Pensando melhor, não perderei meu tempo precioso para responder às críticas gratuitas a mim direcionadas por um menino presunçoso, mal-educado, cujo universo léxico permite apenas formular frases do tipo "Puta merda", "mas que merda é essa", "estou cagando e andando" - e assim por diante. Espero que o curso de Letras na URI, que ele começou este ano, sirva-lhe para melhorar nesse aspecto. Seu desbocamento, é compreensível, denuncia o mundinho conturbado da adolescência que ainda o envolve culturalmente. A insolência com que se refere a mim e ao Oracy Dornelles é sintoma de algum desajuste psicológico, talvez narcisismo secundário (coisa que os pós-freudianos explicam). Há um ano e três meses, criei este blog. Poemas, comentários diversos, artigos de opinião, notícias, fotos... Fiz muitas postagens sobre Caio Fernando Abreu, sempre elevando seu nome no contexto literário contemporâneo. Desde 1980, leio e releio Caio, antes do meu crítico inconseqüente ter nascido. Agora ele vem me ensinar sobre arte, porque toca guitarra numa banda de rock. (Esse gênero musical jamais representará a arte suprema, que fez conhecido Beethoven, Mozart, Villa-Lobos, Paco de Lucía, Astor Piazzolla...). Ele chega a reduzir o Oracy ao circo de pulgas, condicionado pela grande mídia (sempre movida pelo sensacionalismo mercadológico). Quais são as regras que queremos ditar em Santiago? De minha parte, sempre quis evoluir na arte poética, desejando que meus amigos, conhecidos, alunos, conterrâneos santiaguenses também evoluíssem não apenas na escrita. A última prova disso: a comunidade Oficina Poética, recentemente criada no Orkut. Para quem mal consegue se libertar narcisisticamente, seria pedir demais para compreender a dimensão social disso. A monografia que defenderei em dezembro, como conclusão do curso de Pós, refere-se à literariedade nos blogs de Santiago. O ano que passou, ganhei o troféu "Caio Fernando Abreu", como destaque em Literatura. O livro Ponteiros de palavra me valeu um convite para participar da Academia Santa-Mariense de Letras (como membro correspondente). A poesia do Oracy, embora não falte aqueles que a critiquem gratuitamente, sem o percebimento de sua originalidade, por exemplo, já pertence ao âmbito nacional. O Caio, antes de morrer, mereceu uma única homenagem em sua terra natal: a inauguração de sua foto na galeria dos escritores no Centro Cultural. Hoje todos enchem a boca para falar da grandeza do Caio. Isso não parece demasiado "paroquialista" (para empregar um termo preferido pelo Júlio Prates)? Um paroquialismo evidente na posição que meu crítico defende na interlocução mantida com Diego Neves, uma das melhores cabeças de sua geração.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O VAZIO NECESSÁRIO

Os sábios nos recomendam o presente, esse contínuo movimento pleno de vida. Isso significa que não podemos fincar nossos duros instrumentos contra a frágil estrutura que nos suscede, contra as nossas próprias raízes muitas vezes, e, tampouco, contra a proteção também frágil que nos precede, contra os nossos sonhos ainda não realizados. Noutras palavras, significa que devemos esvaziar a mente de qualquer condicionamento. Krishnamurti dizia que "Não há um 'eu' no presente". Nesse vazio, todavia, inexiste o templo, ou pedra, onde nos imolamos por uma perspectiva futura. Para vivermos efetivamente o presente, há uma necessidade de expurgos, de remissões. Isso inclui até mesmo o que os sábios nos ensinaram ao longo dos milênios. A sabedoria é como um despertar, uma libertação. Um encontro com nós mesmos (condição para aprendermos acerca da alteridade).
