sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PLANTIO DE ÁRVORES


A 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada organizou o plantio de árvores nativas na Reiuna, na terça, quarta e quinta desta semana. Essa atividade ecológica contou com a participação das escolas Monsenhor Assis, Alceu Carvalho e Manuel Abreu, do Programa Forças no Esporte (desenvolvido pelo 19º GAC, 9º B Log e 11ª Cia Com Mec) e da Seção de Comunicação Social do QG (que coordenou a plantação). As 300 mudas foram fornecidas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Santiago.
A propósito, Wangari Maathai faleceu no domingo, aos 71 anos de idade. A queniana ganhou o Nobel da Paz 2004 por liderar uma campanha de preservação ambiental na África, plantando em torno de 30 milhões de árvores. Mais tarde, ela fundaria o movimento Green Belt (cinturão verde). Sugiro o nome dessa ecologista ao bosque que se formará a partir do desenvolvimento das mudas plantadas na Reiuna.
Pelas fotos acima, observa-se a disposição e a alegria da meninada em fazer algo diferente, num lugar diferente. Meu amigo Orides de Paula se divertiu muito com eles. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BEM BOLADA

"Nada pode mudar o passado da pessoa, mas uma nova chance pode mudar o futuro."

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O CORVO E A RAPOSA

Um corvo pousou em uma árvore, com um bom pedaço de queijo no bico.
Atraída pelo cheiro do queijo, aproximou-se da árvore uma raposa.
Com muita vontade de comer aquele queijo, e sem condições de subir na árvore, afinal, não tinha asas, a raposa resolveu usar sua inteligência em benefício próprio.
__ Bom dia amigo Corvo!- disse bem matreira a raposa.
O corvo olhou-a e fez uma saudação balançando a cabeça.
__Ouvi falar que o rouxinol tem o canto mais belo de toda a floresta. Mas eu aposto que você, meu amigo, acaso cantasse, o faria melhor que qualquer outro animal.
Sentindo-se desafiado e querendo provar seu valor, o corvo abriu o bico para cantar. Foi quando o queijo caiu-lhe da boca e foi direto ao chão.
A raposa apanhou o queijo e agradeceu ao corvo:
__ Da próxima vez amigo, desconfie das bajulações!

(A fábula de La Fontaine pode ser considerada uma metáfora.) 

EMPOBRECIMENTO

Coisas de cidade pequena: conjeturas sobre a próxima eleição, políticos em destaque (vindos de Brasília com fins eleitoreiros), engalfinhamentos locais, ad nauseam. Santiago não foge à regra. Prova-o nossa blogosfera,  que sofre um visível empobrecimento temático. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EM PELE DE CORDEIRO


Os descendentes de Caim, isto é, todos os homens, pelo viés mitológico que teve maior influência sobre nossa civilização, vestem-se com pele de cordeiro em muitas ocasiões. 
Não apenas os "falsos profetas" (pregadores, na linguagem atual) como sentencia o próprio livro sagrado para os cristãos (Mt. 7, 15), mas políticos, advogados, professores, jornalistas, empresários, motoristas, cidadãos comuns com cara de ovelha... 
A frequência com que faz uso da pele de cordeiro (que, em tempos modernos, coincide com o novo modo de existência, o parecer), leva o lobo do homem a gostar de sua aparência. Vaidoso que é, investe em sua falsa imagem.
O fabulista aproveitou o mote e criou uma história reveladora dessa verdade tão desagradável que caracteriza o coração do homem.
Afinal, quem são as ovelhas (que não percebem o engodo)? Ainda de acordo com a mítica judaico-cristã, alguém deve ter puxado o tio entre os descendentes de Caim.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

HUMANO?

