sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ESQUIZÓIDE E MALEDICENTE

Em postagem abaixo, descrevi meu trabalho gratuito para a Secretaria de Educação e Cultura (que um ex-candidato a prefeito acha que anda mal, justamente ele que conseguiu dividir o PT no último pleito). Nunca bajulei a Denise, uma pessoa capacitada que mereceu a atenção e a confiança do Chicão e continua a merecer do Júlio Ruivo (prefeitos que o esquizóide e maledicente sempre bajulou e continua bajulando). A Erilaine foi contratada pelo CIEE, como outras pessoas que estudam. Portanto, ainda não formada. Perguntem à Denise se houve pedido meu para que a secretaria admitisse a Erilaine (que o esquizóide e maledicente passou a desqualificar). Perguntem ao pessoal que trabalha na secretaria pela capacidade da Erilaine, cujo talento para escrever é facilmente comprovado em seu blog. Vejam, caros visitantes, a insistência com que esse esquizóide e maledicente tenta colocar o Oracy contra mim. Muitos já sabem que admiro Oracy como poeta (desde 1983). Imaginam se o Oracy soubesse que a sua carta escrita ao esquizóide e maledicente, confidencialmente, este as entregou a terceiro (traindo a amizade que aparenta ter para com o poeta). Em postagem anterior, citei o Oracy, Terezinha Tusi e Alessandro Reiffer, como poetas que merecem o respeito. Leiam o comentário que o esquizóide fez: Eu adoro Poesia, Froilam, mas de Poetas. 23 de Fevereiro de 2009 13:06. Qual o subentendido? Que ele adora outros poetas. Depois, diz outra coisa. Como este trecho de sua última postagem: Eu estou me lixando para o Oracy, ele me mandou 100 reais para a reconstrução do monumento do Aureliano e tomei de cerveja na zona de meretrício. Mas e a sua esposa, noiva ou o quê? Mesmo que seja brincadeira de esquizóide, como fica ela? A gráfica que publicou meu livro não fez um trabalho do meu agrado, editando os poemas fora do lugar e plastificando a capa com imperfeição. A gráfica poderia ter me cobrado, não me cobrou. Pagaria de bom grado, exigindo a republicação do livro. Nunca dei calote em ninguém, tenho meus familiares e meus colegas de trabalho como testemunhas. Quanto a simular erudição, quem usou o termo "barregãs" no lugar de "concubina" foi o esquizóide e maledicente. Reconheço que exagero, às vezes, devido ao meu universo lexical ser amplo. Mas bastam as últimas colunas do Expresso Ilustrado para provar que estou conseguindo me aproximar do coloquial. Foi um dos nossos amigos em comum que me assegurou ser o esquizóide e maledicente um _ _ _ _ _ (termo mais vulgar para esquizóide). Quem é esse amigo (ou ex-amigo)?

ACORDO ORTOGRÁFICO

Ontem fui convidado para falar sobre o Acordo Ortográfico para os oficiais, subtenentes e sargentos do 9º Batalhão Logístico. Com a ajuda do Sgt Orides, para usar a tecnologia sem embaraço, introduzi o assunto com a história da Língua Portuguesa, desde os latinos, passando pelos romanos, pelo romanço, português arcaico, todas as tentativas de uniformização ocorridas no século XX, culminando ao acordo de 1990. Depois de passar as novas regras, lembrei o correto emprego dos porquês, dos pronomes demonstrativos este, esse e aquele, do uso incorreto da palavra "mesmo" como pronome pessoal. Encerrei a fala com o soneto Língua Portuguesa, de Olavo Bilac. Última flor do Lácio, inculta e bela...

TRABALHO GRATUITO

Em 2007, fui convidado pela secretária de Educação e Cultura do município de Santiago, Denise Flório Cardoso, para organizar a primeira antologia da Rua dos Poetas. Esse trabalho, que realizei gratuitamente, foi iniciado após a comissão plural se decidir quais os autores que seriam homenageados. Naqueles meses, fazia pós-graduação e sofria dores terríveis nas articulações inferiores (sendo obrigado a baixar ao hospital). Mas esses óbices não foram suficientes para me impedir de entregar o trabalho a tempo, realizado com alegria. Sem cobrar nada, como tenho feito como revisor do Expresso Ilustrado, como fiz com o jornal A Hora e outras publicações do Júlio Prates. Para mim, vale mais a amizade e a admiração das pessoas que me pedem para colaborar. Infelizmente, nem todos veem dessa forma. O Júlio Prates, por exemplo, esquizóide e maledicente (não necessariamente nessa ordem), insinua que, ora "'mamo' nas estruturas da SEC " (sic), ora dito a cultura local. Não entendo como alguém pós-graduado em leitura, quer liderar a criação de uma secretaria de Cultura em Santiago, se ela já existe. Isso é desconsiderar o trabalho da professora Denise, santiaguense que tem feito muito pela educação e pela cultura do nosso município. Ela é líder que distribui as honrarias, o que não é suficiente para seu endeusamento, como o blogueiro tem liderado em seu blog com relação a Mônica Leal.