GRACIELA FERRARIS
Mesmo com o problema de saúde especificado na postagem abaixo, fui assistir ao painel da 6ª Semana Acadêmica Integrada das Licenciaturas (que se realiza na URI). Estava curioso para ouvir a professora Graciela Ferraris, mestra em Letras e que traduz Caio Fernando Abreu na Argentina. Ela foi a penúltima painelista a se apresentar, quando o auditório já apresentava certo cansaço ou enfado. De tudo o que palestrou, gostei de seu rápido comentário acerca de Além do ponto, conto do Caio que a deixou apaixonada pela literatura do santiaguense. No momento em que ela falava de Além do ponto, pensei em interrompê-la, gritar para os presentes que esse conto foi o primeiro que escolhi para compor Ruadospoetas - Antologia 1. Certamente, não me aplaudiriam, à exceção da palestrante. Sentado na terceira fila, contive meu entusiasmo. No final, gostaria de lhe sugerir que falasse do que há de Cortázar em Caio. Mas veio outro painelista e se foi a oportunidade. A propósito, Ruy Krebs acabou sendo o melhor, falando de Cuba, Reinaldo Arenas e Caio Abreu.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
DENSIFICAÇÕES PARENQUIMATOSAS
Até meados de setembro, encontrava-me incólume. Não havia me gripado. Antes da Semana Farroupilha, atravessava o inverno sem um resfriado. Em nenhum momento, no entanto, tirei onda da minha resistência. No fundo, tinha um palpite: outra vez, serei atacado pelos vírus durante a Semana Farroupilha. Para evitar efeitos (co)laterais, diminuí na alimentação - o que bastou para permitir formalmente o ataque da gripe. A malvada me encerrou em casa. Nos primeiros dias, sua presença é insuportável (quando o nariz corre sem brida). Nos dias subseqüentes, idem. Depois chega a tosse. Seca ou encatarrada. Dois vidros de resfenol, chazinhos quentes, laranja com mel, xarope, tudo para debelar o ataque. Ontem, ao tossir, senti uma pontada nas costas, lado esquerdo. Meio preocupado, procurei o médico pela manhã. Pediu-me raio-X do tórax e da face. No relatório do radiologista, está escrito em doutorês: - nível hidroaéreo no ... maxilar direito; - densificações parenquimatosas nos segmentos basais ... do lobo pulmonar interior esquerdo.Lendo isso, pensei no final do poema Pneumotórax, de Manuel Bandeira: "A única coisa a fazer é tocar um tango argentino". Brincadeira à parte, há uma hora comecei o tratamento com Azitromicina. Espero que essa gripe não se repita na próxima Semana Farroupilha, setembro do próximo ano. A propósito, os cavalos não passaram bonitos na avenida.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
IMAGEM
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
FEIRA DO LIVRO
Santiago já se mobiliza para a sua 11ª Feira do Livro. Hoje tivemos a primeira reunião no Centro Cultural, sob a coordenação da Secretaria de Educação e Cultura. Dos escritores convidados, compareceram: Oracy Dornelles, Fátima Friedriczewski, Ilma Bernardi, Lise Fank, Terezinha Lucas Tusi, Carlos Giovani Delevati Pasini, Erilaine e eu. A próxima feira ocorrerá de 6 a 9 de novembro, no mesmo local (Praça Moisés Viana). A poeta Lise Fank será sua patronnesse. O tema é QUEM NÃO LÊ, NÃO VÊ. Vários escritores de fora virão prestigiar o evento (logo postarei a relação). O Oracy fará o (re)lançamento de Páginas impossíveis no dia 6. Muitas apresentações artísticas já estão agendadas para os quatro dias da feira (que este ano incluirá o domingo).
terça-feira, 16 de setembro de 2008
METÁFORA III
Em defesa da metáfora retorno com esta terceira postagem. Ela não pode ser confundida com o símile ou com a comparação. Estes são formadores de imagem semelhantes, nos quais aparecem os dois termos: comparante e comparado. Exceto pela supressão da conjunção comparativa, qual a diferença semântica (o que interessa) entre "O mar é - lago sereno" de "O mar é como lago sereno"? Agora, "No meio do caminho tinha uma pedra". Drummond não compara: "um obstáculo é como uma pedra". Tampouco assemelha: "um obstáculo é pedra". O termo "pedra" funde todas as similitudes apenas insinuadas pelo poeta - metaforicamente. A propósito, essa metáfora se associa a outra, que a antecede: "no meio do caminho". A poesia moderna é rica nesse aspecto. Os melhores exemplos são João Cabral de Melo Neto e Carlos Nejar.