Lendo a última postagem da Fátima, denunciando violência humana contra animal, lembrei-me do início da minha produção intelectual. Final dos anos oitenta, passei a escrever todos os dias, ou quase todos os dias (a precisão aqui não vem ao caso, não passa de "força de expressão"). 
Um dos primeiros preconceitos que me pareceu muito claro, que poucos de meus semelhantes não o tomavam como uma verdade absoluta, consistia em associar semanticamente "humano" e "bondoso". A crença religiosa, fundamentada na mítica judaico-cristã, não permitia pensar de forma distinta. O homem é a imagem de Deus, trazendo em seu coração um quantum da bondade divina.
Com frequência, ouvia alguém se pronunciar que Fulano era humano, de reconhecida bondade. 
A partir dessa associação, para mim equivocada, passei a defender o outro lado, de que o homem também era mau, ruim. A propósito, a própria mitologia bíblica coloca um fratricida no princípio da descendência humana: Caim. 
Caim era bom ou ruim? 
Depois de Nietzsche, da teoria psicanalítica, de Krishnamurti e da genética, como o preconceito da bondade humana pode resistir a tantas verdades que provam o contrário?
Nenhum animal é mais cruel que o homem. Os vírus não chegam aos seus pés, uma vez que não matam por prazer, racional e dolosamente.

4º MOTIVO DA ROSA

Alguém me pediu ajuda para analisar o poema 4º motivo da rosa, de Cecília Meireles. Dentro do primeiro nível a ser analisado, o fônico, pedia-me para fazer a escansão. 
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Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim. 
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O poema é comporto por versos decassílabos (dez sílabas), mas há uma exceção. Excepcionalmente, 
ao longe, o vento vai falando de mim
conta com 11 sílabas poéticas.
Logo pensei que se tratava de um equívoco na transcrição. Para esclarecê-lo, fui ao Google. Digitei "4º motivo da rosa" e passei a abrir os sites da primeira página.  Todos editavam o verso acima da mesma forma, mais o erro verbal verá (no lugar de verás). Seria um erro coletivo, que ocorre seguidamente no âmbito hipertextual. Copiar-colar é uma praxe da escrita eletrônica (cujas principais características são acessibilidade ilimitada e interatividade. Nesse aspecto, a rede deixou de ser confiável com a intromissão dos blogs nos sistemas de busca. Na segunda página do Google, todavia, o verso em questão aparece com outra grafia:
ao longe, o vento vai falando em mim.
(ao- lon- geo- ven- to - vai - fa- lan- doem - mim)
Agora um decassílabo.
Para tirar essa dúvida, hoje mesmo encomendei o livro Mar absoluto, da poeta brasileira. Aposto que ela não cometeu esse erro. O livro também pode trazer erro de impressão, uma vez que é editado por outras pessoas (que nem sempre sabem escandir um verso). 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ESTA TERRA TEVE DONO

Nossa história tem uns lances que seriam risíveis (não provocassem lágrimas, não tocassem a má consciência). Todos achamos lindo Sepé Tiaraju gritar "Esta terra tem dono!". Padres jesuítas insuflaram na alma do guarani o ideal de uma república. Portugueses e espanhóis o mataram brutal e covardemente. Ainda seguimos a religião dos padres que vieram expandir a dominação católica entre os chamados "gentios". Somos descendentes do branco europeu, principalmente do português. Nossos antepassados mataram os "índios" e tomaram suas terras (negando frontalmente o grito de guerra de Sepé).  Hoje queremos nos apoderar desse grito, para quê? Acaso nos redimimos com a representação dessa tragédia, encobrindo o fato de pertencermos a uma civilização genocida? 
Pensem nisso, caros leitores.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DIA DA ÁRVORE E DO FAZENDEIRO

No mesmo dia 21 de setembro, comemora-se o Dia da Árvore e Dia do Fazendeiro. Há um propósito em juntar um dos símbolos de vida, ecologicamente correto, e o agente humano que mais contribui para o desflorestamento do planeta? Não vejo propósito, senão mau gosto, contradição. Para evitar equívoco, fazendeiro é o proprietário de terra, geralmente destinada à criação de animais ou à lavoura. Hoje existe a figura do madeireiro, muito comum na Região Norte do país, cujo poder de devastação é superior ao do fazendeiro (quando é possível dissociá-los). Sugiro que incluam o madeireiro nas comemorações deste dia.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FOGUEIRA SANTA