LAVADEIRAS


as lavadeiras
lavam
lavam roupas
............alheias
com suas línguas
ásperas
com suas línguas
cáusticas
com suas línguas
pérfidas

.
as próprias vestes
em visgo
................fétido
transformadas

.
o mal escorre
de suas bocas
a empestar
todas as águas

CARO MÁRCIO BRASIL

MÁRCIO BRASIL, postei o que transcrevo abaixo em 12 out de 2007:
OS TRÊS JÚLIOS
Júlio Ruivo, Júlio Prates e Júlio Garcia. Os três são santiaguenses, meus amigos. O Ruivo, desde 1973, quando formamos a melhor turma que o Colégio Polivalente teve em sua história: a 6/6. Nossas raízes filogenéticas se assemelham: Nossos pais, de origem portuguesa, eram vizinhos, moradores do Rincão dos Machado e Rincão dos Ruivo (tendo o rio Rosário como limite). Nossas mães, de origem italiana, nasceram e moravam em localidades vizinhas: Ernesto Alves e Curuçu. O Prates, conheço desde 1977, de outra turma inesquecível do Colégio Cristóvão Pereira. Nossas raízes distritais são as mesmas: Vila Florida. Agora voltamos a ser colegas no curso de Pós-Graduação de Leitura, Produção, Análise e Reescrita Textual. O Garcia, também o conheço do Cristóvão Pereira, 1978/79. Sempre que eu vinha a Santiago, ele era das primeiras pessoas que procurava encontrar. Infelizmente, quando vim transferido para cá, ele se mudou para Porto Alegre. No próximo reencontro, devo devolver-lhe o livro de Whitman (Folhas das folhas de relva). Os três Júlios são políticos, dotados de um grande intelecto e de uma honestidade com os seus ideais a toda prova. Embora defendam ideologias distintas, gostaria de ver esses três governando nossa cidade (ao mesmo tempo). Grosso modo, isso era o que Platão (o maior dos idealistas) pensou para a sua República. Com uma ressalva: Santiago continuaria a Terra dos Poetas.
Caro Márcio Brasil, a postagem teve o seguinte comentário de um amigo nosso:
"Graças a Deus sou ateu e graças a Deus sou visceralmente diferente deste Ruivo. Somos diferentes em tudo. Ele do tipo sorro-manso, dissimulado, que dá o tapa e esconde a mão. Sempre disse o que penso e jamais usei os outros para falarem por mim. Jamais faria implante de membranas periodontais, jamais magoaria minha esposa e constrangeria meus próprios filhos e jamais compraria poltronas para o meu gabinete a 770 reais, cada uma, com dinheiro público.Se eu fosse político trataria a todos iguais e não usaria verbas públicas para agradar somente aos que me bajulam. Nem empregaria os filhos do vereador Pelé para ele hostilizar aos que discordam do chefete. Jamais bancaria a noivinha, fazendo-me de vítima. Jamais desrespeitaria as funcionárias do meu setor público de trabalho, pois entendo que ser homem é também honrar e respeitar á condição profissional da mulher. Na vida privada, cada um faz o que bem entende, pode até dar o .. na praça. Portanto, Froilam, sábio Froilam, a única coisa que eu tenho em comum com o Ruivo é o nome."
12 de Outubro de 2007 14:19
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Colega Márcio Brasil, o nosso amigo em comum insinua que ando mamando (sic) nas estruturas da SEC (sic). Você não imagina quem anda bajulando o prefeito Júlio Ruivo? A intenção dele é ganhar patrocínios para suas publicações (pseudo)jornalísticas. A prefeitura e a URI são alvos de, ora sua críticas (quando não ganha tais patrocínios), ora de seus elogios (quando ocorre o contrário).
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A propósito, esse mesmo nosso amigo que um dia rompeu definitivamente contigo, agora insiste em provocar uma briga entre eu e o Oracy.
(Continuo mais tarde.)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DEPREDAÇÃO DA RUA DOS POETAS E O SILÊNCIO DOS BLOGUEIROS

Como estou sem internet em casa, não bloguei ontem. Hoje abro os blogs para saber sobre a destruição da estátua de Aureliano, muito noticiada pela Rádio Santiago, e fico surpreso com o silêncio dos nossos blogueiros sobre o assunto. Tão noticiosos que são, de repente ignoram o triste ocorrido. Leio que querem criar uma nova secretaria em Santiago, a da Cultura. Mais surpresa ainda: a secretaria já existe, sob a coordenação de Denise Flório Cardoso. Salvo melhor juízo, a Secretaria de Educação e Cultura funciona muito bem, como o prova a Feira do Livro, a Rua dos Poetas, entre outros eventos. A secretaria é ligada à prefeitura, cujo prefeito atual é Júlio Ruivo. O Júlio Prates escreve que a cultura não pode ter donos, mas se arroga o escritor com maior número de livros editados em Santiago. Sente-se "excluído" e ridiculariza nossos poetas (insinuando que nos os lê). Agora me acusa de fazer o jogo que ele sempre fez, isto é, de jogar uns contra os outros.
Estou com pouco tempo, por isso arremato, protestando contra o silêncio da blogosfera sobre a destruição da estátua de Aureliano na Rua dos Poetas. Alguém já se pronunciara de que quando fosse prefeito, mandaria arrancá-la de lá. Amanhã retorno, para escrever com mais calma sobre o mesmo assunto.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PROTESTO PELOS POETAS

Há uma uma tendência em nossa blogosfera, um "viés capcioso",
que é de debochar dos poetas santiaguenses, vivos ou mortos. Poeta é um sujeito (no sentido bakhtiniano) que interfere esteticamente no discurso melhor do que ninguém. Falar ou escrever em prosa é fazer muito simples, quero ver produzir um texto com literariedade, com elementos que caracterizam a poesia, entre os quais o ritmo e a conotação. Em respeito aos que já se foram (Manoel do Carmo, Sílvio Duncan, Zeca Blau...) e aos que vivem em nosso meio (Oracy Dornelles, Alessandro Reiffer, Terezinha L Tusi...), poetas na melhor acepção da palavra, protesto contra certos blogueiros que ridicularizam o nobre epíteto de nossa cidade (Terra dos Poetas). Felizmente, o prefeito Ruivo está levando a sério uma aposta na cultura.
A partir do comentário do Júlio Prates, faz-se necessário este escrito posterior: obviamente, a cultura não se reduz à produção poética. Uma aposta na cultura, isto é inquestinável, inclui a poesia aqui produzida. Como falar em cultura se os nossos poetas são ridicularizados por pessoas que também conduzem o processo cultural (ou querem assim parecer). Mas o que suscitou minha postagem não foi o blog do Júlio, cujo arrazoado contra nossos poetas já conhecemos por sua criticidade bem fundamentada.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O HOMEM SUPERIOR

