sexta-feira, 31 de julho de 2009

A PESTE

A gripe A é o assunto do momento. A repercussão se alastra tanto quanto o vírus. Como contraponto do discurso otimista das autoridades panglossistas, essa pandemia começa a assombrar aqui embaixo. Todo esse alarde me fez lembrar de um romance extraordinário de Albert Camus: A peste. O livro conta a história de trabalhadores que descobrem a solidariedade em meio à peste bubônica que assola uma cidade da Argélia. Não digo que essa gripe A chegue a tanto, mas é certo que renderá alguma crônica, algum conto. A realidade é contexto para a Literatura (e vice-versa).

GRIPE CAVALAR

Desde o dia 15 (conforme postagem neste blog), venho resistindo a uma gripe chata, com tosse e alguns espirros. Já estava quase bom, pensando em ir ao Rincão dos Machado amanhã, mas a (mal)dita recrudesceu nessa manhã. Saí para ir ao HGuS por volta das 14 horas, mas desisti no meio do caminho. Comprei Cimegripe numa farmácia, vindo para casa em seguida. Muitos espirros, água dos olhos e um pouquinho de febre. Agora, às 17:20 horas, encontro-me com meio grau acima do normal (apensar do remédio). A única dor que sento tossir ou ao espirrar forte é entre o esterno e a boca do estômago. Por enquanto, ficarei de molho, me auto-observando. "Suína" que nada, a minha gripe é cavalar.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

TOCAIA

um cão está
à espreita
atrás
daquela grade
por onde passo
tenso
a todo
fim de tarde

ele me avança
e late
e late
extremamente
feroz atrás
da grade
por onde
passo rente

a salvo
da dentada
me apanha
seu latido
direto
e contundente
na polpa
do meu ouvido

terça-feira, 28 de julho de 2009

NOVO LIVRO

Hoje concluí a sequência dos poemas do meu próximo livro. Agrupados em 6 capítulos (nomes ainda por definir), já somam 104. Até ser publicado (não há data prevista para tal acontecer), certamente, incluirei outros poemas. Entre os títulos provisórios, Espigas de luz, Apenas palavras, A hora do fogo, Olhos de madrugada... Uma coisa é certíssima: jamais colocarei um verbo no título. Além dessa escolha, devo pensar na capa (o que não será difícil após o curso de CorelDraw). Evoluí um pouco mais desde Ponteiros de palavra, conseguindo uma maior aproximação da metáfora nejariana (como no poema abaixo). Nejar sempre será minha referência. Não tenho pressa para a publicação do meu livro. O Parnasso me espera. Sinto já a aragem de suas fontes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ADAGA

a tarde
me atravessa
como longa adaga
de uma liga
imaterial
.
e pressaga

DISTANTE

deus não morreu
porque
inexistente
ou eterno
.
se inexistente
como tal
foi reconhecido
.
se eterno
distanciou-se
certamente
.
para criar
outro(s)
mundo(s)

domingo, 26 de julho de 2009

NOVA CONTADORA



ANDRIELI DE OLIVEIRA CARDOSO, minha sobrinha e afilhada, formou-se em Ciências Contábeis pela URI. A colação de grau ocorreu na sexta-feira, 24, e o baile, ontem, 25. Os eventos geminados, organizados pela Ensaio, de Santa Maria, tiveram como cenário o GSSGS. O frio intenso não foi obstáculo para a realização dessa formatura. Tampouco a gripe A. Andrieli, à semelhança de todo formando, vence uma etapa significativa de sua vida - a do aprimoramento intelectual em nível superior -, indispensável para uma carreira profissional com maior probabilidade de sucesso. Agora, ela se prepara para ser avaliada no Instituto Federal Farroupilha em São Vicente do Sul. Com desenvoltura, conhecimento e simpatia que a caracterizam, conseguirá ser aprovada pela banca (como o foi com um 10 na monografia de encerramento do curso de graduação).

sábado, 25 de julho de 2009

NUVEM INEXISTENTE

O céu dessa tarde estava completamente azul, mas algo teimava em projetar uma sombra em minhas percepções interiores. Inexplicavelmente, algo não-azul.

CULTURA

O caderno Cultura do Zero Hora está excelente. Manchete de capa: Argentinos em Porto Alegre. Trata-se dos escritores Ariel Schettini, Martín Kohan e Juan José Sebreli, convidados para o 4º Festival de Inverno. Schettini, doutor em Literatura, fará uma palestra sobre o anti-Borges: Manoel Puig, com um foco na correspondência familiar de Puig, "como chave de leitura para uma obra que mescla o mundo das telas de Hollywood e o da esquina de casa". Kohan, crítico literário, oferecerá um curso sobre Jorge Luis Borges. Sebreli, um dos maiores sociólogos argentinos, questionará os principais mitos de seu país: Gardel, Evita, Che e Maradona. O caderno publica uma entrevista com Sebreli, em que fala (mal) dessas celebridades midiáticas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

NÃO TENHO RAZÃO?

