O argumento decisivo contra a pena de morte se fundamenta na possibilidade remotíssima de o Estado condenar um inocente (por um erro qualquer). Todos concordam que a exceção deve condenar a regra, isto é, na hipótese de ocorrer o engano acima, assassinos reincidentes e cruéis devem ser tratados com urbanidade. Essa lógica inquestionável não é observada quanto à política de distribuição de cotas. Meu vizinho da esquerda será injustiçado, não recompensado pelo seu trabalho, pelo seu esforço. Em contrapartida, será premiado o vizinho da direita, imprevidente,
boa-vida...
terça-feira, 13 de maio de 2008
JUSTIFICATIVA
O leitor poderá se espantar da minha simplificação abaixo, atribuindo a um caso tamanha importância. Em se tratando de famílias brancas, qual foi a origem das distorções econômicas principalmente? Os imigrantes receberam porções diferentes de terra dentro da mesma colônia?
CONTRA AS COTAS
Por alguns anos, morei numa vila (conjunto de casas). Todos pertencíamos a uma mesma classe social, com uma renda mais ou menos equivalente. Apenas como ilustração, descrevo o modus vivendi dos meus vizinhos mais próximos. Na casa à direita, a família era perdulária: festa, carro zero, viagem etc. Na casa à esquerda, a família era segura: festejavam pouco, viajavam apenas nas férias etc. As crianças da direita estudavam num colégio público do bairro. As crianças da esquerda, num colégio particular no centro da cidade. Gastos diferentes, condições diferentes. A educação diferenciada, depois de dez anos, verificou-se no vestibular: os jovens da direita não eram aprovados para as melhores universidades, para os melhores cursos; os jovens da esquerda, em contrapartida, passavam na Universidade Federal para Medicina, Odontologia, Engenharia... Para os primeiros, não havia outra alternativa se não pagar uma universidade particular, estudar a distância ou vagabundear. Não poderia ser diferente. E não é que passou a ser diferente, com uma lei de cotas para alunos do ensino público!
DARWIN E NIETZSCHE
Desde que comecei a ler os livros e o mundo, desenvolvo quase como uma paixão pelo conhecimento (ainda que sentimento e razão sejam antagônicos num mesmo indivíduo). Uma coisa que me irrita é ouvir ingratidões ou calúnias contra a Ciência ou a Filosofia, apenas porque elas não dão todas as respostas aos devaneios humanos. Penso ser impossível alguém conhecer Darwin (incluindo os pós-darwinistas) e ficar indiferente, refutar a teoria da evolução das espécies ou criticá-la duramente, tendo o criacionismo como referência. Impossível esse mesmo alguém ler Nietzsche e não inferir de sua filosofia certas verdades palpitantes, como a que denuncia a nefasta influência da tradição judaico-cristã em nossa civilização. A maioria dos meus contemporâneos parece não conhecer Darwin e Nietzsche. Da mesma forma, não conhecem Marx e Freud (incluindo os pós-freudianos). Ultimamente, inclino-me a pensar que poucos estão dispostos a saber algo que acusa seu narcisismo, “seachismo”, ou coisa que o valha. Meus textos anteriores constituem um bater constante na mesma tecla. Não os considero totalmente infrutíferos, perda de tempo, em razão da incompreensão ou da resistência que sei caracterizar o senso comum. São os primeiros passos de uma longa caminhada que pretendo realizar. Já vislumbro a possibilidade de êxito, uma vez que a Filosofia passa a despertar a atenção da opinião pública, reinserida nas escolas de educação básica. Tenho certeza de que o ensino filosófico será mal direcionado, adequando-se aos mesmos valores que conduzem nossa sociedade a um excesso de sensibilidade (como temia Nietzsche).
