quarta-feira, 4 de junho de 2008

A LIÇÃO DE FLAUBERT

Antes de mais nada, os blogueiros devem buscar o diálogo, a interação, fazendo uso de uma ferramenta que caracteriza o hipertexto (por excelência).

De minha parte, transcrevo de Nívea Andres o excerto abaixo, extraído de sua última postagem:
"É incrível como as pessoas desprezam a arte de escrever e falar bem. Há pouco tempo, José Saramago disse, do alto de seu talento e experiência: 'Hoje existe uma espécie de menosprezo por esta coisa tão simples que antes era falar com propriedade. Quando eu era trabalhador, sempre tinha as ferramentas limpas e em bom estado. Não conheço uma ferramenta mais rica e capaz que o idioma. E isso significa que se deve ser elegante na dicção. Falar bem é um sinal de pensar bem'. Acrescento, ainda, que escrever bem é uma condição inarredável para a credibilidade, a liderança e o sucesso de qualquer profissional, seja político, médico, jornalista, advogado, engenheiro, matemático ou professor de Português."
oo
Há dias venho querendo citar o trabalho da escrita pelo exemplo mais importante da história da Literatura: Gustave Flaubert. Lendo um ensaio de Roland Barthes e, nesta data, encorajado pela blogueira acima citada, resolvi fazer uma crítica (da maneira que estou aprendendo com Oracy Dornelles).

O que escreve Barthes em O grau zero da escrita?
"Bem antes de Flaubert, o escritor sentiu - e exprimiu - o duro trabalho do estilo, a fadiga das correções incessantes, a triste necessidade de horários desmedidos para chegar a um rendimento ínfimo. Entretanto, em Flaubert, a dimensão dessa labuta é muito maior; o trabalho do estilo nesse autor é um sofrimento indizível (ainda que ele o diga muitas vezes), quase expiatório, para o qual ele não reconhece qualquer compensação de ordem mágica (quer dizer, aleatória), como podia ser para muitos outros escritores o sentimento da inspiração: o estilo, para Flaubert, é a dor absoluta, a dor infinita, a dor inútil. A redação é desmedidamente lenta ('quatro páginas durante a semana', 'cinco dias para uma página', 'dois dias para a pesquisa de duas linhas')... Escrever e pensar fazem uma só coisa, a escrita é um ser total."
O autor de Madame Bovary confessa:
"Só se chega ao estilo mediante um labor atroz, com uma insistência fanática e dedicada".
oo
Nossos escritores santiaguenses, independentemente da imaginação que possa ou não caracterizá-los, não estão dando atenção ao aprimoramento técnico do que é produzido. A impressão que fica é de que não reescrevem seus textos, não cortam, não acrescentam, não substituem... passos necessários para a constituição de um estilo.

Um comentário:

Nivia Andres disse...

Prezado Froilam!
Pensei que fosse só eu a sofrer escrevendo e reescrevendo muitíssimas vezes os meus textos!
A busca da perfeição, mesmo que raramente atingida, deveria ser um exercício constante para todos que militam nessa seara.
Sua mensagem é um alerta para os ataques de soberba que constantemente acometem os que não têm autocrítica,não amam o seu trabalho ou não se constrangem de submetê-lo ao público cheio de imperfeições.