Já pensei não mais criticar igreja alguma, a despeito dos inúmeros motivos que teria para isso. Não o faria por respeito às "autoridades" religiosas, ou por compaixão dos fiéis. Meu silêncio resultaria da impotência discursiva, da incapacidade de mudar ideias ou sentimentos.
A história que me foi contada hoje, sobre o dinheiro dado por uma senhora pobre à sua igreja, merece ser compartilhada com os leitores deste blog. Ao conseguir fazer com que um deles se indigne, expressando sua indignação num pequeno comentário a esta postagem, justificar-se-á meu arrazoado. 
Outra vez em casa, pesquisei no Google sobre o que significa "fogueira santa". Qual a minha surpresa? A fogueira santa é um dos ritos bastante empregado pela Igreja Universal com o fim de arrecadar mais dinheiro para a organização. Coerente com a própria doutrina da prosperidade, a igreja impõe meta aos seus pastores que devem arrecadar acima do dízimo. O fiel é condicionado a colocar suas rendas extras dentro de um envelope, o qual é entregue ao pastor  em troca de uma bêncão. O envelope é queimado (sem o dinheiro, obviamente). 
Essa exploração da religiosidade está acontecendo em Santiago, segundo  depoimento de pessoas que frequentam a igreja tal.  

domingo, 18 de setembro de 2011

COMENTÁRIOS DIVERSOS

O sábado nada azul determinou a cor deste domingo. 
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Outra vez, mais um excelente artigo da professora Arlete Gudolle Lopes no Zero Hora. O título: "Brasil com z ou s?". A articulista faz uma distinção entre os dois brasis: com z, para inglês ver, é "um modelo de país riquíssimo movido a bilhões de reais", com Brasília no centro; com s, o país pobre, do "descaso" e da "submissão".  
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Por alguns anos, vesti bombachas, calcei botas, atei lenço no pescoço e coloquei guaiaca na cintura... como faz o gaúcho na Semana Farroupilha. Só não tinha cavalo, embora sem a descendência de João Guedes (que empobreceu no campo e se veio pra cidade). Sempre achei lindo o animal, misto de vigor e doçura, solto no campo, não como peça semovente do arreio. Lembro que os carreteiros dos CTGs, Piquetes e clubes diversos tinham a seguinte programação: duas horas de espera; filas quilométricas para comer um arroz-de-carreteiro com ensopado; mais uma hora de espera; grupo de dança mirim (com os pais babando em volta); grupo de dança juvenil, para dançar as músicas do nosso folclores já executadas pelos pequenos; mais uma hora de espera para começar o baile... Alguns iam embora com a mesma pressa com que faziam fila para se servir mal-educadamente. No dia 20 de Setembro, o desfile, a apoteose...
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Nesta manhã, realiza-se a prova para o concurso público que seleciona pelo mérito "professor área 2 - anos finais do ensino fundamental na disciplina de Língua Portuguesa". A prova exige um grande conhecimento teórico, principalmente as questões de didática e conhecimentos específicos: Perrenoud, Vasconcellos, Silva, Giancaterino, Freire, Hofmann, Bakhtin, Bechara, Saussure...
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Também fui indicado para receber a Medalha Ordem do Mérito de Serviços Extraordinários "pelos relevantes serviços prestados", outorgada pela Organização Não Governamental Connection. Meu nome foi lembrado como militar, não como colunista do Expresso Ilustrado, como escritor. Na condição de militar, faço o que me é atribuído pela função, pelo cargo. Melhor outorga que posso receber no quartel é o elogio e o conceito dado por meus superiores. Se há algo de extraordinário que faço é a escrita, a produção estética e intelectual, publicada em livros, neste blog e no Expresso Ilustrado. Minhas últimas colunas nesse jornal (também editadas aqui) são extraordinárias pelo apuro linguístico e pelo conteúdo. 
Vaidade? Exceto pela objetividade, não correria esse risco ante o leitor inteligente - que me absolverá a partir das três palavras seguintes: DECLINEI DA INDICAÇÃO.  Isso também é extraordinário.
Em respeito às pessoas que estão à frente do evento EM SANTIAGO e aos demais indicados, deixo de fazer comentários urbanamente incorretos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SEMANA FARROUPILHA