RECEBI O E-MAIL ABAIXO:
"Só faltava esta! Além de violar a Constituição do seu país, o elemento é ligado ao narcotráfico. Não é de se duvidar. Quem está com Chavez e as FARC, só pode ser traficante de drogas.
E a imprensa mundial, composta na sua maioria por esquerdistas ou corruptos, desinforma a população ao não descrever o que realmente está acontecendo em Honduras.
A autoridade máxima da OEA, que condena a deposição do candidato a ditador em Honduras, é a mesma que defende o retorno de Cuba a OEA. É muita canalhice desta "otoridade"
UnoAmérica adverte EUA e Arias: Zelaya pode estar ligado ao narcotráfico
Alejandro Peña Esclusa 23 Julho 2009
Internacional - América Latina
Os vínculos de Chávez com o narcotráfico colombiano estão plenamente comprovados e foram ratificados nos correios eletrônicos que aparecem nos computadores do segundo homem das FARC, Raúl Reyes. Quando Reyes foi abatido, Chávez fez um minuto de silêncio em honra de sua memória. Chávez disse publicamente que todos os dias consome pasta de coca que Evo Morales lhe envia.
Bogotá, 19 de julho - A União de Organizações Democráticas da América,
UnoAmérica, emitiu hoje um comunicado advertindo ao governo dos Estados Unidos, ao embaixador norte-americano em Honduras, Hugo Llorens e ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, de que sua insistência no regresso de Zelaya ao poder poderia favorecer os interesses do narcotráfico na região. Segundo UnoAmérica, Zelaya não somente tentou dar um golpe à Constituição, pelo qual foi deposto legitimamente, senão que durante sua gestão Honduras estava se convertendo em um narco-Estado. "Não é por acaso que Zelaya tenha auspiciado o avanço do narcotráfico, porque todos os demais integrantes da ALBA também o fizeram", afirma o comunicado da UnoAmérica.
Na nota enviada hoje à mídia, UnoAmérica faz a seguinte recapitulação:
Apenas ontem se deu a conhecer um vídeo onde as FARC asseguram ter financiado a campanha eleitoral de Rafael Correa. Como é sabido, as FARC são, além de um grupo terrorista, o maior e mais poderoso cartel de cocaína da América Latina.
No passado 16 de julho transcendeu que um informe do Congresso dos Estados Unidos assinala "uma forte penetração do narcotráfico na Venezuela, com um aumento muito significativo do volume de exportações de drogas e da cumplicidade no negócio de importantes funcionários civis e militares do regime, que colaboram e protegem a guerrilha e organizações criminosas colombianas". A reportagem, que será dada a conhecer no final deste mês, descreve o nascimento de um "narco-Estado" na Venezuela.
Os vínculos de Chávez com o narcotráfico colombiano estão plenamente comprovados e foram ratificados nos correios eletrônicos que aparecem nos computadores do segundo homem das FARC, Raúl Reyes. Quando Reyes foi abatido, Chávez fez um minuto de silêncio em honra de sua memória. Chávez disse publicamente que todos os dias consome pasta de coca que Evo Morales lhe envia.
Quanto a Daniel Ortega, em 1999 condecorou o chefe máximo das FARC, Manuel Marulanda, cognome Tirofijo, com a ordem "Sandino", a distinção máxima do FSLN. Ortega chamava Tirofijo de seu "querido irmão", por isso rendeu homenagem póstuma a esse chefe guerrilheiro quando se inteirou de sua morte.
Com relação ao terceiro integrante da ALBA, Evo Morales, ele é nada menos que o líder dos cocaleros bolivianos. Durante seu governo a produção de coca na Bolívia aumentou consideravelmente. Líderes opositores bolivianos assinalam que o governo executou o massacre de Pando para justificar o controle absoluto dessa região, e desta maneira facilitar as atividades do narcotráfico nessa zona selvática. Atualmente Evo Morales está propiciando a migração de milhares de cocaleros do Chapare para o estado de Pando.
O nome do quarto integrante da ALBA, Mel Zelaya, ainda não foi identificado nos computadores de Raúl Reyes, porém duas das organizações que o apóiam aparecem sim: a Federação Unitária dos Trabalhadores (FUT) e o Partido da Unificação Democrática, ambas assinaladas no correio datado de 11 de março de 2005. Além disso, durante a gestão de Zelaya o narcotráfico incrementou notavelmente suas atividades em Honduras, usando principalmente avionetas (monomotor) com matrículas venezuelanas.
UnoAmérica finaliza seu comunicado pedindo a Obama, a Hugo Llorens e a Oscar Arias "suma prudência", e lhes recomenda empreender uma investigação séria sobre o conteúdo dos computadores de Reyes, antes de continuar opinando sobre a crise de Honduras. A não ser que com sua atitude estejam favorecendo - sem o propor - os interesses das máfias do narcotráfico na América Central."