domingo, 11 de maio de 2008
CRÍTICA NÃO-ANÔNIMA
Meu amigo Ivan Zolin comenta as postagens abaixo. Com relação a CONTRA AS COTAS, na qual escrevo que um dos líderes do Movimento Negro-Socialista declarou que era contra o sistema de cotas para negros, Ivan acha lamentável minha posição. O mais importante da postagem constitui a declaração de um negro brasileiro, líder do MNS, que, inteligentemente, é contra as cotas, explicando-se com a mesma razão em que me apóio desde o início das discussões. Repito: a política perpetua o racismo (que sempre existiu e que existe neste país, mesmo que brancos hipócritas façam campanha anti-racista). Os brasileiros são racistas, porque seus avôs eram racistas e os seus tetravôs, escravocratas. Não será a universidade que eliminará essa doença etnocêntrica.
Com relação ao pleito para presidente nos Estados Unidos, fiz uma brincadeira. Desta vez, penso que um democrata (Hillary ou Obama) ganhará de McCain. Discordo de que a política seja uma arte, embora a maioria dos políticos a trate dessa forma. Arte de enganar o povo (como escreve o Júlio Prates), arte de fraudar, arte de gastar o dinheiro público, arte de representar... Política deve ser ciência, meu amigo. O que faz Roberto Mangabeira Unger no governo?
Agradeço pela crítica (não-anônima).
Com relação ao pleito para presidente nos Estados Unidos, fiz uma brincadeira. Desta vez, penso que um democrata (Hillary ou Obama) ganhará de McCain. Discordo de que a política seja uma arte, embora a maioria dos políticos a trate dessa forma. Arte de enganar o povo (como escreve o Júlio Prates), arte de fraudar, arte de gastar o dinheiro público, arte de representar... Política deve ser ciência, meu amigo. O que faz Roberto Mangabeira Unger no governo?
Agradeço pela crítica (não-anônima).
sábado, 10 de maio de 2008
PARADOXO POLÍTICO II
Vocês sabem quem será eleito presidente dos Estados Unidos entre Hillary Clinton e Barack Obama? Simples: John McCain, candidato republicano.
CONTRA AS COTAS
Neste dia, ocorreu a 3ª Reunião Nacional do Movimento Negro-Socialista. Não me surpreendi com um de seus líderes que declarou ser contra cotas para negro, uma vez que o sistema perpetua o racismo, a diferença entre brasileiros. Isso é mais verdadeiro do que sustentar a necessidade de corrigir distorções históricas, sócio-culturais, com mais esse óbolo de uma política paternalista.
DIA DAS MÃES

Amanhã é o Dia das Mães, isto é, um dia muito especial em que o comércio aquece suas vendas, empregando a figura materna como garoto-propaganda. Na genealogia dessa data, encontra-se Ana Jarvis, mulher norte-americana que resolveu estender a todas as mães a homenagem que receberia de amigas (preocupadas com a sua depressão ante o falecimento da própria mãe). O cravo branco foi o único presente instituído para a data, símbolo da maternidade. Jarvis disse não ter criado o Dia das Mães para ter lucro. Infelizmente, os setores mercadológicos da nossa sociedade transformaram o Dia das Mães numa oportunidade de vender mais, agregando um valor monetário aos afetos, aos sentimentos. Por outro lado, os setores consumistas pisotearam no cravo branco proposto por Ana Jarvis, agregando o que ainda resta de afetividade a um produto comercial, com valor monetário. Há dois anos, perdi minha mãe. Tudo o que lhe daria neste dia seria um abraço carinhoso. Todos os dias celebro sua memória. Farei isso até o fim da minha vida, com uma saudade que me enche os olhos d'água.
PARADOXO POLÍTICO
O Partido Progressista de Santiago será mais uma vez beneficiado pelo Sandro Palma, não por um voto de minerva, se não por sua candidatura a prefeito. Os votos pró-Sandro, no próximo pleito, poderão representar a diferença entre Júlio Ruivo e Vulmar Leite (em favor do primeiro).
LE PONT DU CHEMIN...