A figura compósita homem-cavalo, emblemática da Semana Farroupilha, vem perdendo os contornos coloridos que a destacam no cenário  cultural do nosso Estado.  Entre os sul-rio-grandenses, o número de críticos severos à gauchidade cresce a olhos vistos. O ataque à inautenticidade do homem e a defesa dos direitos do cavalo constituem discursos que se orientam em novos paradigmas (continuo mais tarde)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

FAIXA DE SEGURANÇA


A faixa de segurança da Júlio de Castilhos, em frente ao QG da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, foi repintada ontem. Esse serviço da Secretaria de Obras  também é relevante para o bom funcionamento do trânsito em nossa cidade. Ao contrário do que comentam por aí, mais por maldade, vejo os motoristas parando antes da faixa de segurança. O comportamento urbanizado deles evolui a olhos vistos nos últimos anos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

APOLINÁRIO PORTO ALEGRE

Nas primeiras leituras da relação de nota do ENEM, não encontrei o nome do Apolinário Porto Alegre. Por isso, liguei para o colégio. Não queria cometer engano, mas o cometi levianamente. Para repará-lo, excluí a postagem anterior, editando esta com a devida correção. A Escola Estadual de Educação Básica Apolinário Porto Alegre é a melhor colocada entre as instituições públicas de Santiago. Sua nota no ENEM  (579,32) é bastante superior à segunda colacada, Thomás Fortes (552,3).
PARABÉNS, APOLINÁRIO PORTO ALEGRE! 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NELTAIR ABREU (SANTIAGO)


Grande notícia esta da aceitação de Neltair Abreu para ser o patrono da próxima Feira do Livro de Santiago. Em postagem de 10 de março de 2011, este blogueiro citou o nome do Santiago como forte candidato (ao lado de Santiago Naud). Santiago é uma unanimidade (que nega o jargão cunhado por Nelson Rodrigues).   

SUBTENENTE ROSSO

A notícia da violência sofrida pelo meu amigo Rosso me entristeceu nesta manhã. Pessoa de uma doçura pouco encontrada em nosso meio. Numa hora dessas, eu gostaria de ser um policial, para sair à procura do filha da puta que o assaltou. A depender das circunstâncias, não faria sua prisão "numa boa". Vou torcer pela recuperação do meu amigo e desejar muito força a Nita e aos filhos. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A LÓGICA

Naíse Quartieri constata ironicamente que não há mulheres em Santiago. O arrazoado de seu questionamento se baseia na escolha feita pelos vereadores de dez homens para receberem o título de Cidadão Santiaguense. Não há, segundo a blogueira, mulheres merecedoras dessa honraria? 
A unanimidade da resposta, todavia,  faz da Câmara Municipal uma exceção. Pena que ninguém entre os edis lembrou de fazer a pergunta acima. Antes e tampouco depois da escolha. 
A professora Enadir Obregon Vielmo, presidente do Centro Cultural, já recebeu uma homenagem  do Poder Legislativo. Mulheres foram agraciadas com o título de cidadania santiaguense em anos anteriores. Mulher Nota 1000...
Este ano, excepcionalmente, apenas homens entre os escolhidos. 
Acaso ou não, os dez vereadores homens não poderão levar a pecha de machistas. Eles foram eleitos numa cidade com maioria feminina, portanto, dignos representantes da sociedade (independentemente de gêneros). 
A propósito, nossa sociedade já transcendeu o machismo?
Perguntar é necessário. Isso, Naíse!

