segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

LÍNGUAS INF(L)AMANTES

Ainda que a modéstia não permita a menor recaída, reconheço-me um espécime superior, que adquiriu nobreza com a cultura, com o (auto)conhecimento. Não fosse assim, certamente, reagiria com maior indignação à maledicência de pessoas que se acham paradigmas de conduta moral. Não passam de medíocres (a despeito do grau de instrução e do emprego que ostentam). O que elas têm de desenvolvido, de muito desenvolvido, é uma língua comprida e infamante. Vista por esse viés crítico, nossa cidade se encontra interligada por milhares dessas línguas (responsáveis pelo maior fenômeno da comunicação social: a fofoca). Embora não admitam participar da rede, alguns santiaguenses contribuíram para que minha vida particular viesse à baila nestes dias. No lugar de serem discutidas as idéias que expresso aqui, na revista A Hora e no meu blog, ocupam-se com um assunto que mal conhecem, do tipo diz-que-diz-que. Não darei ciência do mesmo por dois motivos: o imponderável de sua natureza subjetiva e a discrição (sempre necessária). Antes de encerrar, todavia, transcrevo do Dicionário Houaiss a seguinte definição para o termo “amante”: 1. que ou aquele que ama; namorado, apaixonado 2. que ou aquele que tem gosto ou inclinação por alguma coisa; amador, apreciador 3. pessoa que tem com outra relações sexuais mais ou menos estáveis, mas não formalizadas pelo casamento. Para os medíocres e hipócritas, destituídos de qualquer nobreza e incapazes de amar com intensidade, “amante” é um pejorativo, palavra-tabu suficiente para alimentar o papo numa churrascaria.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

NOVO ANO (DE NOVO)

Pouco importa que do espaço o único fenômeno observável no sistema em que habitamos seja a máxima aproximação de um planeta azul de sua estrela que neste momento se encontra em sua "seqüência principal" queimando Hidrogênio ainda relativamente ameno para que a vida se desenvolva no planeta sólido que gira por uma órbita cuja extensão é percorrida em aproximadamente 365 dias tempo a que seus habitantes inteligentes (e presunçosos) chamam de ano o qual de número 2007 chega ao seu final para felicidade de alguns e dor de outros mas para todos sempre há de se abrir uma nesga de azul na manhã do primeiro dia do próximo ciclo ao qual caberá o número 2008...
ooo
Boas Festas a todos os leitores deste blog.

DESEJO

ainda hoje
de manhã
beijei teus olhos
molhei teus lábios
ainda hoje
com afã

o meio-dia passa
e a tarde vem
quando beijo
a fotografia
dos teus olhos
e bebo o sorriso
dos teus lábios

não espero
a noite
pra te ver
porque te quero
amar
a todo tempo
sem tempo
a perder
por esperar

POEMA DE AMOR

os
poemas de amor
mais lindos
não são escritos
mas balbuciados
gemidos
entre os lençóis
da madrugada
onde dois
corpos se unem
como pólos
de gêmeas almas
que ditam
poemas de amor
mais lindos

PERSPECTIVA FELIZ

O que passou, passou. O próprio presente passa. Tudo vira passado, memória, na iminência do devir. Por isso, 2007 se encontra pleno. O meu, então, transborda, como numa preamar de acontecimentos. No refluxo do que me esvaziava, de repente, um oceano inteiro (fazendo-me flutuar sobre a passagem para 2008). O amor é a substância que sustenta esta ponte entre um ano e outro. A partir do ponto de fuga que se configura no horizonte é possível traçar uma perspectiva feliz, um quadro extraordinário. Agora não mais a razão que me faz a travessia, e sim o coração. Este é o verdadeiro guia, um pouco precipitado na juventude, todavia, ponderado e doce depois dos quarenta. O novo ano também será literariamente bom para mim. Devo concluir a seleção e reescritura dos meus melhores textos em prosa (publicados aqui, na revista A Hora, no Letras Santiaguenses e inéditos). A intenção é publicar uma coletânea, seguindo o exemplo de escritores que começaram dessa forma. Meus novos poemas, alguns com a revelação de Eros, já são em número suficiente para outro livro. O projeto do curso de Letras da URI, Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são?, lançará minha coletânea de poemas. Para encerrar o curso de Pós-Graduação, devo caprichar na monografia sobre a produção digital dos blogueiros em Santiago. Há muito venho alimentando o sonho de escrever uma novela, um romance. Por que não iniciar em 2008? Embora a arte imite a realidade, o passado constitui matéria-prima indispensável para a literatura. A vida é vir-a-ser, perspectiva, além do que é – a essência do ser.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

AS CORES DA DOÇURA

A parede do teu quarto
ficou bonita em laranja,
pede um quadro
que hei de pintar com as cores da doçura.
Certamente, teu retrato.