* Presidente de
UnoAmérica
Tradução: Graça Salgueiro

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O VIGIA


o vento
- vágil vigia -
faz ronda
de madrugada
farfalha
zune
assovia
sobre a cidade
molhada
.
Para amanhecer ontem, ouvi o vento que "vinha ventando pelas cortinas de tule".

quarta-feira, 22 de julho de 2009

FORA DAQUI (AINDA BEM!)


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 22 DE JULHO DE 2009

Grande objeto atinge o maior dos planetas

Passadena — Astrônomos disseram, ontem, que Júpiter foi atingido por um objeto celeste muito grande, possivelmente um cometa. Imagens feitas na segunda-feira pela Nasa mostram uma mancha branca, no polo Sul da atmosfera do maior planeta do Sistema Solar. As imagens foram feitas por um telescópio da Nasa em Mauna Kea, no estado norte-americano do Havaí, após dica de um observador amador. Elas foram divulgadas no ano em que o primeiro impacto contra Júpiter, o do cometa Schoemaker-Levy 9, completa 15 anos.
.
A mancha que aparece no planeta gasoso é aproximadamente do tamanho da Terra (mil vezes menor que Júpiter).

HISTÓRIA MALCONTADA

A história do assassino Joseph Minardi, vulgarmente chamado de Russo, vem sendo incorretamente escrita. Não apenas em relação aos dados factuais, mas também à interpretação. Em seu livro Um Pouco da História de Santiago, Guirahy Pozo registra sobre o crime: “Lá pelo começo da década de 1930” (o que não está errado). O Oracy Dornelles, em seu Páginas Impossíveis, precisa que o fato ocorreu em 1930. Em sua coluna no A Folha, o jovem articulista Fábio Monteiro generaliza: “Por volta do ano de 1932”. Sobre os três criminosos, Guirahy informa que eram dois poloneses e um russo; Oracy diverge que eram dois alemães e um russo; e Monteiro, que eram dois poloneses e um italiano (em seguida, no mesmo artigo, escreve que dois eram alemães). Afinal, quais as nacionalidades dos três bandidos? Outro equívoco: quem matou o Russo foi Leopoldino Soares Paiva, não Leopoldino Soares de Paula. Dica Soares era neto do meu tataravô, Sátiro Soares Chaves. Ele não matou o Russo de emboscada. Depois de se encontrarem numa estrada da Vila Branca, Dica resolveu fazer o que fez, torcendo as rédeas de seu cavalo para alcançar o fugitivo e dar-lhe voz de prisão. Segundo Severo Flores Machado, "o Russo sem dizer nada, virou-se com um revólver em cada mão e alvejou Dica Soares, errando o alvo". Este, por sua vez, desferir-lhe um tiro certeiro. Assim contava o carreteiro (então com 18 anos) que carregou o morto, enquanto meu parente vinha à cidade para chamar a polícia. Nenhum equívoco é mais grave, todavia, que o de inocentar o Russo pelo latrocínio cometido contra Domingos Terra e seu filho. Não apenas isentá-lo de culpa, como transformá-lo em milagroso. À exceção de Paulo de Tarso, que ajudou a apedrejar Estêvão, antes de se converter, não há santo que tenha sido assassino na história cristã. Se houve milagres, por que não declinam quais foram eles. Um despautério dizer que Santiago já tem seu “santo popular”.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

TEORIA CONSPIRATÓRIA

Uma das teorias conspiratórias diz que o homem não foi à Lua. Eis um contraponto instigante, que vai de encontro à unanimidade, em cujas fileiras me alinho. Dessa forma, incorro no tipo de burrice que postei abaixo? Sim, ninguém é suficientemente sábio para sempre constituir a exceção.