ENEM

Brasil:
COLÉGIO DE SÃO BENTO        = 761,7 (Rio de Janeiro)
INSTITUTO DOM BARRETO      = 754,13 (Piauí)
VÉRTICE COLÉGIO II                 = 743,75 (São Paulo)

Rio Grande do Sul:
COLÉGIO MILITAR                     = 693,69 (Porto Alegre)
COL POLITÉCNICO DA UFSM   = 693,43 (Santa Maria)
COL NOSSA SENHORA APAR   = 689,8 (Nova Prata)

Santiago:
MEDIANEIRA                              = 637,27
URI ESCOLA                                = 613,47
APOLINÁRIO PORTO ALEGRE   = 579,32
THOMÁS FORTES                       = 552,3
ISAÍAS                                          = 551,16
MONSENHOR                              = 543,23
CRISTÓVÃO                                 = 541,15

O que determina a qualidade do ensino? Bons professores? Leitura? Disciplina?
Os alunos do Instituto Dom Barreto, em Teresina, leem em média 15 livros por mês. Exagero ou não, em 2006, o colégio foi primeiro lugar na prova do ENEM. 

UMBIGUISMO

Gosto muito da palavra "umbiguismo", pela sua eloquência semântica e por seu ineditismo lexical - embora já se inclua na última edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). 
Todos nós, uns mais, outros menos, somos inevitavelmente umbiguistas. Principalmente nestes dias em que o individualismo mais se destaca à medida que maior importância é dada ao coletivo, ao social. Esse paradoxo é coisa da modernidade líquida (diria Zygmunt Bauman). 
Para o umbiguista, não há umbigo mais importante e mais belo que o seu. Umbigo, aqui, significando muitas coisas, como o próprio viés discursivo, a tão despudorada opinião. Neste aspecto, até o mais ridículo do que se é expresso requer para si status de verdade.
Em pleno domínio do parecer, as ideias substituem os bens móveis, imóveis ou semoventes que se prestam para ampliar a personalidade do umbiguista. 
...   

domingo, 11 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (7)

7
Era a ironia de Sócrates uma fórmula de rebelião ou de ressentimento popular? Saboreia a sua própria ferocidade de oprimido na punhalada do silogismo? Vinga-se dos grandes aos quais fascina? O dialético tem na mão um instrumento implacável; com ele pode-se interpretar o tirano; compromete o adversário ao obter o triunfo. O dialético coloca seu antagonista na condição de provar que não é idiota; enfurece e ao mesmo tempo impede todo socorro. O dialético degrada a inteligência de seu adversário. A dialética de Sócrates era tão-somente uma forma de vingança?
(Do livro O crepúsculo dos ídolos, de F. Nietzsche.)

COMENTÁRIOS DIVERSOS

11 DE SETEMBRO 
Dez anos depois, a mídia ainda fatura com os ataques terroristas aos Estados Unidos. As tragédias modernas têm essa contrapartida.
A esquerda brasileira festeja (há dez anos) esse revés do chamado "império". 
Ainda que as guerras declaradas pelos Estados Unidos tenham motivos econômicos (sub-reptícios), uma coisa é inegável: no rastro dos porta-aviões americanos, a liberdade no mundo é assegurada. A liberdade não existe justamente naqueles países que são adversários políticos, econômicos e militares (declarados ou não) dos Estados Unidos. 
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YAHOO
No início, Yahoo era uma das empresas mais fortes da internet, agora enfrenta uma crise irreversível. As causas da crise são simples: Google, Facebook e a falta de investimento nas redes sociais. 
Meu primeiro endereço eletrônico foi xxxxxxxxxx@yahoo.com.br 
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URI
Com o pedido de demissão da professora Ayda, pergunto sobre o presente e o futuro do curso de Letras da URI (Campus de Santiago). Às saídas da Verli Petri, Zélia Paim, Marloá Eggres Krebs (Lola), entre outras, agora se somam os nomes de Silvania Colaço, Eugênio Gastaldo e Ayda Bochi. 
Na quinta-feira passada, fui assistir às defesas de monografia do 8º Semestre de Letras. A professora Ayda constituiu a banca dos trabalhos de Literatura. Percebi uma grande mágoa por trás de seus comentários. No final da noite, sua pressão foi a 22, sofrendo uma epistaxe (hemorragia nasal). 
O curso de Letras ficou mais pobre com as saídas do Professor Eugênio e da professora Ayda. Paupérrimo (para ser mais objetivo).  

