segunda-feira, 18 de agosto de 2008

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O leitor atento já percebeu que tenho feito repetidas críticas ao senso comum. Reconheço que elas são demasiado contundentes ao denunciar a calúnia contra as ciências, motivada pelo grande paradigma da civilização ocidental: as doutrinas judaico-cristãs. Em Alunos relapsos, quantifiquei o senso comum em mais ou menos 95% de qualquer grupo social. Nossa cidade não foge à regra. Entre seus estudantes, apenas 5% consegue ingressar numa universidade federal. Entre seus cidadãos (professores, advogados, médicos, funcionários públicos, comerciários etc.), apenas 5% fazem a diferença. Inclusive os poetas, mortos ou vivos, apenas 5% são bons. O Oracy Dornelles, em seu Páginas impossíveis, faz uma avaliação tão "generosa" quanto a minha. Dito isso, sigo em frente. O quase desdém pelo conhecimento se observa nas falas e nos discursos cotidianos (criacionistas, contrários ao fato evolutivo, à grande verdade). A influência paradigmática do mito, da tradição judaico-cristã, constitui a causa de termos 99 igrejas e tão somente uma pequena livraria. Por que tal desproporção? Infelizmente, o universo de leitores santiaguenses está abaixo dos 5% (não considerando os leitores bíblicos). Esse absurdo da falta de leitura pode ser maximizado no exemplo de um bacharel em Direito, que se vangloria de não ter lido um único livro durante o curso na nossa universidade. Se a mediocridade do senso comum é digna de pena, sua maledicência merece a indignação daqueles que Nietzsche distinguia como homens superiores.

Um comentário:

Thiago de Lima disse...

Queria saber que critério você usou – e até mesmo que autoridade tem- para afirmar que apenas 5% dos nossos poetas são bons. Se levar a sua percentagem ao pé-da-letra, concluiu-se através de seu texto que apenas Oracy Dornelles (foi esperto apoiar-se no texto dele) e Froilam Oliveira são bons poetas. Talvez alguém mais? Há uma grande diferença entre afirmar que “eu acho 5% dos poetas santiaguenses bons” e “apenas 5% são bons”; mas um analista do discurso deve saber isso melhor que eu, supostamente. Já li seu livro, (eu) não gostei.
A convicção que a ciência e o conhecimento pode oferecer algum tipo de redenção para a humanidade é tão senso comum quando a religiosidade. A ciência, nada pode oferecer ao já esgotado homem pós-moderno além de uma vida mais prática e cômoda. E o conhecimento, só lhe garante uma maior profundidade – caminho certo para a infelicidade, como diria o Millôr Fernandes. Fé, conhecimento e ciência, hoje em dia, só atendem a interesses pessoais.
Engraçado você defender tão fervorosamente esse tal de Nietzsche, o filósofo que abominava a idolatria, que preferia a violência à caridade, o demasiado humano, que teve um fim nada “super”- não vá achar que ele ascendeu aos céus. Nietzsche é doença – não é para amadores. Embora eu reconheça sua utilidade – o próprio filósofo afirmava que a doença é útil para um homem ou uma tarefa - disseminar a doença entre as pessoas seria um caos muito despropositado. Por sorte, não vejo nada de Nietzschiano em você, a não ser essa sua suposta mágoa com a tradição moral judaico-cristã ; no demais, nada vejo em você que o distinga como um übermensch.