sábado, 31 de dezembro de 2011

ÚLTIMA REFLEXÃO

Cada um quer algo novo para o próximo ano. Digo algo no lugar de felicidade. Felicidade que não se viveu no ano findo. Não se viveu por forças externas, superiores à vontade individual, ou internas, na maioria das vezes inconscientes. De qualquer forma, apenas um milagre (que ocorria amiúde há dois mil anos)  poderá afastar os obstáculos, geralmente impostos pelos outros. Ainda que tal ocorra, o desejoso de felicidade não conseguirá afastar os próprios obstáculos. Essa dificuldade acaba adiando o desejado até o final do ano em curso e, ao cabo deste, uma aposta para o ano vindouro. Krishnamurti era muito objetivo nessa questão, ninguém poder alcançar algo, incluindo a felicidade, com um estado de espírito (desculpam-me esse clichê) que é a negação do ser feliz. 
Essas reflexões são inevitáveis e... aparentemente inoportunas. Mas não seria feliz neste momento caso não as fizesse. 

O INÍCIO DO MOVIMENTO

A Terra gira em torno do Sol há mais de 4 bilhões de anos. Ela não foge espaço afora em razão da força gravitacional (que age como uma corda que prende nosso planeta à estrela). Tampouco é sugada pelo Sol em razão da força centrífuga, causada pelo movimento curvilíneo. Um observador de fora do sistema solar não teria condições de determinar um ponto inicial do movimento observado. Na Terra, todavia, a inteligência ocidental (a partir de Roma) determinou um ponto: o primeiro de janeiro. Nesse dia, tem início o ano, mais uma volta da Terra em torno do Sol. Para outras culturas, como a judaica e a chinesa, o início do movimento tem datas diferentes. A passagem de ano, aqui, na China ou na cochinchina não passa de uma convenção. 
(Emprego o termo "cochinchina" no sentido figurado, uma vez que existe a Cochinchina, que é próxima da China.)

GEORGES MINOIS

Donna (Zero Hora) de hoje publica uma excelente entrevista com o historiador Georges Minois, autor do livro A Idade de Ouro - História da busca da felicidade.  
No primeiro olho editado, Minois expressa o seguinte: "O que as pessoas mais desejam é conforto material e diversão. Acima de tudo, sem reflexão, porque refletir é depressivo". 
No segundo olho: "Tento ser realista e lúcido, o que significa que sou pessimista. Valorizo a busca da verdade, não da felicidade".
Para definir o que significa a palavra felicidade, o entrevistado responde:
"Sou um historiador, portanto meu trabalho é estudar como as pessoas enxergaram a felicidade e tentaram alcançá-la, desde a Antiguidade até os dias atuais. Descobri que, quanto mais falam sobre felicidade, menos felizes as pessoas são. Essa procura virou uma obsessão, ao mesmo tempo em que nunca existiram tantas pessoas deprimidas. Quanto mais deprimidas, mas as pessoas falam de felicidade. "Seja feliz!' é a ordem do dia. Você deve ser descolado, otimista, descontraído. Se não é nada disso, sente-se culpado, deve procurar um analista e tomar medicamentos. Felicidade a qualquer custo. Isso é uma bobagem. O mais claro sinal de felicidade é quando você não pensa mais nisso. É como o que se fala sobre o diabo: seu melhor truque é nos fazer acreditar que ele não existe (o que é verdade, a propósito). A felicidade está presente quando você pensa que ela não existe".

PREVISÃO

Uma previsão me arrisco fazer, fundamentado nos anos anteriores: 2012 não será tão diferente do que foi 2011. Convido o leitor a olhar para trás, criticamente, tentando responder o que 2011 foi diferente de 2010, o que 2010 foi diferente de 2009... Desafio-o a elencar cinco itens importantes que fizeram seu 2008 diferente de 2007, por exemplo. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ESCLARECIMENTO

Para não se repetir mal-entendidos, críticas dirigidas a mim, esclareço que não participei da comissão que escolheu seis nomes para serem homenageados na próxima quadra da Rua dos Poetas (entre a Tito Becon e a General Canabarro). Da mesmo forma, aproveito esta nota para informar que deixei de pertencer ao Departamento de Literatura do Centro Cultural. 

DEUS - A QUESTÃO

Os ocidentais, sob a açambarcadora influência judaico-cristã, tomam Jeová, o deus de Israel, e o inominável como o mesmo deus, único e verdadeiro. A Bíblia é o registro do processo transformador de um deus  pessoal (pai e juiz), hipônimo como os demais deuses, em Deus, hiperônimo, aquele que justificaria o processo no sentido inverso. Povos e civilizações criaram seus deuses a partir de um poder sobrenatural que se acredita exceder o mundo. Esses deuses, todavia, nunca transcenderam seus criadores, relegados ao mito. Os olimpianos constituem o melhor exemplo do declínio religioso. Eles eram indisfarçáveis criaturas antropomórficas, imagem e semelhança dos gregos. Por que Zeus, Odin e Quetzalcoatl são diferentes de Jeová, Brahma e Alá? Os três primeiros já foram desmistificados por outra cultura emergente, local ou estrangeira, religiosa ou filosófico-científica. Os três últimos continuam à frente do judaísmo, do cristianismo, do hinduísmo e do islamismo. Tais religiões vigem atualmente. Por isso seus deuses são inquestionáveis, considerados por seus adoradores como eternos. 
Meu ateísmo é produto de uma  visão atemporal (passado-presente-futuro), que considera todos os deuses já destronados, desvelados em sua pessoalidade. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

INTROMISSÃO DO FACEBOOK

Olá Fulano(a)
Froilam Oliveira está convidando você para participar do Facebook. Uma vez que estiver participando, você poderá ver atualizações, fotos e muito mais de todos seus amigos... e compartilhar suas próprias!
Froilam Oliveira
369 amigos · 4 fotos · 20 mensagens do mural

Em meu nome, o Facebook está enviando a mensagem acima para as pessoas, como se eu as convidasse para participar dessa rede social. Outras mensagens dão conta que Fulano(a) de tal aceitou meu convite (que não fiz).
Minha opinião sobre o Facebook já é conhecida. Logo excluirei minha conta. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

AS TRÊS PAIXÕES

Van Gogh esteve apaixonado por três vezes. Em Londres, onde trabalhava numa filial da Galeria Goupil, apaixonou-se pela filha de sua senhoria, EUGENIE. Ela, todavia, estava prometida em segredo com outro homem, riu e rejeitou Vincent. Em Etten, na Holanda, apaixonou-se pela prima, KEE VOS, viúva que preferiu manter-se fiel à memória do finado marido. Em Haia, janeiro de 1882, conheceu CHRISTINE SIEN (Clasina Maria Hoornick), prostituta que tinha um bebê e estava grávida de outro. A litografia acima, Tristeza, teve como modelo Sien. A ligação entre os dois não durou. Depois do parto, ela voltou a beber e ele não teve mais como ajudá-la.
Para esquecer essas pessoas que não corresponderam ao seu sentimento arrebatador, Van Gogh dedicou-se, primeiramente, à religião e depois à pintura. A arte o faria uma das três grandes referências dos movimentos pictóricos do século XX  (entre os quais o Expressionismo). 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CAMPO DE TRIGO

COM PERDIZ


COM CIPRESTES


COM CORVOS



Entre as temáticas pintadas por Van Gogh, destacam-se os campos com sua luminosidade intensa (advinda dos trigais maduros). 

FOTO DA IGREJA MATRIZ

Em 1983, pintei a velha matriz de Santiago para a Dona Renita Andretta. Hoje quero pintá-la outra vez para o Museu Pedro Palmeiro. Dessa forma, peço aos leitores deste blog que tenham a foto da igreja, de preferência colorida, que me enviem por e-mail (froilam.oliveira@gmail.com). Prometo retribuir com uma pintura a óleo a quem me prestar esse favor.