sábado, 10 de setembro de 2011

NIETZSCHE E A CRISE AMBIENTAL

A última revista  filosofia publica Homem e natureza: um divórcio ético (como principal matéria). Nietzsche é citado, por sua ideia de que o progresso é uma farsa, a humanidade não tem um objetivo, não evolui para um estágio melhor. O autor (doutor em Filosofia) escreve que "problemas ambientais resultam da tentativa de construção de um mundo mais 'confortável' que se afasta cada vez mais da 'rudeza' da natureza". Pergunta "qual o 'preço' que devemos pagar pela manutenção de todo o nosso progresso material". A "anárquica expansão industrial" constitui a causa de uma "violentação da natureza". "Podemos afirmar que o exorbitante desenvolvimento material característico da era moderna não se fez acompanhar de um equivalente desenvolvimento ético, não apenas no que se refere à situação da vida humana em sua relação com os demais indivíduos, mas também em relação ao meio ambiente." Há uma incongruência entre "o avanço da estrutura civilizatória da qual fazemos parte e o empobrecimento existencial da condição humana".  A palavra negritadas revelam o paradoxo.
O progresso, para Nietzsche, é uma ideia moderna, uma ideia falsa. Isso escrito no final do século XIX.  

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (6)

6
Só se escolhe a dialética quando não se dispõe de outro meio. Sabe-se que com ela desperta-se a desconfiança, que ela persuade pouco. Nada é mais fácil de se apagar que o efeito de um dialético: a prática dessas reuniões onde se fala o demonstra. Somente como meio de defesa empregam a dialética os que não têm outra arma. É mister que se trate de arrancar seu direito; do contrário não se apela para isso. Eis porque os judeus eram dialéticos. Antes de Sócrates estavam proscritos da boa sociedade os dialéticos. A raposa da fábula o era: como? Sócrates também o foi? 

REFLEXÃO EXTEMPORÂNEA

O tempo, ou que designamos por sua passagem, caracteriza a vida consciente como escolha que não exclui um sentido trágico. Naturalmente, esse aspecto nunca impediu nossa afirmação da vida, que o fazemos com alegria (poucas vezes reconhecida como tal). Aliás, o trágico não se define como negação, conforme interpretação do pensamento moderno, mas na própria afirmação. Independentemente de todos os sofrimentos e da morte (inclusive), queremos viver, apostamos todas as fichas (inclusive as últimas) na vida. Exceto os suicidas (inclusive os culposos, que se matam sem a clara deliberação). Não conseguimos parar o tempo, é verdade, passamos com ele, ou melhor, passamos nós e exteriorizamos o reconhecimento disso na fluididade temporal. Como prova disso, quase sempre tomamos as diferenças entre o que fomos ontem e o que somos hoje como tempos diferentes. Indiscretos, queixamo-nos dessas diferenças, tecendo loas ao passado apenas para afirmar (sem nos darmos conta) a importância do presente. Isto é a vida: uma afirmação contínua. A dialética, dominante no mundo contemporâneo, é que associa tragédia a acontecimentos horríveis, que causam infelicidade e morte. Até nisso se pode ver o sintoma de uma decadência generalizada, que atinge nossa civilização.
Uma conversa que tive com Pedro Irineu Fiorenza serviu de mote para a reflexão acima. Não posso negar a influência quase exclusiva da filosofia nietzschiana nesse contraponto. A propósito, para Nietzsche, Sócrates-Platão e a moral judaico-cristã são responsáveis por um julgamento depreciativo do mundo, da vida.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DESFILE DA PÁTRIA













O desfile de Sete de Setembro foi um dos melhores, com destaque  positivo para o tempo de realização (terminou antes do meio-dia e meia), para as bandas colegiais, para as novas tecnologias na filmagem, para os ipês floridos na Júlio de Castilhos... Negativo mesmo apenas a não participação do Colégio Apolinário Porto Alegre, que não teve tempo para se organizar (segundo os comentários de pais de aluno). Certamente, o corpo docente está assoberbado com os trabalhos de classe (internos), indispensáveis para manter a qualidade de ensino que sempre caracterizou o colégio. Certamente, essa decisão pioneira em Santiago teve o apoio do corpo discente. Por que negativo? Outras escolas poderão seguir o exemplo nos próximos anos.
Fotos acima: 1) ex-febiano Otacílio Rodrigues, que vem de Jaguari para desfilar todos os anos; 2) representação do Colégio Militar de Santa Maria; 3) grupamento de militares do Exército Brasileiro, de pronto-emprego; 4) meninas com as letras do Colégio Lucas Araújo; 5) coreografia do Colégio Cristóvão Pereira; 6) banda colegial. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (5)

