terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DIÁLOGO COM JÚLIO PRATES

Todo indivíduo é, a princípio, seu discurso. Em seguida, acrescenta-se-lhe o discurso do outro. Graças às relações discursivas, nasce a cultura (que é, a princípio, de natureza verbal).
Feita essa introdução, aceito o diálogo proposto (indiretamente) pelo Júlio Prates, a partir de sua postagem “Os livros e os sonhos em Santiago”. Para começo de conversa, não é minha intenção replicá-lo, absolutamente. Confesso que sua opinião não vem de encontro ao que penso verdadeiramente, senão à opinião que ousei expressar de forma sucinta em meu blog. (Os gregos distinguiam "doxa" de "aletheia", "opinião" de "verdade".) Outras vezes, quando livros foram lançados na Terra dos Poetas, fiz apologia a seus autores, exortando-os que continuassem com o nobre ideal da produção literária. Sempre me coloquei à disposição para revisão ortográfica, fazendo-a sem nada cobrar inclusive. Não apenas simples correções gramaticais, mas pareceres sinceros quanto à construção formal e conteudística. Coerente com essa posição, em nenhum momento me deixei levar pela vaidade, pelo pedantismo afetado. Disso tenho certeza.
Diante da crescente vulgarização da poesia, mormente, tomei uma posição contrária ao senso comum. Noutras questões, meu interlocutor (indireto) já ocupou essa mesma posição com o arrazoado que lhe é peculiar. Para não pecar pela vaguidade, pergunto qual seria sua atitude diante de novos “sociólogos” que passassem a fazer críticas às suas análises, sem qualquer fundamentação teórica. Pior: eles decidissem, de uma hora para outra, lançar livros cheios de incorreções. Certamente, Prates não ficaria sobre o muro da indiferença. Ou tomaria a posição de apoio, como a que se evidencia em sua postagem; ou detonaria (verbo que caracteriza o discurso pratesiano) com os novos Marxs, Durkeins e Webers.
Na Terra dos Poetas, sabidamente, não se desenvolveu a Sociologia, campo do conhecimento em o Prates tem raras companhias. A mesma coisa não se pode dizer da Literatura, arte milenar que não pode servir a neófitos umbiguistas, pouco preocupados em evoluir (como se percebe naqueles que reincidem no equívoco de pensar que são escritores, publicando mais de um livro).
Já tomei as três posições possíveis: ficar sobre o muro (entre o elogio e a crítica “construtiva”); apoiar direta ou indiretamente; e, por último, desclassificar (ainda de uma forma vaga, sem citar nomes). Não descobri o que é mais prejucial para as personalidades suscetíveis: o elogio ou a desaprovação. Não posso tomar meu caso pessoal como referência, mas foram as críticas demolidoras também responsáveis por minha evolução efetiva. A pergunta de alguém que desejava lançar um livro de poesia crioula, colocando em dúvida meu conhecimento da língua portuguesa, foi decisiva para que eu resolvesse cursar Letras. Os apontamentos pouco elogiosos que o Oracy fazia aos meus poemas na década de oitenta me levaram a ler e a escrever mais e mais. A propósito, ouço e leio que o Oracy é um mestre, mas quem diz e escreve isso não o procura para aprender sobre a arte de seu domínio inconteste. 
Para encerrar, espero ter contribuído satisfatoriamente para o debate, para a interlocução proposta pela postagem do Júlio Prates. 

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