EDENI NO FANTÁSTICO

Domingo passado, o Fantástico apresentou o quadro Álbum de Família, em que o entrevistado mostrava  fotos de outros natais. A primeira participação foi da Edeni Fiorenza, prima que nasceu e mora no Rio de Janeiro. Ela aparece em companhia das filhas e dos sobrinhos (filhos do Laércio). Há 18 anos não vou ao Rio, onde vivi por algum tempo. No álbum da família, vejo uma foto três-por-quatro da minha avó, Maria Colpo.
Para ver a reportagem, clicar aqui.

ANO-NOVO?

Da mesma maneira que já me cansei de apontar as contradições entre a religiosidade e o materialismo que mesclam no chamado "espírito natalino", encontro-me cansado de enumerar os erros do nosso calendário e as (in)consequentes mitificações que dele se originam. Erros matemáticos: a duração do dia não é de 24 horas exatas, mas de um acréscimo que, a cada quatro anos, resulta num dia a mais. O "ano bissexto" é a prova evidente de um erro grosseiro. Mas os ocidentais, cuja civilização se sustenta na razão, pouco se importam com isso. Não é uma bagunça o número de dias atribuído a cada mês? Erros linguísticos: setembro, outubro, novembro e dezembro, por seus radicais (em português, espanhol, francês, italiano, alemão, inglês etc.), designam, respectivamente, sete, oito, nove e dez. Por que são, respectivamente, os meses nove, dez,onze e doze? Óbvio, segundo o calendário antigo, o primeiro do ano ocorria no primeiro dia de março. Por que julho e agosto têm esses nomes, com 31 dias cada um (quebrando a alternância observada até então)? Por que o início do ano mudou de março para janeiro? Por que outras culturas, como a judaica, por exemplo, a passagem do ano ocorre noutra data? O leitor soubesse responder essas perguntas acima, seguramente, deixaria de mitificar em torno do calendário. É uma fraqueza humana que institui o ritual da passagem, atribuindo à vida uma necessidade de se submeter a ciclos temporais. O ano-novo é uma mera convenção cultural, um motivo até certo ponto justificado para se fazer festa, não para crer que algo mude em essência. A linha do tempo é contínua. Mas para que (re)afirmar essa verdade? A maioria das pessoas quer mesmo é ter um motivo para suas crenças em poderes mágicos, em milagres que excedam a mediocridade em que se tornaram suas vidas. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ALTA VELOCIDADE

Todo fim de semana, no Rio Grande do Sul, 15 a 20 pessoas perdem a vida em acidente automobilístico. A maioria dessas pessoas são jovens. A mídia denomina tais acidentes violentos de "tragédia", "fatalidade". Discordo. Essas palavras dão a entender que o homo automobile é vítima frente a um destino inexorável, isentando-o de ser ele próprio a variável causadora. Não é assim. 
A alta velocidade não é um mal que exista fora do homem, mas o resultado de uma de suas pulsões (que Freud chamou de "tânatos", porque busca inconscientemente a morte ou a destruição). 

BEM UNIVERSAL

Tales de Mileto, o primeiro filósofo ocidental, defendia que a água era o princípio de todas as coisas. (Nietzsche tirou dessa afirmação estranha algumas conclusões sérias, principalmente sobre a origem e unicidade do universo.) Se substituirmos "todas as coisas" por "vida", o absurdo se desfaz, e a sentença adquire status de verdade. 
Nesse fim de semana, fui ao Rincão dos Machado. A grande novidade de lá, impossível de ser ignorada, consiste na água distribuída a todas as casas, a partir de um poço semiartesiano aberto no rincão. Ainda me lembro de verões distantes, quando carregava água em baldes e latões de uma vertente inesgotável e de difícil acesso. Minha mãe ficaria muito feliz com esse conforto.
Quase trinta famílias são beneficiadas, do Rincão dos Machado ao Passo da Cruz. Em cada casa há um hidrômetro, o qual passa a ser controlado com a precisão que exige a necessidade coletiva. Não é o caso de pagar mais pelo excedente consumido, isso deve ser evitado.  
Não acho corretamente ecológico explorar os lençóis freáticos. Essas reservas de água devem ser destinadas ao futuro, quando o homem não tiver outra opção para purificar a água que ele mesmo poluiu. Pequenas represas nos rios da região, avizinhadas por microestações de tratamento d'água, farão parte de um processo necessário que evitará o esgotamento e (pior que isso) a poluição dos depósitos subterrâneos. 

VAZIOS DE CONTEÚDO

Duas coisa deprimentes nos dias que antecedem o Natal: as pessoas se acotovelando dentro das lojas e os discursos natalinos. Notadamente, são vazios de conteúdo. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A FOTO


Um concurso da Unicef escolheu como Foto do Ano a imagem de um garoto recolhendo materiais de um lixo tóxico de Gana, África. 
- noticias.uol.com.br

TRÂNSITO

A proibição da conversão à esquerda na Sete de Setembro com a Pinheiro Machado, sentido bairro-centro, acusam os críticos inconformados com essa pequena mudança, diminuiu o movimento no supermercado da Tritícola. Por que não voltar a ser mão dupla na quadra em frente a esse estabelecimento comercial? Obviamente, para quem descesse a Pinheiro até a Sete de Setembro teria  a única opção de dobrar à direita.
Cantei a pedra: as quadras contíguas ao estacionamento pago encontram-se lotadas de automóveis. Nesta manhã, não havia vaga na Benjamin Constante (entre a Pinheiro e a Bento) e na Bento (entre a Benjamin Constant e a Getúlio Vargas). Na quadra do Círculo Operário, Fórum e Centro Empresarial, a média de automóveis estacionados continua sendo mais ou menos três. 
Em cada parquímetro deve estar de plantão um funcionário da empresa Rek Parking. Meus parentes que vêm do Rincão dos Machado, certamente, não sabem lidar com o aparelho (dez vezes mais difícil que máquina de refrigerante). Para eles, a melhor opção é amarrar seu pingo bem afastado do centro, debaixo de uma sombra (de preferência).  

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

GUIA DOS 50 LIVROS

DECEPCIONANTE o Guia dos 50 livros mais interessantes da história. Sua autora, Priscila Gorzoni, agrava ainda mais esse título com o aposto Uma seleção das obras de ficção que marcaram e mudaram os rumos da humanidade. Quanta importância!
Bem feito para mim, que não aprendi com Os cem melhores poetas brasileiros do século, elaborado pelo jornalista José Nêumanne Pinto. Neste livro, editado em 2004 (a qual século se referiu?), a decepção não se origina dos nomes elencados, mas dos textos que identifica cada poeta.
O guia dos 50 livros, também de uma jornalista, faz a seguinte seleção: As mil e uma noites, Os lusíadas, Dom Quixote, Robinson Crusoé, As viagens de Gulliver, Cândido ou o otimismo, Werther, Os devaneios do caminhante solitário, Walden, O chamado selvagem, Frankenstein, Eugénie Grandet, O nariz, Oliver Twist, A queda da casa de Usher, Os três mosqueteiros, A moreninha, Jane Eyre, O morro dos ventos uivantes, A moradora de Wildfell Hall, Moby Dick, Madame Bovary, Os miseráveis, Alice, Viagem ao centro da Terra, Crime e Castigo, Guerra e paz, As aventuras de Huckleberry Finn, A taberna, A ilha do tesouro, Memórias póstumas de Brás Cubas, O retrato de Dorian Gray, Aventura inéditas de Sherlock Holmes, A máquina do tempo, Drácula, O coração das trevas, Os embaixadores, A mãe, O retrato do artista quando jovem, O processo, Mrs. Dalloway, O assassinato de Roger Ackroyd, Um nenhum e cem mil, Macunaíma, O quinze, Nas montanhas da loucura e A náusea
Dessa relação, muita coisa pode ser criticada negativamente, inclusive por um leitor que não entenda bulhufas de literatura. A primeira conclusão a que chegaria esse leitor hipotético: 8% dos livros que "marcaram e mudaram os rumos da humanidade" são brasileiros, obviamente, um percentual muito elevado. Diga-se de passagem, mesma proporção da Rússia. Um pouco de conhecimento, e outro leitor se espantaria com a inclusão de A moreninha, romance romântico de Joaquim Manuel de Macedo, ficando de fora os infinitamente superiores Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, e A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. Qualquer romance de Graciliano Ramos é melhor que O quinze, de Raquel de Queirós. Mais leitura, e o leitor estranharia a inexistência dos latino-americanos, entre os quais, J.L.Borges, Julio Cortázar, García Márquez, Alejo Carpentier, Miguel Ángel Asturias, Augusto Roas Basto, Juan Carlos Onetti, José María Arguedas, Mario Vargas Llosa, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, entre outros. Da América do Norte, nada de William Faulkner e Ernest Hemingway. 
Da Europa, ficaram de fora Aldous Huxley, George Orwell, Marcel Proust, Albert Camus, José Saramago, Hermann Hesse, Laurence Sterne, Umberto Eco, para citar os mais conhecidos. 
Minha Biblioteca Ideal (já postada neste blog), modéstia à parte, é incomparavelmente superior a esse Guia dos 50 livros. Assim que passar as descargas elétricas, reedito minha biblioteca.  