5
Com Sócrates o gosto grego se altera em favor da dialética; na realidade, que se passou? Acima de tudo, trata-se dum gosto refinado que foi derrotado; com a dialética a ralé chega ao alto. Antes de Sócrates, as maneiras dialéticas eram repudiadas na boa sociedade: eram tidas como maneiras inconvenientes, eram comprometedoras. Os jovens eram advertidos em relação a elas e se desconfiava de que todos que apresentavam suas razões por meio da dialética. As coisas honestas tanto quanto as pessoas honestas não tratam seus princípios com as mãos. Aliás, é indecente servir-se dos cinco dedos. O que precisa ser demonstrado para ser crido, não vale grande coisa. Em todo lugar que a autoridade ainda é parte dos costumes aceitos, em todo lugar em que não se "raciocina", mas em que se comanda, o dialético é uma espécie de polichinelo: ri-se dele, não é levado a sério. - Sócrates foi o polichinelo que foi levado a sério: o que estava realmente acontecendo quando isso aconteceu?
(Extraído do livro O crepúsculo dos ídolos, de F. Nietzsche.)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (4)

4
As licenciosidades que confessa e a anarquia dos instintos não são os únicos indícios de decadência em Sócrates: também constitui um indício a superfetação do lógico e essa malícia raquítica que o distingue. Não olvidemos tampouco as alucinações auditivas que sob o nome de demônio de Sócrates receberam uma interpretação religiosa. Tudo era nele exagerado, bufão, caricaturesco tudo, ademais, pleno de segundas intenções, de subterrâneos. Quisera adivinhar de que idiossincrasia pôde nascer a equação socrática: razão = virtude = felicidade, a mais extravagante das equações e contrária, em particular, a todos os instintos dos antigos helenos. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (3)

3
Sócrates pertencia, por sua origem, ao populacho. Sabe-se, percebe-se que era feio. A feiura, objeção em si era quase uma refutação entre os gregos. E, em suma, era grego Sócrates? A feiura é, muitas vezes, sinal duma evolução entravada, pelo cruzamento, ou então o sinal de uma evolução descendente. Os antropólogos que se dedicam à criminologia nos dizem que o tipo criminoso é feio; monstrum in fronte, monstrum in animo. E o criminoso é um decadente. Sócrates era um tipo criminoso? Pelo menos não parece contradizê-lo aquele famoso juízo fisionômico que chocou todos os amigos de Sócrates. De passagem por Atenas, um estrangeiro fisionomista disse frontalmente a Sócrates que ele era um monstro que ocultava todos os vícios e maus desejos. Sócrates respondeu simplesmente: "Conheces-me, meu senhor".
(Transcrevo esse segmento do livro O crepúsculo dos ídolos, de Nietzsche, porque assim o prometi na primeira postagem da série. Penso que o filósofo alemão exagerou na dose. Desde a primeira vez que o li, considerei dispensáveis as considerações transcritas acima.)

VAIDADE, VAIDADE

Ao pensar sobre a vaidade, volto ao milenar Eclesiastes, como uma epígrafe necessária. Desde esse texto sagrado aos nossos dias, muito se disse, muito se escreveu em relação a esse aspecto que caracteriza a personalidade humana. Corro o risco da repetição tautológica, de pouco acrescentar ao discurso crítico. Para contorná-lo, no entanto, delimitarei o assunto ao contexto da nossa cidade, em que a vaidade mobiliza sub-repticiamente atos individuais e coletivos. 
(Continuo mais tarde)

domingo, 4 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (2)