CONTRAPONTO

Este blog faz o contraponto. Uma das razões é que toda unanimidade é ideologicamente burra, s.m.j. Transcrevo abaixo o artigo de Percival Puggina, publicado ontem no Zero Hora.
Bananada em Honduras
por Percival Puggina*

O que aconteceu em Honduras ao longo das últimas semanas tem nada de novo. Crises institucionais nas nações ibero-americanas seguem roteiro seboso, redigido em pergaminho. Contabilizam mortos, feridos e constituições inservíveis. Por quê? Com mínimas diferenças, nossos países adotam um sistema anacrônico em que o presidente comanda o Estado, o governo, a administração e 20% do PIB. É poder e grana demais para que os filhos de Adão não se atraquem – eis por quê. Quem senta na cadeira presidencial mete a faixa no peito e trata de passar o cadeado.
Nossos generais tinham cinco anos e Geisel aumentou para seis. Sarney herdou esses seis anos. A Constituinte ia cortar para quatro, mas no balcão do toma lá dá cá fechou por cinco. A revisão de 1993 retornou aos quatro. Fernando Henrique conseguiu a emenda da reeleição para fazer oito. Lula era contra, mas gostou e foi buscar os seus. Agora, no Congresso, tramita projeto que lhe permite voltar às urnas. Da janela para fora, ele discursa em favor das pretensões continuístas de seus companheiros e vizinhos do Foro de São Paulo. Quando se vira para dentro de casa, muda o tom e alega que isso não fica bem. Chávez alterou a constituição para assegurar-se um número ilimitado de reeleições. Rafael Correa, idem. Evo Morales já tentou mudar a regra boliviana. Não levou, mas continua querendo. Kirchner, impedido, passou a faixa para a patroa. E as questões mais verticais do Estado argentino são tratadas na horizontal. Até o colombiano Álvaro Uribe foi picado pela mosca azul.
Honduras? O constituinte hondurenho, escaldado, fechou essa porta. Criou uma norma estabelecendo que quem foi presidente “nunca poderá candidatar-se a novo mandato”. Achou pouco. Foi na jugular do continuísmo e estampou no artigo 239 da Carta que quem “quebrar esse preceito ou propuser sua reforma, bem como aqueles que o apoiem direta ou indiretamente, cessarão de imediato no desempenho dos respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para exercício de toda função pública”. E quem incorreu nisso? O próprio presidente Mel Zelaya. Enforcou-se com a corda constitucional. Não satisfeito, fez mais. Inspirado por Chávez, convocou plebiscito para reformar a Constituição (coisa que só o Parlamento poderia fazer). E quando a Suprema Corte lhe mostrou a Carta hondurenha, subiu no palanque e chutou o balde: – “Nós não vamos obedecer ao Supremo Tribunal!”. Mandou vir urnas e cédulas daquele perito em plebiscitos viciados, o companheiro Chávez. Destituiu o chefe do Estado Maior que lhe recusava as tropas para realizar a votação. E acordou preso, o golpista. Mas sua deposição, com apoio dos outros dois poderes também não foi um golpe? Sei lá! Desate esse embrulho quem souber. Mas assim como a democracia exige a existência de democratas, o Estado de Direito exige o respeito às leis. Que fazer quando o presidente não as cumpre?
O que a mim importa é que entre golpes e contragolpes ainda se sovam bananadas neste pobre continente e que 200 anos não bastaram para nos levar a um sistema que os evite. Então, eles persistem em toda parte, ora contra o Estado Democrático (busca não republicana de sucessivas reeleições), ora contra o Estado de Direito (atropelos aos ordenamentos constitucionais).Existem sistemas que ajudam a resolver crises. Nós nos embananamos num que as excita. O hondurenho golpista deposto é o 15º presidente que, nos últimos 16 anos, em pleno período de “redemocratização” continental, não conclui seu mandato.
Existem sistemas que ajudam a resolver crises. Nós nos embananamos num que as excita.
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Em azul, a mais pura verdade, encoberta por aqueles que defendem a democracia modelo Hugo Chaves. O que é mais importante para uma nação: sua Constituição ou seu presidente? Honduras responde. Os Estados Unidos já responderam várias vezes.

ANO INESQUECÍVEL

Para mim, o ano de 1969 é inesquecível por três grandes motivos: o pai comprou um rádio (daqueles grandes que há no Museu das Comunicações da URI); passei a torcer pelo Grêmio (ouvindo o rádio); e acompanhei a ida do homem à Lua (uma aventura quase inacreditável para um menino de dez anos).