GALO ANUNCIADOR

o galo
        gira
        e ringe


no alto
da chaminé


crista
de ferrugem


o galo
         ringe
         e gira


muda 
o tempo

FALTA D'ÁGUA

Um anônimo babaca fez um comentário sobre minha postagem "Calçada do Banco do Brasil", defendendo que o banco lava as calçadas para melhor atender ao público. Ofendeu-me com os clichês comuns aos maledicentes covardes, que se escondem no anonimato. 
Há pouco, estive na Prefeitura, onde ocorria uma reunião com presidentes de bairros e lideranças locais. Na pauta, a falta de água no município de Santiago. Os poços secam no interior e a população recorre ao poder executivo, que atende à demanda com a colaboração dos bombeiros e da 1ª Bda C Mec. A água levada às localidades deve ser potável e sai da sede do nosso município, onde uma instituição bancária federal gasta água por uma manhã inteira para lavar a calçada em volta de seu prédio (segundo um anônimo babaca, para receber melhor seus clientes).
Outro assunto da reunião na Prefeitura foi o trânsito. Alguns líderes locais, que fazem oposição à bela administração atual, não querem a mudança na esquina da Sete de Setembro com a Pinheiro Machado, a qual passa a impedir a conversão à esquerda para quem se desloca por aquela rua (no sentido bairro-centro). 
Vou mais longe: aqui, em frente ao Banco do Brasil, deveria ser proibida a conversão à esquerda para quem sobe a Benjamin Constant. Aliás, todas as conversões à esquerda deveriam ser proibidas. Pelo menos nos cruzamentos de maior movimento, no centro da cidade.

BOM DIA (COM BORGES)

Hoje levantei, fiz o café e reli o conto El Sur, de Jorge Luis Borges. Vinte e dois anos depois, nova leitura desse que considero um dos melhores escritores de todos os tempos. Numa de suas colunas do Correio do Povo, Juremir fez uma referência a Borges, escolhendo El Sur como o conto mais triste que conhecia. Ler Borges e Cortázar é uma lição obrigatória para quem almeja ser literato. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CALÇADA DO BANCO DO BRASIL

A imensa calçada do Banco do Brasil foi limpa com um lavador a jato nessa manhã. Ninguém dentro do banco para pedir que a senhora parasse com o desperdício de água. Essa prática deveria ser proibida.

RUY GESSINGER

Nesta manhã, destaco a bela postagem do Ruy, Atardecer.
As palavras
Adoro o som de algumas, em várias línguas. “Süss”, em alemão, que é muito mais doce do que “sweet”, “Dulce”, “dolce”. De “mutter” gosto mais do que “mother”, “mãe”, “madre”. Mas superior é “mater” do latim. “Fenêtre” é o que mais gosto para janela, mais do que “window”. 
“Puella”, do latim, me soa melhor do que “guria”, “girl”. 
“Ámor”, me gusta mais do que “amôr”, mais que “love”, mas menos do que “liebe”. Saudade é “quatsch”, não entro nessa. 
Mas “atardecer, em español, é incomparável. El atardecer hoje em Xangri-La estava azul, diáfano, sem vento, mar calmo. 
“Passarinho”, “vogel”, “bird”. Mas prefiro “pájaro”. A “nuvens” prefiro “wolken”, mas a “bom dia!”, fico com “kali mera”. 
Saudade (caí na armadilha) da Grécia e de seus azúis.
Lembrei-me de Las palabras, de Pablo Neruda:
Todo lo que usted quiera, sí señor, pero son las palabras que cantan, las que suben y bajan... Me prosterno ante ellas... Las amo, las adhiero, las persigo, las muerdo, las derrito... Amo tanto las palabras... Las inesperadas... Las que glotonamente se esperan, se acechan, hasta que de pronto caen... Vocablos amados... Brillan como perlas de colores, saltan como platinados peces, son espuma, hilo, metal, rocío... Persigo algunas palabras... Son tan hermosas que las quiero poner todas en mi poema...
O texto de Neruda continua. Já o transcrevi neste blog em 3 de setembro de 2007. 
Sugiro a todos que me leem agora (também escritores) que produzam algo semelhante, sobre as palavras, fundamentando-se na postagem do Ruy (que tocou uma das essências da poesia).


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PROBLEMA

A rodovia federal que atravessa uma cidade, como a BR 287 em Santiago, conserva a velocidade máxima de via rural ou passa a obedecer os mesmos limites de velocidade estabelecidos para as vias urbanas?  Na inexistência de via de trânsito rápido em nossa cidade, que é de 80 km/h, a velocidade máxima da BR 287 (dentro do perímetro urbano) seria de tão somente 60 km/h? 

NATAL OUTRA VEZ


Neste Natal, desisto de apontar a contradição entre religiosidade e consumismo, entre lembrança do Menino Jesus e encontro com Papai Noel, entre seguir a Deus (num plano ideal) e seguir o materialismo (na realidade). O padre Hermeto Mengarda discursa sobre o "espírito natalino", sobre o nascimento de Jesus Cristo, o salvador. Ele opõe o conteúdo de um anúncio que vocifera uma mensagem de que para garantir um natal feliz é necessário comprar na loja tal à anunciação expressa nos evangelhos. Se o padre (que é uma autoridade religiosa) fala e ninguém o ouve realmente, o que esperar de um ateu, que se libertou da ilusão, do imaginário, e passou a acusar o duplo comportamento dos cristãos? Por um lado, imaginam salvar suas almas pequenas, acreditando no mais fantástico dos mitos já engendrados pelo homem, criador de deus(es). Por outro, como indisfarçáveis hedonistas, deixam-se levar pelos desejos consumistas, pelo sensualismo, pelas pulsões. Posso expressar verdades desmistificadoras (que o futuro há de demonstrá-las ao senso comum), como o faço amiúde em meus escritos, mas ninguém se importa com elas. Não ouvem o padre, que sobre-exalta aquilo em que dizem acreditar, tampouco me ouvirão, livre-pensador que classifica tudo em que creem como ilusório. O viver em contradição, entre dois senhores (Deus e os bens materiais), constitui a causa de grande sofrimento, que já fez infeliz muita gente. Pelos menos, foi assim até o século XX, a partir do qual a moral cristã começou a ser questionada. Nestes dias, ninguém mais se candidata a santo, ninguém mais se importa em tornar coerente fé e obra pessoais, ideal e realidade (como o acima expresso). Na coluna retrasada, resumi essa questão a uma palavra: hipocrisia. Estou me cansando de pensar e de escrever sobre isso. Natal é Jesus Cristo e Papai Noel ao mesmo tempo. Viva a contradição!

domingo, 18 de dezembro de 2011

QUESTÃO AINDA NÃO PENSADA

As campanhas em defesa dos animais ganham espaço na mídia nestes dias. Há pouco, não passava de um ideal,  que se esboçava numa frase atribuída a Alexandre Herculano: "Quanto mais conheço os homens, mais estimo as animais". Entre os pensadores não especistas, cito Desmond Morris e Peter Singer. Na prática, o Greenpeace foi pioneiro. Em Santiago, algumas pessoas dedicam uma atenção especial aos animais, principalmente gatos e cachorros abandonados. 
Faço parte da maioria, que não se engaja nessas campanhas (mesmo sendo contra o maltrato). Ainda nos alimentamos de carne, muita carne. Nossa atenção maior se volta para aqueles animais destinados ao abate. 
Pergunto se essas campanhas não ocultam (no fundo do coração) um sentimento de misantropia, que tende para o individualismo radical. Em muitos casos, o animal substitui o filho, a criança abandonada. 