2
Essa irreverência de considerar os grandes sábios como tipos de decadência nasce em mim precisamente num caso em que o preconceito letrado e iletrado se opõe com maior força: reconheci em Sócrates e em Platão sintomas de decadência, instrumentos de decomposição grega, pseudogregos, antigregos (A origem da tragédia, 1872). Esse consensus sapientium - sempre o compreendi claramente - não prova, de maneira alguma, que os sábios tivessem razão naquilo em que concordavam. Prova, isto sim, que eles, esses sábios entre os sábios, mantinham entre si algum acordo fisiológico, para assumirem diante da vida essa mesma atitude negativa - para serem tidos por tomá-la. Julgamentos, avaliações da vida, a favor ou contra, não podem, em última instância, jamais ser verdadeiros: o único valor que apresentam é o de serem sintomas e só sintomas merecem ser levados em consideração; em si tais julgamentos não passam de idiotices. É necessário, portanto, estender a mão para se poder apreender essa finesse extraordinária de que o valor da vida não pode ser apreciado. Não pode ser apreciado por um vivo, porque é parte e até objeto de litígio, e não juiz; nem pode ser apreciado por um morto, por outras razões. Tratando-se de um filósofo, ver um problema no valor da vida constitui uma objeção contra ele mesmo,  constitui uma falta de discernimento e faz com que se ponha em dúvida sua sabedoria. - Como? Todos esses grandes sábios não só teriam sido decadentes, mas, além disso, pode ser que nem fossem sequer sábios? De minha parte, volto ao problema de Sócrates.
(Do livro O crepúsculo dos ídolos, de F. Nietzsche)

sábado, 3 de setembro de 2011

O PROBLEMA DE SÓCRATES (1)

A partir de hoje, transcreverei neste espaço eletrônico cada um dos aforismos que compõem o capítulo "O problema de Sócrates", do livro O Crepúsculo dos ídolos (ou a filosofia a golpes de martelo), de F. Nietzsche. O que há de interessante para ser transcrito? Uma visão desmistificadora, coerente com a grande proposta da filosofia nietzschiana: a transmutação de todos os valores.
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Em todos os tempos os sábios fizeram o mesmo juízo da vida: ela não vale nada... Sempre em toda parte ouvimos sair de suas bocas a mesma palavra - uma palavra repleta de dúvida, repleta de melancolia, repleta de cansaço da vida, repleta de resistência contra a vida. Mesmo Sócrates disse ao morrer: "Viver - é estar há muito tempo enfermo: devo um galo a Esculápio libertador". Mesmo Sócrates tivera o bastante disso. - O que isso demonstra? O que isso mostra? Outrora se teria dito ( - oh, e se disse, e muito alto, e nossos pessimistas em primeiro lugar!): "É necessário que haja aqui algo de verdadeiro! O consensus sapientium demonstra a verdade". - Falamos assim ainda hoje? Podemos? "É preciso em todos os casos que haja aqui alguma coisa de enfermo" - eis nossa resposta: esses sábios entre os sábios de todos os tempos, seria mister primeiramente vê-los de perto! Talvez não estivessem firmes sobre suas pernas, talvez fossem retardatários, vacilantes, decadentes? A sabedoria quem sabe aparecesse sobre a Terra como um corvo, ao qual um ligeiro odor de carniça entusiasma?...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

APEDIDO


Hoje passei pela banca do Juarez. Entre os livros à disposição, encontrei Psicologia do Inconsciente, de C.G. Jung. Meu amigo, sempre disposto a um papo cabeça, passou-me às mãos o recorte de um jornal (imagem acima), em que fora publicado um artigo seu. Pediu-me que o publicasse neste espaço eletrônico - o que faço com prazer. 
O Juarez é daquelas pessoas admiráveis, porque convida seu interlocutor a subir alguns degraus da humildade (o que é tremendamente difícil, antes deste ser obrigado a descer outros tantos degraus do orgulho). 
Esse encontro com o Juarez foi muito bom. Justamente hoje, dia em que pensei sobre a vaidade, após ser indicado para ganhar uma honraria (com custo para mim).