ABAIXO TRANSCREVO UMA DAS PASSAGENS QUE MAIS GOSTO DO ASSSIM FALAVA ZARATUSTRA, DE F. NIETZSCHE:
Quando, pela primeira vez, estive com os homens cometi a estultícia do solitário, a grande estultícia: dirigi-me à praça pública.
E como me dirigia a todos, não falava a ninguém: à noite tinha por companheiros andarilhos e cadáveres; eu próprio mais parecia um cadáver!
A nova manhã trouxe-me uma outra verdade: aprendi a dizer: "Que me interessam a praça pública, o populacho e as orelhas compridas do populacho?
Homens superiores, aprendei isto comigo: em praça pública ninguém acredita no homem superior. E se teimais em falar lá, o povo diz: 'Todos somos iguais'.
Homens superiores - assim diz o populacho: - não há homens superiores: somos todos iguais; perante Deus um homem não é mais do que o outro: somos todos iguais!
Perante Deus! Porém esse Deus morreu; e perante o populacho nós não queremos ser iguais.
Homens superiores, fugi da praça pública!
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O que é refúgio e o que é "praça pública" em nossa blogosfera?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CONTRAPONTO

O título do meu blog é CONTRA . (CONTRAPONTO). Meu amigo Ivan Zolin não VÊ o ponto e me pergunta num comentário "contra o quê". Para dar-lhe uma resposta rápida (nunca convincente), relaciono abaixo possíveis alvos do meu contrapontear:
- senso comum, sobretudo o gosto;
- toda forma de misticismo, sobretudo o das religiões tradicionais;
- discurso anticientífico (tipo a Ciência não tem todas as respostas);
- discurso esquerdizante, pseudodemocrático (tipo adoro Cuba);
- mitos modernos;
- establishment;
- etc.
Obviamente, nem sempre contraponteio. É muito oportunismo de meu amigo, tomar por base certas postagens politicamente corretas e perguntar "contra o quê".

RISO E COMPAIXÃO

CASO FOSSE DADO A UM HOMEM SABEDORIA SUFICIENTE PARA SE ELEVAR UM POUCO ACIMA DOS DEMAIS, SUA PRIMEIRA ATITUDE SERIA RIR DO ORGULHO DESTES E, EM SEGUIDA, COMPADECER-SE-IA DA PEQUENEZ QUE OS ACAÇAPA EXISTENCIALMENTE.

CONDIÇÃO

quem sou
só sei
se saio
de mim
.
o outro
se sabe
o que é
eleva-se
.
só sei
o que sou
e o que é
o outro
.
se e somente
se o outro
sabe que sei
o que sou
.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ACRÔNIMO

Hoje um colega me veio com um problema no início do manhã, peguntou-me o significado da palavra acrônimo. O antepositivo acr(o)-, alto, extremidade, me dava uma pista; bem como seu pospositivo -ônimo, nome. Sem o contexto, sem o campo semântico, todavia, impossível precisar uma definição. A solução para os problemas dessa natureza é muito simples: o dicionário. A pesquisa metalinguística é a única forma de ampliação segura do conhecimento lexical. No caso acima, pouquíssimas fontes solucionarão a dúvida. Será necessário um Houaiss, por exemplo, com suas 228.500 unidades léxicas. Há pouco, procurei nele o significado de acrônimo: diz-se de ou palavra formada pela inicial ou por mais de uma letra de cada um dos segmentos sucessivos de uma locução, ou pela maioria destas partes (Sudam = Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

AUTOFLAGELO


palavras são unhas
que viram
do avesso
...................o ser
expondo
a poesia
em carne viva

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ASSALTO AO BB

O Brasil já viveu um tempo, considerado pelo paradigma econômico, em que sua moeda foi o café. Esse produto determinava a própria política, ou metade dela. Havia os barões, e os ladrões também viviam (não com a liberdade e a ousadia que caracterizam o tempo presente). Aqueles se transformaram em banqueiros, e estes proliferaram por todos os cantos, inclusive na administração pública. O espécime que arrombou o Banco do Brasil de Santiago não é um saudosista, como pode parecer a uma primeira análise. O café deixou de ser moeda, depois da forte concorrência de outros países. A falta de tecnologia apropriada e equipe de apoio frustaram sua tentativa de levar dinheiro, não o café e o açúcar (para azar dos aposentados que se reúnem todas as manhãs no interior da agência).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

BALEIA (OU BELINHA)

A Baleia da rua Duque de Caxias é uma cadela diferente de sua homônima de Vidas secas* (que, na vasca da morte, sonharia com preás gordos, enormes). O destino negou-lhe o pedigree, o direito de ser conduzida por uma coleira de luxo, mas é livre (como sói a um vira-lata) e bem-tratada pela vizinhança. Ela transita de uma esquina a outra, recebendo comida e água diariamente. Seu prato preferido é o churrasco, afinal pertence à ordem dos carnívoros. Não liga a mínima para quem passa com seu pinscher chow-chow poodle terrier conservado à ração, bibelô de apartamento. Algumas madames cravam-lhe uns olhos cheios de piedade ou de nojo, imaginando que sua obesidade é pura verminose. Baleia protege-se do Sol nestes dias quentes, deitando-se sobre as lajotas da calçada. Limita-se a balançar a cauda, quando ouve seu nome. Faz exatamente um ano que ela passou a ser chamada de Baleia em razão das formas arredondadas. Ao andar com passos miúdos, imita o nado de animais marinhos. Os automóveis diminuem a marcha, desviam-se, para que ela atravesse a Duque com segurança. Moradores mais antigos tratam-na de Belinha. Nunca late, tampouco sofre de excitabilidade sexual (uma alma generosa aplicou-lhe a vacina preventiva). Não caça mais, ainda que a natureza predadora esteja registrada em seus genes. Na entrada do Residencial, senta-se em posição ereta, com as patas dianteiras sobre a barriga como se fosse gente. Em algum momento, quase sempre depois de um copioso repasto, Baleia dorme escarrapachada. Também sonha, quem sabe com uma grande ninhada de cachorrinhos.