O QUE É CULTURA?

Cultura se contrapõe à natureza. Tudo que é natural não é cultural. Colher um fruto silvestre para comer é natural, o homem o fez ao longo de todo o paliolítico (aproximadamente 2,5 milhões de anos). Plantar uma árvore para colher seus frutos é cultural. A propósito, este é o primeiro significado para o termo "cultura": ação, processo ou efeito de cultivar a terra. Analogamente, matar um animal selvagem para se alimentar é natural, o homem o fez ao longo de seu regime carnívoro. Criar animais em cativeiro, não apenas para o abate, por sua vez, é cultural.
Câmera 2. 
Elaborar normas para melhor controlar os homens em sociedade é cultural. A liberdade, em contrapartida, não o é. Embora carecesse de valor a princípio, como afirma Freud em El malestar en la cultura, a liberdade precede toda cultura. 

CULTURA

O Júlio Prates já definiu o que seja cultura em seu blog (preocupado com os conceitos reducionistas que vigora(va)m de uma forma equivocada em Santiago). Ao ler O malestar de la cultura (O mal-estar da civilização), de Freud, destaco o seguinte: "la palabra 'cultura' designa toda la suma  de operaciones y normas que distancian nuestra vida de la de nuestros antepasados animales". Eis o sentido mais generalizado que Freud atribui à cultura. Mais adiante, "ningún otro rasgo creemos distinguir mejor la cultura que en la estima y el cuidado dispensados a las actividades psíquicas superiores, las tareas intelectuales, científicas y artísticas, el papel rector atribuido a las ideas en la vida de los hombres". Eis o sentido mais específico dado pelo grande pensador ao mesmo termo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

COMENTÁRIOS DIVERSOS

I - Ontem fui à inauguração do Auditório Caio Fernando Abreu, mandado construir pela Câmara de Vereadores de Santiago, reaproveitando o prédio antigo que havia ao lado. A obra justifica a evolução cultural experimentada por Santiago nas últimas décadas e encaixa-se perfeitamente no programa "Cidade Educadora". 
II - Entre os idealizadores desse auditório, realça-se o nome de Nelson Abreu. Entre os executores da obra, o de Miguel Bianchini.
II - Ao visitar nossa blogosfera há pouco, percebo o quanto ela se deixa eivar pelo anonimato, em comentários maledicentes (postado pelo blogueiro, que passa a ser responsável dessa forma).
IV - Percebo que a falta de ética se evidencia em véspera de eleições municipais, (in)justamente para detonar possíveis pré-candidatos. 
V - A sobra de vagas nas quadras centrais é um fenômeno não surpreendente (para mim) nesta primeira semana de estacionamento pago. Anteriormente, era muito difícil estacionar nesta quadra da Pinheiro Machado (entre a Getúlio Vargas e a Benjamin Constante). Por que a mudança brusca? 
VI - Para responder a pergunta acima, sugiro duas resposta por enquanto: 1) os usuários de automóveis são avarentos, para desembolsar até R$ 2,40; 2) os usuários de automóveis são pobres, não podendo somar mais essa despesa às demais contas para manter o bem passivo. Ambas pressupõem uma contradição: avarentos e pobres não poderiam ter automóveis. Mas quem se importa em ser contraditório?
VII - Entre o pão-durismo e a demonstração de riqueza, o avarento se inclina para a segunda opção (com um pouco de sofrimento). Entre aparentar que tem "café no bule" para adquirir um automóvel e andar a pé (reconhecendo que não tem condições), o pobre escolhe a primeira opção. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

UM MOTIVO


A semana passada, decidi voltar à pintura outra vez. Estou com uma tela em branco, sem saber por onde começar. Infelizmente, nossa cidade não oferece um motivo natural que chame a atenção do pintor. Assim que comprar novas tintas, me voy al campo. Um motivo interessante para pintar me ocorreu nesta manhã: o azul. Velho tema que se renova aos olhos de quem o contempla.  

QUE CÉU!

Vocês já pararam com o que estavam fazendo hoje para olhar o céu? O eixo da Terra não se deslocou (que saibamos), para que ocorresse uma manhã de outubro em pleno dezembro. 

ROTATIVO

Neste momento, faltando 15 minutos para as 10 horas, em plena manhã de quinta-feira, há tão somente cinco automóveis estacionados na quadra da Pinheiro Machado, entre a Getúlio Vargas e a Benjamin Constant. Apenas cinco automóveis. Não era essa a configuração da rua antes do estacionamento pago. Vejam o que faz 0,60 centavos! 
Agora, às 11h e 15 min, o número de automóvel estacionado na quadra acima delimitada caiu para 2.
Às 13 horas, apenas um automóvel se encontra estacionado na quadra. 

PALMA(DÁ)

A Lei da Palmada não é retroativa. Caso contrário, nossos pais seriam condenados. Nós, filhos educados a palmadas, não imaginávamos àquela época que eles (nossos pais) estariam errados. Os filhos das novas gerações, todavia, hão de incriminar seus pais pela omissão (ou pelo excesso de tolerância). 

domingo, 11 de dezembro de 2011

EU = ICEBERG


O eu autoconsciente (que tantas certezas traz ao indivíduo que o professa) pode ser comparado à parte emersa de um iceberg. Tudo mais é inconsciente, como as pulsões. 

QUAL É?

Um jovem foi morto a tiro nessa madrugada, em frente ao Clube União, 
e nenhum blog noticioso de Santiago divulgou o fato (à exceção do 5º Regimento Santiago-RS).

ANTROPOMORFISMO


Toda vez que ouço um bem-te-vi cantar (pousado numa antena além desta janela), penso em Xenófanes, o primeiro pensador a combater o antropomorfismo. Para ser mais claro, abro o Houaiss e transcrevo a significação para o vocábulo: antropomorfismo s.m. 1 FIL REL forma de pensamento comum a diversas crenças religiosas que atribui a deuses, a Deus ou a seres sobrenaturais comportamentos e pensamentos característicos do ser humano 2 FIL visão de mundo ou doutrina filosófica que, buscando a compreensão da realidade circundante, atribui características e comportamentos típicos da condição humana às formas inanimadas da natureza ou aos seres vivos irracionais
O nome científico do bem-te-vi é Pitangus sulphuratus, que provém de pitanga guassu, em guarani. Sulphuratus diz respeito à cor amarela, como o enxofre. Há uma clara manifestação antropomórfica no nome desse pássaro, que reflete o que disse outro filósofo grego, Protágoras, que o homem é a medida de todas as coisas. Sugiro que prestem atenção ao canto do bem-te-vi. Se pudéssemos transcrever foneticamente o som por ele emitido, certamente não seria do fonema "b", seguido de um "e" nasalizado. Aproxima-se, mais claramente, de um "k", seguido de "u" e "i". 