HOMEM - CAVALO

Dos tipos regionais brasileiros, o gaúcho é o que mais apresenta condições de se definir como objeto de estudo. Entre os aspectos que caracterizam a gauchidade, a relação homem–cavalo excede aos demais. Das primeiras estâncias aos meados do século XX, a figura compósita acima foi primordial para a constituição política, econômica e cultural do Rio Grande do Sul. A primeira ruptura ocorreu por culpa do latifúndio, que peão e animal ajudaram a fixar nas missões e campanha. A “trilogia do gaúcho a pé”, formada pelos romances Sem rumo, Porteira fechada e Estrada nova, de Cyro Martins, retrata o empobrecimento e a exclusão dos Joões Guedes, obrigados a vender o inseparável parceiro de lida e mudar para a cidade. Décadas mais tarde, com a industrialização e conseqüente êxodo rural, nova separação da díade campeira. Os meios de transporte motorizados (motos, automóveis, ônibus etc.), cruzando as estradas do interior, quase aposentaram o velho pingo (que se transformou em tema recorrente nas canções nativistas). Da gente que povoou os arrabaldes, alguns evoluíram economicamente, dando-se ao luxo de comprar terra, fazendo do campo uma nova opção de vida. Nesse retorno simbólico, não poderia faltar o cavalo (que, bem cuidado, completa o quadro do monarca na Semana Farroupilha). À exceção daqueles que participam de rodeio, atividade lúdica que já supera o futebol nos fins de semana, a maioria dispõe de um animal exclusivamente para o desfile. Os primeiros a cavalgarem pelas ruas de nossa cidade foram vistos domingo passado. Não pensem os observadores moralistas que esses cavaleiros sejam todos alcoólatras, absolutamente. A latinha de cerveja e a garrafa de canha já fazem parte dos aperos, na falta do borrachão. (...)
(Continuarei mais tarde)
domingo, 14 de setembro de 2008
A RAIZ DO PAMPA
A última vez que o Caio Abreu veio a Santiago, minha irmã era do Departamento de Literatura do Centro Cultural. Ela estava na coordenação do evento que trouxe o escritor a Santiago em 1995. A "Galeria dos Escritores" da nossa casa de cultura, penso, necessita de uma atualização. Amanhã tratarei desse assunto com a professora Enadir Vielmo, presidente do Centro Cultural. Desde 1980, quando a D. Renita Andretta me emprestou O ovo apunhalado, me apaixonei pela literatura do Caio. Nesse livro estão seus melhores contos, mais surrealisticamente poéticos, mais cortazianos, mais Caio Abreu. Ainda não li dele Onde andará Dulce Veiga?, apesar de ter esse romance na minha estante.
No ano que passou, ganhei o troféu "Caio Fernando Abreu" pelo destaque em Literatura. No momento de receber a distinção, recitei o conto Nos poços (imitando Márcio Brasil).
Relendo a carta A raiz do pampa, que o Caio escreveu em dezembro de 1995, justamente sobre sua viagem a Santiago, destaco certas incoerências que, não fosse de um grande escritor, detonaria com o texto. Por favor, leitor, analisemos as seguintes passagens:
(...) açudes transparentes refletindo fiapos de nuvens do céu absolutamente azul (...)
Principalmente em dezembro, sabemos que não há açude transparente no Rio Grande do Sul, ainda que reflita o céu (que, com fiapos de nuvens , não é "absolutamente azul"). A água dos açudes gaúchos, sabemos todos, tem a coloração marrom como da foto acima.
(...) Rio Grande do Sul abaixo.
Para quem sai de Porto Alegre, a 10 metros do nível do mar, dirigindo-se ao interior, não pode ser "abaixo", mas "acima" (para os mais de 400 metros de Santiago). Esse "abaixo" pode ser interpretado como contendo uma significação cultural.
(...) e quase sem seres humanos além de um ou outro tropeiro (...)
Admitamos, não são freqüentes os tropeiros ao longo de nossas rodovias, principalmente depois do advento do caminhão boiadeiro. No Mato Grosso, por exemplo, eles continuam sendo encontrados nestes dias. Mas no Rio Grande do Sul...
Certamente, o Caio quis dar a essa carta uma conotação literária, a começar pelo título.
sábado, 13 de setembro de 2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
NOVIDADE
Aprendi a dizer a maior palavra na língua portuguesa nessa tarde:
PNEUMOULTRAMICROSCÓPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.
Ela "descreve quem caiu doente por aspirar cinzas de um vulcão" (segundo a revista Língua Portuguesa, nº 35, setembro de 2008).
PNEUMOULTRAMICROSCÓPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.
Ela "descreve quem caiu doente por aspirar cinzas de um vulcão" (segundo a revista Língua Portuguesa, nº 35, setembro de 2008).
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
METÁFORA II
Ontem interrompi a postagem sobre a metáfora, depois de ter citado algumas definições dessa figura que já foi chamada de "a rainha das imagens". Pelo que foi transcrito, fica claro que o processo metafórico se distingue da simples comparação ou do símile. Nestes há uma díade (A e B, que são identificados objetiva e diacronicamente). Na metáfora pura, há uma sobreposição dos termos (A/B, que se fundem subjetiva e sincronicamente).
