sábado, 31 de maio de 2008

CONTRA AS COTAS

Antes de concluir a postagem abaixo, ouvi o Luciano Huck anunciar a final do Soletrando 2008 (torneio de Língua Portuguesa para estudantes brasileiros). Fui para frente da televisão, quando os três finalistas eram apresentados: Amanda Costa, do Rio de Janeiro; Thafne Souza, Paraná; e Eder Coimbra, Minas Gerais. A seleção iniciou-se num universo de quinhentos mil alunos de todo o Brasil. Na quarta rodada na final deste domingo, Amanda errou a palavra "onisciência", esquecendo-se de soletrar o "s". A disputa continuou até a nona rodada, momento em que Thafne não soube soletrar "hageológio", traída pela falta de som do "h". Eder venceu a disputa, ao acertar "psicroestesia" (sensação de frio). O menino de 14 anos ganhou uma bolsa de cem mil reais, troféu "Machado de Assis" e um fardão inspirado na Academia Brasileira de Letras.
(A relação das palavras perguntadas foi a seguinte: excelso, aquiescência, apoplexia, energúmeno, glóbulo, audiovisual, oniscência, hodierno, intramuscular, ocioso, destilação, hermético, inabitável, glossário, subcutâneo, argênteo, homogeneidade, hortênsia - a única que errei, trocando o "s" por um "c" -, predecessor, morfossintaxe, displicência, infra-hepático, subconsciência, hagiológio, psicroestesia.)
Agora o mais interessante, o motivo que me levou a ver o programa. Thafne é aluna do Colégio Militar de Curitiba e Eder, aluno de um colégio municipal de uma cidadezinha do Vale do Jequitinhonha. Colégio elitista, da meritocracia, versus colégio público. Classes A e B versus C, D e E. Metrópolis versus interiorzão. Mais interessante ainda: Eder é negro. Negro e de um colégio público. Meu amigo Ivan Zolin contra-argumentará que não passa de uma exceção (outra que se soma a tantas exceções que conheço, como já postei abaixo). Eder não é uma exceção. O colégio municipal em que estuda não é uma exceção. Portanto, o sistema de cotas é uma generalização forçada (para não dizer burra) que denuncia um revanchismo ideológico, descarado, arrogante...

2 comentários:

Ivan Zolin disse...

Froilam!

Você já indicou o que eu penso. Não farei nenhuma defesa, nem argumentação. Só não concordo com o fato de quem defende as ações afirmativas ( políticas de iclusão social)esteja defendendo uma "burrice" intelectual.

Zolin

P.s.: Froilam você é inteligente o suficiente para compreender que no Brasil a discriminação racial existe e ocorre de forma velada, pergunte para um negro se algum dia sofreu alguma forma de discriminação.
Nós convivemos, no colégio com vários negros (uma exceção), mesmos estes devem ter sofrido pre-conceitos, talvez até de nós mesmos.
O que defendo é a oportunidade do Brasil formar uma "classe média" negra, como ocorre em outros países para criar uma cultura de que a diferença racial não é fator de 'menoridade intelectual".

GUSTAVO HUMPHREYS disse...

Prezados.
Com certeza, concordo com sua tese a respeito das cotas, com ressalvas. Não concordo com esse sistema, pois leva a mais preconceito do que nunca.
O que precisamos é de investimento maciço na educação fundamental para que todos, de qualquer etnia, possam concorrer de igual para igual às boas oportunidades.
O que não concordo é em relação ao que nosso amigo escreveu dizendo: "Thafne é aluna do Colégio Militar de Curitiba e Eder, aluno de um colégio municipal de uma cidadezinha do Vale do Jequitinhonha. Privado versus público. Classes A e B versus C, D e E".
O Colégio Militar de Curitiba não é privado, é mantido pelo Estado do Paraná depois de ser reaberto em 1994, após alguns anos de dificuldades financeiras do Exército Brasileiro em mantê-lo.
Agora, é bem verdade que a classe da Thafne é privilegiada, contudo, o Eder concorreu de igual para igual, já que estudou e persistiu no que acredita. O que falta é vontade, nenhum aluno chega a algum lugar sem sacrifício.
Eu sou branco e sempre estudei em escolas públicas e passei por várias dificuldades financeiras e preconceitos sociais, que acredito que seja mais forte, hoje em dia no Brasil.
Felizmente, acredito que a realidade da educação no Brasil estará melhorando nos próximos anos se investirmos nas novas gerações maciçamente com boas idéias e educação.
Sucesso a todos nós brasileiros!