ASSIM ASSIM

ninguém nunca
me disse nada
mais forte
ooo
(para quebrar
a última pedra
da minha fortaleza
egocêntrica):
oo
sou frágil
ooo
preciso
dos teus braços
em torno de mim
oo
assim
assim

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Oi, leitores queridos! O acesso de vocês ao meu blog é uma nesga clara de céu (em meio a uma borrasca que demora a passar). Aqui, aquém do que é alteridade, continuo a buscar essa luz que vocês emitem, dando importância ao que escrevo (nas últimas postagens, com a participação de uma poeta e musa). O curso de PÓS acabou sábado. Agora é elaborar a monografia. Escolhi a produção dos blogs em Santiago. Tema novo, que ainda não formou doutores. Por enquanto, fudamento-me em Marcuschi e Fabiana Komesu. Neste momento, estou numa lan house, em Santa Maria. Vim trazer a Isis para o vestibular na UNIFRA. Concorre para Biomedicina. A Livraria da Mente acaba de abrir, vou lá. Até.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

DIALOGICAMENTE POÉTICO

descobri que as estrelas
viram pó
quando caem do céu,
e do pó
nascem flores
corações
outras estrelas
e turvam os olhos
da noite,
obliteram
todas as luzes
e do escuro
vem o silêncio
do mundo
e não me deixam ver
o fundo,
claro
do meu ser
ooo
posso abraçar
o mundo
contigo?
ooo
o nosso tempo
de espera
logo acaba
ainda
na primavera
quando fizer
madrugada
ooo
eu já sou
madrugada
ooo
o problema
é que na última vez que visitei os campos de prata deixei minhas estrelas caírem nos teus cabelos e agora vivo pela luz de ti

SEM COMENTÁRIO



ooooooooooohádiaemquenãoseadiador

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ESCOMBROS

os escombros
sobre mim
do que eu mesmo
construí
deixam-me
ver uma nesga
do céu claro
que há em ti

domingo, 2 de dezembro de 2007

.......

tua chegada
vem
com as estrelas
calar
as coisas
do dia
e nunca parte
depois do sol
...
fica
a poesia

TIPOS DE ARTIGOS DE BLOG

Pensando no famoso "branco" que nos acomete de vez em quando, bem como evitar o mesmismo, resolvi transcrever o que encontrei na Internet acerca dos tipos de artigos que se publicam em blogs.
20 TIPOS DE ARTIGOS DE BLOGS
* Instrutivo - Artigos instrutivos dizem às pessoas como fazer alguma coisa. Os artigos do IP Legal, por exemplo, são interessantes tanto no curto prazo (ou seja, leitores leais adoram os artigos, e farão referências a eles) quanto no longo prazo (uma das razões pelas quais as pessoas fazem buscas na web é encontrar como fazer coisas, e se você consegue um pagerank alto com suas dicas poderá ter bastante fráfego por um prazo dilatado.
* Informacional — Este é o tipo mais comum de artigos de blog, onde você simplesmente informará sobre um assunto. Pode ser uma simples definição ou uma explicação mais ampla sobre algum aspecto do nicho para o qual você está escrevendo. Esta é a razão do sucesso de sites como o wikipedia.
* Resenhas — Outro termo altamente procurado na web é ‘review’ (resenha). Há quem, sempre que pensa em comprar um novo produto faz uma busca no Google, na expectativa de ler uma resenha antes de sair de casa. Resenhas vêm em todas as formas e tamanhos e sobre virtualmente qualquer produto ou serviço imaginável. Dê a sua opinião honesta e inspirada e pergunte aos leitores qual a opinião deles. Resenhas podem ser artigos poderosos, com uma grande longevidade.
* Listas — Um dos jeitos mais fáceis de escrever um artigo é fazer uma lista. Artigos contendo algo como ‘As Dez Melhores Maneiras para…’, ‘7 Razões por que…’, ‘5 Coisas Mais Adoráveis em…’, ‘53 erros que os blogueiros cometem quando…’ não são apenas fáceis de escrever, mas normalmente são muito populares com leitores e quando buscando links de outros blogueiros.