Uma tela de Claude Monet (1840-1926), Le Pont du Chemin de Fer à Argenteuil, bateu o recorde de preço já alcançado por uma obra do pintor, na terça-feira, durante um leilão da Christie's, em Nova York. A obra foi vendida a um comprador anônimo por US$ 41 milhões (cerca de R$ 73 milhões). Sua obra mais cara, até então, havia sido vendida por US$ 37 milhões (cerca de R$ 66 mi).
sexta-feira, 9 de maio de 2008
1ª SINFONIA DE OUTONO
Acabei de chegar do Círculo Militar, onde se realizou a 1ª Sinfonia de Outono (evento organizado pelo Departamento de Cultura de Santiago). Nota 10! A música sempre arrebata as alma mais sensíveis. Arte suprema, universal.
O programa foi dividido em três partes: 1ª) Com execução da Fanfarra da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada: Abertura-Proposta (com músicas de Roberto Carlos); É Preciso Saber Viver; Carinhoso; Céu, Sol, Sul, Terra e Cor; e Aquarela do Brasil. 2ª) Performance de Ruy Armando Gessinger (violino), Mário Meira (harpa), violões e vozes de três aluno do Criança Feliz: Negrinho do Pastoreio; Mercedita, Asa Branca, Km 11... 3ª) Novamente a Fanfarra da 1ª Bda C Mec: Carruagem de Fogo; Fantasma da Ópera; Cavalaria Rusticana; e Cavalaria Ligeira. A secretária de Cultura do Estado, Mônica Leal, aplaudiu com entusiasmo. Parabéns ao Departamento de Cultura.
ALGO EM COMUM
POR ACASO, VOCÊ CONHECE CACHORRO QUE MATA OVELHA? POR ACASO, CONHECE PORCO ROCEIRO (CONFORME DEFINE HOUAISS, "QUE PENETRA NAS ROÇAS E AS DEVASTA")? QUEM NASCEU E SE CRIOU NO INTERIOR SABE QUE ESSES DOIS ESPÉCIMES MORREM MAIS CEDO DO QUE DETERMINARIA O DESTINO OU A VONTADE DE SEU DONO. O PRIMEIRO, COITADO, GERALMENTE RECEBE UMA CARGA DE CHUMBO NA CABEÇA. O SEGUNDO ENTRA PARA O CHIQUEIRO (QUE OS CHIQUES CHAMAM DE POCILGA), LUGAR ESPECIALMENTE PREPARADO PARA A ENGORDA. FELIZ POR CONSUMIR A MELHOR RAÇÃO, QUAL O MILHO JÁ DEBULHADO, ACABA NA PONTA DE UMA FACA AFIADÍSSIMA. OS HOMENS, EM MUITOS ASPECTOS, SÃO PARECIDOS COM PORCOS E CACHORROS. A DESPEITO DA RACIONALIDADE QUE OS DISTINGUE, EM CERTAS OCASIÕES ELES SE COMPORTAM COM TAL FREQÜENCIA E IRREDUTIBILIDADE QUE SE PARECEM COM CACHORRO QUE MATA OVELHA OU COM PORCO ROCEIRO. UM EXEMPLO QUE PODE SER OBSERVADO EM NOSSA BLOGOSFERA (PARA NÃO IR MAIS LONGE) CONSTITUI O COMENTARISTA ANÔNIMO. ENTRE TODOS OS DEFEITOS QUE ALBERGA SUA PERSONALIDADE, O INSTINTO PERVERSO TRANSCENDE A INOCÊNCIA DA ALIMÁRIA. (PARA QUEM FOI CAPAZ DE EMPREGAR O TERMO "SERPENTÁRIO", "ALIMÁRIA" NÃO SERÁ UM PROBLEMA.) SUA IGNORÂNCIA NÃO É DE NATUREZA LINGÜÍSTICA, MAS PSICOLÓGICA, EMPÁTICA, POR PENSAR QUE EU SEJA INCAPAZ DE ESCORRAÇÁ-LO DO ANONIMATO. EM BREVE, TEREI O PRAZER DE ANUNCIAR SEU NOME, AINDA QUE ISSO POSSA RESULTAR NUMA GRANDE INIMIZADE. AS FERRAMENTAS DO PRÓPRIO BLOG OFERECEM UMA FORMA DE "MATAR" O ANÔNIMO, CONSISTE EM MODERAR OU OCULTAR COMENTÁRIO. MAS ISSO SERIA UMA COVARDIA DA MINHA PARTE (EM RELAÇÃO A ELE). ETICAMENTE INCORRETO (EM RELAÇÃO ÀQUELES QUE DESEJAM INTERAGIR COM SERIEDADE).