A propósito, Fátima Friedriczewski postou (em seu Jardim de Zymm) sobre uma nuvem estranha com o formato de um disco voador. Obviamente, minha amiga não insinuou que a nuvem pudesse não ser uma nuvem, mas um OVNI. Fez uma comparação, apelando para o imaginário (que constitui um diferencial no poeta). 
Neste caso, o antropomorfismo se manifesta em relação a uma ideia que o senso comum (condicionado pelos ufólogos) faz de um disco voador. O estranhamento é perfeitamente compreensível, está na raiz de toda forma de medo, de assombro. 
O conhecimento, como desmistificador da realidade, chega a se aproximar da poesia. A Nura fotografou uma NUVEM LENTICULAR. Basta buscar por "nuvem lenticular" no Google imagem e se divertir com uma "invasão extraterrestre".

sábado, 10 de dezembro de 2011

O ASFALTO CHEGANDO

O ruído da máquina lá fora é uma canção para meus ouvidos. Meia tarde deste sábado (azul com nuvensinhas brancas), o asfalto está chegando à Pinheiro Machado. Imagino um pintor deslizando seu pincel molhado em tinta escura sobre os paralelepípedos que eram marca da nossa cidade. No futuro, essas pedras serão motivos de estudo arqueológico (ou poético). 
A máquina continua seu serviço, ruidosa, suja e feia, mas vista e ouvida com certa alegria.

EL MALESTAR EN LA CULTURA


Desde que li Totem e Tabu em 1982 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nunca deixei de retornar a Freud, seguramente o pensador que mais expressou verdades acerca da psique humana. Há pouco, terminei seu extraordinário ensaio El porvenir de una ilusión e, ato contínuo, passo a El malestar en la cultura. Tenho o costume de iluminar os trechos que me chamam a atenção durante a leitura (isso me serve de guia para um novo contato futuro). Pois bem, as páginas do primeiro livro acima restaram quase todas em amarelo. 
El polvenir de una ilusión me levou a retomar A essência do Cristianismo de Ludwig Feuerbach. Muito interessante a ligação entre eles. Em ambos, cultura significando (preponderantemente) as doutrinas religiosas. 

MESQUINHEZ E HIPOCRISIA

A mesquinhez é prima-irmã da hipocrisia, e ambas, mais que meras palavras, tipificam o caráter de pessoas muito conhecidas na sociedade santiaguense. Por motivos óbvios, deixo de citar o nome de algumas delas (como exemplo a não ser seguido por quem almeja certo relevo social). O mesquinho, via de regra, pertence a uma entidade ou grupo com fins filantrópicos. O hipócrita, via de regra, pertence a uma organização religiosa. A proximidade entre os (pseudo)espiritualistas e a philantropia é inegável, cujo propósito sub-reptício consiste em disfarçar ou redimir os sentimentos contrários. Para empregar a linguagem das fábulas, há lobos vestidos com pele de cordeiro mais do que pode perceber os olhos ingênuos dos cordeiros. A motivação para escrever sobre esse tema me ocorreu na segunda-feira, quando soube, por intermédio de uma costureira, que sua cliente não a ressarciu pelos serviços. Num evento em que participei há poucos dias, essa pessoa velhaca discursava em defesa da afetividade e da educação tão necessárias aos mais humildes. À exceção de mim, seu discurso comoveu a todos os presentes. Aliás, o discurso constitui a essência do parecer, pele de cordeiro sobre o coração de lobo. A palavra persuade por seu poder de expressão em si mesmo, não pela realidade do que é representado. Por isso, o político consegue arrancar aplausos de seus correligionários; o pastor, a embasbacar seu rebanho; o professor, a “educar” seus alunos; o advogado, a convencer os jurados; ad nauseam. Com base nessa sobre-exaltação discursiva, pergunto se, no final do processo, há justiça, há educação, há religiosidade, há coerência. Mas tal questionamento foge ao tema acima exposto. A mesquinhez e a hipocrisia são, repito, duas componentes do caráter de gente grã-fina da nossa sociedade.
(Texto publicado na coluna do Expresso Ilustrado dessa sexta-feira.)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

FACEBOOCK (UMBIGUISMO E IDIOTIA)

Por insistência de pessoas amigas, abri uma conta no Faceboock. Apesar de atender a seus pedidos de adição, não tenho interagido com elas. Para mim, essa rede social não passa de um Orkut mais selecionado. Ambos são a consagração do umbiguismo no âmbito eletrônico (ao contrário do que pode parecer), barreira a impedir a evolução para o que há de melhor no hipertexto.
Hoje leio nos sites noticiosos:
"Morte de Bin Laden é o tema mais comentado no Faceboock em 2011".
Isso prova a idiotia no Faceboock.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ESTACIONAMENTO GRÁTIS

Uma das consequências do estacionamento pago nas quadras centrais será a maior demanda por vagas nas quadras contíguas (em que não haverá parquímetro). Por exemplo, rua Benjamin Constant, General Canabarro, Bento Gonçalves, Marechal Deodoro, entre outras.  

ESTACIONAMENTO PAGO


Da janela deste apartamento, vejo um dos 11 parquímetros instalados no centro de Santiago - em frente ao Círculo Operário. Nesse clube, o maior movimento acontece no fim de semana, quando a cidade diminui seu ritmo (principalmente no trânsito). A partir de segunda-feira, 12, os associados que vão ao clube jogar bochas ou cartas deverão pagar pelo estacionamento de seus carros. Eles já sabem o que acontece se o tempo ultrapassar as duas horas? Multa automática? Eles podem mudar o carro de lugar e pagar por mais duas horas? Em caso de ser multado, o proprietário poderá recorrer. O dinheiro da multa vai para que cofre? Da empresa Rek Parking? A questão mais série e mais hilária (ao mesmo tempo), já apontada acima, consiste na obrigatoriedade de pagar pelo estacionamento num centro quase vazio nos sábados e domingos. 
No âmbito desta blogosfera é possível identificar aqueles que foram a favor do estacionamento rotativo, pago por minuto. Tais não poderão voltar atrás sem o reconhecimento de que estavam errados. Fora do âmbito blogueiro, todavia,  muita gente que defende a cobrança irá voltar atrás com a maior cara de pau. 
Essa empresa com um bonito nome em inglês, "Rek Parking", não lucrará muita coisa. Seu faturamento tenderá a cair com a crescente conscientização de "cidade educadora".   

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

FIM DAS LICENCIATURAS NA URI

Ao ler a lista dos aprovados no vestibular da URI, percebo a falta dos cursos que foram (ab origine) os pilares que justificavam o ensino superior em Santiago: Letras, Matemática, História, Pedagogia... Qual é a causa do desprestígio das licenciaturas?  

sábado, 3 de dezembro de 2011

CONTRA BIBLIOTECA ON-LINE

"Mais um capítulo na conturbada história da digitalização de bibliotecas e acervos literários. Desta vez, grupos de  autores dos EUA, Austrália e Canadá estão processando instituições como a Universidade de Michigan (EUA) com o intuito de brecar a constituição de um acervo digital. Composta por 7 milhões de obras, a biblioteca de Michigan é acusada de escanear livros sem autorização. Os autores acusam a universidade de possuir um repositório chamado HathiTrust, ondo os universitários podem baixar livros que não foram impressos ou cujos autores não foram  localizados. A ação judicial visa recolher as cópias digitais e cobrar por outros danos."
(Publicado na revista LÍNGUA portuguesa, Ano 7, Nº 73, Novembro de 2011, www.revistalingua.com.br)

CAIO ABREU (+ 1 X)



A mais recente edição da revista LÍNGUA portuguesa faz uma referência a Caio Abreu em sua última página (conforme ilustração acima). Caso te interessar, caro visitante, dá um clique sobre a imagem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Indicado por meus superiores, fiz o curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos no Portal Educação. Depois de um mês de acessos, tomando nota, lendo e relendo os cinco módulos, realizei a prova final nesta tarde. 
O curso, por sua denominação, parecia-me um tanto enfadonho. Ao ler o Histórico da produção de resíduos, todavia, passei a me interessar pelo assunto. 
Na conceituação de resíduos sólidos, lê-se: "Qualquer material gerado por alguma atividade humana e que não apresente utilidade imediata ao seu gerador é constantemente qualificado como lixo. O próprio significado da palavra lixo remete a algo totalmente  imprestável e que deve ser descartado, afastado, destruído. Porém, essa designação não parece muito adequada. A maior parte do que se costuma chamar de lixo apresenta, sim, algum tipo de utilidade, seja imediata ou após algum processo de transformação. Sendo assim, tem-se adotado o termo resíduos sólidos para designar materiais que, se não podem mais ser utilizados para o seu objetivo original, poderão tornar-se úteis para outros fins após algum tipo de modificação".
(Mais tarde, volto com alguns dados interessantes. )