Se você começar com uma lista curta (cada ponto como uma frase ou sentença) e então desenvolver cada um em um parágrafo ou dois, você terminará com uma série de artigos que vão durar alguns dias.
* Entrevistas — Às vezes, quando você fica menos inspirado para escrever artigos legais, pode ser uma boa idéia deixar alguém de fora soltar o verbo numa entrevista (ou um artigo de convidado). Esta é uma grande maneira de não apenas dar aos seus leitores a opinião relevante de um especialista, mas talvez de aprender alguma coisa sobre o assunto que você escolheu para escrever. Uma dica se você estiver abordando pessoas para uma entrevista em seu blog: não atulhe o convidado de perguntas; uma pergunta ou duas são provavelmente mais eficientes, para obter uma resposta de interesse seu e de seus leitores, do que uma longa lista de questões mal formuladas.
* Estudos de Caso — Outro tipo de artigo bem popular são aqueles em que você pega o trabalho de outra pessoa (outro blog, quem sabe) e mostra aos leitores como eles fazem alguma coisa específica (como posicionam elementos na página, como redigem seus textos etc.). Na maior parte dos casos serão artigos quase que como resenhas, mas nada impede que você acrescente informações sobre o que mudaria no trabalho do outro, o que faria para melhorá-lo.
* Perfis — Perfis são semelhantes ao estudo de caso, mas focam numa pessoa em particular. Escolha uma personalidade interessante no seu nicho e faça uma pesquisa sobre ela para apresentar aos seus leitores. Mostre como elas alcançaram o ponto em que estão e escreva sobre as características que elas têm e as outras pessoas podem vir a desenvolver para, também, serem bem sucedidas.
* Link Posts — Os bons artigos com links são os favoritos de muitos blogueiros, e a questão principal destes artigos é encontrar outros sites e fazer links apontando para eles, com ou sem explicações sobre por que você está linkando, um comentário sobre o seu ponto de vista com relação ao assunto, e/ou uma citação do artigo. Claro que adicionar seus próprios comentários torna esses artigos mais originais e úteis para seus leitores. Quanto mais original o conteúdo melhor, mas não pense que isto deva ser uma obsessão.
* Artigos ‘Problema’ — Outro termo buscado com freqüência no Google, em conjunto com nomes de produtos, é a palavra ‘problemas’. Estes são similares às resenhas, mas focam principalmente os aspectos negativos do produto ou serviço. Não escreva uma peça dessas meramente por escrever. Mas se você encontrar um problema real em alguma coisa, estes artigos podem trabalhar para você.
* Duas Opiniões Contrastantes — A vida é cheia de decisões entre duas ou mais opções. Escreva um artigo comparando dois produtos, serviços ou abordagens que delineia os aspectos positivos e negativos de cada escolha. De certa forma estes são artigos do tipo resenha, mas com um foco um pouco mais amplo.
* Desabafos — Torne-se passional, agite-se, diga o que lhe passa pela cabeça, e diga do jeito que sair. Desabafos só ótimos para começar uma discussão, e causar um pouco de controvérsia. Eles podem até ser um tanto divertidos se você os fizer no espírito certo. Só fique atento, porque um desabafo pode ser o começo de uma série de comentários ofensivos, e normalmente no calor do momento que a gente diz para depois se arrepender, e isso pode refletir muito em nossa reputação.
* Inspiracional — No reverso do desabafo raivoso (nem todo desabafo tem que ser raivoso) estão os artivos inspiracionais e motivacionais. Conte uma história de sucesso ou pinte um quadro do que poderia ser. As pessoas gostam de ouvir coisas boas, porque isso as motiva a persistir no que estão fazendo. Encontre exemplos de sucesso em sua própria experiência ou acerca de outros, e solte o verbo.
* Pesquisa — Às vezes pode ser interessante pesquisar através de dezenas de blogs, sites, situações, para enumerar características de um determinado objeto de pesquisa. Principalmente se você chegar a conclusões interessantes que inspirem as pessoas a referenciarem você.
* ‘Colagens’ — Estes artigos são uma estranha combinação de artigos de pesquisa e de links. Você escolhe um assunto que acha que seus leitores vão achar útil e pesquisa o que os outros já disseram a respeito. Uma vez que tenha encontrado tais opiniõe, você junta as idéias de todo mundo (freqüentemente com breves citações) e amarra tudo com alguns comentários seus, para traçar as linhas gerais que você identifica.
* Previsões — Vemos muito disso no fim do ano, quando as pessoas fazem seu "balanço de ano novo" e olham para o ano vindouro e prevêem que desenvolvimentos podem acontecer no seu meio nos próximos meses.
* Artigos Críticos — Artigos de "ataque" sempre fizeram parte da atividade de "blogar". Mas atualmente talvez seja preferível uma crítica do que um ataque. Talvez a linha divisória entre uma e outro seja bem tênue, mas sempre é bom procurar encontrar aspectos positivos no que os outros fazem, e sugerir algumas alternativas construtivas para o que a gente não gosta no trabalho alheio. Particularmente, não vejo vantagem em atacar (principalmente o ataque pelo ataque), uma vez que o que a gente vê fora normalmente (para não ser pedante ao dizer sempre) é só um reflexo do que a gente é por dentro. Em outras palavras, creio que as pessoas estejam fazendo uma bela autocrítica no momento em que partem para o ataque de outrem.
* Debates — Sempre há quem adore um debate. Aquele clima de colher informação que será usada no momento oportuno para invalidar o argumento contrário, ou para fazer o outro pensar. Debates são legais para um blog contra todos, ou um blog contra… si mesmo (experimente, argumente em favor de um assunto, e contra ele no mesmo artigo; você pode terminar com um artigo bem balanceado).
* Artigos Hipotéticos — Artigos hipotéticos podem ser divertidos. Encontre algo que "poderia" acontecer e comece a desenrolar as implicações desse futuro do pretérito. "E se… O Google comprasse o Yahoo?", ou "e se Bill Gates resolvesse vender a Microsoft?", "e se…"
* Sátiras — No Brasil nem tanto, mas nos EEUU é comum as pessoas criarem blogs para escrever de forma satírica, ou parodiando políticos. Paródias e sátiras bem escritas podem ser poderosos fatores de satisfação dos seus leitores.
* Projetos — Escreva um artigo que envolva seus leitores; incite-os a participar, a comentar, sugerir, criticar. Você verá que desta forma acabará criando muito mais interesse e atratividade para os seus artigos.
Esta não é uma lista definitiva (como se isso fosse possível) sobre os tipos de artigos cabíveis num blog. Mas pode ser que ela sirva de inspiração para que você dê uma variada nos seus artigos. E pode ser que você não aproveite nada também, porque os blogs são como seus autores, têm personalidades bem definidas.
Enfim, não há regras, principalmente aqui no Blogarium, a não ser "escrever sobre o que gosta para gostar de escrever". O resto é conseqüência.