* Romance de Graciliano Ramos

sábado, 14 de fevereiro de 2009

COOPERATIVA

Uma cooperativa é uma cooperativa é uma cooperativa... Os lucros obtidos na comercialização dos produtos agrícolas, saldados todos os gastos indispensáveis para manter a entidade, deverão ser redistribuídos aos sócios, a TODOS OS SÓCIOS, de uma forma proporcional ao montante entregue individualmente. O que ocorria com a Cooperativa Tritícola Santiaguense? Essa entidade comprava o produto de seus sócios, descontando-lhes um alto percentual de umidade e impureza, para vender depois. Feito o acerto, o sócio deixava de existir, perdendo o crédito inclusive (caso não tivesse mais produto depositado). O lucro da cooperativa já estava garantido com o desconto feito na compra. Uma coisa precisa ser escrita com letras maiúsculas: A ENTIDADE É MAIS QUE SEUS DIRETORES.
Ontem passei pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, curioso para ler seu estatuto. O Artigo 3º - DEVERES DO SINDICATO - me chamou a atenção:
d) Incentivar a criação de associações cooperativas para a classe representada.

EXPRESSO ILUSTRADO


De acordo com as duas postagens abaixo, penso que o Expresso Ilustrado está no caminho certo. Seus diretores criaram blogs, inserindo-se participativamente em nossa blogosfera. O próprio jornal, com versão on-line, passa a oferecer mais vez e voz aos seus leitores: Jornal aberto; Do leitor; Espaço crítico; X da questão (com entrevista)... As matérias trazem a opinião das pessoas envolvidas (entre aspas). A equipe de colunistas, por sua diversificação temática principalmente, também dá ao jornal essa "voz humana" de que trata a postagem anterior.

CASO MICROSOFT

Em 2002, Robert Scoble, até então um jovem californiano pouco conhecido, levantou a mão em uma conferência de Steve Ballmer, CEO da Microsoft, quando este pediu que as pessoas presentes lhe dessem ideias em troca de 1 dólar.
Scoble disse que a Microsoft tinha de "falar com uma voz mais humana". Ballmer não apenas lhe deu o dólar prometido, como também o contratou e agora ele é a terceira pessoa mais conhecida da empresa, atrás somente de Bill Gates e do próprio Ballmer.
Scobleizer, nome de seu blog, é acessado por mais de três milhões e meio de visitantes por ano e é considerado o mais proeminente dos 1.300 autores da empresa de software mais conhecida do mundo.
O grande sucesso de Scoble foi liderar essa "voz humana da empresa". Em um ambiente no qual a Microsoft recebe diariamente críticas hostis em todo o mundo contra seus produtos, serviços e o próprio Gates, a imagem da empresa melhorou nos últimos meses.
[...]
Em certas ocasiões, Scoble pode ser o mais entusiasta "evangelista" da empresa, mas também pode ser um crítico muito ácido quanto aos erros.
O fato é que a controvertida Microsoft é agora uma empresa mais compreendida e confiável do que no passado, conforme indicam os especialistas e seus próprios consumidores.
(Extraído do livro Blogs: Revolucionando os Meios de Comunicação)

JORNALISMO 3.0

O Jornalismo 3.0 ou jornalismo participativo é a terceira versão do jornalismo digital:
- Jornalismo 1.0 é aquele que transmite conteúdo tradicional de meios analógicos ao ciberespaço.
- Jornalismo 2.0 é a criação de conteúdo de e para a rede.
- Jornalismo 3.0 socializa esse conteúdo e os próprios meios.
O público se lançou na conquista dos meios de comunicação. Quase não há ninguém que queira se manter informado e ficar calado. Muitos querem falar, difundir a própria informação, e alguns o fazem com especial habilidade. O jornalismo profissional se sente ameaçado, e não é para menos. [...]
A partir das margens do sistema e do público surge o Jornalismo3.0 para devolver o imediatismo, o sentido de comunidade e a conexão com a realidade na informação, cujas ferramentas são oferecidas pela tecnologia e pela Internet.
[...[
Os meios de comunicação tradicionais se acostumaram à comodidade que lhes obrigava a dispor do monopólio da voz pública. Agora, graças às experiências do jornalismo participativo, esse monopólio chegou ao seu fim.
(Extraído do livro Blogs: Revolucionando os Meios de Comunicação)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