domingo, 19 de julho de 2009

AS PRAGAS


A vizinha da frente me disse Uma antiga moradora da casa se suicidou. O que aconteceu? Estresse, depressão. O marido viajava. Por favor, não fale desse suicídio para minha mulher. Ela é muito sugestiva, acredita nos espíritos. A senhora entende?
Na primeira chuva forte, a correnteza da sarjeta transborda e vem para dentro da garagem. Não há rodo que impeça a enxurrada. Por baixo da porta, a água suja entra na sala. Em seguida, aparecem manchas de umidade no teto. Goteira aqui e ali. Bacias e baldes. Calha entupida com folhas secas. A mulher grita comigo Há uma piscina em cima da gente. Droga de cidade. A culpa é tua, escolhendo este rancho pra alugar. Com a estiagem, subo no telhado, cheio de medo.
No outro dia, as formigas invadem a cozinha e a despensa. Saio em defesa dos bichinhos. São inofensivas. Andam atrás de açúcar, mel, algum doce. A mulher gasta inseticida até não mais haver pressão no frasco. Respirando o veneno, tosse, tosse, briga mais uma vez.
O bife do almoço estava muito salgado. Meia hora depois bate a sede. Abro a gaveta dos talheres e a visão é nojenta: uma barata enorme passeia de um lado para outro. Arranco a gaveta do balcão e a entorno sobre a pia: garfo, faca, colher, abridor, martelo de carne, um monte. A menina berra do banheiro: um exército subia pelo ralo. Outra frente se forma a partir de uma fresta da porta. O guarda-louça é tomado de assalto pelas invasoras. Não há mais veneno. A mulher se exaspera. Contra a cidade, contra mim. A única saída é enfrentar os ortópteros. Com violência e sangue-frio, passo a esmagá-los. Uma meleca total. A lei diz que sobrevive o mais forte. Que seja eu.
Vencida a batalha contra as baratas, durmo três horas. Levanto e saio. A calçada cedeu. O buraco é grande. Armadilha para pedestre. O máximo que consigo providenciar é uma tábua para a passagem improvisada. Coisa feia. Necessário um caminhão de terra. Na volta do trabalho, encontro a mulher irada. O que é aquilo? Dentro de casa, o piso afunda nos dois quartos. De repente, podemos ser engolidos pelo chão.
No quinto dia, os rodapés podres cedem aos roedores. Os aposentos amanhecem cheios de buracos. Vou à veterinária comprar raticida. Seis pacotinhos. Cheiro ruim. Logo após o jantar, quase dormindo na frente da televisão, ouço gritarem Um rato! Na sala, o desgraçado some. Sonolento, viro o sofá de ponta cabeça. O bicho foge para o corredor. Do corredor para Para onde? A ideia da mulher é boa: isolar as portas de acesso a cada aposento. Quadro, caixa, tabuleiro de xadrez, qualquer coisa quadrada serve para reduzir o terreno invadido pelo inimigo. Movo o pesado guarda-louça com dificuldade. A mulher sobe numa cadeira. Olha, ali! Precisa gritar? O grito é meu, grito! O rato escapa do cerco, vai para um dos quartos. Apanho um cabo de vassoura. Deitado no carpete, vasculho debaixo da cama. O roedor tenta escapar como um raio. Estou ligado. Desfiro um golpe intuitivo, certeiro. O sangue esguicha do focinho. A mulher tem náusea ao ver o rato morto.
Algo vai mal. Minhas leituras são interrompidas com frequência. Não sei eleger o pior entre o roc-roc nos rodapés ou os impropérios da mulher. A saída é arrancar as madeiras carcomidas e preencher os vãos do piso (que cedera) com uma massa rica em cimento.
Quanto à mulher, não há dúvida: conduzo-a ao hospital com pressão alta. Diagnóstico: estresse, taquicardia.

ZELAYA GOLPISTA


O imbróglio político criado em Honduras (pela deposição de seu presidente) gerou, no Brasil, um protesto apaixonado contra o que consideram uma ameaça à democracia. Em Santiago, vozes se elevaram em defesa de Manuel Zelaya, transformando-o em vítima de um golpe execrável.

Como cidadão, também usufruo do direito de expressão,mas me contive ate hoje (impressionado com o discurso dos pseudo-democratas).

Lendo o artigo de Percival Puggina, Bananada em Honduras, publicado no Zero Hora deste domingo, encontro argumento para perguntar o que fez Zelaya. Ele pretendia modificar umas das melhores constituições da América para continuar no poder.

A Magna Carta hondurenha estabelece que "quem foi presidente nunca poderá candidatar-se a novo mandato". Seu artigo 239 assegura que "quem quebrar esse preceito ou propuser sua reforma, bem como aqueles que o apoiem direta ou indiretamente, cessarão de imediato no desempenho dos respectivos cargos". Zelaya fez isso, ao convocar um plebiscito para mudar a norma constitucional (num surto chavista). Quando a Suprema Corte lhe mostrou a Carta, escreve Puggina, "subiu no palanque e chutou o balde", gritando que não obedecia ao Supremo Tribunal. Ato contínuo, "destituiu o chefe do Estado Maior que lhe recusava as tropas para realizar a votação".

Zelaya foi o golpista, o provocador do golpe dados pelos outros poderes ao destituí-lo.