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

LITERATURA E MÍDIA

Literatura é arte, e mídia é o conjunto dos meios de comunicação. Uma tem na palavra sua matéria-prima. A outra tem na palavra o signo mais utilizado como linguagem. Dessa forma, literatura e mídia têm algo essencial em comum. O romance, por exemplo, nasceu folhetinescamente, publicado em jornais e revistas. Com origem burguesa, o gênero logo alcançou a aristocracia. A crônica nasceu e continua  a evoluir  nas páginas desses periódicos, mais jornalística que literária. Com a ascensão social do homem-massa na segunda metade do século XX e consequente declínio das classes evoluídas, a literatura sofreu como que um exílio cultural. A televisão transformou-se no maior fenômeno midiático. Os jornais a acompanharam. A despeito da internet, os dois dominam a chamada “grande mídia”, em razão da escassa conexão ao hipertexto. Em raros momentos, eles se dão ao luxo de repatriarem a literatura para o âmbito popular. Dois escritores que vieram à 13ª Feira do Livro de Santiago são provas desse fenômeno: Letícia Wierzchowski e Fabrício Carpinejar. A primeira é conhecida como autora do romance A casa das sete mulheres, transformado em minissérie pela Rede Globo. Seus demais livros (produzidos de um a dois por ano) são desconhecidos. Carpinejar, um dos maiores poetas do Rio Grande do Sul, filho de Carlos Nejar, passa a ser conhecido pela maioria dos gaúchos porque escreve uma coluna no Zero Hora. Seu livro Canalha! (de crônicas) ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura em 2009, mas poucos entre os escassos leitores de nossa cidade o liam antes da série Beleza Interior - editada e 2011. Conclui-se disso que a literatura necessita estreitar sua relação com a mídia para sobreviver. A escola deixou de ser sua aliada a partir de novas diretrizes do MEC (que hoje se encontra em poder do homem-massa, alçado à condição de novo burguês, ou aristocrata, mas sem o apuro estético). 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO NÃO É "CIRCO"

Há um discurso equivocado ao considerar o desenvolvimento cultural de nossa cidade (ou, antes disso, o que o poder público está fazendo com esse fim) como "circo". A expressão metafórica, cuja genealogia remonta à Roma antiga, diz respeito ao espetáculo oferecido ao povo, para mantê-lo ocupado. Não é o caso dos santiaguenses, que necessitamos não apenas de automóveis, asfalto, comércio, dinheiro, bens materiais (que refletem o desenvolvimento econômico); necessitamos também de educação no trânsito, de uma nova consciência ecológica, de livros, de culturas que nos façam evoluir da condição agropastoril (pouco diferente da vivenciada miticamente pelos filhos de Adão). O programa Cidade Educadora excede tudo o que foi feito no passado, consiste em colocar o valor humano à frete do valor material, a mente à frente do corpo, o ser à frente do ter etc.  

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

VOLMAR OU VOLMIR?

Quem foi o motorista imprudente que capotou sua caminhoneta no centro da cidade, Volmar ou Volmir? 

domingo, 27 de novembro de 2011

FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO (IV)

Na tarde de ontem, muita gente boa na mesa de autógrafos: Rogério Madrid, com Ebulição; Auri Sudati, com No reino das crianças felizes / A lagoa encantada e outras historinhas; José Luiz dos Santos, com Rodeio de versos; Lígia Rosso, com Nas entrelinhas; Rossano Cavalari, com Dicionário de Cruz Alta: histórico e ilustrado; Breno Serafini, com Geração pixel; e Tadeu Martins, com Juras e Narrativas de um bom dia. O Iotti também autografou seu gibizon Radicci e deu um show de humor antes do encerramento da feira.
Este ano, a feira me surpreendeu positivamente com a presença do público (sempre a mais esperada recompensa de quem organiza um evento dessa natureza). Neste aspecto, rendo homenagens àqueles que iniciaram e que persistiram com uma feira de livro em Santiago desde antes da Terra dos Poetas. Entre essas pessoas abnegadas, certamente o professor Noé de Oliveira é inesquecível, como o será Rodrigo Neres. Por várias vezes, citei seu nome neste blog (13 de setembro de 2007, 13 set 2010...). 
O professor Noé vislumbrou em 2007 que a próxima edição da feira seria maior do que a atual. Foi e continua sendo a cada ano, culminando com a 13ª edição, que se encerrou ontem. O Júlio Ruivo é outra pessoa que destaco como grande responsável, em vista de sua aposta na cultura. Por ele, a feira se re-edita no próximo ano, exatamente na Praça Moysés Vianna.
A política é tão acertada que outras cidade vizinhas já seguem o exemplo, entre as quais São Francisco de Assis. Sua próxima feira do livro já tem patrono: João Lemes. Parabéns, João! Espero pelo teu convite para lançar meus livros na vizinha cidade.  

sábado, 26 de novembro de 2011

FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO (III)


O terceiro dia da Feira do Livro foi o mais agitado, no todo, porque recebemos a visita do Carpinejar, e na parte, porque lancei meu O Fogo das Palavras - contra o preconceito e suas construções discursivas. 
Apenas para contrariar as opiniões do Ruy, pergunto ao leitor visitante o que é melhor entre a realização da Feira do Livro e sua não realização no próximo ano. Qual outro evento reuniria em Santiago Letícia Wierzchowski, Carpinejar, Kalunga, Neltair Abreu, Tadeu Martins, Oracy Dornelles, artistas de múltiplas semioses? Qual outro evento disporia de espaço e público gratuitos para o lançamento de autores que se iniciam na produção de algum gênero literário? Qual outro evento ofereceria tantos livros, principalmente para crianças e adolescentes?
O leitor veterano que visita uma feira de livro, certamente frequenta os sebos, compra pela internet etc. Dos sete livros do Carpinejar para autografar, alguns deles foram adquirido pelos serviços da estantevirtual.com - a maior rede de sebos do país. Todas as vezes que vou a Porto Alegre (que ainda continua longe para muita gente), não deixo de ir aos sebos da Riachuelo ou da Ladeira. 
Os livros continuam caros na feira (com a tapeação de algum desconto). Isso precisa ser questionado, é verdade. Nos saldos, encontrei Ensaios frankfurtianos, livro que "traz elementos básicos para a compreensão do pensamento dos autores da Teoria Crítica", entre os quais Theodor Adorno (meu preferido da Escola de Frankfurt).  Paguei apenas cinco reais. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO (II)

No segundo dia da feira, houve as seguintes sessões de autógrafos: Oracy Dornelles, (re)lançando poesia y chronica; Mariza Vitória Pivoto da Rosa, lançando Eu e a Felicidade; Fortunato dos Santos Oliveira, com Além dos Muros sem Portões; Alberto Freitas, com Provas de Amor; e Letícia Wierchowski, autografando suas obras. A autora de A casa das sete mulheres falou por uma hora sobre sua vida, seus livros. Respondeu-me que suas maiores influências são Erico Veríssimo, Tabajara Ruas, Philip Roth, García Márquez, entre outros.  À semelhança de J.L.Borges, orgulha-se de ser leitora desde a infância. Sua carreira iniciou-se aos 25 anos, com o romance O anjo e o resto de nós. Nos primeiros cinco anos de sua carreira de ficcionista, produziu cinco romances. O reconhecimento, nacional e internacional, ocorreu com A casa das sete mulheres (transformada em minissérie televisiva pela Globo). 


