sexta-feira, 31 de julho de 2015

RIMA POBRE, RIMA RICA, RIMA RARA



             Na poesia, bem como na música, sua irmã de ritmo, há uma teoria, um estudo que classifica a arte num segmento que vai do mais simples ao mais complexo.

           Apenas no que diz respeito à rima, que o senso comum a considera como essência do gênero poético, todo texto pode ser classificado qualitativamente. A rima pobre é feita com palavras da mesma classe gramatical, geralmente com verbos no infinitivo (cantar–sonhar, beber–viver, sorrir–partir). A rima rica, ao contrário, ocorre com palavras de classe gramatical diferente. A rima rara (e preciosa) intercorre com palavras de terminações incomuns (estrelas–vê-las, múmias–resume-as, deuses–elêusis).

            A partir dessa referência, constata-se que 99% da produção textual no Brasil (para ser musicada) apresenta uma pobreza rímica – em decorrência da limitação vocabular que a precede.

           Não há exagero em generalizar a baixa qualidade das diversas expressões poéticas, que acompanham a música (também de um compasso simples, do forró nordestino ao tradicionalismo gaúcho).

quinta-feira, 30 de julho de 2015

RISÍVEL!

O PARECER constitui o modo de existência que caracteriza a PÓS-MODERNIDADE. 
Em Santiago, há algumas pessoas que enriqueceram (ou só aparentam riqueza), ou trabalhando (que é o meio mais difícil nestes dias), ou negociando com os ricos de antes (que empobreceram efetivamente). 
Tanto o enriquecimento quanto seu oposto ocorrem a todo tempo e lugar. 
Um aspecto, todavia, merece ser destacado ao observar os novos ricos (ou bem de vida): NÃO CONSEGUEM ESCONDER A CULTURA DE ONDE SÃO EGRESSOS. 
Um exemplo observado na tarde desta quinta-feira: o cara todo pintoso, andando num carrão cromado, MAS ouvindo uma música do gosto popular, pobre e medíocre (a música, claro). 
RISÍVEL!

terça-feira, 28 de julho de 2015

EVOLUÇÃO DO HOMO SAPIENS


A origem do homo sapiens ocorreu na África Oriental (parte mais escura no mapa acima). Há 70 mil anos, ele ocupou o Oriente Médio e há 45 mil anos chegou ao território hoje conhecido como Europa.
Parece simples, mas não é. 
Ao chegar ao norte, ele encontrou outra espécie do gênero Homo: o neandertal. O espécime neandertalense era mais musculoso, tinha um cérebro maior e bastante adaptado ao clima frio. 
Há duas teorias para o encontro dessas duas espécies: a "TEORIA DA MISCIGENAÇÃO" e a "TEORIA DA SUBSTITUIÇÃO".
Em síntese, a "teoria da miscigenação", homo sapiens e neandertais se fundiram. Segundo a "teoria da substituição", não houve casamento entre as duas espécies (a propósito, a melhor definição de espécie implica essa impossibilidade), tendo os neandertais desaparecidos aos poucos sob o domínio cruel (já naqueles tempos) do homo sapiens
Ainda que entre a maioria dos cientistas prevaleça a "teoria da substituição", racialmente correta, uma descoberta comprova que nas populações do Oriente Médio e da Europa existe o DNA dos neandertais.
Para o professor Yuval "trata-se de uma dinamite política que poderia fornecer matéria-prima para teorias raciais explosivas".

(A ilustração acima foi copiada do livro Sapiens - Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari.) 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

PARECER

O PARECER, como modo de existência, substitui a dicotomia anterior SER versus TER.
Essa foi a solução encontrada pelo indivíduo, que, envolvido pela necessidade de consumir, não consegue ser, no mínimo, independente e, tampouco, ter o suficiente para uma vida feliz.
A propósito, a felicidade é um ideal posto num horizonte inalcançável (feito um arco-íris sempre projetado a sua frente).
As redes sociais, no âmbito digital, representam um laboratório rico em que se pode observar a APARÊNCIA duplamente manifesta - por intermédio da imagem e do discurso.
O usuário deste site, por exemplo, parece todo sorriso nas fotos que publica com uma frequência quase diária, seja entre amigos também felizes, afagando algum animal de estimação ou fazendo turismo.
Discursivamente, falsifica a informação com suas opiniões do tipo "meu cachorro é lindo", incapaz de formular um enunciado que articule uma ideia, um argumento. Preso ao limbo da subjetividade, do umbiguismo, quer parecer verdadeiro.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

SAPIENS

Hoje fui a Santa Maria fazer um exame em meus olhos (Orbscan), visando a uma futura cirurgia para eliminar o astigmatismo. 
Na Livraria da Mente, comprei SAPIENS - Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari. O autor, que é doutor em História pela Universidade de Oxford e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, publica a CRONOLOGIA nas primeiras páginas. Desde o Big Bang ao presente, exatamente como fiz numa palestra para um grupo de colegas sem religião (deveria ser para os religiosos). 
A priori, dificilmente um religioso compreende (e se compreende não aceita) que há 6 milhões de anos existiu o último ancestral em comum de humanos e chimpanzés. 
Esse é apenas um exemplo.

terça-feira, 21 de julho de 2015

FALTA DE CONSTÂNCIA, IRRESPONSABILIDADE...