Por que os defensores da democracia não discursam por esse viés, ao invés de explorarem o fato de seus ouvintes/ leitores ignorarem as razões que motivaram a crise em Honduras?

sábado, 18 de julho de 2009

MANIA, MAGIA E MARCUSCHI



Não perdi a mania de fotografar igrejas. Isso não denuncia uma religiosidade inconsciente, negada pela razão. Salvo algumas exceções, penso que a igreja matriz é o que melhor identifica as cidades interioranas. No Paraná, fotografei as igrejas de Colombo, Paranaguá, Matinhos, São José dos Pinhais, Palmeira, Lapa, União da Vitória, Palmas, Francisco Beltrão, Cascavel, Fos do Iguaçu, Guaíra, Maringá (cuja torre tem mais de cem metros de altura), Guarapuava, Rio Negro, Curitiba... Em Santa Catarina: Joinville (parecida com a de Santiago), Blumenau, Florianópolis, Camboriú, Tubarão, Crisciúma, Lages, Porto União, Itapoá, Canoinhas, Mafra... Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Corumbá, Aquidauana, Miranda, Forte Coimbra, Coxim... Outros lugares: Petrópolis, Poços de Caldas, Artigas... Quase cem fotos de igrejas. Na segunda e terça passadas, estive São Luiz Gonzaga para participar da competição de tiro de fuzil. Depois do treino controlado, fui ao centro da cidade para, mais uma vez, fotografar a igreja matriz (foto acima). Mais uma vez, visitei a Magia das Letras, uma livraria digna das grandes capitais, pela variedade dos títulos. Ao cumprimentar a atendente (e proprietária, certamente), perguntei-lhe se havia livros de Filosofia, mostrou-me uma prateleira exclusiva. Numa outra parte da estante, cresceu meus olhos para os livros de Linguística, especialmente Produção textual, análise de gêneros e compreensão, de Luiz Antônio Marcuschi. Provavelmente não encontraria esse livro no grande mercado da capital. Apenas na Internet. A senhora queixou-se da pequena margem de lucro com a venda de livro, um péssimo sinal para os leitores são-luizenses.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

COLUNA DO EXPRESSO DESTA SEXTA-FEIRA

PAPO DE HOMEM - Em vista da crescente sexualização de nossa sociedade, sobressaem-se três tipos de homem: os que só pensam naquilo, não conseguindo controlar seu apetite sexual; os que, pensando naquilo, ora refreiam a própria libido, ora são arrastados por ela ao estágio anterior; e os que têm o controle sobre si mesmo. Num bate-papo informal, alguém me diz que o primeiro trai porque é de sua natureza não resistir, sem o mínimo constrangimento; o segundo trai, mas se arrepende; e o terceiro nunca trai. Tamanha é sua imperturbabilidade nesse último estágio, que uma Juliana Paes se ofereceria sem qualquer chance de provocar-lhe uma recaída. Achei interessante a classificação do meu interlocutor pela semelhança com as estruturas determinadas por Freud para o nosso aparelho psíquico: id, ego e superego. O id é equivalente a “eu quero”; o ego, a “eu quero, mas não devo” (não necessariamente nessa ordem); e o superego, a “não deve”. O ego é um joguete entre instinto e moral. Para não parecer pedante, falando tais coisas, aderi aos seus argumentos com a impossibilidade de haver traição sem envolvimento afetivo. Obviamente, essas nossas teses foram elaboradas a partir de experiências pessoais, tendência metodológica não superada pelo próprio criador da Psicanálise (Freud). O indivíduo é suscetível de evoluir de um estágio a outro da deformidade comportamental tipificada como crime (pedofilia, estupro) à sublimação, processo que desvia a energia libidinal para outro fim (arte, esporte, negócio). Os extremos acima, no entanto, não caracterizam a maioria. O homem do senso comum vive o dilema do ego, entre “pular a cerca”, revivendo o prazer de uma natureza caçadora, e ser fiel a sua mulher.

OSMOSE VITAL

o tempo
solda meus poros
a frio
,
por isso
tenho estas pálpebras
intumescidas
todas as manhãs
.
quando
pesados pés
me arrastam
para fora
.
onde a vida
é uma osmose
necessária

MESMOS PÉS

o rio
da minha infância
hei de
pisar outra vez
.
águas
e águas
me afogam
na (in)diferença
.
o eterno
retorno
a esperança
.
de hoje
me ver menino
com os mesmos pés
de ontem

quarta-feira, 15 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

ANTIFUMANTE

Ao ver uma reportagem no Jornal Nacional sobre a proibição de fumar na China, resolvi contar a minha experiência nauseante com o cigarro. Aos 14 anos, descendo a Bento Gonçalves, em direção ao Colégio Polivalente, acendi um "tufuma" que escondera no meio do caderno. Uma tragada, duas tragadas, três tragadas... O suficiente para começar a sentir uma tonturinha, uma tontura, uma ânsia de vomitar... O cigarro não havia chegado à metade, joguei-o fora... para nunca mais repetir a tentativa. Fui obrigado a me escorar num muro para não cair. Até hoje não consegui me refazer daquela maleza (a rejeição ao cigarro ficou impregnada indelevelmente nas minhas células). Dos cheiros desagradáveis, meu olfato é superdesenvolvido para captar o do cigarro em primeiro lugar. Sou a favor de uma proibição radical contra fumar em ambientes fechados. O fumante, teimoso desde início (ao experimentar uma, duas, três vezes até viciar no cigarro), torna-se insolente ao infesta o ar de um restaurante, como vi nA Gaúcha quarta-feira passada.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