BODAS DE OURO

Uma das mais belas metáforas relaciona a vida com um caminho, com uma estrada. O primeiro passo é dado no dia do nosso nascimento. O último, em contrapartida... Flores, espinhos, pedras, retas, curvas, confluências, bifurcações, soalheiras, ventos, subidas, encontros, desencontros, planuras e outros elementos constituem o universo de todo caminhante. Em certos trechos da estrada, fazemos escolhas, como qual rumo seguir, com quem caminhar etc. Nossa felicidade depende, não raras vezes, dessas decisões necessárias, existenciais. Um exemplo venturoso disso é vivido por Luiz Prestes e Loreni Pistóia. Ainda jovens, encontraram-se um dia e decidiram, desde então, a caminhar de mãos dadas, abraçados, unidos pela aliança inquebrantável do amor. A promessa feita perante Deus, naquele dia 7 de fevereiro de 1959, mantém-se em pé, agora tendo como testemunhas Gerson Luiz, Geiza e Fabiano (filhos); Sinara e Almeida (nora e genro); Gerson, Victor, Mariê e Bruna (netos e netas). O casal não faz ideia da distância percorrida ao longo destes 50 anos. As estradas reais, de norte a sul do país, sempre tiveram Jaguari (antes) e Santiago (depois) como pontos de partida e de chegada, refúgios seguros para os sonhos e as realizações profissionais. Eis chegado o jubileu, as Bodas de Ouro! Um acontecimento que apenas simbolicamente pode ser representado pelo mais precioso metal que se forjou no coração das grandes estrelas. A felicidade de Luiz e Loreni, que hoje se casam pela quinquagésima vez, tem um nome que melhor a define: amor. De mãos dadas, abraçados, juntinhos, eles continuarão a andar por esta estrada poeticamente chamada de vida.
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A coluna do Expresso Ilustrado de hoje, acima transcrita, homenageia os 50 anos de casamento de Luiz Prestes e Loreni Pistóia. Muitas Felicidades ao casal.

AULA ESPECIAL

ACORDO ORTOGRÁFICO
da Língua Portuguesa

(Bandeiras dos países lusófonos - 1º slide)

Ontem dei uma aula sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) no 19º Grupo de Artilharia de Campanha. Autorizado pelo comandante, Ten Cel Jacintho, apresentei as novas regras da reforma para um auditório composto por oficiais, subtenentes e sargentos. Em razão da longa e intelectualizada relação com o nosso idioma, não tive problema para, ora defender as mudanças, ora classificá-las como "calcanhar de Aquiles" (e que exigirá novo acordo futuramente). Isso ninguém disse até agora. Apenas no século XX, houve treze passos rumo à unificação.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DARWINISTA CONVICTO

Desde antes de ler A origem das espécies, já sabia sobre a teoria evolucionista por outras leituras. Um pró-darwinista por intermédio de Stephen Jay Gould (O polegar do panda e O sorriso do flamingo). Um pós-darwinista por intermédio de Richard Dawkins (O gene egoísta, O relojoeiro cego e O rio que saía do Éden).
Will Durant, historiador e filósofo norte-americano, escreve: "Copérnico reduzira a Terra a grão de poeira entre as nuvens, Darwin reduziu o homem a um animal em luta para uma transiente dominação do globo. Deixou o homem de ser o filho de Deus; passou a filho da luta, com suas guerras crudelíssimas a espantarem os mais ferozes animais. A espécie humana não era mais a criação favorita duma deidade benevolente, e sim, uma espécie simiesca, que os azares da mutação e da seleção ergueram a precária dignidade, e que a seu turno está destinada a ser superada e desaparecer".
Sou suspeito em expressar uma opinião sobre Charles Darwin, naturalista que quebrou paradigmas milenares. Seu livro A origem das espécies é a maior realização científica de todos os tempos.
Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809. Publicou A origem das espécies em 1859.

LIVROS E LIVROS

Hoje recebi dois livros escolhidos a dedo: Blogs: Revolucionando os Meios de Comunicação, de Octavio Rojas Orduña, Julio Alonso, José Luis Antúnez, José Luis Orihuela e Juan Varela; e Poéticas do olhar e outras leituras de poesia, organizados por Celia Pedrosa e Maria Lucia de Barros Camargo.


Já comecei a ler o primeiro. Nos próximos dias, farei alguma postagem sobre eles.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TROTES UNIVERSITÁRIOS


Em 1999, o calouro Edison Tsung Chi Hsueh, do curso de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), morreu afogado numa piscina durante o trote. Os acusados pela morte desse estudante, veteranos do curso de Medicina, foram absolvidos pelo Superior Tribunal de Justiça (que mandou trancar a ação penal movida pelo Ministério Público de São Paulo). A propósito, nunca entendi bem a justiça neste país, que, notadamente, favorece os denunciados pela ação movida por esses representantes do Estado. Há tanto favorecimento, que hoje o crime grassa sem controle. Afinal, o Estado perde ou o Estado ganha?

Naquele ano, escrevi o poema abaixo:

humano

o bixo
não era
cavalo
sofreu
o trote

.
na piscina
do campus
imerso
não era
hipocampo

.
entre veteranos
nunca
houvera
calouro
humano

.
(Publicado no livro ponteiros de palavra)
.
Alternativa fonética: "nunca houvera calor humano"

"NÃO A VAGA"

A frase NÃO A VAGA, colocada numa placa em frente a um edifício em construção na rua Pedro Palmeiro, prova que a escrita tenta imitar a fala. Foi assim no início da História, é assim na alfabetização de todo indivíduo e continua sendo assim no âmbito semialfabetizado da nossa sociedade. A frase que exprime a intenção comunicativa de seu autor é NÃO HÁ VAGA.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

VERDADEIROS E CORAJOSOS


Por que um israelense lançaria um livro desmitificador da história de seu povo? Shlomo Sand, como Israel Finkelstein, são judeus e pertencem à Universidade de Tel Aviv. Mais do que iconoclastas, defensores da verdade, são corajosos ao extremo. Eles repetem o que fez pela primeira vez Eurípides, grande dramaturgo grego que ousou representar para os próprios gregos o quanto estes tinham sido bárbaros na vitória e os troianos heroicos na derrota: Que cego sois, vós arrasadores de cidades, vós que lançais os templos na desolação e destruís os túmulos. Esses invioláveis santuários onde dormem os velhos mortos, vós, que também breve morrereis... No Brasil, tiro o chapéu para Júlio José Chiavenatto, que escreveu um livro pungente e verdadeiro: Genocídio americano: A Guerra do Paraguai.