Há mais de uma coisa errada na popularidade da presidente Dilma, de 77% de aprovação para 7,7%. (Essa percentagem é ilustrativa.) 
A primeira (e única percebida pelo senso comum) é de que a presidente Dilma faz um péssimo governo em seu segundo mandato. 
A mídia, diga-se de passagem, faz parte do senso comum. 
A segunda, mais complexa, constitui o objetivo desta postagem: tamanha variação, em tão curto tempo, denuncia algo reprovável no próprio caráter dos brasileiros. 
Esse algo não pode ser volubilidade apenas, falta de constância, mas infere uma soma de outros defeitos, dentre os quais se sobressai a irresponsabilidade. Afinal, não faz um ano que a maioria dos brasileiros reelegeu Dilma Rousseff para presidente. 
A autocrítica não é uma qualidade da opinião pública, tampouco o é da mídia (sua porta-voz).

sexta-feira, 17 de julho de 2015

CLUBE DE LEITURA

 
O leitor deve se perguntar se eu leio todos os livros que indico neste espaço (já acrescentado à minha biblioteca). Apesar de ter muito tempo para a leitura, falta-me saúde nos olhos. Nos últimos dias, tenho lido com certa dificuldade, o que me força a ir mais uma vez ao oftalmologista. Dos 62 livros que comprei este ano, li apenas uns 15. 
Há um outro motivo que me leva a ler mais devagar: é chegada a hora de produzir. Concordo com Nietzsche, que abominava o leitor ocioso. Todo conhecimento adquirido com a leitura é inútil se não servir de argumento de autoridade para a minha produção de conhecimento. Escrever é uma necessidade para mim, tão urgente quanto trocar de óculos. 
O livro acima ilustrado, O Capital - no século XXI, de Thomas Piketty, ficará descansando na estante. Outros três que se juntam a ele são A essência da Filosofia, de Wilhelm Dilthey, Os sete saberes necessários à educação do futuro, de Edgar Morin, e Meus filósofos, de Edgar Morin. 
O leitor que tiver o interesse de ler um desses livros (indicados em meu blog), basta me mandar uma mensagem ou me procurar. Já pensei em criar um clube de leitura em Santiago, para o qual disponibilizaria, a princípio, umas mil obras. 
 