FINAL DE CAMPEONATO

Hoje se encerra o Brasileirão. O São Paulo é o campeão incontestável. Única equipe a se salvar do pior futebol já apresentado desde 1970 (ano que começei a acompanhar a esse esporte). Com relação ao Grêmio, mesmo que por outro milagre venha a se classificar para a Libertadores, foi de uma irregularidade irritante. Maior número de pernas-de-pau que o Olímpico já reuniu, incluindo o time que caiu para a Segunda Divisão. O Inter também incorreu no mesmo defeito, com um elenco superior ao gremista. A dupla grenal faria vexame numa próxima Libertadores. Nossa última alegria este ano, compartilhada por colorados e tricolores, constitui a possibilidade do Corinthians ser rebaixado para a segundona. Essa queda é necessária para tripudiarmos sobre a soberba do centro do país. Nunca isso tão próximo de acontecer, dependendo diretamente dos gaúchos. Basta o Inter perder seu jogo para o Goiás e o Grêmio ganhar do próprio Corinthians. Ou numa combinação de outros resultados que não inclua a vitória alvi-negra. Vale a pena conferir este final de campeonato.

sábado, 1 de dezembro de 2007

SINTONIA POÉTICA

Entre as almas sensíveis há como que uma sintonia poética que mereceria um estudo aprofundado, a despeito de sua imponderabilidade. Em menos de um dia, leio em lugares diferentes o mesmo poema de Mário Quintana:
ooo
O que mata um jardim não é o abandono...
o que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por ele passa indiferente.
ooo
Pessoas diferentes transcreveram o poema. A artista plástica pintou-o numa telha portuguesa, uma admiradora da obra enfeita sua sala com esse trabalho, uma terceira imprime num cartão florido e distribui a outras que o lêem (como o faço agora).