NÃO TENHO RAZÃO?

Transcrevo o artigo do Juremir Machado da Silva, publicado hoje no Correio do Povo
O CAÇADOR DE MITOS
Continua a fazer barulho na França o livro 'Como foi Inventado o Povo Judeu', do historiador israelense Shlomo Sand, da Universidade de Tel Aviv, que viveu até os 2 anos de idade num campo de concentração e foi soldado na Guerra dos Seis Dias. Nossos desconstrutores de mitos não dão nem para a saída perto desse intelectual sem papas na língua nem medo de arranjar encrenca. Segundo ele, a ideia de que os judeus são um povo, uma etnia ou que descendem de Moisés, Davi e Salomão é apenas uma fábula religiosa recuperada no século XIX e oficializada a partir de 1960. Num artigo para o jornal Le Monde Diplomatique, Sand situou o mito na sua forma tradicional: 'Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judeia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.'. Um mito bem estruturado.Sand o desmontou: 'De onde vem essa interpretação da história judaica, amplamente difundida e resumida acima? Trata-se de uma obra do século XIX, feita por talentosos reconstrutores do passado, cuja imaginação fértil inventou, sobre a base de pedaços da memória religiosa judaico-cristã, um encadeamento genealógico contínuo para o povo judeu. Claro, a abundante historiografia do judaísmo comporta abordagens plurais, mas as concepções essenciais elaboradas nesse período nunca foram questionadas'. Nunca tinham sido questionadas. Ele tratou de fazer isso: 'Mas eis que, ao longo dos anos 1980, a terra treme, abalando os mitos fundadores. Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século XIII antes da nossa era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à ‘terra prometida’ – pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! (...) Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judeia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico'. O livro de Sand sacudiu Israel e dá o que falar na França.Sobra pouco do mito: 'E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido? (...) Os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judeia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo'. Isso não deslegitima Israel nem autoriza pretensões racistas. Prova que a história é construção: 'Esses relatos (...) figuraram na historiografia sionista até o início dos anos 1960'. Para o judeu iconoclasta Shlomo Sand, os judeus são apenas os membros da religião ou da cultura judaica que se formaram principalmente por conversão na África do Norte, no Sul da Europa e no Iêmen. Ironia? A história, porém, sempre reaparece para gerar polêmica.
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Desde agosto de 2006, quando li A Bíblia não tinha razão, de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, venho escrevendo sobre o assunto do livro acima considerado pelo colunista do CP. Neste blog deve ter duas ou três postagens referentes às mitificações judaico-cristãs. Arqueologicamente, não há indícios do êxodo conduzido por Moisés. Da mesma forma, Judá e Israel eram "estados" relativamente pobres (Salomão não tinha a riqueza apregoada pelos cristãos). Citar a inexistência do dilúvio, mais antigo, é prevalecimento discursivo, uma vez que se trata de uma narrativa suméria, do Livro de Gilgamesh. Frei Leonardo Boff, em seu livro A águia e a galinha, escreve sobre um gênero textual muito cultivado pelos judeus, o midraxe-hagadá, que consiste em aumentar uma história ou de adequá-la (à saga de seu povo). Por falar em livro, vou atrás desse 'Como foi Inventado o Povo Judeu', do judeu Shlomo Sand. Juremir é o cara (apesar de discordar dele sobre o caso Cesare Battisti). Há alguns anos, por indicação sua, li A extensão do domínio da luta, de Michel Houellebecq.

BLOGS E BLOGUEIROS

SOBRE O ITAÚ E A IGREJA LUTERANA
JÚLIO PRATES
Recebi alguns e-mails ratificando o entendimento exposto na postagem anterior. Até o mestre-de-obras que está trabalhando no prédio do Itaú é de Canoas. Imaginem o resto..Informam-me, também, que o templo na av. Aparicio Mariense, da igreja luterana, é tocado por uma construtora de Passo fundo e até os tijolos vem do Morro da Fumaça, de SC.
Um caça os níqueis locais, e outro, as almas. Mas em comum, nenhum pensou em usar material e mão-de-obra locais.
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Imagino um mundo em que as pessoas se rebelam contra a exploração. Principalmente, a financeira e a religiosa, como o exposto acima. Hoje elas fazem o contrário, orientadas por uma "moral de rebanho". Continuam lotando as igrejas e enriquecendo seus líderes.
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O Taborda postou uma crítica nesse sentido:
Ontem à noite estava olhando um programa evangélico na TV Bandeirantes e achei um absurdo a fala do pastor. Respeito todas as religiões, mas não posso engolir o método do pastor Silas Malafaia. O religioso pede, com toda cara-de-pau, ajuda para manter o seu programa. Eu não posso acreditar nisso e há pessoas que ainda mandam dinheiro para esse tipo de pessoa. Ele vende até caderno para ajudar libertar maconheiros das drogas. Pede que mandem mensagens pelo celular para receber uma palavra de Deus. Tudo isso, cobrado. Aonde vamos parar, acreditando em lunáticos, enganadores do povo. O pior é que ainda tem gente que mantém essas pessoas. Mas não é a igreja evangélica que prega para não adorar símbolos. Juro que não entendo.
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O conto 10 segundos, do Márcio Brasil, é excelente. A fórmula do tempo constitui um achado literário. Confiram http://marciobrasil7.blogspot.com/
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Outra prosa que se destaca em nossa blogosfera é de Erilaine Perez. Seu Rúbida Rosa evolui dia a dia. A recorrência às metáforas marinhas revela a influência do maior poeta da América, Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, o muito amado Pablo Neruda.
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Dayana Pessota Leite questiona(-se) existencialmente:
Por que será que as pessoas não entendem que tudo no mundo, mas tudo mesmo, acaba? Em algum momento, não teremos mais carro, apartamento, amigos, amores, eletrodomésticos, emprego. Vai terminar. Porque tudo tem seu ciclo. Em algum momento, até mesmo nosso corpo se acabará, vai virar pó. Vivemos em ciclos e estes sempre tem seu tempo certo de duração. Para depois recomeçar e também chegar ao fim e assim sucessivamente.
A maioria das pessoas entende, mas opõe-se à transitoriedade. Escrevendo, por exemplo.
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O blog da Heloísa Flores http://www.helo-floryflor.blogspot.com/ traz sempre uma surpresa sobre livros. Os portugueses devem ler muito mais do que os brasileiros.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A INVERSÃO DA TRAGÉDIA