ESPIGAS DE LUZ

em plena manhã
a pomba arrulha
no meio das folhas
o sol no alto
amadurece
espigas de luz

.
nas pedras caducas
da duque
me equilibro
para ouvir
a pomba
e apanhar o sol

.
Nos versos acima fui encontrar o título do meu próximo livro, que já soma mais de cem poemas: espigas de luz.
Em
ponteiros de palavra segui esse critério de escolha: à procura/ da vertente/ ou da mais/ profunda lavra/ o poeta/ cava poço/ com ponteiros/ de palavra.
Meus novos poemas, safra de 2006 em diante, são melhores, mais metafóricos. Deve ser a maior proximidade com o Parnasso.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CULTURA(S)

No sentido real, os homens passaram a fazer cultura entre dez e doze mil anos atrás. O cultivo da terra e a criação de animais foram atividades concomitantes desde o princípio. Desde o princípio, essas atividades asseguraram a sobrevivência aos seus executores humanos. Sobrevivência e riqueza. Noutra acepção, significando crenças, costumes, conhecimentos, artes..., a cultura constitui a marca que distingue excepcionalmente a humanidade. Isso ocorre desde os primeiros hominídeos, há mais de um milhão de anos. Instrumento de pedra, tática de caça, descoberta e utilização do fogo, linguagem, pintura rupestre, criação de deuses e demônios, tudo classificado como cultura. Outro produto cultural é a guerra (cuja genealogia foi vislumbrada cinematograficamente por Stanley Kubrick, em 2001 – Uma odisseia no espaço). Caim e Abel, irmãos no mito genesíaco, são alegorias de um conflito que certamente existiu entre povos agrícolas e pastores. Dez mil anos se passaram, o confronto no campo continua, agora entre sem-terra e latifundiários. Todos descendentes de Caim, com a mesma sina fratricida. A cultura da terra ainda é uma questão de sobrevivência. Para um continente inteiro (a África), à sombra do terrível espectro, certamente o é. A cultura do lucro, iniciada há poucos séculos, provocou desequilíbrio em toda parte, com estragos irreparáveis ao meio ambiente. No microuniverso santiaguense, percebe-se a ascendência da cultura ligada às artes, com destaque para a produção literária. O antigo “boqueirão” deu lugar à Rua dos Poetas. A nova cultura é tão necessária quanto à antiga. Para a nossa felicidade.

EXTRAORDINÁRIO!


Um fotógrafo britânico captou essa imagem, obtida ao jogar tinta dentro de um recipiente com água. Acreditem se quiser.

sábado, 4 de julho de 2009

CULTURA (ZERO HORA)

O caderno Cultura do Zero Hora deste sábado traz como manchete de capa Jayme Caetano Braun: O legado do pajador. Páginas 2 e 3, excelente matéria sobre um dos maiores escritores latinos-americanos, o uruguaio Juan Carlos Onetti. Páginas 4 e 5, Jayme Caetano Braun: Dez anos depois da sua morte, aos 75 anos, o inimitável pajador de Bossoroca continua sendo reverenciado... Página 6, uma entrevista com o escritor português Antonio Lobo Antunes (que o Juremir Machado da Silva acha melhor que Saramago). Confesso que ainda não o li. Página 7, um novo livro sobre Borges, de autoria de Solange Fernández Ordóñez, com destaque para o gosto do escritor pela cultura oriental. Página 8, Sayonara Pereira escreve sobre a bailarina Pina Bausch, que revoluniocou a linguagem da dança moderna. Uma das melhores edições do Cultura.
.
Outra matéria que me chamou a atenção foi do Segundo Caderno, página 4: O apóstolo da Evolução. "No 'ano Darwin', o grande nome da 7ª Festa Literária Internacional de Parati é Richard Dawkins, um dos principais responsáveis pela popularização do neodarwinismo". Sou fã de Dawkins, não pelo seu ateísmo famoso, sua luta contra o mal das religiões, mas porque escreve livros que me arrebataram, como O gene egoísta, O rio que saía do Éden e o Relojoeiro cego... Aguardo seu novo A Grande História da Evolução - Na trilha de Nossos Ancestrais.
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Na página 38, do caderno Geral, a seguinte manchete me interessou: Projeto proíbe lavar carros e calçadas. "O costume de lavar a calçada ou o automóvel em via pública com água potável poderá ser proibido. Está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia do Estado um projeto que torna as duas práticas ilegais." Aplaudo esse projeto do deputado Giovani Cherini. Dia 21 de dezembro de 2008, insinuei algo parecido com a postagem Torneiras Fechadas, mesmo título da matéria do ZH.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

