terça-feira, 15 de setembro de 2009

SACOLA PLÁSTICA

Ontem, fui ao mercado da Rede Vivo da Neri G. Peixoto. Na hora de passar no caixa, pedi ao rapaz que colocasse minhas compras numa sacola retornável, aquela de alça que foi responsável por todo um marketing ecológico da Rede. Na época desse marketing, empurravam a dita sacola para os clientes, que retornavam às compras sem ela. A resposta que me deram é que deveria comprar a sacola retornável. Fui obrigado a rir, com a vaga lembrança de ter lido em alguma parte que a opção que fiz me daria um desconto de centavos. Pelo contrário: teria de pagar pela sacola (no momento, muito apropriada para levar o arroz, o leite, a cebola, o tomate, batata, queijo e quejandos para casa). Lá fui com uma dezena de sacolas plásticas. O puxa-saco já não comporta mais, obedecendo à lei da física: para cada sacola forçada a entrar na parte de cima, uma escapa por baixo (quando não arriam duas, três ou quatro). Ao cruzar por várias bocas-de-lobo (com hífen, mesmo que o VOLP tenha normatizado que não), uma ideia me ocorreu, digna de contraponto. Qual é o problema das sacolas plásticas? Dizem os ecologistas (que também sujam o ambiente natural) que elas são antiecológicas, seja porque demoram a ser desintegradas, seja porque entopem as bocas-de-lobo, fazendo com que as águas não escoem com maior rapidez. Pois bem, em que estado se encontra a líquida substância, ao transitar pelas fétidas bocas-de-lobo? Limpa ou putrefata? Em Santiago, como de resto em todas as cidades deste Brasil grande e relaxado, o esgoto leva o carimbo indesejável de "não-tratado", tanto o que corre pelas tubulações subterrâneas, quanto o que desce pelas sarjetas, a céu aberto. A interferência dos plásticos (sacolas, garrafas e o escambau), em relação ao fluxo das águas, diz respeito apenas ao retardo desse fluxo e consequente aumento de seu nível. As bocas-de-lobo são parcial ou inteiramente obstruídas, fazendo com que ocorra um fenômeno inverso, qual seja, do esgoto retornar para dentro das casas, lugares de onde ele foi gerado. Isso é muito comum quando chove, independentemente do índice pluviométrico. O mal das sacolas plásticas é de má consciência, denunciadora de um preconceito especista, pouco preocupado com as outras formas de vida, dependentes, como os próprios humanos, da água limpa, substância pura, vital para a sobrevivência. Dos elementos poluidores, certamente, a sacola plástica é das menos nociva. Seu uso massivo evita que o lixo que produzimos todos os dias se perca antes de ser recolhido, acondicionado precariamente. Depois desse contraponto peripatético, cheguei em casa, guardei minhas comprar na geladeira e no armário, dobrei as sacolas e as enfiei no puxa-saco. A despeito de ser pequeno o volume de lixo produzido aqui em casa, uma sacola é destinada para o orgânico, outra para os papéis e plásticos em geral e uma terceira para vidros e latas.

2 comentários:

A. Reiffer disse...

Primeiramente, parabenizo-te por tua consciência ecológica. Também não sou contra o uso de sacolas plásticas, desde que seu uso seja feito com consciência. Ou seja, elas devem ser recicladas, e pra isso não devem ser misturadas com o lixo orgênico e muito menos jogadas nas ruas ou na natureza. Mas permita-me discordar das consequências do mau uso das sacolas. Não é só o fato de entupir as bocas de lobo, o problema é que elas vão para os rios, dos rios para os mares e, como não são biodegradáveis, acabam, como todo plástico, flutuando nas superfícies das águas, não inteiras, mas em pequenos pedaços. Aí está o grande perigo. Os animais aquáticos confundem o plástico com alimento e o ingerem. Obviamente, esse plástico vai se acumulando nos organismos dos animais, prejudicando-os enormemente, causando intoxicações, perfurações de órgãos, deformações, câncer e esterilidade. Existe nos oceanos Pacífico e Atlântico gigantescas áreas cobertas de detritos plásticos. Tal poluição é responsável pela redução drástica do número de animais aquáticos dessas áreas. Isso sem falar que essa "cobertura" de plástico impede parcialmente a passagem da luz solar, prejudicando ainda mais a vida nos mares.

Anônimo disse...

se não aproveitar a sacola do supermercado para o lixo, vamos ter que comprar sacos de lixo, o que dá no mesmo..... Isso me parece mais interesse dos comerciantes querendo economizar não forncendo sacolas e tbm daquele de vendem os sacos de lixo.
Preocupação com o meio ambiente, nem pensam nisso, pensam só nos lucros....