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FEIRA DO LIVRO DE SANTIAGO


Ontem me surpreendi positivamente com a presença do público na abertura da 13ª Feira do Livro de Santiago. Um evento dessa natureza sem público é semelhante a um texto sem leitor. Ratifico o convite: vamos visitar a feira. A pé mesmo, porque lá dentro não há estacionamento. 
Após a abertura oficial (encerrada com um vídeo em tributo a Chicão), o patrono Neltair Rebés Abreu autografou seu livro Caminhos do Santiago. Ele veio acompanhado de seus irmãos. Um timaço de boa gente. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

FLORIANO(POLIS)

O Ruy escreve sobre Florianópolis em sua última postagem. A turística capital catarinense traz no próprio nome um de seus paradoxos, que remete (em linguagem atual) ao "Complexo de Estocolmo". 
Durante a Revolução Federalista (1893-95), a fortaleza de Anhatumirim (SC) serviu de abrigo para os revoltosos. Floriano Peixoto, presidente da República, madou uma esquadra do Rio de Janeiro, que prendeu os federalistas e fuzilou impiedosamente 185 deles.  Entre os executados, encontravam-se renomadas personalidades barrigas-verdes e gaúchas (a exemplo de Manuel de Almeida Lobo D'Eça, Barão do Batovi, patrono do nosso 19º GAC). 
O Estado de Santa Catarina não honrou seus mortos, homenageando o Marechal de Ferro (em contrapartida), trocando o nome de sua Desterro para Florianópolis.
O Prim, meu adversário de xadrez em Curitiba, era natural da Grande Florianópolis, mas torcia fanaticamente para o Flamengo.
Ruy, parabéns pela postagem.

FATALIDADE(?)

Leio no clicrbs.com que 15 pessoas morreram nesse final de semana nas estradas gaúchas. As últimas mortes ocorrem em Agudo, na 287. A matéria parece uma repetição do outro final de semana, em que o Chicão sofreu o acidente. 
Ouço muito a classificação de "fatalidade" para essas mortes no trânsito. Ratifico o que penso (e nisso sou um pouco idealista): não há fatalidade, uma vez que é possível a intervenção do homem, no sentido de se evitar o acidente. A realidade está a me provar o contrário, mas não continuará assim.

domingo, 20 de novembro de 2011

LEI DO SILÊNCIO(?)

Alguns vizinhos reclamaram do som alto emitido pelo Central Bailes, e o clube passou a realizar seus eventos dançantes no limite mínimo de decibéis. Alguns vizinhos do G.S.S.G.S., incomodados com o som alto, entraram na justiça contra o clube. Um vizinho ligou para a polícia, e a banda (que animava um aniversário no apartamento de Cristina) foi abrigada a suspender seu show de rock-and-roll.
A partir desses três exemplos, há uma clara indicação de que a "lei do silêncio" parece se impor na cidade, exigindo-lhe o que Freud descreveu (em O futuro de uma ilusão) como "uma compulsão e uma renúncia do pulsional". 
Todo o centro de Santiago deixou de dormir nessa noite, em razão de um baile de formatura no Clube União. A música estava num volume tão alto que fazia vibrar as janelas do meu apartamento (na Pinheiro Machado). 
Não entendo (ou faço de conta que não entendo) por que certos lugares e certos eventos são inatingíveis pela dita lei. Eles continuam a emitir seus decibéis amplificados por aparelhos potentes, sem que haja reclamação, denúncia ou processo dos moradores próximos.
O Júlio Prates está corretíssimo em suas análises sociológicas: ainda prevalece aqui uma cultura imposta pela aristocracia formada na primeira metade do século passado, quando era evidente a distinção entre as classes sociais.
O Clube União, a despeito da decadência econômica (ou da imiscuição cultural) sofrida pela aristocracia santiaguense, ainda se mantém altivo, a cavaleiro de quem o contempla da calçada. Noutro clube, não seria realizável com a mesma imponência uma simples formatura de Ensino Médio.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CONVITE PARA LANÇAMENTO


No meu próximo livro, um dos temas amplamente desenvolvido é justamente o preconceito antropocêntrico. O homem, ao acusar todos os males que ele faz ao planeta, colocando em risco a própria sobrevivência, não esconde um viés que o levou a criar deuses à sua imagem e semelhança. Ele continua sendo ator principal no grande teatro da vida. 

BEM-VINDO (AO ANTROPOCENO)


Não é só a Caixa Econômica Federal (e muita gente boa que ainda não entendeu o Novo Acordo Ortográfico), a revista da imagem acima também incorre no erro de grafar "bem-vindo" sem hífen. A seriedade do assunto exige correção gramatical, sob pena de virar chacota ou de perder o crédito. 
Após essa digressão linguística, destaco o conteúdo da matéria publicada. Alguns cientistas, especialmente Jan Zalasiewicz, geólogo inglês, defendem uma nova era geológica para o planeta: o Antropoceno. 
A princípio, atribuo essa nova designação como um discurso ainda eivado do preconceito antropocêntrico, especista. 

LANÇAMENTO DE LIVRO

LANÇAMENTO DE LIVRO


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

COMPORTAMENTO PARADOXAL

Nestes dias, a comoção pela morte de José Francisco Górski (Chicão), amigo de todos, desportista reconhecido e político em ascensão, obliterou nosso censo crítico – tão atento às questões atuais que urgem uma análise fria, racional. Entre essas questões, o trânsito é de uma relevância a toda prova, em vista dos acidentes fatais que continuam a ceifar vidas. Em nossa defesa, designamos como “fatalidade” aquilo que não evitamos, ainda que tivéssemos condições de evitá-lo. Eis o paradoxo. Os santiaguenses somos forçados a pensar por que a questão do trânsito é paradoxal. Nossa cidade é atravessada pela BR 287, rodovia que tem sido cenário frequente de acidentes gravíssimos. Seus 300 quilômetros, entre São Borja e Santa Maria, também se encontram sinalizados pelas cruzes (símbolos da morte na mítica cristã). Certamente, esse trecho apresenta um dos menores movimentos de veículos no Rio Grande do Sul, tratando-se de rodovias federais. Sequer há pontos de pedágio. Nos últimos anos, todavia, o asfalto se mantém sem os buracos indesejáveis – obstáculos que obrigam o condutor a diminuir a velocidade. A propósito, a alta velocidade constitui a causa principal de acidente, uma vez que não há defeito na pista e tampouco fluxo intenso (que exigisse a duplicação). A placa de regulamentação que estabelece a velocidade máxima permitida é a menos observada, tanto quanto à de parada obrigatória. Principalmente nas rodovias, onde as mortes por acidente ocorrem de uma forma lamentável, ninguém se comporta moralmente (para obedecer à lei), ou eticamente (para saber o limite e dirigir de acordo com o que sabe). Paradoxal é o comportamento do homem. Seu eu consciente (ainda um bebê) não resiste aos desejos, às pulsões, às forças poderosíssimas do inconsciente. A vida, como um todo, manifesta-se por meio dessas forças. Em razão de sua impetuosidade, às vezes, ela avança o sinal.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

FEIRA DO LIVRO DE POA

No sábado, realizei um desejo que se renovava a cada ano: ir à Feira do Livro de Porto Alegre. A última vez que fui a essa feira, lembro como se fosse hoje, ocorreu em 1987. Na época, morava em Curitiba e vim à capital para fazer um estágio sobre freios pneumáticos na Mercedes Benz. Há 15 anos em Santiago, nunca me decidi ir a esse grande evento cultural. Desta vez, a Lígia Rosso organizou uma excursão com as turmas de Letras da URI para prestigiar o lançamento de seu Nas entrelinhas. Depois do restaurante e de uma visita ao Centro Cultural Erico Veríssimo, onde se realizava a exposição Caminhos do Santiago (Neltair Rebés Abreu), permaneci por nove horas entre os estandes da Feira. Não gostei da arte conceptual em exposição no MARGS. Entre os livros adquiridos, destaco a Antología general, de Pablo Neruda (um espesso volume de setecentas e poucas páginas). Também no setor internacional, estande do Peru, comprei dois volumes de Los Libros Más Pequeños del Mundo: Assim falava Zaratustra, de Friedrich Nietzsche, e  Os melhores pintores de todas as épocas. Dimensão dos volumes: 6,5 x 4,2 cm. Texto integral (no caso de AFZ). Trouxe alguns livros para o meu amigo Juarez colocar à venda banca. Enquanto descansava da caminhada, assisti a uma conversa, mediada por Sofia Cavedon, tendo como convidados Luciano Alabarse, Juremir Machado e Zoravia Bettiol. Acessar aqui, para ler o que cada um deles falou sobre livro, cultura etc. Na mesma hora em que a Lígia autografou seu livro, a ministra Maria do Rosário lançava o opúsculo Resgate da memória da verdade: um direito histórico, um dever do Brasil. Às 22 horas, deixamos a capital, de retorno para Santiago.  