CÉU É UM FUNDO DE CAMPO


A poesia está na diferença: uma nuvem branca num dia todo azul; uma nesga de azul entre o enevoado compacto e a linha do horizonte... Uma frase prosaica, dentro de um conto, por exemplo, de repente traz mais poesia que um verso lapidado para tal. Lendo a última postagem do Ruy Gessinger, fiquei encantado com o seu desfecho. Inexplicavelmente, passei a ler a crônica depois do título (muito apropriado, por sinal). Dessa forma, a frase final me envolveu ainda mais pelo seu ineditismo - e poesia. Para ler o blogueiro http://blog.gessinger.com.br/
(Ainda um piá, no Rincão dos Machado, gostava de procurar fruta do mato e enxu nas restingas distantes de casa. Outras vezes, pescava lambari no Rosário. Ainda que não tivesse consciência, naqueles fundos de campo eu me sentia no paraíso.)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

ALBERT CAMUS


"O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia"

EMIL CIORAN


"O destino do homem é esgotar a ideia de Deus."

JUREMIR (MAIS UMA VEZ)

OS LUCROS DA MORTE
Juremir Machado da Silva
Michael Jackson morreu. Michael Jackson está vivo. Que belo negócio! As vendas explodiram. Morto, o Rei do Pop vende mais do que os seus concorrentes Elvis Presley e John Lennon em situação equivalente. Na horizontal. Isso é o que Michel Houellebecq chama de 'extensão do domínio da luta', a ampliação do campo da concorrência econômica ao extremo. Depois do neoliberalismo financeiro, o neoliberalismo sexual. Por fim, o neoliberalismo mortal, póstumo. A competição nunca para. Morto, Michael Jackson está na frente. Parece imbatível. A mídia está eufórica. Até a semana passada, Michael Jackson era apenas um pedófilo esquisito e um artista decadente. Agora, redivivo, brilha como um ídolo único.
A 'sociedade do espetáculo' impôs-nos a necessidade de novidades, de acontecimentos, de cortes na rotina. Como não somos capazes de produzi-los, a indústria cultural nos supre de acontecimentos 'significativos' e rentáveis: Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados, finais de campeonato, disputas televisivas, guerras simuladas, nascimento e morte de ídolos. Nos últimos dias, a safra midiática tem sido farta: morreram a Rainha das Panteras, o Rei do Pop e Pina Bausch. Artisticamente falando, Pina era a melhor. Mas não era realmente 'pop'. A velha pantera já havia perdido os dentes. Michael era ainda o melhor produto. A morte é uma notícia à venda. A cada um conforme o seu potencial de espetacularização final. Cinismo? A mídia é cínica. Produz uma importância que os indivíduos eleitos não possuem. Nenhum. Ninguém. Faz pensar que o mundo nunca mais será o mesmo sem um Michael Jackson. Bobagem. Dentro de um mês, estará esquecido.
Ficará na memória dos fãs mais lunáticos e aparecerá nas retrospectivas do final do ano. É a ordem natural do espetáculo. A mídia sabe disso. O público também. A mídia sabe que é apenas um bom assunto. Vende a morte bem embalada. O consumidor sofre por um momento uma dor que não é sua. E sente-se participando de um sentido. A cobertura televisiva da morte de Michael Jackson é patética. Ele foi um bom músico. Um bom artista. Um bom dançarino. Acabou. Como será o mundo sem ele? Igual. O que fazer do seu corpo? Enterrar ou cremar. Já deve ter gente calculando os ganhos que a morte de Roberto Carlos produzirá. Não será um evento internacional. O faturamento só no Brasil, porém, será elevado. Dá para se imaginar as manchetes: 'O trono está vazio', 'O Rei subiu aos céus', 'Choram os súditos desamparados'. A mídia é monarquista e medíocre. Sem dúvida, não precisa diploma para fabricar essa pantomima funerária descartável.
Michael Jackson foi um grande artista, mas nenhum pai razoável poderia tomá-lo como modelo para os seus filhos. Era um sujeito bizarro. As fofocas pós-morte não param. Os filhos do Rei do Pop foram encomendados ao seu dermatologista e à enfermeira que trabalhava para ele. Não teria sido mais simples adotar uma criança? Uma celebridade, obviamente, não faz como todo mundo. Quem venderá mais depois de morto: Caetano ou Chico?
(Publicado no Correio do Povo desta quinta-feira).