Caro visitante, já pensaste nos acidentes aéreos que acabaram na água nos últimos anos? Aviões caíram nas cordilheiras, nas florestas, nas cidades (próximo aos aeroportos), constituindo o que a mídia passou a chamar de "tragédia". No sentido contrário da tragédia grega, modernamente a realidade inspira a arte. Um herói de verdade, o piloto Chesley Sullenberger, logo será filmado por Hollywood.

NÃO TENHO RAZÃO?

ENSINO MÉDIO EM XEQUE-MATE...*
victor josé faccioni
As portas do início de um novo ano letivo, as atenções se voltam para o ensino médio, que parece estar em xeque-mate, como o reconhece o próprio ministro da Educação, ao afirmar que o setor vive uma 'crise aguda'. E não é para menos. Os índices de aproveitamento dos estudantes nas avaliações oficiais têm sido assustadoramente baixos. A maioria dos estudantes apresenta graves deficiências em matérias básicas, como Português, Matemática e Ciências. Atualmente, apenas 50% dos alunos matriculados na primeira série concluem os três anos do ensino médio. Um estudo realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta o ensino de Ciências para estudantes brasileiros, na faixa etária de 15 anos, como um dos piores do mundo. Numa lista de 57 países, o Brasil aparece em 52º lugar, perdendo apenas para a Colômbia na América do Sul.Já o Banco Mundial mostra com dados convincentes que a educação é o melhor caminho para enfrentar a pobreza. Se a escola pública, por ser a mais procurada, não ensina o que deveria, os jovens não ficam e vão buscar atividades que lhes tragam mais vantagens. Para mudar o quadro, é preciso superar vários problemas, como a formação inadequada do professor. No Brasil, muitos saem das faculdades inseguros, sem saber o que e como ensinar na sala de aula. A ex-ministra de Reforma do Estado Cláudia Costin chega a afirmar que alguém que domina a diferença entre Vigotski e Piaget e conhece a fundo a Lei de Diretrizes e Bases não está necessariamente habilitado para ser um bom professor. Existem ainda outros fatores agravantes da baixa qualidade da educação brasileira, como melhores ofertas de trabalho para as mulheres que as afastam do magistério, imediatismo das políticas públicas e crescente onda de violência, que mete medo em alunos e professores.Como reverter essa situação, especialmente no ensino médio? Uma ação ampla do poder público, que passa pela valorização do professor, oferecendo-lhe, inclusive, adequadas condições de trabalho, e priorização da educação como fator estratégico do desenvolvimento nacional, canalizando para esse setor básico vultosos investimentos. Só assim será possível mudar os rumos deste país e garantir um futuro melhor para a população brasileira.

(Publicado no Correio do Povo de hoje)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O SILÊNCIO É DE OURO - MINO CARTA


mino
detona
.
(Ensaio para um epigrama)

"... Battisti transcende sua personalidade de “assassino em estado puro”, segundo um grande magistrado como o italiano Armando Spataro, para se prestar a uma operação que visa compactar o PT e empolgar um certo gênero de canarinhos patriotas. Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu. Em matéria de furo n’água, produzi a Fossa de Mindanao. Iludi-me em demasia, mea-culpa."

IVAN ZOLIN, eu não sabia que essa referência para o PT era tão boa assim. Os grandes também fazem autocrítica. O que te falei na última visita que me fizeste?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O QUE É POESIA?


POESIA é algo que excede o "eu" do poeta, transfigurado em metáforas. Mais do que forma e conteúdo, o que caracteriza a poesia em sua essência é sentimento.

Não sou poeta porque escrevo versos, porque consigo me expressar com ritmo, mas porque sinto diferentemente o pulsar da vida em cada coisa, em cada ser. Sou poeta desde antes de escrever uma palavra porque a contemplação não necessita de uma linguagem.

Desde que me conheço por gente, vejo de uma maneira especial o Sol nascente, o azul das manhãs, as borboletas com semeadura nas asas, os ipês amarelos, os olhos da amada... Apenas por isso já seria poeta.

Busco a doçura no improvável, com uma ingenuidade que os broncos ainda não assimilam. Se não a encontro, então, rabisco minha insatisfação no papel em branco - espectro de brasa dissipada. De outra forma, caso encontre o que procuro, registro minha alegria - indício de fogo na alma.

O resultado escrito é sempre uma catarse de emoção maior, de prazer ou de dor.

A sensibilidade de um temperamento poético, percebe-a os outros no poema (que não passa de interpretação). A isso chamam de poesia.

Acima da originalidade e beleza, condições indispensáveis de sua aparição fenomênica, a POESIA é algo que excede o "eu", transfigurado em metáforas.

