acima. Quanto mais direito se outorgar à minoria, menos direito terá a maioria. Correto? Um contrassenso.
Intensa campanha se volta contra a maioria (falsamente acusada de preconceito ou até mesmo de violência), para justificar uma lei a favor da minoria.

CONTRA O CIGARRO

Os ambientes internos, de clubes por exemplo, estão muito mais saudáveis com a proibição definitiva do cigarro. Aos poucos, o reduto dos fumantes se restringe aos espaços abertos ou isolados. Não obstante essa exclusão necessária, os viciados resistem estoicamente. A Organização Mundial de Saúde estima que o fumo vai matar 1 bilhão de pessoas no século 21.

CAPÃO DO CIPÓ

Viajar é bom.
Consumismo saudável, que me propicia a mais descompromissada felicidade. Encontrar-me heraclitianamente pela primeira vez num lugar... Ser um livre-observador... Conhecer pessoas... Viver presentemente na ausência... Quebrar a rotina por um processo contínuo de mudança... Reconhecer-me sujeito e objeto nesse processo. Uma viagem se viajo. 
Independentemente do lugar. O mato num fundo de campo ou Katmandu. Não há perto ou longe, tampouco felicitômetro para precisar minha emoção. Viver não é preciso (já virou lugar-comum na filosofia, na poesia, na fala cotidiana dos comuns).
Ontem conheci Capão do Cipó. Certamente, uma das menores cidades do mundo,  não importa. Grande era meu desejo de conhecê-la. 
Uma brisa com gosto de manhã percorria as distendidas coxilhas e vinha  estimular minha percepção sinestésica.
Com uma câmera semiprofissional, cliquei 53 vezes. Crianças na praça.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

EMPRESÁRIO PRESO?

Ouço na Rádio Santiago e leio no Nova Pauta que empresário santiaguense foi preso pela Polícia Federal. A primeira reação que tenho é de ceticismo. Não estariam os meios de informação acima exagerando quanto ao status do cidadão preso (econômico ou profissional)? Raramente, um empresário é preso neste país. Quando isso ocorre, via de regra, é certa a participação da Polícia Federal - último segmento de poder inteiramente confiável. 
A segunda reação é de confiança na mídia.