José de Nicola, em seu Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, expõe a gradação que ocorre da comparação à metáfora.
"No exemplo:
Sua boca é como um pássaro vermelho.
temos uma comparação tornada evidente pelo emprego da palavra como.
Já no exemplo:
Sua boca é um pássaro vermelho.
temos não mais uma comparação, e sim um símile, isto é, qualidade do que é semelhante. Finalmente, em:
O pássaro vermelho tocou-me os lábios.
temos a substituição da palavra boca pela palavra pássaro. Esta substituição é a verdadeira metáfora. É comum, no entanto, considerar-se o símile como metáfora."
Nicola se dirige didaticamente a alunos do Ensino Médio, diga-se de passagem.
VERTIGEM E ENCANTAMENTO
Os textos da Erilaine são inconfundivelmente poéticos. Metáforas puras, prosopopéias... Profundidade que provoca vertigem e encantamento (não necessariamente nessa ordem). Nada que se assemelhe pela poesia na Terra dos Poetas. Eis um belo exemplo:
"CHAMADO"
"Entre o som e o silêncio um óvulo é fecundado. Surge uma fagulha sobre a terra lavrada pela chuva. Nesse chão, berço da raíz que sustenta a carne, nascem ervas e vozes.
"Muitos abandonam a terra original e sofrem de uma fome inquietante, não explicada, quase imperceptível. É a miséria de não se entender vegetal. É o egoísmo de não ser parte.
"A terra estranha a tua mão, não quer dar de si. Sabe que não vais voltar para adubá-la. Tua sepultura é ao pé de tua raiz.
"Sofres, sem imaginar que foi teu próprio punho a te ceifar. Choras, sem saber que a dor que sentes é a mesma do que vive amputado. É teu o destino da flor arrancada: ser admirado pela beleza seca.
"Viram luas, as marés descem e sobem, ciclos se completam. Retorno é teu desejo. A terra ainda que não veja, se move e crepita, ainda, entre o som e o silêncio. Ela é irmã de todas as outras terras por onde teus pés andaram, filha das mesmas estrelas que te cobriram. Ao seu chamado, tu atendes e nem sabes. Tudo é mistério rondando as tuas entranhas. É enigma, porque não aprendestes a ouvir."
"Muitos abandonam a terra original e sofrem de uma fome inquietante, não explicada, quase imperceptível. É a miséria de não se entender vegetal. É o egoísmo de não ser parte.
"A terra estranha a tua mão, não quer dar de si. Sabe que não vais voltar para adubá-la. Tua sepultura é ao pé de tua raiz.
"Sofres, sem imaginar que foi teu próprio punho a te ceifar. Choras, sem saber que a dor que sentes é a mesma do que vive amputado. É teu o destino da flor arrancada: ser admirado pela beleza seca.
"Viram luas, as marés descem e sobem, ciclos se completam. Retorno é teu desejo. A terra ainda que não veja, se move e crepita, ainda, entre o som e o silêncio. Ela é irmã de todas as outras terras por onde teus pés andaram, filha das mesmas estrelas que te cobriram. Ao seu chamado, tu atendes e nem sabes. Tudo é mistério rondando as tuas entranhas. É enigma, porque não aprendestes a ouvir."
Erilaine Perez
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
METÁFORA
Na definição aristotélica, "metáfora implica uma percepção intuitiva da semelhança entre coisas dessemelhantes"; ou na de Mattoso Câmara, "metáfora é a transposição de um termo para um âmbito de significação que não é o seu"; ou na de García Lorca, "metáfora une dois mundos antagônicos no salto eqüestre da imaginação" (eu substituiria "antagônicos" por "diferentes"), como o faz Paul Ricoeur, metáfora é "uma identidade na diferença de dois termos"; ou, na de Roman Jakobson, "o que fazem os poetas com as palavras: a oposição entre um sentido comumente esperado e outro inesperado engendra a metáfora, ou transposição de sentido". Armindo Trevisan define metáfora como "imagem que traz em si uma comparação implícita, cujo segredo pertence ao leitor" (eu mudaria o final do enunciado para "cujo segredo também pertence ao leitor").