sábado, 11 de julho de 2015

CANTARES ARES



INTERTEXTUALIDADE NOS CANTARES ARES
DE ORACY DORNELLES

         À medida que todo texto remete, direta ou indiretamente, a outros textos disponíveis, segundo o conceito de intertextualidade de Kristeva (1972), sua leitura exige o conhecimento prévio daqueles a que ele se relaciona polissemicamente. Sem essa condição, não há leitura e, por extensão, não há textualidade. Os grandes poetas inovam a expressão de uma realidade qualquer, dentro da ressignificação que transforma o receptor num segundo autor.
Para a leitura de Cantares ares, de Oracy Dornelles, exige-se conhecimento de outros textos, que abarquem as diversas mitologias (egípcia, judaica, grega e moderna), a historiografia, a filosofia, a arte (pintura, música e literatura), a metalinguística etc. O leitor é instigado continuamente a recriar sobre os signos verbais partidos em unidades menores. Inclusive o espaço em branco, nos poemas oracyanos, adquire significação especial, que se pode denominar semântica do silêncio (visto que, foneticamente, o recurso gráfico já possui uma função rítmica fundamental).
O primeiro verso monossilábico de Os cantos, com que o poeta inicia seus cantares, remete ao deus solar Rá, supremo criador dos outros deuses, pai de todos os grandes faraós egípcios. No final do poema, após uma onomatopeia extraordinária, a partição Ez-ra, metralhadora rara da poética contemporânea já aludida no título (Os cantos).  O tempo que decorre com o virar da página, o leitor se pergunta sobre o criador do imagismo, Ezra Pound, que defendia ser o poeta a “antena sensível da raça humana”.
Do outro lado da folha, o fonético O IX tematiza o Santo Graal, que pertence à mitologia cristã. A própria Igreja Católica não dá ao cálice mais que um valor simbólico e acredita que o Graal não passa de literatura medieval. Em Ave, o intertexto se apresenta na forma de paródia: ave narina/ cheia de vento…/ ave narina/ cheia de de/ roubai por mim. A rica variedade léxica do poema exige do leitor o suporte de outras tantas leituras correspondentes: pingala, iogue, ramacharaca, prana, chacra etc.
Na sequência, poemas de dois a quatro versos fazem alusão a diversos nomes míticos, históricos e artísticos: drácula, Mary Shelley, Frankenstein, Tutancâmon, Alice, Maguila, salamanca, Cristóvão, Fallópio, Eustáquio, medusa, Calígula, Cleópatra, Pilatos, Homero, Picasso, Van Gogh, Rubens, Alexandria, Diógenes, Camões etc. Em Parnasiana, Oracy graceja com o dilema de Emílio de Menezes: Pobre do Emílio de Menezes/ levava trinta dias procurando/ uma rima para “conspícua”./ Inventasse uma ridícua! Em Grega, o leitor precisa saber previamente o que é ou quem é Xenofonte: aonde te abeberaste/ ó estudante sábio/ de tanta erudição/ em que xenofonte? Depois de Platão. Xenofonte foi o principal testemunho e apologista de Sócrates.
A metapoética, a análise da própria arte, também constitui uma recorrência à intertextualidade. Já caracterizada no poema acima citado, evidencia-se em Antigo: ah, tempo dos álbuns e dos acrósticos!/ cada crucifixo de soneto!/ a rima de cima em forma de canga/ e em decúbito dorsal/ o nome da camanga. Em Legítimo hai cai, as exatas 17 sílabas sequenciais do gênero poético. Em Explícito: Poema nu:/ um epicédio entre dois hemistíquios/ sem métrica/ duro. Ludismo semiológico em O piolho: o piolho/ as piolhas/ co/ pulando/ o cio das piolhas! (Com o acréscimo de três pontinhos na vertical ao ponto de exclamação.) Em Onde, igualmente: onde está a foice?/ entre o taco de beisebol!/ e o gorro^.
Na segunda parte do livro, ares, Oracy Dornelles revela toda sua capacidade criativa, explorando a forma clássica de composição poética – o soneto. Esse gênero constitui o apoio intertextual para seus sonemínimos, cujos títulos fazem alusão ao próprio Oracy, à sua especialização grafológica, à sua arte de escrever e de micropintar, ao seu hobby de campeador de estrelas, de brincar com os números, de ouvir Beethoven, de domesticar pulgas (criador da Olimpúlgada).
São idiossincrásicos os títulos: Sonemínimo perfeito parnasianíssimo de 24 letras; Estranhíssimo, único e falso soneto intergaláctico, contendo um inacreditável terceto gravitacional, suspenso na órbita do último terceto do sonemínimo, agindo como um satélite; Estranho e falso soneto, contendo 7 letras e uma equação numérica – Inicia com um quarteto invisível, ou prosódico, e também com uma chave de ouro também invisível ou prosódica, tornando-se o único sonemínimo sem fim do cosmos; Falso e patético soneto equacional… o menor sonemínimo do Universo em expansão (bacilo de soneto), estando o restante dos dois quartetos e dos dois tercetos completamente invisíveis num colapso prosódico; Poemínimo final com cacófato diacrítico e rima invisível.
Cantares ares se antecipa ao espírito pós-moderno de síntese e globalização do conhecimento, com o diferencial da intermediação estética. A clivagem, o léxico, o ritmo, o humor e, sobretudo, a intertextualidade fazem dos microtextos oracyanos também a contrapartida do eminentemente moderno (que viceja numa diversidade de gêneros textuais).

Froilam de Oliveira
(Publicado no livro O que importa em Oracy, com Fátima Friedriczewski e Júlio Prates, 2003)

terça-feira, 7 de julho de 2015

A CAMINHO DA GRÉCIA

A vocação filosófica e científica me coloca no sentido oposto ao do profeta. O filósofo e o cientista, assim penso, fazem da realidade presente o objeto de suas reflexões e experiências. O profeta sequer a usa como ponto de apoio para o salto metafísico que dá em direção ao futuro, ao desconhecido, ao vazio. Suas previsões (presságios) inferem uma fuga do real (à maneira do poeta romântico), sem a inclusão deste como causa necessária.
Após as considerações acima, arrisco fazer uma projeção (cálculo antecipado de uma situação futura) sobre a economia de nosso país. O descontrole do governo já pode ser considerado como um sintoma do que está por vir (que faz a questão sobre o fator previdenciário parecer apenas um resfriado). Os gastos públicos sobem às alturas, o funcionalismo de todos os setores continuam a reivindicar e a obter melhores salários, a população envelhece a olhos vistos... A produção industrial diminui assustadoramente, a dívida interna cresce (forçando o corte dos créditos)... A única fonte de receita é o aumento dos impostos... Exceto pela dependência de pacotes e pacotes de empréstimos, o Brasil está a caminho da Grécia.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

MAIS LIVROS


Hoje comprei mais dois livros na livraria INOVE: Manual de Ética, organizado por João Carlos Brum Torres (formado em Direito e Filosofia, ex-professor titular do Departamento de Filosofia da UFRGS); e 10 Lições sobre Hume, de Marconi Pequeno (professor de Ética da Universidade Federal da Paraíba).
(Com os dois títulos acima citados, são 56 livros em 2015.)

quarta-feira, 1 de julho de 2015