quinta-feira, 8 de maio de 2008
MÔNICA LEAL

Há pouco, cheguei da Câmara de Vereadores, onde fui assistir a uma palestra da secretária estadual da Cultura, Mônica Leal. A filha de Pedro Américo Leal, antes de ser convidada a participar do governo de Yeda Crusius, fora vereadora por dois anos em Porto Alegre e concorrente ao senado pela majoritária de seu partido (PP). Sua política revela uma tendência moderna, de inclusão social, cujo programa-síntese é expresso na frase A ARTE DE INCLUIR PELA CULTURA. A maioria dos projetos que sua secretaria desenvolve, pelo menos foi o que pude deduzir da palestra, está centrada na "capital do povo gaúcho" e seu entorno. Seu assessor, todavia, adiantara que apenas 15% do orçamento é aplicado na Grande Porto Alegre. A visita que faz a Santiago pode ser o começo de uma maior descentralização da política de patrocínio - financiamento LIC no âmbito do Estado. A contrapartida dos interioranos deve ser fundamentada em projetos bem elaborados, que priorizem a inclusão social.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
ATITUDE RESPONSIVA (ATIVA)
Uma das ferramentas que possibilitam a interação entre os blogueiros e leitores eventuais é disponibilizada no rodapé de cada postagem. Ela transforma os blogs num espaço propício à comunicação. A minha monografia do curso de Pós, inicialmente, tinha como objetivo analisar os blogs de Santiago sob o aspecto interativo. Depois de aguardar por alguns meses, como visitante assíduo, percebi que não seria possível tal análise. Salvo algumas exceções, não ocorre troca de informações entre os participantes da nossa blogosfera. (Em Portugal, por exemplo, os blogs registram 30, 40, 50 comentários em suas postagens.) Em Santiago, os comentários são geralmente anônimos e maldosos. Por esse motivo, a maioria dos blogueiros oculta ou modera os comentários, quando não desiste de blogar (para minha tristeza). Tive que mudar o objetivo da minha monografia no último momento. Analisarei a literariedade que caracteriza certos blogs, cujos elementos poéticos devem confirmar a verve que caracteriza a Terra dos Poetas (no âmbito digital).
NOVO LIVRO DE GARCÍA MÁRQUEZ

Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura de 1982, publicará antes do fim de 2008 um novo livro sobre o amor, afirmou uma fonte ligada ao escritor. "Tive a felicidade de estar nesse fim de semana no México com o escritor e posso garantir que ele está dando os últimos retoques em seu novo romance", disse o jornalista Darío Arizmendi, diretor da rádio Caracol. De acordo com Arizmendi, o livro está pronto e será lançado em agosto ou setembro. Segundo o jornalista, a nova obra do Nobel colombiano, de 81 anos, terá 250 páginas e será uma evidência de que está "lúcido" e plenamente produtivo em sua ampla carreira como escritor. O último lançamento do escritor foi a novela Memorias de mis putas tristes. O amor é quase personagem em O amor nos tempos do cólera. Eis um pequeno resumo do romance: Trata-se da história de Florentino Ariza, Fermina Daza e Juvenal Urbino. Florentino se apaixona pela trança de Fermina, o romance dura algumas cartas, mas ao conhecer seu admirador, a moça rejeita-o e casa-se com Urbino, com quem vive por quase cinqüenta anos. O amor de Florentino, porém, persiste a vida inteira. No final do livro, Florentino e Fermina se reencontram para resolver a antiga história.