(Texto publicado na coluna do Expresso Ilustrado em 2004)

LEMBRANÇA


a bisavó
não voava
(toda)
......vinha
com a leveza
de avezinha

um dedo
de prosa .
sozinha

aos cento
e poucos
ela voou
.
para sempre
vovozinha

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

EROS E CIVILIZAÇÃO

Nas filas para pagar as contas, retomei a leitura de EROS E CIVILIZAÇÃO, de HERBERT MARCUSE. Excertos que iluminei no Capítulo 2, A origem do indivíduo reprimido:
O princípio de prazer foi destronado não só porque militava contra o progresso da civilização, mas também porque militava contra a civilização cujo progresso perpetua a dominação e o trabalho esforçado e penoso.
A modificação dos instintos, sob o princípio de realidade, afeta o instinto de vida.
A sexualidade procriadora é canalizada, na maioria das civilizações, para o âmbito das instituições monogâmicas. Esse tipo de organização resulta numa restrição quantitativa e qualitativa da sexualidade.
O conflito entre civilização e sexualidade é causado pela circunstância de o amor sexual ser uma relação entre duas pessoas, em que uma terceira só pode ser supérflua ou perturbadora, ao passo que a civilização se baseia em relações entre maiores grupos de pessoas.

BLOGOSFERA EM ALERTA

Um amigo radialista está indignado com a nossa blogosfera, em razão do endeusamento que ela vem fazendo de certa pessoas. Endeusamento e autoendeusamento. A lanterninha de alerta se acende... Eu estaria contribuindo? Não. Endeusar pessoas não faz meu tipo. Pelo contrário, tudo o que penso, falo e escrevo aponta para o sentido inverso. Seria muita cara de pau se me autoendeusasse. Uma contradição enorme que denunciaria o irracional egocentrismo (que penso ter na justa e indispensável medida). Uma das minhas últimas postagens testemunha um sentimento de impotência, que toma conta de mim de tempo em tempo. Para me manter coerente, concordo com o meu amigo radialista. Está me dando nojo o endeusamento que alguns blogueiros fazem de duas ou três pessoas, bem como o autoendeusamento que outros (ou mesmos) blogueiros fazem de si mesmo. A blogosfera necessita de uma dura autocrítica.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

INSTANTE


uma mosca
cruza o silêncio
- ponto escuro
contra as paredes
claras
e aquárias
desta sala
onde me suporto
no fundo
sob o peso
de coisas
ordinárias

DA IMPOTÊNCIA

O excesso de autocrítica me impede de escrever abertamente sobre diversos assuntos que gravitam no universo intelectivo a que pertenço. Ideias surgem e se perdem antes de encontrar a expressão mais adequada. [...] Quando me proponho a escrever, o conhecimento da inutilidade do trabalho se sobrepõe à convicção de que meu texto terá certa importância. Tudo o que produzi até agora adiantou alguma coisa? Alguém se beneficiou? Por mais convincente, o que consegui textualizar, no máximo, prendeu a atenção de poucos leitores. Se o que produzo é o resultado de uma evolução individual efetiva (e afetiva), a que ponto isso pode ser relevante para os outros? Tal situação me faz compreender a queixa escrita por Van Gogh a Theo, seu irmão: Pode ter-se um grande fogo na alma, mas ninguém vem nunca se aquecer nele, e os que passam só avistam um fumozinho no alto, a sair pela chaminé, e seguem seu caminho. Toda a motivação que me fez um colunista, um blogueiro, tem seu contraponto neste sentimento de impotência. A palavra foi banalizada, a partir de uma profusão interminável de gêneros (disponíveis nos mais diversos meios). O mundo digitalizado se transforma numa ladainha insuportável, numa algaravia, numa babel reeditada.
(Excerto de um texto publicado no jornal A Hora)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

ÀS AVESSAS

Repensando a questão do Fórum, mudei de opinião: sou a favor da mudança. Se o centro da cidade virou um caos, como dizem por aí, está mais do que justificada uma nova sede. Por pensar que apenas a saída do Fórum não restituirá a ordem, sugiro que mudem a Prefeitura, os bancos, as farmácias, as lotéricas, as lojas, os restaurantes... Tudo que reúne pessoas seja transferido para algum bairro afastado.
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Ninguém pensou em fundar outra cooperativa em Santiago, exclusivamente para comercializar produtos agrícolas?
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Santiago fará um carnaval de uma noite só. Tudo é possível depois que Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça comporam um samba de uma nota só. A propósito, o carnaval foi banido de nossa cidade por uma opção daqueles que queriam mais ordem no centro.
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Júlio Prates postou dia desses Onde estão as livrarias da Terra dos Poetas? Pergunto onde estão os leitores. Em Santiago, a maioria dos poetas em atividade escreve versos sem leitura alguma de autores consagrados. Não vão me entender mal, disse a maioria. Os poetas que leem há 10, 20, 50 anos são exceção. Estes, exagerando um pouco, ainda andam à procura de um estilo próprio. Pessoalmente, dispõem de livros para suas leituras necessárias.
A nossa Universidade é preponderantemente científica, nada a ver com poesia (o projeto Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são? é uma ilha. No campo das ciências sociais não há livros e nem leitores. Um bacharel em Direito gaba-se de não ter comprado um único livro durante o curso. Tudo xerocado (seu diploma deveria ser assim). Outro não leu um único livro. Disse-me, orgulhoso, que tivera uma pendenga com um professor que lhe exigia a leitura de um livro tal.
Mesmo que a Universidade conte com uma biblioteca, o cara se forma em Direito sem comprar ou ler um único livro... Isso é inadmissível.
Poetas e advogados iletrados. O que dizer dos cidadãos que se ocupam de outras atividades? O que dizer dos não-estudantes?