sábado, 3 de maio de 2008

OS DOIS TEMPLOS

Hoje, mais uma vez, insisti na idéia de que nossa civilização nasceu no Reino de Judá. Levara meu amigo Ivan Zolin à livraria do Tide, onde conversei alguns minutos com o Juarez. Enquanto o Ivan separava volumes e volumes, apontei para os livros de Nietzsche e disse que a nossa cidade tinha a oportunidade de ler esse filósofo. Depois de muitos anos de leitura, finalmente compreendia a implicância nietzscheana contra a tradição judaico-cristã. Tão forte é a influência dessa tradição que não há ateu que não seja afetado por ela. Católicos e evangélicos nem se fala, a moral cristã constitui o fundamento que norteia suas vidas. (Tal generalização não é verdadeira, mas para ilustrar meu argumento já serve.) Tudo teve início no mais pobre dos reinos que surgiram no Oriente Próximo: Judá. Em sua capital, Jesuralém, Salomão (que a arqueologia acaba de constatar que não era rico como exagera a narrativa mítica) constrói o Templo do Deus de Israel. A unicidade em torno desse templo foi meia salvação do povo judeu. A outra metade viria mais tarde (século VII a. C.), com um rei que descendia de Salomão: Josias. Quarenta e poucos anos antes de Judá cair sob o domínio da Babilônia, Josias teve a mais brilhante idéia para o futuro judeu, qual seja, a de reunir todos os escribas, profetas, contadores de causo e outros para a compilação de um livro que reunisse todo o passado lendário e histórico, desde o princípio dos princípios até ao presente. Assim nasceu a Bíblia, o templo móvel que partiria de Jerusalém para o mundo ocidental pelas mãos de um pregador viajante e arrojado, o grande idealizador e divulgador do Cristianismo, Paulo de Tarso. Suas viagens e pregações não poderiam começar melhor, por uma Grécia exaurida religiosa e culturalmente. O apóstolo levou um novo alento, de que este mundo é assim mesmo (feio e mau, como bem definiu Nietzsche).

Um comentário:

Rebeca Sasso disse...

Com total certeza. =D