quinta-feira, 12 de julho de 2007

RISO TRÁGICO

Clément Rosset pergunta e responde em Lógica do pior "o que há em comum aos Sofistas, a Lucrécio, a Pascal e a Nietzsche, é que o discurso segundo o pior é reconhecido de saída como o discurso necesário". Tais pensadores seriam "terroristas", lógicos do pior, trágicos.
Pensando na questão do aquecimento global, tão badalada pela média que já causa enfado a muita gente, reconheço-me um terrorista (gostei da palavra). Não me limito a textualizar um profundo pessimismo, mas de pensar o pior, o caos revertendo a ordem do mundo.
Não se trata mais de questionar se o homem conseguirá uma solução para os problemas ambientais que ameaçam sua própria sobrevivência. Meu riso trágico começa por observar os chamados ecologistas, otimistas que ainda crêem na perenidade humana. Eles negam o acaso da vida, cegos para o espaço em que habitam e para o tempo que os circunda nesse espaço. Todos os esforços para preservar Gaia são resíveis, uma vez que se fundamentam na ordem preexistente (já atingida pela entropia).
Toda a história da nossa espécie, dos primeiros indivíduos que a caracterizaram geneticamente aos últimos, cobrirá alguns milhões de anos. Dos grndes animais que povoaram o planeta, o homem é, certamente, um dos mais efêmeros. Não obstante sua inteligência, não tem noção correta do tempo que demorou a surgir como existente (em torno de 4,5 bilhões de anos), tampouco consegue imaginar o tempo em que a Terra ainda circulará o Sol sem ele (mais 4,5 bilhões de anos). Por isso a cegueira.
O Sol funde Hidrogênio por enquanto, numa fase denominada de "seqüência principal", mas o acúmulo de Hélio em seu núcleo levará a fundir esse elemento, acelerando as reações nucleares das outras camadas. Isto significa dizer que a estrela produzirá energia suficiente para incandescer os planetas mais próximos. Inclusive a Terra - já sem vida. Não restará o menor resquício orgânico sobre o nosso planeta.
Não são apenas os ecologistas de hoje os causadores do meu riso trágico, mas todos os teístas que inverteram o sentido de sua criação, transformando-a no criador. Onde se justificará a crença num deus ou na apoteose humana ao longo dos bilhões de anos em que a Terra há de girar sem vida? A sobrevivência do espírito, a grande fantasia, só aumenta minha vontade de rir.
Sim, rio de todos os espiriualistas, criaturas que acreditam na (auto)divinização.
Por dois bilhões de anos a Terra girará sem vida. Em que plano esses espíritos viverão as esperiências sensíveis, indispensáveis para sua evolução?
Meu riso é línguagem não verbal do discurso terrorista. Discurso necessário.

Um comentário:

Eliziane Pivoto Mello disse...

Parabéns, teu blog está demais, mal começou já está arrebentando...bj. lizi