domingo, 13 de novembro de 2011

APENAS IMAGENS

Às 3:45 h., vindo de Porto Alegre, passei pelo local do acidente que vitimou meu amigo Chicão, deputado estadual que ajudei a eleger na última eleição. Mesmo que o micro-ônibus diminuísse a marcha, quase parando, não pude identificar o homem que estava deitada no asfalto,  sem camisa, cercado pelos primeiros socorristas. Uma das colegas da Erilaine pediu às demais que não olhassem para fora. Seguimos viagem para Santiago, sem saber quem havia se acidentado. Apenas imagens. As árvores mais finas vergadas à beira do asfalto, o automóvel queimado... Ainda encontramos uma viatura policial se dirigindo para lá. No sentido de Jaguari a Santiago, passando a entrada para o Buriti, numa reta, sem inclinação alguma... Mais uma vida se vai antes do tempo. O choro é inevitável.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O ORGULHO DE BORGES

Numa cidade com poucos leitores, a escrita é um ato de ousadia, de sorte. O texto se configura uma ponte lançada sobre o improvável. Para se constituir num evento linguístico, ele necessita de quem o tenha na mão, que o leia e o compreenda como tal. A esse receptor fortuito, indispensável no processo sociocomunicativo, atribui-se a coautoria do texto que lê.
Ao desenvolver a necessidade de levar adiante a enunciação, que Bakhtin qualificou de atitude responsiva ativa, o leitor se nobilita, ao produzir algum gênero textual de sua escolha, uma vez que assim o exige a condição de sujeito.
O papel do leitor é exaltado por Jorge Luis Borges com o exemplo pessoal: “Que otros se jacten de las páginas que han escrito, a mi me enorgullecen las que he leído”.
Uma vida de leitura – iniciada há trinta e muitos anos na biblioteca do Colégio Polivalente – também me faculta o sentimento acima expresso pelo escritor genial. Orgulho aliviado do fardo pejorativo como o define o senso comum, diga-se de passagem.
Meu próximo livro é o resultado de leituras que realizei desde os pré-socráticos aos pensadores vivos de nosso tempo. A primeira parte revela a influência de alguns filósofos, em especial F. Nietzsche. Na segunda parte, sobressaem-se as reflexões de cunho sociológico. Nas demais, escrevo sobre meio ambiente, psicologia, educação, trânsito, política, astronomia, religião, lingüística, poesia etc. Algumas crônicas mesclam os assuntos e tornam mais leve o gênero argumentativo.
Numa cidade com poucos leitores, repito, a escrita é um ato de ousadia, de sorte, principalmente na textualização de ideias (que brincam com o fogo das palavras). 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O VERÃO VEM VINDO

O calor que faz nesta segunda-feira é uma pequena amostra do que será o verão (muito próximo), do calvário que terei de passar em silêncio, sem reclamar, para não ser equivocadamente admoestado como hedonista. Por que o equívoco? Em primeiro lugar, prefiro 0ºC a 40ºC, não reclamando do frio no inverno. Em segundo lugar, o calor me causa pequenos problemas de saúde, como pressão baixa, inchaço nos pés, perda de sono (pelo desconforto). Hedonistas são os outros, que reclamavam do inverno e, certamente, reclamarão do verão a partir de hoje.   

domingo, 6 de novembro de 2011

CAIS DA CINTURA

Dorme em minha reza
até minha voz desaparecer
em tua respiração.
Dorme que ainda não sou real.
Não te mantenho acordada.


Vivo das palavras
que não me recordo inteiras.
Recolho o vazio das garrafas,
artefando asas
com os restos de mel e cevada.


Permanece imóvel
enquanto parto.
Os arames do ar,
sem o disparo de tua boca.


A água se arredonda como pedra,
mas não há limo
para mantê-la de pé.
A água poderia ser figo
se não tivesse tanta pressa.


Prendo o ritmo
no tambor da seiva.
Não coincidimos 
nos olhos.


Almavas o corredor.
O perfil de cisne,
a pluma dos gestos
e as tâmaras.
Tua elegância me isolava.


Na trégua do temporal,
o assoalho de vozes.
A vida é uma trégua
ou o fim dela?


Dorme, como quem joga
cabra-cega com meus mortos.
Dorme, até tua solidão
adubar a minha.


As solas do sol
pisavam os olhos.


Reconheci a antiguidade do teu rosto
pela fumaça apressada do prado -
ela encorpava,
ardilosa,
uma cobra que endurece
o couro
na estocada da faca.


Como as vinhas,
vou engolindo as sobras,
carregando as uvas ressequidas.


Deixo a esponja do pulso
no balde dos invernos
com as honrarias
de uma bússola.


Minhas córneas bovinas
param a estrada.

(Do livro As solas do sol, de Carpinejar)

sábado, 5 de novembro de 2011

CARPINEJAR

A princípio, li Carpinejar, porque era filho de Nejar (o maior poeta vivo da língua portuguesa). Gostei tanto de lê-lo, que ele cresceu, amadureceu, ficou independente. Hoje o leio, porque é Carpinejar.  
Não vejo a hora de encontrá-lo na Feira do Livro de Santiago. Ele terá que me autografar sete de seus livros: Um terno de pássaros ao sul; Caixa de sapatos; Biografia de uma árvore; Cinco marias; Livro de visitas/ Como no céu; As solas do sol; e Canalha!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CONSCIÊNCIA VERSUS INSTINTO

Nossa espécie atingiu o número de 7 bilhões de indivíduos. Esse dado exige uma reflexão séria, independente do sensacionalismo midiático (que se apoia, via de regra, em opiniões alarmistas). Inicialmente, a espécie humana é a única que sabe o número de indivíduos de que se constitui no tempo e no espaço. O privilégio da (auto)consciência, resultado da evolução natural dos últimos milhões de anos, eleva-nos às alturas, inclusive ao sonho metafísico. A realidade, isto é, a condição animal, está constantemente nos puxando para baixo. A despeito do desejo de nos parecermos divinos, jamais nos desvencilhamos dos instintos comuns aos outros seres pertencentes ao Reino Animalia. O mais poderoso desses instintos é o da reprodução, da sobrevivência genética. A consciência já consegue interferir em alguns lugares da Terra, no sentido de controlar o crescimento da população. Em certos países europeus, o número de nascimentos já é inferior ao de mortes. Uma projeção, até certo ponto tranquilizadora, permite-nos vislumbrar que, até o final deste século, a humanidade se estabiliza no topo da parábola desenhada por sua trajetória. O arco descendente, todavia, representará um dos grandes desafios para os pensadores, cientistas  e políticos do futuro. Os problemas com o crescimento populacional desordenado, que caracterizam nosso tempo, são incomparavelmente menores em relação aos problemas com o decréscimo populacional também desordenado que ocorrerá nos próximos séculos. O risco de sobrevivência é mais factível, mais iminente. Essa capacidade consciente de antever, de projetar, de pensar o futuro, deve ser considerada na resolução dos problemas atuais. Um deles consiste em diminuir os efeitos que 7 bilhões de humanos causam ao meio ambiente, não apenas precipitando os riscos à própria sobrevivência, mas também à preservação de outros espécies. A transcendência especista é uma das prerrogativas da consciência mais evoluída.