(Mais tarde, continuo esta postagem, uma vez que já começou o jogo do Brasil e Bolívia.)
terça-feira, 9 de setembro de 2008
EXPERIÊNCIA LUMINOSA

A primeira vez que tomei conhecimento do Big Bang, a Grande Explosão, bastou para me transformar num apaixonado defensor dessa teoria. O Universo – como o vemos a olho nu ou com o auxílio de telescópios potentes – teve um começo diferente do que ensinavam na catequese de domingo. Mais interessante ainda, saber que esse princípio aconteceu entre 13 e 15 bilhões de anos atrás, três vezes a idade do Sistema Solar. Hoje foi ativado o Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas já construído (cujo orçamento gira em torno de 10 bilhões de dólares). Sua principal finalidade é reproduzir um estado que se assemelhe ao teorizado para os segundos após o Big Bang. Os cientistas esperam encontrar o bóson de Higgs, partícula elementar que entraria na constituição de toda a matéria existente no Universo – chamada ironicamente por grupos contrários à experiência de "partícula de Deus". Por um lado, eles ironizam o objetivo da experiência e, por outro, temem que a colisão de prótons gere um buraco negro capaz de “engolir” a Terra. Stephen Hawking, o renomado físico britânico tetraplégico, assegura-nos que não há perigo. Ainda sobre o bóson de Higgs, em teoria, a partícula seria responsável pelas forças nucleares forte (que une prótons e nêutrons) e fraca (que mantém os elétrons em torno do núcleo atômico). Sua confirmação mudará muitos paradigmas, inaugurando uma nova era. Nesse sentido, trabalha a equipe coordenada pelo Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern). A paixão pelo conhecimento me faz sentir esperança em relação ao LHC. Adianto-me ao discurso criacionista, hoje sobejo de criticidade, que, certamente, associará o Big Bang ao “Faça-se luz”.
JUSTIFICATIVA
Estive muito ocupado na semana passada: preparei uma palestra para o seminário da UNOPAR (prefiro chamar de conversa, por não remeter ao discurso unilateral). Título: O paradigma da (a)normalidade. Data: 6 de setembro de 2008. Local: auditório do colégio Cristóvão Pereira. Noutra postagem, resumo o conteúdo. Sábado, à noite, fui ao Centro Cultural para ler o protocolo de lançamento do livro A arte educativa, de Carlos Giovani Delevati Pasini. No domingo, participei do desfile (manhã) e do encerramento da Semana da Pátria (tarde).
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
RUA DOS POETAS II
A comissão responsável pela escolha dos nomes que serão homenageados no prolongamento da Rua dos Poetas, entre Benjamim Constant e Júlio de Castilhos, reuniu-se na SMEC. Participaram da reunião, ou como representantes de entidades, ou independentes: Denise Flório Cardoso, Maria Serafini, Eleni Bitencourt, Nélson Abreu, Valdir Pinto, Terezinha Bombassaro, Fernando Nascimento, Tide Lima, Erilaine Perez, Marilda Haag Bernardi e este colunista. Primeiramente, o secretário de Obras apresentou alguns slides sobre o projeto, comparando antes e depois. Em seguida, foi lido o critério a ser observado na indicação: o poeta (ou artista, falando hiperonimamente) devia ter a última data de sua biografia definida. A lei federal 6.454, Art. 1º, diz ser “proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva a bem público, de qualquer natureza”. Dessa forma, foram escolhidos Aureliano de Figueiredo Pinto, Adelmo Simas Genro, Oneron Dornelles, Rivadávia Severo, Filinto Charão, Antero Simões, Ney A. Dornelles, Manuel Vargas Loureiro, Guirahy Pozo, Arno Giesler e Eurides Nunes. Três espaços ficarão vagos para homenagens futuras. O leitor há de objetar cheio de razão: um escultor e um músico na Rua dos Poetas! Entre os já homenageados, ele criticara a inclusão de Carlos Humberto A. Frota e Caio Abreu, prosadores por excelência. Agora, juntando-se aos poetas, historiadores e ficcionistas, artistas de outras semioses. Para justificar a escolha da comissão, não é suficiente o argumento de que a poesia tem um significado mais amplo. O leitor crítico precisa aceitar que na Rua dos Poetas há lugar para todos aqueles que se destacaram na produção de alguma forma artística. A complexidade, preconizada por Edgar Morin como paradigma do século XXI, orienta-nos para a inclusão acima.
(Coluna do Expresso Ilustrado desta sexta-feira, 5 de setembro de 2008)
(Coluna do Expresso Ilustrado desta sexta-feira, 5 de setembro de 2008)
terça-feira, 2 de setembro de 2008
POESIA NATURAL
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
IPÊ AMARELO
ANTES DA PRIMAVERA
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