ooo
Sou leitor de García Márquez desde 1982, ano em que ganhou o Nobel. Aguardarei por esse novo romance.
ooo
Sou leitor de García Márquez desde 1982, ano em que ganhou o Nobel. Aguardarei por esse novo romance.
domingo, 4 de maio de 2008
EM DEFESA DA BARBÁRIE
Os três estados evolutivos da humanidade são os seguintes: a selvageria, a barbárie e a civilização. Como reflexão para esta noite, deixo as seguintes perguntas:
Durante a barbárie, um pai aprisionaria a filha por 24 anos, estuprando-a diariamente e gerando 7 filhos da relação incestuosa?
Durante a barbárie, um pai assassinaria a filha de 5 anos?
Durante a barbárie, uma mãe afogaria os filhos para ficar com o amante?
Constitui um equívoco antropológico dizer que o homem retorna à barbárie em vista da crueldade cometida por ele. A civilização não merece essa defesa, esse subterfúgio.
Durante a barbárie, um pai aprisionaria a filha por 24 anos, estuprando-a diariamente e gerando 7 filhos da relação incestuosa?
Durante a barbárie, um pai assassinaria a filha de 5 anos?
Durante a barbárie, uma mãe afogaria os filhos para ficar com o amante?
Constitui um equívoco antropológico dizer que o homem retorna à barbárie em vista da crueldade cometida por ele. A civilização não merece essa defesa, esse subterfúgio.
TRISTE TARDE
Triste tarde para um gremista, que tinha uma esperançazinha de ver o Juventude jogar bola no Beira Rio. Mas não jogou nada. O Inter arrancou a "toca", pisoteou nela (como fazia literalmente um colorado bêbado na Rua dos Poetas no fim da tarde), meteu-lhe na privada e puxou oito vezes a descarga. A partir do segundo gol, desfiz a ligação da antena interna para ver as decisões do Rio de Janeiro e São Paulo pela parabólica. De tempo em tempo, os meninos do condomínio gritavam, e fogos de artifícios explodiam nos céus santiaguenses. Após o jogo, viria o buzinaço nas ruas e o encontro dos felizes torcedores no centro. Menos mal que os colorados são mais comportados agora, devido a faixa de idade da grande maioria, entre 30 e 38 anos. (A torcida violenta é a do Grêmio, porque sua maioria é mais jovem.) No Rio, o resultado também não me agradou: Flamengo. Em São Paulo, indiferente. No Paraná, outra decepção: Coxa. Ao longo de nove anos que residi em Curitiba, passei a simpatizar com o Atlético (apesar do vermelho na camiseta). Agora é suportar a flauta dos colorados amanhã.
sábado, 3 de maio de 2008
OS DOIS TEMPLOS
Hoje, mais uma vez, insisti na idéia de que nossa civilização nasceu no Reino de Judá. Levara meu amigo Ivan Zolin à livraria do Tide, onde conversei alguns minutos com o Juarez. Enquanto o Ivan separava volumes e volumes, apontei para os livros de Nietzsche e disse que a nossa cidade tinha a oportunidade de ler esse filósofo. Depois de muitos anos de leitura, finalmente compreendia a implicância nietzscheana contra a tradição judaico-cristã. Tão forte é a influência dessa tradição que não há ateu que não seja afetado por ela. Católicos e evangélicos nem se fala, a moral cristã constitui o fundamento que norteia suas vidas. (Tal generalização não é verdadeira, mas para ilustrar meu argumento já serve.) Tudo teve início no mais pobre dos reinos que surgiram no Oriente Próximo: Judá. Em sua capital, Jesuralém, Salomão (que a arqueologia acaba de constatar que não era rico como exagera a narrativa mítica) constrói o Templo do Deus de Israel. A unicidade em torno desse templo foi meia salvação do povo judeu. A outra metade viria mais tarde (século VII a. C.), com um rei que descendia de Salomão: Josias. Quarenta e poucos anos antes de Judá cair sob o domínio da Babilônia, Josias teve a mais brilhante idéia para o futuro judeu, qual seja, a de reunir todos os escribas, profetas, contadores de causo e outros para a compilação de um livro que reunisse todo o passado lendário e histórico, desde o princípio dos princípios até ao presente. Assim nasceu a Bíblia, o templo móvel que partiria de Jerusalém para o mundo ocidental pelas mãos de um pregador viajante e arrojado, o grande idealizador e divulgador do Cristianismo, Paulo de Tarso. Suas viagens e pregações não poderiam começar melhor, por uma Grécia exaurida religiosa e culturalmente. O apóstolo levou um novo alento, de que este mundo é assim mesmo (feio e mau, como bem definiu Nietzsche).
