quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

MARIA DA PENA

Em Cem anos de solidão, García Márquez narra a história da família Buendía ao longo de um século. Os homens são José Arcádio, Aureliano, Arcádio José ou Aureliano José; as mulheres, Úrsula, Pilar, Remédios, Fernanda ou Amaranta. O romance é um dos melhores já produzidos em toda literatura, inigualável em seu realismo maravilhoso. Em Cheiro de Goiaba, livro de entrevista, o escritor colombiano explica que o ponto de partida para Cem anos de solidão foi uma imagem visual, inspirada na realidade: Um velho (o Coronel Márquez) que leva um menino (García Márquez) para conhecer o gelo num circo. Ao saber do drama vivido por quatro mulheres santiaguenses – filha, mãe, avó e bisavó – penso ter encontrado o ponto de partida para o enredo de uma novela. A filha, casada e sofrendo a mesma sina de suas antecessoras, poderia narrar em primeira pessoa (técnica muito utilizada no cinema). Agora, porém, com uma aliada de respeito: a lei “Maria da Penha”. Finalmente, o marido preso por seviciá-la, ela contaria sobre a desdita que se repetiu por meio século. A bisavó, a avó e a mãe, todas obrigadas a fugir ou deixar a casa, onde coabitavam com homens brutais ou mulherengos. Com o único amparo da própria mãe, essas mulheres tiveram a coragem de romper um paradigma machista, miticamente forjado na tradição judaico-cristã. Cada uma delas ganharia o nome fictício de Maria da Pena (ou dá pena). Quatro gerações de sofrimento necessário para que os homens, finalmente, mais sensíveis, aceitassem um novo paradigma, agora fundamentado na igualdade e no amor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá, amigo.
Um excelente ano prá ti.
Por acaso, gosto muito desse livro e já o li em diversas alturas da minha vida. Aliás, gosto de tudo do Gabriel García Marques.
Bela análise.
Abraço grande.

Helô

Anônimo disse...

Ah...sim, claro.
A idéia é bem boa!
Quem sabe?