quinta-feira, 1 de maio de 2008
IGNORANTE E INVEJOSO
Ao final do texto A quarta frustração, postado abaixo (e que será publicado no Expresso Ilustrado de amanhã), escrevi a seguinte observação: (Leitor, caso tiveres dúvida acerca da autoria da idéia que defendo acima, digita no Google "a quarta frustração". Certamente, nada encontrarás que se assemelhe). Este blogueiro fazia sua defesa prévia contra qualquer acusação de plágio, mera interpretação de idéias alheias (o que comumente ocorre em trabalhos acadêmicos, artigos científicos e quejando). A originalidade da idéia, a quarta frustração da humanidade a partir da Genética, forçou-me a escrever a observação entre parêntesis. Outro participante da blogosfera santiaguense havia denunciado plagiadores num post sobre política, por isso a preocupação em afirmar a autenticidade do meu texto. Em nenhum momento fui acariciado egocentricamente pela jactância, ou por qualquer pensamento imperfeito que constitui a vaidade humana, como acusa este comentário que recebi anonimamente: "O texto estava muito bom até o comentário do rodapé. Quanta vaidade, meu caro. Mas afinal, era esse o foco do texto, não?". Por parte, como dizia Jack, o Estripador. Se o texto estava muito bom, não será uma observação de rodapé, metatextual, que o transformará num texto muito ruim. Assim falou Zaratustra, Para além de bem e mal, A genealogia da moral... não perderam o brilho apofântico com as confissões egolátricas de seu autor (Nietzsche), quando este já sofria da doença que o internaria numa clínica. O Sr. Anônimo me interpreta como vaidoso (apenas pelo conteúdo da nota). O título da minha coluna, Crítica e autocrítica, possui a coerência de também me incluir entre os humanos que pecam pelo narcisismo individual e especista. Penso que, no momento em que vejo em mim esse narcisismo, liberto-me dele (podendo criticar à vontade). Se reivindicar a autoria de uma idéia é sinônimo de vaidade, Sr. Anônimo, então sou vaidoso. É melhor sê-lo do que não ter idéia alguma, ou sentir-se diminuído com a idéia dos outros. Ignorante e invejoso, Sr. Anônimo.
VISÃO POÉTICA
Ao me levantar ontem de manhã, entre seis e sete horas, fui à área de serviço para calçar meus coturnos, olhei para a noite que sumia depressa na direção oeste e pensei: essa visão merece um poema. Desde pequeno, ouvi falar na "barra do dia" que chega, nunca no seu oposto. Dessa forma, escrevi os seguintes decassílabos:
oo
o dia chega
oooooooooono apagar
ooooooooooooooooooodas luzes
a noite foge
ooooooooooparalém
do poente
atropelado
oooooooooobando
ooooooooooooooooooode avestruzes
de escuras penas
ooooooooooooooovai-se
de repente
oo
o dia chega
oooooooooono apagar
ooooooooooooooooooodas luzes
a noite foge
ooooooooooparalém
do poente
atropelado
oooooooooobando
ooooooooooooooooooode avestruzes
de escuras penas
ooooooooooooooovai-se
de repente
Assinar:
Postagens (Atom)